terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Arte de Thiago Neumann

Thiago Neumann, artista sergipano (na verdade nem sei se ele é sergipano, mas vive e atua por aqui, mais precisamente no conjunto Inácio Barbosa), também conhecido como "Cachorrão", é o cara - e o cara é do rock! Pode ser facilmente visto "alive and kicking" nos shows alternativos de Aracaju, sempre agitando muito e muitas vezes invadindo o palco para fazer alguma intervenção "chapada". É um desenhista talentosíssimo e está sempre contribuindo para a cena com ilustrações para capas de discos e cartazes. Uma pequena amostra do talento dele você vê abaixo. Se quiser ver mais, clique aqui.


















quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Segunda " Zombie Walk " de Aracaju

A primeira aconteceu timidamente (sergipano é meio tímido mesmo) ano passado, a partir do parque da sementeira. Teve poucos participantes, mas até que foi divertido, como você pode comprovar aqui. Este ano está marcado para acontecer na Orla da Praia de Atalaia, no trajeto previsto no mapa abaixo.

Mas afinal, que porra é uma "zombie walk" ? A Wikipedia explica:

Zombie Walk é um movimento público organizado por um grupo de pessoas que se vestem de zumbis. Geralmente caminhando ou correndo por grandes centros urbanos, os participantes organizam uma rota através das ruas da cidade, passando por shoppings, parques e outros locais públicos.

O evento é promovido via internet ou através de flyers, cartazes etc. As Zombie Walks são consideradas por muitos participantes como um evento underground. Durante o evento, os participantes se caracterizam como zumbis e se comunicam como zumbis (iguais aos filmes de horror), grunhindo, gemendo e gritando "miolos" ou "cérebros".

Uma das primeiras Zombie Walks ocorreu em Outubro de 2003, em Toronto, Canadá, com apenas seis participantes, e obteve grande repercussão. Em 27 de Agosto de 2005 ocorreu em Vancouver a primeira Zombie Walk em grande escala, com mais de 400 participantes caminhando por mais de 35 quadras no centro da cidade. A primeira Zombie Walk realizada no Brasil foi em Belém, em 29 de Outubro de 2006. Em muitas outras cidades pelo mundo estão sendo organizadas outras Zombie Walks, como São Francisco, Montreal, Nova Iorque, Sydney, Baltimore e Seattle.

Em 2007, surge a primeira invasão zombie em Lisboa, Portugal. De início com pouca aderência, aumentando em 2008 o número de mortos-vivos. Fazendo uma pausa em 2009, a Zombie Walk Lisboa regressa em grande em 2010 para receber a presença de George A. Romero no festival de cinema de terror, Motelx.'

Aracaju ?

Aracaju é um município brasileiro e capital do estado de Sergipe. Localiza-se no litoral, sendo cortada por rios como o Sergipe e o Poxim. De acordo com a estimativas, a cidade conta com 570.039 habitantes.[2] Somando-se as populações dos municípios que formam a Grande Aracaju: Nossa Senhora do Socorro, Barra dos Coqueiros, Laranjeiras e São Cristóvão, o número passa para 800 mil habitantes. A cidade é apontada como a capital com os hábitos de vida mais saudáveis do País e a capital com menor índice de fumantes, segundo o Ministério da Saúde. O topônimo "Aracaju" deriva da expressão indígena "ará acaiú", que em tupi-guarani significa "cajueiro dos papagaios". O elemento "ará" significa "Papagaio" e "acaiú", "fruto do cajueiro".










quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Gothic pelourinho

Há um bom numero de anos atrás, na segunda metade da década de 90 do século passado, lembro-me de estar no show de lançamento do primeiro disco ao vivo do brincando de deus no pelourinho, em Salvador. Ao ver no telão um vídeo de Morrissey, comentei como era inusitado assistir o bardo de Manchester em pleno centro Histórico da Bahia, coração da cultura afro-brasileira. Não havia, evidentemente, nenhuma conotação pejorativa em minha observação, mas ela despertou uma lembrança em meu camarada Rogério Big Brother, que estava ao meu lado, e ele retrucou: “Que nada, aqui no Pelourinho se vê de tudo. Tempo desses a gente tava voltando pra casa de madrugada quando vê um gringo bêbado sendo “escoltado” por duas putas. A fisionomia do cara nos pareceu conhecida, quando chegamos perto, era Jimmy Page! Ao ver nossa cara de assombro, as putas perguntaram se a gente conhecia aquele gringo e sabia onde ele estava hospedado”.

