quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ufa ! Finalmente ...



O final de Lost já tem data marcada para ir ao ar: será próximo domingo, dia 23, nos Estados Unidos, com um episódio especial de duas horas e meia. Dia 25 será exibido no Brasil, pelo Canal AXN. Já não era sem tempo – confesso que, pela primeira vez, estava começando a me cansar de tanto mistério sem solução. Ou é isso ou é a sexta temporada que está realmente fraca, um verdadeiro “samba do crioulo doido”. Chega de tanta gente que morreu sem ter morrido, idas e vindas no tempo e no espaço, chega ! Até um templo “shao lin” apareceu por lá. Pelos rumos que a história está tomando acho difícil um final satisfatório, mas é esperar pra ver. Em todo caso, há ainda alguns bons momentos – especialmente quando a série enfoca a vida paralela dos personagens num universo (aparentemente) alternativo no qual eles não caíram na ilha. Se você não gosta de Lost porque pegou apenas alguns episódios soltos aqui e ali e não conseguiu seguir o fio da meada, recomendo fortemente que assista do início, na ordem. Só assim você poderá decidir com propriedade se embarca ou não nessa experiência que, seja qual for o desfecho, já está marcada na história da teledramaturgia.

PS: Aproveito para recomendar aquela que está sendo considerada a série sucessora de Lost no quesito "mistério + ficção científica": Flashforward. Estou acompanhando e gostando bastante.















segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mais uma grande perda ...

Este ano tá foda, muitas perdas irreparáveis no mundo do rock. Agora foi a vez de Ronnie James Dio, legendário vocalista de Heavy Metal. Mesmo que você não goste do estilo no qual o simpático baixinho se consagrou, respeite, porque o cara era, realmente, foda. E era do rock antes mesmo da existencia do gênero Heavy metal em si, como pode ser comprovado nessa reliquia, um compacto de uma de suas bandas pré-ELF (de onde saiu para cantar no Raimbow de Ritchie Blacmore e de lá para o Black Sabbath), "Dio and the prophets".

BAIXE AQUI.



sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cidade Instigada

O release do fime que seria exibido na Sessão Notívagos, “Os Famosos e os duendes da morte”, já não prometia muito, com um papo meio cabeçoide do tipo “o menino sem nome conhece a garota sem pernas, que lhe mostra um mundo no qual ele embarca como alguém que nunca mais deseja voltar à realidade. Para o menino, a vida virtual é a única verdade.” Fui mais pelo Cidadão Instigado, mas sinceramente não esperava que o filme fosse tão ruim. Uma das coisas mais chatas que eu já vi em toda a minha vida. Bem filmado, bem editado, com uma bela fotografia (embora repleta de clichês como imagens bucólicas e desfocadas), mas muito, muito chato. A vida do protagonista não é nada interessante, e se era essa a “mensagem” que o diretor queria passar, até que conseguiu, só que às custas do martírio de quem conseguiu ver essa merda até o fim. É a história de um guri entediado, chato pra cacete, que mora num povoado no meio do nada e só vive na net, escrevendo uns poemas bestas num blog cujo nome homenageia Bob Dylan. Tem vontade de ir ver o show de Dylan no Brasil, mas não vai. Aí fica se lamuriando o tempo inteiro para o único amigo que parece que o suporta, um cara bem mais divertido e desencanado do que ele, que só quer ir pra festa junina comer a filha de uma vizinha – para seu azar, a mãe da garota se suicida justamente no dia, o que corta o clima, evidentemente. A tal festa, por sinal, é uma atração a parte, uma pitada de humor (muito provavelmente involuntário) numa película que exala tédio e frustração em cada frame. O grupo que executa músicas folclóricas alemãs é uma pequena pérola caricata – ou é isso ou somos nós (porque não fui apenas eu quem saiu cantarolando a musiquinha ridícula ao final da exibição) que não estamos acostumados com aquela cultura “exótica”. E é isso: Um “miguxo” viciado em internet metido a poeta atormentado se lamuriando, um personagem estranho que aparece a toda hora sem nenhum motivo aparente, e situações nonsense se sucedendo em imagens clicherosas pretensamente “poéticas”. Não é por acaso que o suicídio parece ser uma atividade corriqueira naquela cidadezinha. E chega a ser incrível saber que o diretor é o mesmo que fez o divertidíssimo “hit” do youtube “Tapa na pantera”.

