
Naurêa na sequência. Odiada por uns, amada por outros, o que ninguém consegue negar é que os caras fazem um show muito competente e que costuma levantar a galera. Mas nesta noite, em especial, não empolgou, talvez porque não estivesse tocando para seu público habitual. O mesmo pode-se dizer do samba-rock competente porém um tanto quanto arrastado e “malemolente” de

O erro, a meu ver, nesta primeira noite, estava na ordem das bandas. Os shows ficaram meio que divididos em duas partes, a primeira com pouco ou nenhum rock e muita diversidade, do forró estilizado da naurêa ao jazz instrumental do Ferraro Trio, a quarta a se apresentar. Muito bons, mas o público só esboçou reação mesmo nos covers de Jimi Hendrix e, principalmente, de “Beat it”, de Michael Jackson – aquela que conta, na gravação original, com a presença poderosa de Eddie Van Halen nas guitarras. Não deixa de ser válido, no entanto, já que a versão dos caras é bastante diferenciada e adaptada ao estilo deles. Grande show.


No sábado os trabalhos foram abertos, de forma relutante, pelo Lacertae. Deon, o guitarrista/vocalista, não estava se entendendo muito bem com os operadores de som e resolveu improvisar longos números instrumentais até que os problemas, notadamente uma microfonia insistente, fossem resolvidos. Ou parcialmente resolvidos, vá lá. Parecia que o show iria ser abortado, já que ele largou a guitarra e se retirou do palco numa determinada altura, mas o batera continuou tocando e parece tê-lo convencido a começar, finalmente, o show propriamente dito. Não chegou a ser ruim, mas foi esquisito.

Já os Baggios, que veio a seguir, estão mais acostumados aos “holofotes”, o que não se reflete, felizmente, em estrelismo ou acomodação, muito pelo contrário: Julico e Perninha não deixaram a peteca cair e sentaram a mão no blues garageiro e “brejeiro” com sotaque sergipano que lhes é característico. É blues “do delta do Rio Sergipe”, e dos bons. Show pequeno, infelizmente (“por

Depois dA Lapada, Jesse Monroe, a suposta “atração internacional” da noite. Logo no início já deu pra notar que aquela coca-cola era fanta ... Ela abre o show falando em inglês com o público, para logo em seguida emendar: “vejo que vocês não entendem inglês por aqui. Que bom que eu falo português!”. E pôs-se a tagarelar sem parar. Nunca vi uma inglesa tão baiana, “espevitada”. A maior parte do repertório foi, infelizmente, de covers, mas foi divertido. A loira é muito presepeira e meio sem noção – chegou a dançar “descendo até o chão” no melhor estilo “cachorra” ao som de “Summertime”, de Gershwin ! Hilário. Tocou também Luiz Gonzaga e Zeca Baleiro, para encerrar com sua “musica de trabalho”, “famous”. É um soul meio pasteurizado com cara de hit. Boa musica – para as FMs comerciais, não para um festival de rock, assim como

Desta vez a programação foi melhor mesclada e, na sequencia do pop local e internacional dA Lapada e Jesse Monroe, Hatend, thrash metal de Paulo Afonso, Bahia. Esta alternância de estilos tão distintos deve ter dado um tilt na cabeça do cara que toma conta da mesa, porque estava tudo muito esquisito no palco. Som embolado e com uma equalização absolutamente nada a ver para uma banda de metal – só se ouviam teclados e baixo, este com um som muito estranho, parecia o estampido de uma metralhadora. As guitarras estavam inaudíveis. Esperei para ver se as coisas se ajeitavam mas não teve jeito não: “desinstiguei” e resolvi começar o longo caminho de volta pra casa sem ver o Ladrão, a banda do Formigão, ex-Dash e Planet Hemp. Gente finíssima, por sinal – em todos os sentidos.

* No caminho para o show, em Ribeirópolis, cidade geralmente pacata (até demais), fomos surpreendidos por uma movimentação fora do comum. Tivemos, inclusive, que esperar pacientemente para que um cidadão parasse de ciscar feito uma galinha, bêbado, no meio da pista, e finalmente nos desse passagem. Bizarro. Pena que ninguém tinha uma câmera à mão na hora, se fizéssemos um video para o youtube iria bombar.
por Adelvan
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