
Algum tempo depois troquei Tex pelas revistinhas de Super-Herói em formatinho da Editora Abril. Comprava (e lia !!!) todas, para desespero de minha mãe, que via as pilhas se acumularem e ocuparem mais espaço a cada dia. Ela me proibia de comprar mas eu economizava no lanche e continuava comprando, usando de expedientes bizarros como esconder as revistas embaixo da camiseta para tentar (geralmente sem sucesso) entrar com elas em casa sem ser pego em “flagrante delito”. Minha preferida era a “Superaventuras Marvel”, e foi lá que eu fui refinando meu gosto por roteiros mais elaborados através dos X-Men de Chris Claremont (A “Saga da Fênix negra” é um clássico) e, principalmente, do Demolidor de Frank Miller. Este foi, realmente, revolucionário, especialmente na chocante historia com a morte da personagem Elektra – nunca antes um personagem tão importante tinha morrido numa revista em quadrinhos, e na época a gente acreditou que ela continuaria morta. Só depois as pressões de mercado fariam a credibilidade da irmã do sonho cair por terra no mundo dos “gibis” de super-heróis.
Na mesma época houve uma espécie de ensaio do lançamento de

Mas revolucionário mesmo foi o lançamento de “O Cavaleiro das Trevas”, de Frank Miller. Para mim, teve mais ou menos o mesmo impacto que o punk no mundo do rock. Perdi imediatamente o interesse pelas revistinhas comuns, “de linha”, como se dizia na época, e passei a comprar apenas as chamadas “graphic novels”, com formato maior e geralmente contendo histórias fechadas com roteiros mais adultos. Ainda lembra da expressão de alívio de minha mãe quando coloquei todas as revistinhas num grande saco e levei para um amigo para o qual as tinha vendido a “preço de banana” ...
“O Cavaleiro das Trevas” deslanchou uma onda de lançamentos sensacionais em todo o mundo. As bancas foram inundadas por obras seminais como Watchmen e O Monstro do Pântano, de Alan Moore, Orquidia Negra e Sandman, de Neil Gaiman, e Blood e Moonshadow, de John J. Muth. Bons tempos. Era a época do nascimento da Vertigo, subselo da DC Comics que é, até hoje, sinônimo de quadrinhos de qualidade. No Brasil, além do surpreendente sucesso de revistas de autores nacionais, como a Circo, Chiclete com Banana, Geraldão e Piratas do Tietê, foi lançada a Animal (Feio, forte e formal), que compilava o que de melhor existia nos quadrinhos europeus, além de publicar, também, autores tupiniquins. Foi lá que conheci Lourenço Mutarelli (brasileiro, hoje se dedicando mais ao cinema e à literatura), Milo Manara, Andrea Pazienza, Tanino e Liberatori e Vuillemin, dentre muitos outros, e personagens inesquecíveis como Ranxerox, Peter Punk e Tank Girl. Até mesmo uma edição brasileira da célebre Heavy Metal viu a luz do dia, na época, mas teve vida curta.

É necessário que se registre, também, o excelente trabalho que tem sido feito por editoras menores, responsáveis pela publicação e republicação de obras seminais como a de Moebius, em formato gigante e capa dura; "Juiz Dredd" e "Hellboy", publicados pela Mythos - que também edita as revistas da panini -; "Estranhos no Paraíso", de Terry Moore, e “Os Mortos-Vivos”, de Robert Kirkman - esta uma verdadeira obra-prima, talvez a melhor “historia de zumbis” na qual eu já pus os olhos (pode incluir aí todos os clássicos do cinema). A HQ Maniacs, responsável pelo título, foi literalmente salva da falência pelo sucesso de "The Walking Dead", a série televisiva derivada do quadrinhos que virou mania em todo o mundo, e hoje coloca nas bancas um novo universo de super-heróis, o da editora norte-americana Valiant.
Estamos bem, em termos de edição de quadrinhos no Brasil, o que não deixa de ser surpreendente, já que o mercado sempre foi errático e problemático. E o futuro promete! Para o alto, e avante, rumo ao infinito - e além ...
ATENÇÃO: post atualizado em 23/03/2014.
por Adelvan k.


















































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