Já o show do Cidadão Instigado foi bom, mas poderia ter sido bem melhor, e a culpa foi, provavelmente, da aparelhagem de som. Muito ruim. Logo quando começou estava terrível, e isso se refletia visivelmente no humor dos músicos, que pareciam bastante desconfortáveis no palco, procurando a todo custo orientar com sinais o técnico de som deles que tentava fazer milagre na mesa. O incrível é que é uma banda que conta, em sua formação, com alguns dos melhores músicos do cenário independente brasileiro, o que torna ainda mais lamentável vê-los tentar tirar, sem muito sucesso, leite de pedra. Mas lá pelo meio da apresentação a equalização melhorou sensivelmente, e a banda começou a ficar mais a vontade, com alguns sorrisos esboçados inclusive pelo sisudo Fernando Catatau, o líder da trupe, que se comunicou pouco com a platéia mas, pelo menos na segunda parte do show, parecia estar se divertindo. O set list foi quase que completamente baseado no disco mais recente, “Uhuu”, o que é ótimo, já que é, provavelmente, o melhor da carreira deles. Destaques para a bela execução, mesmo com as dificuldades técnicas, de faixas com arranjos sofisticados, como “Deus é uma viagem”. Uma boa parte do que está no disco foi sampleado e muito bem utilizado. Foi um desfile de belas canções de apelo pop/romântico com influencia de rock progressivo/psicodélico e letras “non nonse”. Algumas, inclusive, muito boas pra dançar, como “como as luzes”, que tem uma levada de guitarra bem “direstraitiana” - o que não é de se estranhar, já que é notória a influência da banda de Mark Knopfler no som consumido pelas camadas mais populares (comumente chamado de “brega”), uma das fontes na qual bebe, de forma “antropofágica” (no sentido de consumir e regurgitar repaginado), a banda de Catatau. Uma pena também que o som da bateria, comandada pelo legendário músico e produtor de bandas de garagem Clayton Martin, estivesse especialmente ruim.

Não vi Elvis Boamorte, mas o saldo final foi positivo. Não é toda hora que aporta por aqui uma das bandas mais aclamadas do atual circuito independente brasileiro – aliás, talvez por conta de algumas declarações não muito elogiosas á Abrafin na imprensa especializada, é difícil ver o Cidadão, inclusive, nos festivais que andam rolando Brasil afora, o que torna ainda mais valiosa a iniciativa da produtora Cine Vídeo e Educação em bancar esta apresentação.

Que venham outras – com mesmo nível de qualidade artística, mas com melhores condições técnicas.

por Adelvan Kenobi

quinta-feira, 13 de maio de 2010

"Anistiaram até estupradores"

Entrevista com Silvio Tendler - Cineasta se revolta com a decisão do STF que impediu a revisão da Lei da Anistia

por Eliane Lobato

para a Istoé

Na ampla sala de seu apartamento com vista para a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, o cineasta carioca Silvio Tendler, 60 anos, lê notícias em seu laptop e se indigna com muitas. Uma das piores, entre as mais recentes, para ele foi o fato de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter votado pela manutenção da Lei da Anistia, de 30 anos atrás. “Sou um militante ativo contra a proteção a torturadores”, diz ele, para quem a decisão impõe mais sofrimento às vítimas que sobreviveram e aos parentes de quem morreu nos porões da ditadura.

Tendler está lançando o filme “Utopia e Barbárie”, um road movie histórico que o levou a 15 países para pesquisar sobre os sonhos que embalaram gerações do mundo inteiro a partir da Segunda Guerra Mundial e, paralelamente, sobre as maiores barbaridades já cometidas contra a humanidade, como as bombas de Hiroshima e Nagasaki e o Holocausto, entre outros episódios. Agora, ele prepara mais dois longas. O primeiro será “Tancredo, a Travessia”, que fala da passagem da ditadura brasileira para a democracia através do presidente (já falecido) Tancredo Neves. O segundo é “Alma Imoral”, baseado no livro do rabino Nilton Bonder, que vai falar do entediado mundo politicamente correto em que vivemos. “Todos são a favor de salvar o planeta, ainda que não pratiquem isso”, comenta.

Tendler é professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC/RJ) há 30 anos e dirigiu mais de 40 filmes, entre os quais algumas das maiores bilheterias de cinema do País, como “O Mundo Mágico dos Trapalhões”, visto por 1,8 milhão de espectadores. Também filmou “Jango”, que cravou um milhão, e “Os Anos JK”, com 800 mil pagantes.