Igualmente inusitado foi viajar à Bahia, novamente ao Pelourinho, para ver um evento de música gótica “underground”. De alguns anos pra cá tenho sentido que Salvador está se tornando mais cosmopolita, mais aberta a uma maior diversidade cultural, muito provavelmente por conta de uma nova política pública mais democrática e pluralista advinda com o fim do “carlismo” e sua “máfia do dendê” – não por acaso, o evento tinha o patrocínio do Governo do Estado. Fico feliz com isso, até porque a capital baiana fica perto de Aracaju e nós poderemos também, a princípio, desfrutar desses novos tempos.

Chegamos à Praça Teresa Batista por volta das 18:30. A primeira banda a se apresentar na noite já estava no palco – não sei qual era o nome da mesma, mas a julgar pelo que estava no cartaz, era “Inominável”. Uma sonoridade calcada no punk rock que se fazia por aqui no início da década de 80, ou seja: tosco, simples, direto, cru. Uma coisa curiosa sobre as bandas de Salvador é que elas, quando não estão entre as melhores em seu estilo (vide Dead Billies, Retrofoguetes, Headhunter DC, Mystifier, Vendo 147 e a já citada brincando de deus), tendem a ser extremamente caricatas, beirando o bizarro. Era o caso da Inominável, que tinha como “frontman” um figuraça esquisito trajando um vestido horrível (não sei de onde aquele cara tirou a idéia de que ele iria ficar legal daquele jeito). Não teria sido nada demais se a falta de bom senso não tivesse feito com que o show se arrastasse por um tempo mais do que o razoável para o tipo de som que eles fazem, numa interminável sucessão de sons que mais pareciam esboços de musicas - algumas, inclusive, instrumentais, o que é ridículo em se tratando de uma banda que, assumidamente, não sabe tocar.

No intervalo, discotecagem. Não é a minha praia, definitivamente, mas uma DJ simpática mandou bem nuns EBMs pesadões que colocaram a galera pra dançar. Enquanto isso, no palco, a segunda banda, Latromoden, se preparava. Tratava-se, na verdade, de uma dupla, um vocalista + um guitarrista acompanhados por bases pré-gravadas. Depois de uma interminável introdução, começa a musica propriamente dita, e mais uma vez minha teoria de botequim sobre o rock baiano se confirma: tratava-se de um pastiche de pós-punk, com clima etéreo e andamento extremamente lento, além daquelas letras pseudo-poéticas e depressivas típicas das bandas “dark” brasileiras da década de 80. O visual e os trejeitos do vocalista, no palco, eram tão caricatos que chegava a ser involuntariamente cômicos, ainda mais quando levamos em conta o figurino da criatura, com seu cabelo “lambido” de gel terminando num minúsculo “rabo de cavalo”, blusa vermelha e calça e luvas de couro pretas. Parecia uma espécie de “Wando gótico”. Aliás, acho que foi a banda mais “gótica” que eu já ouvi em toda a minha vida, com frases do tipo “não há remédio para o caos ou para o tédio, somente o suicídio” proferidas numa expressão desesperada por Robson “Sinistro” (sim, é esta a alcunha do rapaz), que até que tem um vozeirão legal, assim como o som deles não é de todo ruim, tem belos climas, bons arranjos e guitarras poderosas, mas “viajam” demais no “darkismo”. Fiquei até imaginando: seria realmente impressionante se um cara desses se matasse pra valer no palco. Todo mundo lá distraído de repente se ouviria um pipoco e pá, tá ele lá, morto, estendido no chão. Aí, sim, ia passar a levar a sério todo aquele discurso enfadonho (antes que alguém me acuse de desejar a morte do rapaz, é brincadeira, ok ? Apenas um devaneio besta de uma mente entediada tentando se distrair, e se ele pode – fez questão de ressaltar para a platéia que era brincadeira o papo de suicídio na letra – eu também posso). Mas não, muito pelo contrário, o cara (e parte do público) estava era se divertindo, alguns com a banda, outros RINDO da banda, como um figura ao meu lado que exclamou “ih, então o problema é esse, o cara é brocha” ao ouvir a letra de “Elizabeth”, outra desesperada canção de amor depressiva que dizia a certa altura: “ás vezes eu tento FODER você e não consigo”. A julgar pela reação de alguns fãs entusiasmados e do que tenho lido na net, tem quem goste, mas eu, de minha parte, só consegui ficar espantado com o “goticismo” das criaturas. Fiquei no meu canto comendo meu churrasquinho de gato com guaraná, apreciando mentalmente o espetáculo de imagens de cadáveres frios de musas repousando entre rosas e espinhos que saía da boca do vocalista. A partir daquela noite, “latromoden” virou sinônimo de depressão, algo do tipo “nossa, você acordou meio latromoden hoje, heim”. Ah, Salvador ...

