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Primeiro show do Pato Fu em Aracaju |
Até que, no meio daquela pancadaria sonora sem fim, surge algo novo, totalmente diferente de tudo o que estávamos acostumados a ouvir até então, e com o inusitado (neste caso) “selo de qualidade” da cogumelo: "Rotomusic de Liquidificapum", o primeiro disco da banda mineira Pato Fu. Uma musica alegre sem ser babaca, totalmente livre de amarras e limitações estilísticas. Uma música “sem tribo”. Muito rock, mas experimental, com a excepcional qualidade de não ser chato. Fiquei louco por eles, virei fã, ao ponto de entrar em contato, via carta, com John, o guitarrista, ex-Sexo Explicito (não, ele não era ator pornô, era o nome de uma banda anterior dele, neste caso, bem chatinha, pelo que me lembro). Via carta, fiz a entrevista que reproduzo a seguir, publicada na edição xerocada do Escarro Napalm em algum ponto do meio da década de 90. Algum tempo depois, já durante a turnê do segundo disco, “Gol de quem?”, lançado por uma grande gravadora multinacional, eles tocariam pela primeira vez por aqui, no extinto Batata Quente da Orla de Atalaia.
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Fernanda Takai and me |
ESCARRO NAPALM ENTREVISTA PATO FU

PATO FU – Bem, depois que eu saí do Sexo Explicito, eu tava afim de montar uma banda que fosse tão legal quanto a dita cuja, porém com um som menos “hermético” e mais “grudento”. Dá pra entender? Fiquei mais ou menos uma ano só pensando numa formula que fosse capaz de, um show, juntar punk, metaleiro, boyzim, skatista e intelectual, tudo numa panela só, e fazer todo mundo reagir, cada um à sua maneira, ou seja: o headbanger bate cabeça, o boyzim sacoleja, o skatista pula do palco e o intelectual estereotipado fica gritando “ô farofa!”. Entre as músicas. Aí deu neste trem mineiro que é o PATO FU. PATO na gíria = otário. FU no Aurélio = insignificante. Logo PATO FU = otário insignificante.
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página do zine, original |
PATO FU - A reação tem sido excelente tanto na critica como público. O que mais me agrada é ver (como você viu em Maceió) que a gente tem conseguido romper barreiras que separa as tribos, transformando o show numa pajelança só. Dentro do esquema independente, o tratamento da Cogumelo é OK, super cordial, só peca pela falta de uma estrutura maior.
3. A MÚSICA “MEU PAI, MEU IRMÃO”, É AUTOBIOGRAFICA?
PATO FU – Todas minhas letras são. Dá pra resumir todas numa frase só: “Você viu o cabeção por aí?” Num é besta?
4. COMO PINTOU O PATROCINIO DA UNIMED - FORAM VOCÊS QUE OS PROCURARAM OU ELES QUE FORAM ATÉ VOCÊS?
PATO FU – Nós corremos deles até o dia em que eles foram num show w falaram que não tinha perigo, que eles queriam nos patrrocinar... Parece estória da carrochinha, mas juramos que é verdade!! Acredite ae se quiser...
5. ONDE PATU FU TEM TOCADO, E QUAL O MELHOR SHOW NA OPINIÃO DE VOCÊS? VAI PINTAR OUTRO SHOW NO NORDESTE?
PATO FU – Tocamos em BH até cansar em 93. Um show realmente chocante que fizemos foi no ROCK BRASIL 20 mil pessoas.... Mas o mais legal foi o lançamento do disco, com os bonecos do GIRAMUNDO... Cara, estamos doidos para tocar de novo no nordeste, tamos tentando...
6. O SKANK CITOU O NOME DE VOCÊS NO HOLLYWOOD ROCK – COMO É O RELACIONAMENTO DO PATO FU COM A S DEMAIS BANDAS DE BH CITY?
PATO FU – Super beleza. Tem bandas excelentes s aqui, uma Cogumelo só é pouco para escoar toda a produção....
7. O PATO FU TEM UMA IDENTIDADE MUSICAL BEM DEFINIDA – O QUE VOCÊS APROVEITAM DO QUE RECEBEM PARA CRIAR ESTE LIQUIDIFICADOR SONORO? O QUE VOCÊS OUVEM, LEEM , ASSISTEM, FAZEM...
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pedaço do cartaz do primeiro show |
8. O VELHO ENCERRAMENTO DE SEMRE: DEEM (OU NÃO) SEU RECADO FINAL.
PATO FU – Moral da estória? É capaz de manga com leite fazer mal mesmo?... Um abraço!!!
Perguntas por ADELVAN
Respostas por JOHN FU
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