quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Banksy

(Wikipedia) Banksy (Bristol, 1975[1]) é um notório artista de rua britânico, cujos trabalhos em stencil são facilmente encontrados nas ruas de sua cidade natal, Bristol, ou na capital, Londres.

Iniciou sua carreira cedo: aos 14 anos foi expulso da escola e preso por pequenos delitos. Sua identidade é incerta, não costuma dar entrevistas e fez da contravenção uma constante em seu trabalho, sempre provocativo. É um artivista declarado, e uma das principais marcas de seu trabalho é a criação de pequenas intervenções que geram grandes repercussões. Os pais dele não sabem da fama do filho: "Eles pensam que sou um decorador e pintor", declarou. Recentemente, ele trocou 500 CDs da cantora Paris Hilton por cópias adulteradas em lojas de Londres, e colocou no parque de diversões Disney uma estátua-réplica de um prisioneiro de Guantánamo.

Suas obras são carregadas de conteúdo social, expondo claramente uma total aversão aos conceitos de autoridade e poder. Em telas e murais faz suas críticas, normalmente sociais, mas também comportamentais e políticas, de forma agressiva e sarcástica, provocando em seus observadores, quase sempre, uma sensação de concordância e de identidade. Apesar de não fazer caricaturas ou obras humorísticas, não raro a primeira reação de um observador frente a uma de suas obras será o riso. Espontâneo, involuntário e sincero, assim como suas obras.

Um grande mural do "artista guerrilheiro" foi coberto de tinta por funcionários contratados pela prefeitura da cidade de Bristol para lidar com pichação. O trabalho artístico, com pouco mais de 7 metros de comprimento e que ficava em um muro ao lado de oficinas na cidade, foi coberto com uma grossa camada de tinta preta. O conselho municipal de Bristol disse que quer que o erro seja investigado e determinou a preservação de todas as obras de Banksy na cidade. Em consequencia deste engano, alguém pichou as palavras "wot no Banksy?" (que poderia ser traduzido como "o quê, sem Banksy?") por cima da tinta preta. O mural, um dos primeiros trabalhos de Bansky, apresentava uma coleção de formas azuis, com o traço que é sua marca registrada. Há outras pichações dele em uma ponte ferroviária na mesma cidade. Gary Hopkins, do conselho municipal de Bristol, disse que os funcionários da empresa contratada, Nordic, receberam a incumbência de apagar uma pichação ao lado da obra de Banksy, mas se enganaram e cobriram os traços do artista. "Nós teremos que tomar providências contra a empresa, porque o conselho municipal não deu instruções para a remoção de nenhum trabalho de Banksy. Estamos cientes de que ele é bastante valioso e temos instruções específicas para que nenhum mural de Banksy seja removido", afirmou. A Nordic e o artista não se pronunciaram sobre o assunto. Algumas das obras de Bansky alcançaram preços altos entre colecionadores. Em fevereiro, uma imagem de aposentados jogando boliche com bombas foi vendida pelo equivalente a quase US$ 200 mil, um recorde para o artista. Mas a galeria Lazarides, em Londres, que vende seu trabalho, disse que seria um erro colocar um preço no antigo mural de Bristol pois isto poderia ser uma tentação para pessoas que poderiam removê-lo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Os mortos, os vivos e os mortos-vivos

Assisti, finalmente, à nova “febre” do momento, a Minissérie “The Walking Dead”, baseada nos quadrinhos de Robert Kirkman publicados no Brasil pela pequena HQM Editora e dos quais já sou fã há algum tempo. Pude, portanto, comparar as duas obras e relatarei aqui minhas impressões.

Minha primeira surpresa, positiva, foi notar que a séria não é uma adaptação tão literal quanto eu esperava da HQ. Muito pelo contrário: há uma verdadeira infinidade de novos personagens e situações apenas derivadas do conceito original que não constam da versão em quadrinhos. Isso é ótimo, pois dá a quem já conhece o original, o que é o meu caso, a chance de também se surpreender com o decorrer dos acontecimentos. Melhor ainda constatar que as novas situações são igualmente criativas e bem encaixadas na narrativa, não há nada feito apenas para “encher lingüiça”. Todo o último episódio da temporada, por exemplo, é baseado numa premissa bastante interessante que não aparece na HQ: a existência de uma verdadeira “ilha de segurança” em meio ao caos, uma instalação de pesquisas governamental dedicada ao controle de vírus e demais ameaças de contaminação biológica. Decepção mesmo, até agora, apenas com a forma como foi escancarada ao público a relação entre a mulher do protagonista e seu melhor amigo – nos quadrinhos a situação é apenas sugerida de forma bem mais sutil e inteligente, e tem um desfecho surprendente que, pelo menos por enquanto, não foi reproduzida na televisão.

No mais, os atores entregam atuações razoáveis e há um bom desenvolvimento psicológico dos personagens, muito embora deixe a desejar em relação aos quadrinhos, que eu considero mais realista e menos caricato. Há um certo maniqueismo na versão televisivia que incomoda um pouco, o que não deixa de ser uma ironia, já que a HQ é desenhada em preto-e-branco (com tons de cinza, vale dizer). A maquiagem e os efeitos especiais são ótimos, produzindo zumbis (chamados de “walkers”, ou “caminhantes”) realmente assustadores. Na verdade, ainda mais assustadores do que os que estamos acostumados a ver no cinema: os mortos-vivos de “The Walking Dead” me parecem menos mortos, ou “apagados”, que o usual, com expressões faciais que insinuam algum tipo de sentimento, muito embora saibamos, através do trabalho do cientista retratado no último episódio, que eles podem até não estar REALMENTE mortos, mas definitivamente já deixaram de ser o que eram antes, tendo em vista que, de acordo com o resultado de suas pesquisas, o que volta a funcionar em seus cérebros é apenas uma pequena fração responsável apenas por movimentos guiados pelo instinto. Já neste campo, o dos movimentos, pode-se dizer que os mortos da série estão em um meio termo entre os seres rastejantes dos filmes de zumbi originais de George Romero e as criaturas ágeis e velozes de “Extermínio” ou da refilmagem de “Madrugada dos mortos”.