Mas enfim, o motivo de nossa presença (minha e dos que me acompanhavam) era ver, finalmente, um show decente dos cearenses da plastique noir, já que o que tinha visto em Recife, no Abril pro rock, foi tumultuado e cheio de falhas técnicas. Não me decepcionei, felizmente. Antes deles, no intervalo, mais um DJ na pista, só que desta vez mandando uma discotecagem totalmente voltada para o rock brasileiro, especialmente o dos anos 80, com direito, inclusive, a algumas pérolas da new wave brasuca que há tempos não ouvia, como “Beat acelerado”, do Metrô. Poderia ter sido legal, mas o cara não era bom, não tinha a menor noção de como enfileirar musicas que seguissem um padrão sonoro coerente ou uma unidade conceitual, o que resultou numa sopa indigesta que misturava Nação Zumbi (???!!!) com Camisa de Vênus e Hard core no mesmo caldo. Resultado: pista vazia.

Plastique Noir é a melhor banda do estilo (gótico/Darkwave) no Brasil. Não são nem um pouco originais, mas conseguem emular o som que era feito por grupos como Clan of Xymox e Sisters of mercy nos anos 80 de forma extremamente competente e com boas composições, o que é importante para que não se tornem uma cópia mal-acabada de tudo o que veio antes. Muito pelo contrário, são daquelas bandas que você ouve e pensa “isso parece muito com Joy Division, mas não é Joy Division. E é bom”. É como se você estivesse ouvindo uma música do Joy Division que nunca tinha ouvido antes – o que é o caso da primeira composição mais nova que eles executaram – e eu não consigo imaginar um elogio maior que este. Grande som, assim como muito boa também foi a segunda das três inéditas que pontuaram o show. Só não gostei muito da última, que encerrou a apresentação, um tanto quanto arrastada e com um ritmo meio “truncado”. Mas nada que pudesse estragar a apresentação como um todo, que foi excelente, com direito, evidentemente, a verdadeiros “clássicos” como “Those Who walk by the night”, “Imaginary walls” e “Creepshow”. Daniel estava lá cavucando seu baixo, mazela mandando muito bem nos dedilhados e nas “caras e bocas” e Airton S. perfeito, disparando programações e batidas poderosas entre vocais cavernosos, emoldurado por um belíssimo topete “à La Morrissey”. O som estava muito bom e desta vez tudo correu bem, beirando a perfeição. Só o público eu achei meio perdido no espaço, mas Mazela agradeceu no microfone a presença de todos e falou que público de lá “agitava muito” – então tá, ou ele estava sendo “político” ou realmente estava sendo bom para eles, e se estava bom para eles e bom para mim e para as pessoas que vieram comigo, que se divertiam a olhos vistos, o resto que se foda. Foi excelente.

É isso. Espero que as coisas REALMENTE mudem na “cidade do axé e do amor” e eu tenha mais e mais motivos para me deslocar para lá, já que aqui em Aracaju, do jeito que as coisas estão, está difícil de ver ao vivo uma banda como a plastique noir, que tem um público tão, digamos, “específico”. O resto da viagem transcorreu numa boa, mas com direito a alguns episódios pitorescos, afinal estávamos em Salvador – em um deles um de meus companheiros de jornada foi ingenuamente ludibriado por uma cigana que o “tocaiou” num canto em frente ao Mercado Modelo, pediu para que ele colocasse a nota que tinha no bolso (20 reais) na mão e soprasse, só para vê-la sumir misteriosamente. “Onde está meu dinheiro?”, perguntou ele – “tá com o Senhor do Bomfim”, respondeu ela.

Clique aqui para saber mais sobre este episódio tragicômico.

Ah, Salvador ...

por Adelvan

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Manara no Brasil

Tive poucas duvidas a respeito do que imortalizar na pele ao decidir finalmente me tatuar, no já distante início da década de 1990: teria que ser algo de Milo Manara. A imagem escolhida foi a de uma garotinha sentada no colo de um demônio superdotado de pau duro que você pode ver, no desenho original e na minha pele, nas últimas imagens dessa postagem. Foi retirada de uma História do mestre publicada no Brasil numa coletânea chamada “Curta Metragem”. É um desenho “ousado”, para dizer o mínimo, mas tinha muito significado para mim, que sempre tive “simpatia pelo diabo” e me senti mais leve ao me livrar, na medida do possível, de minha formação cultural católica. Os tempos, no entanto, eram outros, e tatuagens não eram tão comuns quanto hoje em dia, por isso restou uma pulguinha atrás da orelha: será que isso aí já não é escracho demais, será que não vai me prejudicar? Resolvi seguir os conselhos de um amigo que, diante de minha hesitação, falou: “cara, coloque o que colocar, você vai ser discriminado, então se eu fosse você já esculachava logo de uma vez mesmo”. Dito e feito, fiz e não me arrependi até hoje. Minha única concessão foi pedir ao tatuador que deixasse o vestido da mocinha um pouco mais comprido, para esconder os testículos do capeta e tentar disfarçar o ato libidinoso, mas não adiantou nada: minha mãe, quando viu, se benzeu e foi logo falando "cruz credo, ele tatuou uma garota sentada no colo do demônio".

