domingo, 23 de janeiro de 2011

y

Há algum tempo atrás, aficcionado por quadrinhos que sou, não resisti e paguei uma boa grana por dois encadernados de uma série cujo enredo muito me interessou: “Y – O último homem”. Não me arrependi, já que edição (da Opera Graphica) era caprichada, com direito a capa dura e papel couché, e o mais importante: a história é sensacional, das melhores e mais criativas dos últimos tempos.

Trata das aventuras de Yorick, o último homem a caminhar sobre a terra, e de seu macaco & (Ampersand), o último ... macaco. Mas veja bem, Yorick não é o último ser humano, é o último HOMEM, do sexo masculino. Ao redor dele, cerca de 3 bilhões de mulheres imersas no caos no qual o planeta submergiu depois da morte misteriosa e repentina, sem nenhum motivo aparente, de todos os machos.

Parece uma perspectiva animadora, não ? Afinal, está nas mãos de nosso “herói” o destino da humanidade, em prol do qual ele teria que se sacrificar e acasalar com o máximo de fêmeas possível para fecundá-las. Acontece que, como não poderia deixar de ser, ele se torna um bem precioso e é disputado por todos os que tomam conhecimento de sua existência, do governo dos Estados Unidos, do qual a sua mãe faz parte, que quer protegê-lo, a uma gangue exótica de lésbicas violentas, que conta com sua irmã, Hero, em suas fileiras, e quer eliminá-lo. Isso até o que restou dos governos dos demais países tomarem conhecimento do fato: até onde eu li, ele já teve que enfrentar um esquadrão (feminino, claro) do exército israelense e uma agente russa, que acabou ficando do seu lado contra as judias porque estava interessada, na verdade, num cosmonauta patrício que havia escapado da praga misteriosa por estar fora da terra, na Estação Espacial Internacional. Tudo isso somado a uma complicação adicional: Yorick tem namorada e é extremamente romântico, portanto quer ser fiel à sua amada a todo custo.

“Y” é, das que eu conheço, a melhor obra de Brian K. Vaughan, excelente escritor de quadrinhos e de roteiros para a televisão (participou da aclamada série “Lost”). Do que escreveu, destaco “Ex-Machina”, que também tem um ponto de partida sensacional: o prefeito de Nova York é um super-herói que se tornou conhecido e prestigiado pelo povo ao conseguir impedir que o segundo avião se chocasse contra as torres gêmeas do World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Seu primeiro grande trabalho comercial, no entanto, foi a série “Fugitivos”, feita para a Marvel comics, no qual filhos de super vilões fogem de casa e se unem para tentar impedir os planos maléficos de seus pais. O título foi um enorme sucesso de público e crítica, e rendeu a Vaughan os prêmios Harvey, Georgia Peach e Shuster, além daquele que é visto como o maior da nona arte: o Eisner. Outra grande história do autor, desta vez uma edição especial única, foi “Leões de Bagdad”, que já foi publicada no Brasil e narra as aventuras de leões que sobreviveram à destruição do zoológico da capital iraquiana e vagam pela cidade em busca de liberdade. Já a desenhista da série, a canadense Pia Guerra, é bem menos experiente e conhecida, mas tem encantado com se traço preciso e realista, sem muitas firulas, porém elegante e competente.

“Y” teve 60 edições e foi encerrada em março de 2008 nos Estados Unidos. Uma adaptação para o cinema está sendo cogitada. A Editora Panini retomou a publicação no Brasil. Republicou os dois primeiros volumes, aqueles mesmos pelos quais eu paguei uma fortuna, numa edição mais “pupular” e barata, e também os volumnes 3 e 4. Infelizmente em distribuição setorizada, ou seja, só chega onde moro, em Aracaju, alguns meses depois do lançamento, mas melhor isso do que nada, não? Além do mais, temos a internet, pronta a servir aos mais apressadinhos. Por conta disso, só li até o volume 3, mas o 4 já se encontra a disposição na única loja especializada em quadrinhos de Aracaju, a gibizone.

por Adelvan

Um comentário:

Samara Peixoto disse...

História muito interessante e surreal. E parece que ele curte dessas né? Filhos de super-vilões juntos para combater os pais?! ;p