A lamentar apenas, nas duas versões, o início da saga, com uma idéia claramente copiada do filme de 2002 dirigido por Danny Boyle. O plágio se configura pelo fato de que a série em quadrinhos começou no ano seguinte, em 2003 – mas isso não é tão importante, já que a idéia por trás da coisa toda é justamente prestar uma homenagem aos clássicos e, ao mesmo tempo, ir além do que já foi mostrado nas telas dos cinemas. Vale lembrar também, a título de curiosidade, que há um filme de 1936 dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Boris Karloff que também se chama “The Walking Dead” e conta a história de um homem injustamente condenado à morte que volta à vida graças ao trabalho de um cientista.

por Adelvan

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Qual foi o primeiro filme sobre Zumbi?

Foi o clássico White Zombie ("Zumbi Branco"), de 1932. Dirigido por Victor Halperin, ele era estrelado pelo mestre do terror Bela Lugosi, que fazia o papel do maléfico Legendre, que, no Haiti, transformava pessoas saudáveis em trabalhadores zumbis com a ajuda de uma poção misteriosa. A atuação assustadora de Lugosi convenceu e os mortos-vivos horrendos voltaram a aterrorizar o público na seqüência Revolt of the Zombies ("Revolta dos Zumbis"), de 1936. Nas décadas seguintes, as poções mágicas, que tinham o poder de transformar pessoas em zumbis, continuaram fazendo sucesso no cinema até que, em 1968, o diretor americano George Romero criou um novo conceito para os mortos-vivos. Ele deixou de lado o Haiti como cenário e as poções mágicas para apresentar ao público o cadáver putrefato, que se arrasta de maneira desengonçada, emite grunhidos e se alimenta de cérebros humanos. Essas "belezinhas" são as estrelas de Noite dos Mortos-Vivos, o pai dos filmes modernos sobre zumbis. O curioso é que em nenhum momento no longa de Romero os personagens chamam os mortos que voltam à vida, de zumbis. Esse detalhe só reforça a idéia apavorante de que eles não têm idéia do que está acontecendo! Produzido com um orçamento de pouco mais de 100 mil dólares, Noite dos Mortos-Vivos teve duas seqüências e uma delas, Zombie, Despertar dos Mortos (1978), acaba de ser refilmada com o nome de Madrugada dos Mortos (2004). Essa novíssima produção só serviu para confirmar que os mortos-vivos são mesmo pra lá de poderosos. Afinal, no fim de semana em que o filme estreou, nos Estados Unidos, ele assumiu o primeiro lugar no ranking das bilheterias, desbancando o badalado A Paixão de Cristo, de Mel Gibson. No fim de semana dos dias 20 e 21 de março, foram 27,3 milhões de dólares em ingressos para os zumbis contra 19,2 milhões para Jesus. É, às vezes o "mau" se dá bem...

Loucos por cérebro

Filmografia básica dos mortos-vivos modernos inclui obra do diretor de O Senhor dos Anéis
Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead)
Ano: 1968
Direção: George Romero
Neste clássico sobre "mortos-vivos modernos", um grupo de pessoas enfrenta zumbis comedores de cérebro. O filme teve as seqüências Zombie, Despertar dos Mortos (1978) e Dia dos Mortos (1986), e as refilmagens A Noite dos Mortos-Vivos (1990) e Madrugada dos Mortos (2004)
O Retorno dos Mortos-Vivos (El Ataque de los Muertos sin Ojos)
Ano: 1973
Direção: Amando de Ossorio
Na cultuada série de filmes de zumbis do diretor espanhol Ossorio, templários - cavaleiros de uma ordem religiosa criada no século 12 - que praticavam magia negra são excomungados, mortos e têm os olhos arrancados. Quando voltam das trevas, sem olhos, estão furiosos!
Zumbi 2: A Volta dos Mortos (Zombie)
Ano: 1979
Direção: Lucio Fulci
Ex-aluno de medicina, o italiano Lucio Fulci se especializou em criar seqüências sangrentas. Aqui, zumbis atacam numa ilha tropical e o sangue jorra das jugulares e olhos são arrancados! Fulci foi excomungado pelo Vaticano por causa de uma outra produção em que o protagonista é um padre assassino...
A Hora dos Mortos-Vivos (Re-Animator)
Ano: 1985
Direção: Stuart Gordon
Um cientista maluco cria um soro capaz de reanimar tecidos mortos e começa a experimentar a substância. Um casal de estudantes se envolve na trama macabra. O diretor Brian Yuzna dirigiu as seqüências A Noiva do Re-Animator (1990) e Beyond Re-Animator (2003)
Demons - Filhos das Trevas (Demons)
Ano: 1985
Direção: Lamberto Bava
Numa velha sala de cinema, os convidados que assistem à exibição de um filme de terror são atacados e transformados em zumbis sedentos de sangue e carne humana. E é exatamente isso que ocorre também no filme que está sendo projetado... O diretor Lamberto é filho do mestre do horror italiano Mario Bava
A Volta dos Mortos-Vivos (The Return of the Living Dead)
Ano: 1986
Direção: Dan O’Bannon
O vazamento de um produto misterioso faz os mortos se levantarem das sepulturas. Funcionários de um necrotério e delinqüentes juvenis assistem ao bizarro espetáculo. O filme teve duas seqüências: A Volta dos Mortos-Vivos 2 (1988) e A Volta dos Mortos-Vivos 3 (1993)
Fome Animal (Braindead)
Ano: 1992
Direção: Peter Jackson
Antes de O Senhor dos Anéis, o diretor Peter Jackson já fazia filmes bacanas. Este clássico sanguinolento e bem-humorado tem até um padre estilo kung fu... A mãe controladora de Lionel, um jovem tímido, vira uma zumbi quando é mordida por um macaco-rato (?!). A rabugenta infecta um monte de gente, que Lionel precisa combater
Extermínio (28 Days LATER)
Ano: 2002
Direção: Danny Boyle
Danny Boyle estourou com Trainspotting: Sem Limites (1996) e se afundou com A Praia (2000). Mas o diretor retornou do mundo dos mortos com esse filme gravado em vídeo digital. Um vírus ultracontagioso transforma a maioria da população de Londres em zumbis enfurecidos. Restam poucas pessoas que lutam para sobreviver.
Fonte: Mundo Estranho