Conheci Milo Manara através da Revista “Animal” (Feio, Forte e Formal), sensacional publicação que trazia ao Brasil o melhor dos quadrinhos adultos europeus. Fiquei fã logo de cara, e olha que a primeira HQ que eu vi nem tinha apelo erótico, era uma viagem lisérgica envolvendo John Lennon. Logo estava procurando e comprando tudo o que eu visse dele pela frente, até formar uma razoável coleção de álbuns, lançados por aqui pelas mais diferentes editoras através dos anos e, ao que tudo indica, sempre com relativo sucesso. Não o considero um grande argumentista, a maioria de suas histórias são meio vazias de conteúdo, algumas até mesmo ingênuas, mas como desenhista, é imbatível. Seu traço detalhista, leve e elegante mesmo quando retrata as mais vis perversões, é inconfundível.

Seu incrível talento fez com que acabasse se associando a alguns dos maiores ícones da cultura pop européia, como o Cineasta Federico Fellini, de quem se tornou amigo ao desenhar sua história “Viagem a Tulum”, e os mestres da HQ Hugo Pratt, de corto Maltese, e Alejandro Jodorowsky, com quem produz, atualmente, uma impressionante adaptação para os quadrinhos da saga da infame Família Bórgia, centralizada na figura do papa Rodrigo Borgia e de sua filha, Lucrecia.

Outro grande sucesso de público e crítica de Manara foi a série “O Click”, que conta a história de Claudia Christiani, uma fina e recatada dama da alta sociedade. Sexualmente reprimida, reage com repulsa ao assédio dos homens, mas acaba sucumbindo aos seus instintos mais primitivos sob o poder de uma maquininha diabólica que, com um simples clique, é capaz de provocar na mais puritana das mulheres um furor uterino incontrolável, o que rende inúmeras situações inusitadas e divertidas.

Milo nasceu Maurílio Manara em Bolzano, Itália, em 1945. Estreou no mundo das HQs em 1969, com “Genius”, um conto noir sensual e sombrio. Concebeu sua primeira obra de vulto em 1974, uma adaptação do clássico “Decameron”. Segue-se, em 1976, a fábula política “Lo Scimmioto”, vencedora do Prémio Yellow Kid na Itália. Entre 1976 e 1978, a Larousse encomenda-lhe cinco episódios da monumental História de França em BD, e, em 1979, debuta na revista francesa “A Suivre” com seu célebre personagem Giuseppe Bergman. Três anos depois, aventura-se no western, concebendo Quatro Dedos (O Homem de Papel). Trabalhou para publicações menores (Jolanda, revista de arte soft core, e a revista satírica Telerompo) até ser convidado pelo "Il Corriere dei Ragazzi” para trabalhar com o escritor Mino Milani. A primeira história dos dois chamava-se "HP e Giuseppe Bergman". A sigla "HP" é a abreviação do nome de um grande amigo deles, o artista e caricaturista italiano Hugo Pratt. Já na década de 80, atreve-se à fantasia erótica com a publicação de O Clic ( Le Déclic). Em 1985, com argumento de Hugo Pratt, publica o notável Um Verão Índio (que só saiu no Brasil ano passado!), parceria que retomará em El Gaucho. Já com Fellini, além de “Viagem a Tulum”, fez “Le Voyage de G. Mastorna” – os títulos em francês se explicam porque, curiosamente, Manara é menos popular na Itália que na França, onde é considerado um dos quadrinistas mais importantes do mundo.