Istoé - O Supremo Tribunal Federal acaba de rejeitar ação propondo a revisão da Lei da Anistia, que abrange crimes de tortura e outros do regime militar. Isso é uma barbárie? Silvio Tendler - Evidentemente. Anistiaram estupradores. Anistiaram homens fardados que se deram ao direito de estuprar mãe na frente de filhos pequenos, mulher na frente do marido, de cometer violências físicas. São esses homens que foram anistiados, que não serão julgados. Mas as torturas, nas leis internacionais, são crimes contra a humanidade, imprescritíveis. Esses agentes tinham que ser julgados e condenados. Sou, sempre serei, um militante ativo contra a proteção a torturadores.

Istoé - A argumentação é de que a chamada anistia ampla, geral e irrestrita foi um pacto político e bilateral. Silvio Tendler - O voto do ministro relator Eros Grau fala de um acordo entre as partes para que a anistia fosse recíproca. Mas isso é falso do ponto de vista histórico. É bom a gente lembrar em que circunstância essa anistia foi pactuada. Ela saiu de um Congresso desfigurado desde 1964, quando os militares assumiram o poder e cassaram mandatos de lideranças importantes, prenderam, exilaram, torturaram, instalaram o AI-5. Tenho um depoimento gravado do Miro Teixeira (deputado federal-PDT-RJ) falando que o senador Teotônio Vilela dizia: “Vamos aceitar essa anistia porque é essa ou nenhuma.” As pessoas queriam tirar os amigos da cadeia, queriam ver os exilados voltarem para o Brasil. Então, toparam. Mas foi um pacto conjuntural. E desigual. Os militares se autoanistiaram.

Istoé - As Forças Armadas também perdem com isso, não é? Silvio Tendler - A punição de torturadores, estupradores e assassinos beneficiaria o conjunto das Forças Armadas, que deixariam de ser responsáveis como um todo pelos crimes cometidos por um punhado. A história sinaliza o futuro e não é construída com nostalgia do passado. Quero dizer que, se a gente conhecesse melhor a história do Brasil, faríamos menos bobagens. Em meu filme, cito alguns exemplos, como o do jornalista Bernardo Kucinsky, irmão da Ana Rosa Kucinsky, desaparecida. Ele mostra a tortura que é ter que falar com a sogra do general, com a amante de torturador, para ver se consegue um rastro que leve a alguma pista da irmã. A punição também deveria ser um exemplo para que maus funcionários do Estado não ousem repetir o crime. Porque, se eles não perceberem que no Brasil tem punição para este tipo de ato, estamos ferrados, não vamos construir uma nação melhor para nossos filhos e netos.

Istoé - Por que está havendo reações contrárias ao fato de a candidata Dilma Rousseff aparecer em quatro depoimentos em seu filme? Silvio Tendler - Nunca imaginei que o filme fosse sofrer tantos patrulhamentos, mas não estou triste com isso, não. O papel do artista é ser transgressor. Acho que deve ser um bode fazer um filme politicamente correto. Graças a Deus nunca consegui fazer. Neste momento em que lanço “Utopia e Barbárie”, estou sendo pressionado por causa da presença da Dilma, hoje candidata à Presidência da República. Daqui a três ou quatro meses, lançarei “Tancredo, a Travessia”, um filme sobre a passagem da ditadura para a democracia através da figura de Tancredo Neves. Entrevistei gente como o José Serra, o Fernando Henrique Cardoso, o José Sarney. O filme vai ser lançado no segundo semestre deste ano e acredito que muito provavelmente alguns militantes petistas vão ficar irritados comigo. Como ousei fazer um filme e botar só o Serra? O que eu posso fazer? Vou negar a história?

Istoé - Quantas vezes o José Serra vai aparecer? Silvio Tendler - Devo quatro aparições ao Serra (risos).

Istoé - Muitos dizem que o Serra teve um papel importante na resistência à ditadura e o sr. só inseriu a Dilma. Silvio Tendler - Nenhum papel. José Serra era presidente da UNE em 1964, esteve no comício da Central, representa uma virada política importante da UNE nos anos 60. É muito importante até 64, quando vem o golpe de Estado. Depois, ele é obrigado a se exilar porque era um dos mais procurados pela ditadura militar. Se refugia primeiro na Bolívia e depois no Chile; se casa com uma chilena, e continua os estudos dele em economia. Nos anos seguintes, ele não tem nenhuma militância preponderante, não é ligado à luta armada, não é de partido.