A Celebração do absurdo

Luiz Humberto é um daqueles bravos batalhadores anônimos que mantêm viva a cultura underground. Mora em Poço Redondo, sertão sergipano, município onde fica a gruta de Angicos, onde Lampião e Maria Bonita foram assassinados. Já há tempos ele mantém o "Purgatorius Records", selo independente dedicado à barulheira. Recentemente colocou no ar também um blog, com o mesmo nome, do qual extraí o texto a seguir, publicado originalmente na edição conjunta dos Fanzines Escarro Napalm e Buracaju, na primeira metade dos anos 90. Trata-se do único registro conhecido acerca da mais extrema das bandas de rock (ou não) que meus ouvidos já tiveram o prazer (ou não) de escutar, rivalizando com Daminhão Experiença ou com o grupo Raubvogeln, ambos do Rio de Janeiro, no quesito "proposta musical radical anti-comercial".

Agradeço imensamente ao Luiz por ter digitado e disponibilizado o texto.

Para conhecer o blog dele, clique aqui.

A.

ATSOB ATERP - A Celebração do Absurdo!

“Blues,jazz,clássicos,soul,rap,rock,punkrock,rockabilly,hardcore,heavy trash,grind,noise,splatter,death e a puta que pariu-tudo bosta ultrapassada!!!”. São palavras de Hermenegildo, guitarrista da banda ATSOB ATERP, dona daquele que talvez seja o mais radical dos estilos musicais. Mais podre e violento que banheiro publico de periferia, duas vezes mais rápido que a mais rápida banda grindnoisecore, mais suja que açougue em dia de abate. E olha que isto aqui não é chamada para seriado do Super Homem não - é sério! Trata-se de algo inexplicável - não precisa entender ou gostar, apenas sentir. Conheço fãs roxo de grindcore que não conseguiram ouvir sequer uma faixa do trabalho deles!

Surgiram no inicio de 1991. Não usam bateria nem baixo, apenas uma guitarra. O acompanhamento é feito por ruídos os mais variados e imprevisíveis - você poderia imaginar o som de bosta seca caindo num piso forrado com penas de galinha amplificado ao extremo??! Só existe uma banda no mundo com este estilo. Tanto é que ensaiam sempre em locais obscuros, tentando, com isso, evitar a comercialização de suas músicas.

Através de uma gravadora mais que independente e obscura - e você nem imagina o quanto! - já lançaram dois LPs (isso mesmo!). O 1º, intitulado “ERDOPUI BIX”, contém apenas um som, a faixa-titulo, gravada nove vezes com "arranjos" diferentes, e mais um som extra, ”UIBIXER DOP”, que na realidade é mais uma variação de “ERDOPUI BIX”, só que gravada de um modo mais convencional, com baixo e bateria. Já o 2º disco tem 500 "músicas", e é tão rápido que parece ter apenas 2, uma no lado A e outra no lado B. Não vamos comentar porque não conseguimos ouvi-lo devido uma inovação usada no material que foi feito o vinil. O mesmo é propositalmente tão ruim que na terceira vez que se tentar ouvi-lo começarão a surgir bolhas que inviabilizarão a audição e poderão até causar danos nas agulhas dos aparelhos dos mais insistentes. Hermenegildo: ”Não queremos boyzinhos cantarolando nossas músicas por aí.” Até porque este não é um som que se queira ouvir várias vezes. Outra coisa: como pode-se dizer que este vinil é uma bosta, o papel da capa assemelha-se em textura e “qualidade” a papel higiênico. Serve ao menos para limpar a bunda.

Além dos LPs, o ATSOB ATERP possui também uma demo-tape. Como eles não se preocuparam nem um pouco em divulgá-la, surgiram vários boatos a respeito. Alguns dizem conter 10 músicas longas, lembrando às vezes o King Crinsom, outras Napalm Death da fase Lee Dorian. Faltava personalidade - coisas da inexperiência. Já chegaram até a jurar de pé junto que se você tocar a fita ao contrário vai ouvir Pelé entoando aos berros ”Eu não sou cachorrão”, do legendário Waldick Soriano. Perguntamos ao Hermenegildo se ele não poderia me arranjar uma cópia, mas eles já destruíram a matriz. Restou apenas a capa, cuja imagem reproduzimos acima. Pôde apenas me informar que, nesta gravação eles usaram, além da inseparável guitarra, reco-reco, agogô, pandeiro, cuíca, bumbo e lixo hospitalar.

Vale salientar que o material de que falamos aqui dificilmente será encontrado devido ao total disleixo da banda com relação a divulgação, marketing e coisas do gênero. As 500 cópias que restaram do 1º LP eles não vendem e pretendem queimar numa missa negra a se realizar num dia de finados próximo - a esta altura, portanto, já devem tê-lo feito. Do 2ºLP lançaram 1000 cópias. Distribuiram 400 por todo o mundo, 200 viraram merda ao serem manuseadas e as outras 400 eles pretendem - não se sabe como - colocar dentro de capas de discos da Xuxa e vender para algum grande magazine.