por Adelvan

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O erotismo é o protagonista da conferência internacional de histórias em quadrinhos Rio Comicon, que começou nesta terça-feira, 9, no Rio de Janeiro, com uma homenagem especial ao ícone dos desenhos eróticos, o italiano Milo Manara.
Com a assinatura de Manara, o cartaz de apresentação do evento mostra uma mulher morena, vestindo uma roupa curta nas cores da bandeira brasileira, com a paisagem do Rio como fundo.
Após quase 20 anos sem organizar eventos deste estilo, o "Rio Comicon" chega como uma versão própria da onda de mais de 40 edições de conferências internacionais dedicadas aos romances gráficos desde os anos 70, como o Comics (de Londres), o Napoli Comicon e o mundialmente conhecido Comic-Com (San Diego, EUA.).
Para aumentar o erotismo, o site do evento exibe um desenho no qual o italiano retrata uma jovem freira se masturbando, imagem representativa da arte de Manara.
O artista, de 60 anos e grande homenageado do festival, conta com uma exposição própria na qual teve a colaboração do cineasta Federico Fellini, a história em quadrinhos Viagem à Tulum, baseado em um relato original do diretor italiano, inspirado em uma viagem a essa região mexicana.
Funcionando na antiga estação de trens da Leopoldina, construída em 1926, o festival contará com a presença da igualmente polêmica desenhista americana Melinda Gebbie.
A artista é conhecida no mundo do desenho por Lost Girls, série escrita por seu marido, Alan Moore, que reúne as protagonistas de contos como Wendy, de Peter Pan, Dorothy, do Mago de Oz, e a heroína de Alice no País das Maravillas, onde contam suas experiências sexuais.
Nos anos 80, Melinda sofreu um processo do governo britânico, que proibiu a importação do álbum de história em quadrinhos erótico Fresca Zizis, e que terminou com o confisco e a destruição de todos os exemplares.
Outro nome importante do Rio Comicon é o britânico Kevin O'Neill, autor de A Liga Extraordinária, série gráfica que junta personagens fantásticos da literatura vitoriana, transformada em longa-metragem em 2003.
Desta terça-feira até o dia 14 de novembro, Manara, Melinda, O'Neill e outros 20 artistas brasileiros e internacionais se reunirão para realizar seminários, debates, e assinar autógrafos, enquanto os fãs poderão participar de oficinas especializadas sobre assuntos que vão desde a criação de personagens até a elaboração de histórias em quadrinhos para a web.
"Este evento é promissor. Normalmente os festivais de histórias em quadrinhos no Brasil são muito menores, porque aqui não há um grande público para estas coisas", disse à Agência Efe o estudante de Arte Gráfica Conrado Capuci, que foi à estação para a abertura do evento.
Com o objetivo de promover a arte gráfica nacional, os organizadores incluíram 12 artistas brasileiros em sua mostra principal, para "destacar autores e produções nacionais, e abrir espaço para a cultura pop", explicaram em seu comunicado.
Entre os brasileiros convidados estão os ilustradores Angeli e Laerte, além de Fabio Moon e Gabriel Bá .
EFE
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Na era da internet, nudez, erotismo, pornografia e o que mais se possa imaginar em matéria de entretenimento adulto estão ao alcance de um clique – em uma profusão de conteúdo que torna pouco reconhecíveis os limites entre arte, diversão e atividades criminosas. A avalanche digital, no entanto, não teve força nem criou alternativas para substituir o talento. E talvez a maior prova disso sejam as histórias imaginadas pelo quadrinista italiano Milo Manara e executadas com rara perfeição em papel. Manara, 65 anos, conquistou dinheiro, fama e prestígio com seu traço capaz de reproduzir em detalhes as curvas femininas. Ele é o convidado de honra da Rio Comicon 2010, evento que tenta recolocar a cidade no circuito internacional do mercado de histórias em quadrinhos.

Erótica sem ceder à tentação da vulgaridade, a obra de Manara recorre a cenários e tramas envolventes para provocar a libido dos leitores. Para ele, aliás, essa a grande vantagem que os quadrinhos têm em relação a formas de arte mais modernas como o cinema e a fotografia. O quadrinista, entre algumas baforadas de charuto antes de assistir à palestra de abertura do evento, do humorista Ziraldo, defendeu, em entrevista ao site de VEJA, a imaginação como a forma mais ousada de excitação.

“Estou convicto de que fala-se muito melhor de erotismo e sensualidade quando se fala de forma abstrata, em comparação com o cinema ou a fotografia. O órgão mais sexual mais importante que temos no nosso corpo é a cabeça. É a fantasia. Tudo começa na cabeça e num âmbito astral, não concreto”, argumenta o artista.

E no plano das ideias não há limites. Vale tudo. Manara não se furta a explorar temas como bondage – fetiche que consiste em amarrar e imobilizar o parceiro – , dominação, sadismo e sadomasoquismo – práticas que, juntas, enquadram-se no que os adeptos chama de BDSM. Ao contrário das imagens reais, como explica o ‘papa’ dos quadrinhos eróticos, os desenhos atenuam o aspecto violento ou condenável dessas modalidades, e explora os conceitos – seja de dominação ou entrega – que fazem a cabeça de tantas pessoas. Ou, como simplifica Manara, “os desenhos excitam mais porque chocam menos”.

“Se falarmos de sadismo no cinema ou fotografia, teremos imagens fortes, com corpos sujos de sangue. Não teremos um ato mental, mas um ato físico. E o sadismo é um ato que diz respeito a outra dimensão. Creio que o desenho leva vantagem porque conta tudo o que tem que ser contado, enfatizando o aspecto mental em vez do físico”, compara o italiano.

Manara situa seus trabalhos numa categoria anterior à erótica, a de histórias em quadrinhos para adultos. A escolha do sexo como especialidade veio da empolgação dos tempos de juventude. “Comecei a fazer um trabalho para adultos porque percebi que falar para crianças não era o meu caminho. E deu certo. Optei pelo erótico porque me parece que esta é uma parte muito importante da vida. Principalmente quando se tem 20 anos - a idade com a qual comecei a desenhar”, conta.

O quadrinista italiano se diz um admirador dos artistas brasileiros, mas chama a atenção para a necessidade de se apostar na formação de um mercado adulto de quadrinhos no país – tradicionalmente focado nas crianças. “Não domino tanto o mercado brasileiro, mas sei que a Argentina tem uma cena forte. Nos anos 70, muitos artistas argentinos foram para a Europa durante a ditadura e criaram sua própria escola. Acredito que no Brasil é preciso criar um direcionamento para a produção adulta - que não é necessariamente erótica. Os desenhistas brasileiros são fortíssimos, de muita qualidade. Mas é preciso investir mais nas histórias para adultos. Também é preciso ter paciência para divulgar e formar um público para esse segmento. Qualidade, vocês já têm”, avalia.
Rafael Lemos
Veja
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O verso tropicalista de Alegria Alegria, de Caetano Veloso, cai como uma luva para definir o universo cheio de curvas do cartunista italiano Milo Manara, um dos mitos do quadrinho erótico europeu. Suas mulheres de bocas carnudas, pernas longilíneas e aspecto selvagem escapuliram diretamente de mais do que uma costela da atriz Brigitte Bardot - e caíram como bombas acariciantes há 40 anos no imaginário masculino de todo o mundo.
"No meu erotismo, a mulher é sempre um sujeito sexual, mais que um objeto", disse ao Estado o desenhista italiano, tentando explicar o protagonismo de suas Bardots. No dia 13 de novembro, às 20 h, o mestre das HQs preferidas dos onanistas dos quatro cantos do planeta descerá finalmente no Rio de Janeiro.
A Rio Comicon 2010 vai ocupar a Estação da Leopoldina, no Rio, entre os dias 9 e 14 de novembro. Os convidados são artistas de altíssimo nível, como o premiado francês François Boucq; o editor italiano Claudio Curcio; os ingleses Kevin O"Neill (de A Liga Extraordinária), Melinda Gebbie (Lost Girls, mulher da lenda Alan Moore) e o também editor Paul Gravett; Etienne Davodeau e Patrice Killofer; o alternativo Jeff Newelt; e os argentinos Lucas Nine e Patricia Breccia.
Manara contou ao Estado que prepara o derradeiro volume de sua história Bórgia, que narra a saga de Lucrécia Bórgia, filha de papa, uma crítica violentíssima à Igreja e suas instituições sagradas. "Depois disso, eu gostaria de me dedicar um pouco à pintura e à ilustração, e pode ser que eu me dedique, nessa viagem ao Brasil, a realizar um livro de ilustrações sobre as belas brasileiras."
A primeira parte de Bórgia, Sangue para o Papa, foi engendrada com o parceiro chileno Alejandro Jodorowsky. Ali, Manara aborda o tema do poder absolutista corruptor da religião. Na história, Manara examina os porões do Vaticano, no papado de Rodrigo Bórgia, e a tirania que este exerceu sob o nome de Alexandre VI, ao lado da filha Lucrécia. A venda de indulgências, o nepotismo, a promiscuidade e a ganância pelo poder político, além de cenas de vampirismo, canibalismo, estupros e assassinatos, tingem de vermelho as páginas dessa HQ.
"Meu amor pelos quadrinhos nasce nos anos 60, quando vi Barbarella, de Jean-Claude Forest; Valentina de Guido Crepax; Jodel et Pravda de Guy Pellaert e todas as histórias de Magnus", contou o cartunista. "Nos anos 70, eu lia muito revistas como Métal Hurlant e apreciei enormemente o gênio de Moebius, a quem todos os desenhistas devem muito. Evidentemente, toda minha vida profissional, e não somente ela, foi influenciada pelo meu amigo Hugo Pratt."
Com Hugo Pratt, o veneziano criador do imortal personagem Corto Maltese, Manara fez o fascinante álbum Verão Índio (de 1983, HQ que só teve sua primeira edição no Brasil no ano passado, 22 anos depois, pela Conrad), e El Gaucho (1991). O desenho de Manara é primoroso, o humor é cáustico e irônico, o erotismo tingido com tintas do sadomasoquismo (pode tranquilamente ser considerado uma espécie de Sade dos quadrinhos). Como Guido Crepax (Valentina) e Serpieri (Druuna), é um craque em coreografar fantasias sexuais e usar o sonho como espaço para tratar do sexo como uma zona franca.
Parceria. Por conta de sua liberdade formal e focos de interesse anticomerciais, ele é o também um antiamericano por excelência. Ainda assim, a indústria americana de HQs o convidou para desenhar um episódio da mais bem-sucedida história em quadrinhos da atualidade: os X-Men. Claro, como o convidado era Manara, deixaram-no à vontade para desenhar somente com as personagens femininas: Tempestade, Kitty, Vampira, Garota Marvel, Psylocke e Rachel nunca mais serão vistas da mesma maneira depois dessa edição. O parceiro escolhido foi um grande artista da indústria, o britânico Chris Claremont (que desenhou, entre outros, Conan, Luke Cage e Quarteto Fantástico).
"Primeiro, eu pensava que seria difícil. Mas depois se revelou ainda mais difícil do que eu pensava", conta. Brincalhão, no prefácio da edição ele esclarece que, de todas as X-Men que desenhou, gostaria de ter os poderes de Kitty, para poder "passar através dos muros". Alegria, Alegria: o maestro de fantasias está a caminho!
Jotabê Medeiros
Estadão
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“Tenho medo de que atirem o livro na minha cabeça! Se abrirem um livro que não tenha nenhuma garota nua, vão dizer 'ah, esse cara virou um mané! Basta'"
Milo Manara