Se você achou tudo isso muito esquisito, uma grande besteira ou uma atitude ”do caralho”, prepare-se então para esta: quando você estiver lendo este artigo, provavelmente não existirá mais nenhuma banda ATSOB ATERP. E o motivo da dissolução é justamente a publicação deste texto. Issso mesmo! Nas palavras de Hermenegildo: ”Quando eu liberei os dados pro teu zine, depois eu pensei muito e me arrependi pra caralho. Porra, meu, gravar, ensaiar, tocar, tudo bem, mas ser publicado em artigo já é demais! Daqui a pouco vão querer que a gente faça um show também! É muita exploração pra uma banda só! Queremos ser nós mesmo!” Parece até que ele sofre de uma doença ainda não catalogada nos arquivos clínicos: a “modafobia”. Mas não se desespere: eles já tem planos para uma nova banda. Não precisa nem dizer que se recusaram a comentar o assunto: ”Não queremos cometer o mesmo erro duas vezes...”

Pra terminar, gostaríamos de esclarecer que os membros da banda, à excessão de Hermenegildo, se recusaram a divukgar seus nomes verdadeiros ou endereços. Podemos lhes dar apenas o de um amigo do Hermenegildo, endereço este que usamos para entrar em contato com a banda. Mas vejam bem: Não garantimos resposta!

Por: ADELVAN KENOBI & SILVIO CAMPOS

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Acho justo.

Tropa de Elite 2 é o filme nacional mais assistido de todos os tempos

Em sua nona semana em exibição, o longa-metragem de José Padilha levou mais de dez milhões de espectadores aos cinemas.

Tropa de Elite 2, na noite desta terça, 7, tornou-se o filme brasileiro com maior público de todos os tempos, segundo dados do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual. A informação foi fornecida pela assessoria de imprensa do longa-metragem.

O filme estrelado por Wagner Moura, que pela segunda vez encarnou o temido personagem Capitão Nascimento, e dirigido por José Padilha, contabilizou 10.736.995 milhões de espectadores, superando Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, até então recordista com 10.735.525 milhões - 34 anos para ser superado, um feito e tanto.

O longa-metragem está em sua nona semana de exibição, em 331 salas espalhadas pelo país. De acordo com a assessoria, Tropa de Elite 2 permanecerá nos cinemas enquanto houver público. No mês de outubro, a produção já era o filme nacional mais assistido de 2010, com quatro milhões de espectadores até então.

* * *

A estrela de Tropa de Elite cansou de ser cult: "Quero ser gostosa, rock'n'roll"

Ela convenceu Zé Padilha, enfrentou Wagner Moura, conquistou Caio Blat e emocionou Domingos Oliveira. Maria Ribeiro já foi gordinha, já dirigiu um longa, aguarda a estreia de Tropa de Elite 2 e, aos 34 anos, desconstrói rótulos.

"Quero ser gostosa, rock’n’roll, cansei de ser bacaninha”, desabafa Maria Ribeiro à Tpm, às duas da manhã de uma quarta-feira de julho. O manifesto é contra sua imagem de boa moça, low profile, cabeça. Talvez ela passe essa impressão por não usar maquiagem no dia a dia, viver de calça jeans ou vestido até os joelhos e não tirar os grampos do cabelo. Por ser a mulher que, aos 21, casou com o ator Paulo Betti, 23 anos mais velho, e, depois, com Caio Blat, cinco anos mais novo, mas com fama de “intelectual”. Para completar, o primeiro documentário de que Maria assina a direção abriu o festival É Tudo Verdade, no Rio, no ano passado. Domingos retrata o dramaturgo e cineasta Domingos Oliveira, conhecido como o Woody Allen brasileiro – e um mestre para Maria. O filme entra em cartaz em novembro. Mas antes, dia 8 de outubro, ela volta como Rosane, em Tropa de Elite 2. Agora, em plena madrugada, confessa que quer se ver sensual, fashion, tem até usado batom vermelho e sombra azul. Só para despistar os rótulos.

É verdade que a atriz Maria Ribeiro lê todo dia os cadernos de cultura e os colunistas dos jornais que assina: O Globo e Folha de S.Paulo. E pensa em sustentabilidade quando transforma em lixo os cadernos de informática, economia e esportes. Porém, não se arrisca a ler na internet, afinal, ela mal sabe usar o Google e o YouTube. Mas só os cariocas mais observadores conhecem o lado consumista de Maria, que frequenta lojas como Maria Bonita Extra e Andrea Marques, gastando cerca de R$ 3 mil por mês em roupas brasileiras – ela se recusa a investir em marcas gringas, como Louis Vuitton. “Passei anos pensando que só podia ser inteligente. Qualquer coisa mulherzinha parecia fútil, menor. Fui para o extremo oposto em relação à moda”, analisa ela, que, durante a adolescência, foi gordinha e só andava de bata e saia comprida.

De resto, não liga pra joias, seu único creme é um protetor solar e não troca o Citröen C3 que divide com o marido há quatro anos. Quando não está gravando, almoça fora ou vai ao cinema sozinha depois que deixa João, 7 (seu filho com Paulo Betti), na escola – que segue a linha construtivista. Maria acha divertido que a maioria dos leitores do site Ego a considerem mais “sexy” do que “talentosa” e “gente boa”. Até porque sair de calcinha na foto não é a primeira atitude que contradiz a imagem de intelectual gente boa. Este ano mesmo, fez cenas de sexo com o marido, Caio, no filme Histórias de Amor Duram apenas 90 Minutos, de Paulo Halm.
Mas é preciso ter força

Maria já havia passado por outra situação desafiadora, aos 23 anos. Em sua estreia no cinema, fez performances sexuais que chegam a durar 3 minutos, com o ator Roberto Bomtempo, no longa Tolerância, de Carlos Gerbase. No mesmo ano, fez o ensaio sensual da nossa revista-irmã, a Trip, e foi capa da Tpm #1. Até então, era conhecida apenas pela peça Confissões de Adolescente, dirigida por Domingos – com quem depois trabalhou no filme Separações (2002) –, e por duas novelas na Globo. Resolveu topar o roteiro de Gerbase para chocar a família.

Filha temporã de uma dona de casa e um executivo “louquinho” – que construiu um tobogã da casa em Angra dos Reis até o mar –, Maria cresceu na alta sociedade carioca. Via a família falar inglês quando não queria que os empregados entendessem o assunto. Até hoje, ela vive perdendo suas chaves, como que resquício da época em que podia chegar em casa a qualquer hora que sempre tinha um segurança para abrir a porta. “Quando cresci, percebi que minha família era cheia de mentiras.” Aos 20 anos, ela soube, por exemplo, que um tal “primo distante” era, na verdade, seu tio, filho do avô com outra mulher. Resolveu que faria diferente: seria sincera. Hoje diz “não” quando jornalistas pedem dicas de cremes, livros ou uma “dieta milagrosa” que a fez voltar à forma depois de seu segundo parto normal – Bento, filho de Caio, tem 7 meses, e esta é a primeira vez que aparece numa revista.
A franqueza vale também para educar João. No dia desta entrevista, ela explicava para ele, ao celular: “Você não pode obrigá-lo a te emprestar o videogame. Amore, as pessoas nem sempre fazem o que queremos”, diz, referindo-se ao filho de José Padilha, diretor de Tropa de Elite e seu primo. Zé, aliás, faz questão de dizer que o teste de Maria para o papel de Rosane, em seu longa, não teve nepotismo. “Ela tem a força necessária para dar dura no Capitão Nascimento”, avalia. Tanto que, no roteiro original, Rosane era submissa, mas na tela a personagem enfrenta o marido. Isso porque, durante a preparação de elenco, Wagner Moura deu um tapa na cara de Maria, que entrou no set com raiva e mudou a história.

As pessoas próximas dizem que Maria tem personalidade forte. O pai, que não economiza adjetivos para expressar a admiração pela filha, “muito inteligente”, a chama também de “cabeça-dura”, e João, filho dela, de “brava”. Mas espontaneidade é, de fato, um consenso. E não se abala nem diante de hierarquia. Ela conta que uma vez discutiu sobre trabalho com o diretor-geral de teledramaturgia da Record, Hiran Silveira. Contratada da emissora desde 2004 – sua novela mais recente foi Poder Paralelo, que acabou em março deste ano –, considera um privilégio ter acesso a um chefe, coisa que, na Rede Globo, não viu acontecer. Formada em jornalismo e colunista da Tpm (leia seu texto na pág. 111), Maria acredita que esse contato pode levá-la a escrever para a TV.
Ela também planeja fazer um documentário sobre o Los Hermanos e outro sobre seu pai. Essa última ideia foi influenciada pelo filme Santiago, em que João Moreira Salles retrata um mordomo de sua família. A recepção do primeiro filme de Maria, Domingos, pelo próprio João, é animadora. “É bacana a presença da gratidão, do afeto imenso por alguém responsável por apresentar a gente para o mundão”, observa o documentarista sobre a relação entre a diretora e seu personagem. O longa ainda foi elogiado por críticos como Luiz Carlos Merten e Rodrigo Fonseca e amigos como Wagner Moura. O ator ficou impressionado com a “montagem esperta e madura” que Maria deu ao filme. Mas quem a conhece bem, como Caio, não se surpreende com a habilidade de olhar o todo e tomar decisões. Maria é controladora, sabe tudo o que está rolando no ambiente, seja no camarim de Tropa 2, quando veste o figurino ao mesmo tempo em que ouve esta repórter conversar com o maquiador, seja num jantar em família. Caio associa o comportamento da mulher com uma cena de Viagem a Darjeeling (de Wes Anderson, um de seus diretores preferidos): na mesa de um restaurante, um dos personagens escolhe o prato que vai pedir e sugere também o pedido dos outros dois. “Maria dá muita risada nessa cena, acho que se identifica”, brinca ele.O que Caio mais aprecia nela é a maneira que administra a casa. Toda noite, Maria coloca os filhos para dormir, lê história para o mais velho e, em seguida, vai para a cozinha com o marido. Ele prepara shitake para ela, enquanto ela faz sanduíche de queijo com banana para ele. Apesar de estarem juntos há cinco anos, os dois mantêm uma dinâmica de apaixonados. Caio é quem telefona mais, e a chama de Maricota. “Oi, meu gatinho. Eu também te amo”, são frases repetidas várias vezes ao dia.Já o que a atraiu no ator Paulo Betti, primeiro marido de Maria, durante os ensaios de Inimigos do Povo, em 1996, foi o fato de ser um homem mais velho, politizado, inteligente, que lhe passava firmeza. Apaixonou-se quando viu que ele não se intimidava ao debater política, filosofia ou ciência com Leonídio, pai dela, Otávio, seu irmão, e José Padilha – até então, os três homens da vida de Maria. Já Paulo se encantou com a capacidade que a ex-mulher tem de ser visceral “ao mesmo tempo que é ligada também nas coisas, digamos, mais fúteis”. Lembra especialmente de quando ela passou três dias sem trocar de roupa, cuidando dos filhotes de sua cachorra, que nasceram enrolados na placenta. Mesmo separados, Paulo gosta de saber a opinião dela “a respeito das coisas práticas e poéticas”, e Maria o considera parte da família.
É preciso ter graça

Há 14 anos, Maria faz análise e reclama que pensa demais. Vive se cobrando praticar atividade física e ter uma alimentação mais saudável do que as recorrentes batatas fritas. Mas hoje se sente mais jovem e leve do que na época da novela global História de Amor, quando José Mayer lhe disse: “Você é uma velhinha de 21 anos”, referindo-se à sua seriedade. “Pessoas inteligentes são difíceis de encontrar. Mulheres inteligentes e belas são uma coisa raríssima. Maria é feminina ao extremo, porém viril”, resume Domingos Oliveira, ajudando a atriz a fugir dos clichês.