Conhecido por ilustrar as mais belas mulheres das histórias em quadrinhos, o italiano Milo Manara, 65, desembarcou nesta segunda-feira (8) no Brasil para participar da primeira edição da Rio Comicon, megaevento dedicado à nona arte que acontece desta terça a domingo na cidade, e aproveitar para comprovar, in loco, o que é que a brasileira tem.
“Aquilo que nós italianos fantasiamos sobre as mulheres brasileiras vem, naturalmente, das imagens que se vê muito no Carnaval”, explica o quadrinista, autor de obras primas da HQ erótica como os álbuns “Verão índio”, “Gulliveriana” e a popular série “Clic”, que também ganha reedição de luxo para a Rio Comicon lançada pela editora Conrad.
“As moças em que nós pensamos são como aquelas do Carnaval, com seus corpos realmente atléticos, ligeiramente andróginos, mas de uma beleza absoluta”, completa Manara em entrevista exclusiva ao G1.
Autor do cartaz oficial do Rio Comicon, que mostra uma garota voluptuosa, vestindo shorts curtíssimo e camisa da seleção canarinho, Manara sabe, no entanto, que o que verá por aqui está bem além dos estereótipos da “brasileira típica que nós europeus sonhamos”.
“Na realidade, a gente sabe que o Brasil é muito diverso”, reconhece. “O fato de terem eleito uma presidente mulher é algo que na Itália nunca aconteceria. E tem acontecido em toda a América Latina, com a [Michele] Bachelet no Chile, a [Christina] Kirchner na Argentina e agora a presidente de vocês, Dilma... como é mesmo o sobrenome dela?”, pergunta, atrapalhando-se com o português.
“São todos sinais de uma grande abertura, do fato de que o futuro é aqui, não é na Europa”, elogia o autor, que já havia visitado o Brasil em 2003 a bordo de um navio cargueiro, bem à maneira de seus amigos e mestres favoritos: o também quadrinista Hugo Pratt e o cineasta Federico Fellini, com quem colaborou em HQs como “El gaucho” e “Viagem a Tulum”, respectivamente.
“Fiz várias escalas. No Brasil, foram quatro: Fortaleza, Vitória, Rio e Santos. E cada vez tinha uma possibilidade de descer na terra. Mas chegando com esse navio, especialmente nos portos fluviais, era possível conhecer um Brasil que poucos conhecem, talvez nem mesmo os brasileiros”, lembra.
Sempre generosíssimo com as mulheres italianas que desenha, inspiradas em musas do cinema como Sophia Loren e Brigitte Bardot, Manara se mostra, contudo, decepcionado ao falar da geração atual de conterrâneas, especialmente as que têm buscado fama fácil, de biquíni, em programas de auditório dos canais de TV controlados pelo presidente Silvio Berlusconi.
“Muitas garotas, não digo todas, mas a maior parte das garotas bonitas na Itália sonha em se tornar uma estrela televisiva, mas sem recitar uma fala. Só para se mostrar, para ser admirada e ficar famosa”, lamenta. “E o mais grave é que a presença dessas garotas [na TV] tem como objetivo aumentar a audiência e o preço da publicidade. É uma operação comercial, bastante próxima da mentalidade da prostituição. Não que as garotas sejam [prostitutas], mas a mentalidade de usar o corpo de uma bela mulher para se ganhar mais dinheiro, eu acho isso muito vulgar e grave.”
Contra a vulgarização da mulher italiana – e de todo o planeta, já que suas HQs viajam pelos quatro cantos do mundo real ou imaginário -, Manara emprega a sua arte, que prefere chamar de erotismo à pornografia. “Na realidade, não penso que haja muita diferença entre erotismo e pornografia que não a intenção de quem o faz. Há uma demanda evidente nas pessoas por 'eros', por erotismo. E se a sua reposta a ela for somente um monte de páginas estampadas só para fazer um pouco de dinheiro, eu chamo de pornografia. Se, em vez disso, se busca falar verdadeiramente de erotismo, aí eu chamo de erotismo. Resumindo em uma palavra, a diferença é: se é excitante é erotismo, se não é excitante é pornografia.”
Ainda que boa parte de suas HQs seja pouco – ou nada – recomendável para menores de 18 anos, Manara andou flertando recentemente com trabalhos fora do universo exclusivamente adulto. Em 2004, colaborou com Neil Gaiman em uma história curta para a antologia “Sandman: Noites sem fim”e, no ano passado, emprestou seu traço sensual às heroínas da série em quadrinhos “X-Men”, em uma HQ escrita pelo americano Chris Claremont.
“É claro que me agrada muito ler e desenhar [outros tipos de quadrinhos]”, diz o autor, que entre seus trabalhos já quadrinizou até uma versão do livro do sexo “Kamasutra”. “Mas tem só dois problemas. O primeiro é que eu penso que na vida, normalmente, há um percentual de erotismo muito alto. Por isso, sinto necessidade de colocar em quase toda história um percentual de erotismo. Mas o segundo problema é que tenho medo de frustrar meus leitores. Tenho medo de que atirem o livro na minha cabeça! Se abrirem um livro que não tenha nenhuma garota nua, vão dizer 'ah, esse cara virou um mané! Basta!' Tenho medo de desiludi-los”, diverte-se.
por Diego Assis
 