Fonte: TPM

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Os Mortos Vivos


Filmes e séries sobre zumbis? A-ham… Senta lá… É sempre aquela coisa tosca, história fraca, ação meio arrastada (os mortos-vivos são sempre lentos!) e não tem nenhuma outra novidade porque tudo de bom já foi feito por George A. Romero e por aquele “Extermínio” do Danny Boyle.
Certo? Errado! “The Walking Dead” não possui esses defeitos e traz novidades!
Viemos aqui dar os 5 motivos para você também amar e ficar viciado em “The Walking Dead”:
1) Porque é muito bom e dá medo!
A ação é sensacional! Nada mais legal que as cenas de morte dos zumbis, os headshots, o sangue provocado pelas armas e machados, o alívio que dá um tiro na cabeça dos mortos-vivos…
O seriado têm cenas de terror tão nojentas e cheias de sangue que você nem acredita que elas foram exibidas na TV norte-americana. Vale ressaltar que é a primeira vez que vemos uma história de zumbis contada de maneira tão dramática e até poética.
2) É sobre zumbi, mas a tensão está nas relações humanas.
A tensão está nos sobreviventes! Esta é a razão principal pela qual você quer ver “The Walking Dead”. Pelas pessoas que estão vivas e são não só ameaçadas pelos mortos, mas pelos próprios sobreviventes.
Não é só terror. É drama, é traição entre os personagens, decisões de cortar o coração e conflitos entre pessoas cheias de ódio ameaçando uns e outros de morte.
3) Andrew Lincoln!
Este ator britânico é mais conhecido mundo afora porque fez uma ponta no filme “Simplesmente Amor” (ele é aquele cara que se declara para Keira Knightley segurando cartazes na porta dela), mas quem assiste cinema britânico e viu o seriado “This Life” sabe como ele é excelente.
Andrew Lincoln, no papel do policial Rick em “The Walking Dead”, é quem conduz a trama com excelência. Nós torcemos pelo personagem dele. O ator e toda sua competência é quem fazem a história aparentemente boba e meio nerd ficar muito interessante, adulta e séria.
4) Os zumbis dão agonia.
Eles não são aqueles mortos-vivos que aparecem do nada para dar susto e fazer você pular da cadeira.
Em “Walking Dead”, os zumbis trazem a ansiedade, a agonia, o pavor… Você quer eles longe. Você não quer que eles apareçam nunca porque vão acabar com a vida de quem você gosta, daquele cara que tinha esperança, de outro que tinha feito planos, etc. Ok, ok… Também têm aquelas cenas que você fica gritando por dentro: “Correeeee! Correeee pelo amor de Deeeeus!”.
5) Você quer saber o que vai acontecer depois! Os personagens são ótimos e o roteiro é excelente. Os sobreviventes não são aqueles idiotas de filmes de terror que você acaba torcendo pela morte deles. Em “The Walking Dead”, as pessoas são “reais”. Você torce por elas.
E já avisamos: até agora nenhum deles morreu, mas dizem que… OK. Paramos por aqui!
“The Walking Dead” é exibido pela FOX Brasil toda terça-feira, às 22 horas. A série é do AMC, mesmo canal pago dos EUA que faz “Breaking Bad” e “Mad Men”. Poucas pessoas sabem, mas a 1ª temporada só terá seis episódios. Felizmente, é um sucesso retumbante, o que garante a sequencia.A segunda temporada só em outubro de 2011, pra não atrapalhar os lançamentos das outras séries do canal.

Fonte: Papel pop

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

purgatório da beleza e do caos

Agora o bicho parece ter pegado pra valer na “cidade maravilhosa cheia de encantos mil”. Não parece haver mais nenhuma dúvida de que a situação é de guerra – talvez não uma guerra civil, já que não há dois exércitos regulares travando combate pela tomada do poder do estado, muito embora o embate até que poderia se encaixar na descrição fornecida pela Wikipédia (Guerra civil ou guerra interna é a guerra que se faz entre partidos ou grupos de um mesmo povo ou país). Não não é o caso, já que o tráfico de drogas não é uma organização ampla e organizada ao ponto de aspirar o controle político da nação como um todo. É, no entanto, sem sombra de dúvidas, uma guerra, urbana, e das mais brutais.

Há relativamente pouco tempo a polícia carioca parece ter descoberto, finalmente, que a brutalidade pura e simples não estava adiantando nada nesta contenda, muito pelo contrário, estava apenas contribuindo para aumentar a rejeição da população às autoridades legitimamente (pelo menos em tese) constituídas. Com as UPPs, bases de polícia cidadã, instaladas nos morros e sempre em contato com a população, o governo começou a ganhar terreno nos territórios controlados pelo tráfico. A reação dos bandidos, tocando literalmente o terror por toda a cidade, parece ter precipitado algo que já estava se configurando para ser posto em ação de forma gradual. O resultado foi o que todos vimos nos últimos dias: a espetacular tomada de dois dos maiores redutos do crime pelas forças do estado, num raro exemplo de articulação bem sucedida entre as esferas federal, estadual e municipal. O clima é de otimismo, um pouco exagerado até, beirando o ufanismo, mas espero que, pelo menos em parte, se confirme. Não sou anarquista e portanto acredito na legitimidade do monopólio da violência pelo estado – desde que este seja, evidentemente, o mais democrático possível. Só a democracia, com o máximo de controle exercido pela sociedade civil organizada, é capaz de legitimar, moralmente, o poder estatal, e mesmo com dificuldades, aos trancos e barrancos, acredito estarmos avançando positivamente também neste sentido.