G1
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Rio Comicon 2010
Quando: 9 a 14 de novembro, das 13h às 22h
Onde: Ponto Cultural Barão de Mauá – Estação Central da Leopoldina, Rio de Janeiro
Quanto: R$ 10 (meia-entrada: R$ 5)
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Bibliografia:
Jolanda de Almaviva - La Figlia del Mare (1971) com Francesco Rubino
La parola alla giuria (1975) com Mino Milani
Alessio, Il Borghese Rivoluzionario (1975), com Silverio Pisu
Lo scimmiotto (1976) com Silverio Pisu
Un uomo un'avventura: L'uomo delle nevi (1978) com Alfredo Castelli
HP e Giuseppe Bergman (1978)
Le avventure asiatiche di Giuseppe Bergman (1980)
L'uomo di carta, o Quattro dita (1982)
Tutto ricominciò con un'estate Indiana (1983) com Hugo Pratt
Il gioco (1983)
Il profumo dell'invisibile (1986)
Candid camera (1988)
L'apparenza inganna (1988)
Viaggio a Tulum (1989) com Federico Fellini
L'arte della sculacciata (1989) com Jean-Pierre Enard
Le avventure africane di Giuseppe Bergman (1990)
Breakthrough (1990) com Neil Gaiman
Il gioco 2 (1991)
El Gaucho (1991) com Hugo Pratt
Il sogno di Oengus (1991) com Giordano Berti
Il viaggio di G. Mastorna detto Fernet (1992) com Federico Fellini
La feu aux entrailles (1993) com Pedro Almodovar
Il gioco vol.3 (1994)
Seduzioni (1994)
Storie brevi (1995)
I viaggi di Gulliver, o Gulliveriana (1995) Baseado no texto de Jonathan Swift

Kamasutra (1997) Baseado no texto de Vatsyayana
Ballata in si bemolle (1997)
L'asino d'oro (1999) Baseado no texto de Apuleius
Le avventure metropolitane di Giuseppe Bergman (1999)
Bolero (1999)
Tre ragazze nella rete (2000)
Rivoluzione (2000)
Il gioco vol.4 (2001)
Il profumo dell'invisibile 2 (2001)
Le donne di Manara (2001)
Memory (2001)
Fuga da Piranesi (2002)
Il pittore e la modella (2002)
Pin-up art (2002)
Aphrodite (2003) com Pierre Louÿs
Donne e motori (2003)
Fellini (2003)
L'odissea di Bergman (2004)
I Borgia - La conquista del papato ( 2004) com Alejandro Jodorowsky
The Sandman: Endless Nights (2004) com Neil Gaiman
I Borgia vol.2 - Il potere e l'incesto (2006) com Alejandro Jodorowsky
Quarantasei (2006) com Valentino Rossi
I Borgia vol. 3 (2008) com Alejandro Jodorowsky
X-Men: Ragazze in fuga (2009) com Crhis Claremont