Vendo as diversas manifestações do tipo “I Love Rio” pelas redes sociais, resolvi dar uma modesta contribuição relatando minha experiência pessoal com a cidade e seus habitantes. Os cariocas são, em geral, gente boa, hospitaleiros e expansivos. Isso pode ser observado facilmente nas ruas, mas é fato, comprovado inclusive por pesquisas. Costumo dizer que a diferença entre cariocas e paulistas é basicamente a seguinte: se você fala, no Rio, que gostaria de conhecer um lugar, a pessoa geralmente se prontifica para levá-lo lá, servir como guia, se não na hora, no momento mais apropriado. Já o paulista simplesmente te ensina como chegar lá e você que se vire. Veja bem, não estou desmerecendo os paulistas, até porque se for comparar o sergipano tem muito mais de paulista que de carioca, é um povo meio “desconfiado” e avesso a abordagens excessivamente íntimas. Eu mesmo sou assim, mais introspectivo – neste ponto, me considero um sergipano típico. Isso é natural, são as características culturais de cada povo – os novaiorquinos, por exemplo, têm fama de serem avessos a demonstrações de afeto para com estranhos também, mas nem por isso Nova York deixa de ser uma cidade fenomenal, como São Paulo também o é. Mas que os cariocas são, geralmente, mais simpáticos e bem humorados, isso são. CB – Çangue Bom.

Digo isso baseado em grande parte em minha experiência pessoal. Conheci São Paulo primeiro e fui muito mais vezes para lá, pois é lá que tenho parentes e por isso era onde me sentia, a princípio, mais à vontade. Mas à medida que fui conhecendo melhor alguns cariocas e o Rio de Janeiro, especialmente a partir da segunda vez em que estive na cidade, em 1998 (primeiro show do U2 no Brasil), me apaixonei. Sou apaixonado também pelos meus amigos de lá – um deles, por sinal, morava (não sei se ainda mora) justamente no complexo do Alemão. Me lembro de uma vez em que liguei para ele e ele me pediu pra esperar um pouco para ele ir fechar a janela pois estava rolando um tiroteio lá fora. Falei: “tu ta de sacanagem né?”, mas ele colocou o fone na janela e dava para ouvir, nitidamente, o som de tiros de fuzil. Sinistro. Este meu amigo, inclusive, me dá a impressão de ser uma pessoa um tanto quanto triste, algo perfeitamente compreensível para quem mora num lugar onde você sai para trabalhar pela manhã e se depara com um aglomerado de gente em torno de uma Kombi cheia de cadáveres na porta de sua casa ou escapa por pouco de pegar o mesmo ônibus que seria, posteriormente, incendiado com as pessoas dentro – situações reais que ele me relatou ou que vi “in loco”, quando estava por lá. Mas é, ao mesmo tempo, muito gente fina, sempre solícito e com um humor afiado. Foi com ele que viajei de bondinho por Santa Tereza, que atravessei pela primeira vez a Baía de Guanabara rumo a Niterói e passeei pela Lapa, onde ele tinha uma loja especializada em vinis, além de dar muitos “rolês” pelo centro à procura de discos baratos enquanto conhecia o SAARA, o CCBB, o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional ...

Com outro grande amigo conheci a Zona Oeste, já que ele mora em Campo Grande, um dos bairros mais afastados do Rio, praticamente uma cidade à parte. Na época, controlado por uma milícia, se não me engano. Lembro da gente passeando pelo calçadão, no shopping, e ele falando como era surreal minha presença ali, já que, pode-se dizer, ninguém vai a Campo Grande, a não ser que more ou tenha parentes por lá. Bom, parentes eu não tenho, mas tenho um amigo que pra mim é como se fosse um irmão, aquele tipo de irmão com o qual você tem mais afinidade e no qual confia plenamente. Pra mim, foi o maior prazer tomar uma deliciosa sopa de ervilha preparada por sua mulher num sábado à noite enquanto ouvíamos Ratos de Porão na varanda de sua casa. Vale citar, inclusive, o comentário que ele fez depois de ouvir com atenção meu rosário de loas e elogios deslumbrados à beleza do Rio de Janeiro: "É, curioso, eu não consigo pensar no Rio como outra coisa a não ser uma cidade muito violenta". Dependendo do lugar em que você more e da vida que você leve, deve ser bem por aí, mesmo ...

Como foi um enorme prazer ser hospedado por minha amiga Soraya, no Flamengo, ou por meu camarada Danúbio, em Ipanema - o cara na companhia de quem eu visitei o magnífico prédio do MAC de Niterói, projetado por Oscar Niemeyer. Em Ipanema, dentre outras coisas, pude conferir pessoalmente a sensação de ouvir um tiroteio pela janela do apartamento, já que ele morava de frente para uma favela, ou ver o por do sol nas pedras do arpoador e constatar que é verdade a história de que a praia inteira aplaude o espetáculo da natureza ao final. Uma cena meio hippie e piegas, mas confesso, foi emocionante. A gente vê a vida inteira essas paisagens em fotos ou pela televisão, mas acredite: estar lá, pessoalmente, é muito diferente. Não viajo tanto quanto gostaria, nunca estive fora do Brasil, mas duvido que exista, no mundo, uma cidade mais bonita que o Rio de Janeiro.

Tenho dito.

A.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

TRÊS

"Três" é o nome de uma exposição com os artistas plásticos Marcelo Roque, Tiago Campelo e Jamson Madureira. Estará disponível para visitação até o dia 07 de janeiro de 2011, das 10h às 19h, na Galeria do Sesc do centro (em frente ao Colégio Arquidiocesano). Perdi a "vernissage" por conta do programa de rock, mas dei uma passada lá dia desses à tarde para dar uma conferida. Fiquei positivamente surpreso com o trabalho de Marcelo, muito legal, bem desenhado e com uma excelente noção de cores e de efeitos "claro/escuro". Já as obras de Madureira, de quem nunca mais tinha visto nada novo, me decepcionaram. Achei fraco - especialmente umas caixinhas rudimentares decoradas aparentemente através de canetas esferográficas que ele colocou lá, muito sem graça. Tiago Campelo eu não conhecia, achei fraco também - boas ideias de desenhos "surreais" e/ou abstratos, mas precisa melhorar o traço e tomar umas lições de anatomia.

Mas enfim, esta é só a minha opinião pessoal.

Vá e Veja.

A.

A EXPRESSÃO PLÁSTICA DO DESENHO NA CONTEMPORANEIDADE
 


O desenho é uma prática ancestral. Rupestre primeiro confundia-se com o próprio objeto representado. Ao correr da história muda, ganha perspectivas, contornos, nuances, matizados, jogos de luz e sombra. Figurativo traduz o mundo e nos empresta certa forma de ver. Constrói secularmente um olhar sobre o mundo, um olhar sobre cotidiano, um olhar sobre as grandes questões que nos afligem.

Mapa para trajetos longos, cartas de navegação, divisão de terras, relevos, estradas, o desenho assume um aspecto um aspecto utilitário e indispensável.
História em quadrinhos, cinema, banda desenhada, o desenho abre-se para a arte, o desenho abre-se para o belo, o contemplativo o que enleva o espírito.
No nanquim, no bico de pena, no grafite, na luz/cor dos computadores, linhas mais ou menos espessas originam um universo de formas cujos procedimentos de composição se voltam para as múltiplas possibilidades de contar histórias, narrar fatos, discutir acontecimentos, inquietar e reorientar certezas.
Os trabalhos expostos mostram a plasticidade da técnica e a leveza de uma técnica que não deixa nunca de nos impressionar.
Profª. Drª. Lilian França
 



A Aids existe. Previna-se.

De 1980 a junho de 2010, foram registrados 592.914 casos de Aids no Brasil, de acordo com o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde. Ao longo desse período, mais de 220 mil mortes ocorreram em decorrência da doença.
Outro dado preocupante é que o resultado do Boletim Epidemiológico Aids/DST 2010 afirma que, embora os jovens tenham elevado o conhecimento sobre a prevenção da patologia, há tendência de crescimento do HIV entre eles. O levantamento feito com mais de 35 mil garotos de 17 a 20 anos indica que, em cinco anos, a prevalência do vírus nessa população passou de 0,09% para 0,12%.
No Dia Mundial de Luta Contra a Aids (1º de dezembro), confira dez mitos sobre a enfermidade, que fazem parte da campanha 10 Mitos e 1 Verdade: a Aids existe. Previna-se, realizada em São Paulo pelo Instituto Kaplan - Centro de Estudos da Sexualidade Humana, com o apoio da Abbott. As explicações abaixo são de Camila Macedo Guastaferro, psicóloga, educadora sexual e coordenadora de projetos do Instituto Kaplan.
1 - HIV e Aids são a mesma coisa
O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é o vírus causador da Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), doença que ataca o sistema imunológico. Há muitas pessoas soropositivas (com o vírus) que vivem durante anos sem desenvolver a síndrome.
2 - Não é preciso se preocupar com a Aids porque já existe tratamento
Em primeiro lugar, a Aids tem tratamento, mas não apresenta cura. Além disso, os medicamentos devem ser tomados por toda a vida e podem causar efeitos colaterais, como diarreia e vômito.
3 - Quem é HIV positivo não precisa fazer sexo seguro
Sexo sem proteção pode fazer com que a pessoa entre em contato com outro subtipo de HIV ou ainda aumente a sua carga viral. Fora isso, abre espaço para contrair outras doenças sexualmente transmissíveis.
4 - Sexo oral não transmite o HIV
O sexo oral também proporciona contato direto com secreções sexuais e, caso haja algum ferimento na boca ou no tubo gástrico de quem o faz, pode ocorrer a transmissão, sim.
5 - Um casal virgem não corre risco de pegar HIV
O vírus não é transmitido apenas pelo sexo. Pode-se contraí-lo ao compartilhar seringas e agulhas; em transfusão de sangue contaminado; durante o parto normal. Portanto, alguém virgem pode ser portador do vírus e passá-lo.
6 - Quem tem parceiro fixo não precisa usar camisinha
Mesmo se for feito um teste que comprove que o parceiro não é portador do HIV, ele pode adquirir depois.
7 - Quem tem HIV não pode ter filhos
Se o casal tem algum portador do vírus, é importante procurar por um médico para indicar as formas de evitar a transmissão para o filho e o parceiro. Vale mencionar que o HIV não afeta a fertilidade.
8 - A Aids pode ser transmitida pelo beijo
A saliva não tem carga viral suficiente para transmitir a doença. Mas, se o portador tiver um sangramento considerável na boca e o parceiro apresentar uma ferida, pode haver contágio. A situação é rara.
9 - O teste de HIV só deve ser feito quando há suspeita de Aids
É importante descobrir o vírus o quanto antes para evitar a Aids e suas complicações. Portanto, quem praticou sexo inseguro, compartilhou seringas e teve contato com sangue deve fazer o teste.
10 - Quem tem HIV desenvolverá Aids, inevitavelmente
O tratamento oferece a possibilidade de a Aids não se manifestar.
Patricia Zwipp
terra