Istoé - Quando o sr. entrevistou a ex-ministra Dilma ela já era candidata à Presidência? Silvio Tendler - Não! Quando a produção entrou em contato com o gabinete dela, ela era ministra de Minas e Energia. Não era figura de proa e muito menos cogitada para ser candidata. Fiz a entrevista, ela foi corajosa. Quando eu estava com o filme armado, a Dilma foi lançada pelo Lula. Na hora eu percebi o pepino que me caíra nas mãos. Aí, depuramos a entrevista da Dilma com muito mais rigor, exatamente porque ela virara candidata. Começamos a cortar, tinha muito mais material dela, e ficou exatamente com quatro falas. A Dilma não era militante de base, era da direção nacional, da executiva da resistência. Foi presa, torturada, sobreviveu, resistiu como pôde, então eu tinha que contar essa história, ela não podia ser cassada do meu filme porque ia tentar uma outra coisa política. Ela e os jornalistas Franklin Martins e Ottoni Fernandes Jr. defendem a entrada dos estudantes na luta armada. O poeta Ferreira Gullar é vigorosamente contra. Ele lembra um diálogo duro dele com o Mario Alves, em que diz: “Você está me chamando para pegar em arma? Não sei pegar em arma, não sei atirar! E o Brasil não é Cuba, não. O Brasil é um continente, aqui não cabe a luta armada!” Tem o cineasta Sergio Santeiro e o jornalista Luiz Carlos Maciel, defendendo uma terceira via, que é da contracultura. E o Zé Celso, que faz uma síntese disso tudo, dessa geleia geral. Eu botei esse sincretismo político no filme.

Istoé - O sr. vai votar em quem? Silvio Tendler - Não sou petista, nunca fui. Em termos de política eleitoral hoje me dou o direito de manter a minha neutralidade. Não tenho que declarar voto. Isso eu já faço há algumas eleições, desde 94. Tenho muito orgulho de ter feito o primeiro e o segundo programa nacional do PSB e fiz o primeiro programa nacional do PCB. A primeira vez que tocou a Internacional Comunista na televisão brasileira no horário nobre e em cadeia nacional fui eu que coloquei. Tenho muito orgulho disso.

Istoé - Qual é o papel do seu filme? Silvio Tendler - Respeito a indústria do entretenimento, mas estou acostumado a viver com a xepa dessa indústria. Meus filmes são muito mais baratos e, por outro lado, atingem muito menos público. Na minha modesta opinião, acho que meus filmes introduzem um debate. As pessoas não querem só assistir, querem debater. Isso é legal. É uma característica do cinema que estava perdida, o papel de mobilizador. Conseguimos, em duas semanas, em circuito que não oferece mais que 300 lugares por dia, fazer quatro mil espectadores. Essa polêmica é legal para a gente discutir a diferença entre política e história.

Istoé - Como será o filme sobre o presidente Tancredo Neves? Silvio Tendler - Ele era um cavaleiro solitário. Construiu um caminho, acreditou nele, caminhou sozinho e tinha razão. Tancredo tinha uma coerência incrível. Não era um raivoso, era um cara de persuasão pelo diálogo. Não dava carteirada, não brigava, não era polêmico. Foi do PSD e primeiro-ministro do Jango. E costurou bem com o Jango. Quando Jango foi cassado, ele foi leal, levou-o ao aeroporto, se despediu, voltou para o Congresso para lutar contra o golpe.

Istoé - Acha que o ex-governador Aécio Neves herdou essa arte da costura com o avô? Silvio Tendler - Isso já é política e aqui estamos falando de arte. Já não é história e eu não gostaria de embolar. Acho que o Aécio é um político que está fazendo a trajetória dele. Como pessoa física gosto muito dele. Sou amigo dele desde 1985, quando fomos juntos a Moscou para o Festival Internacional da Juventude e da Paz. Ele aparece em foto no “Utopia”.

Istoé - Quantas vezes ele aparece? Silvio Tendler - A foto dele aparece três ou quatro vezes (risos).

Istoé - O sr. fez a campanha do Lula em 1994, não foi? Silvio Tendler - Sim. E foi nessa campanha que eu me desencantei com campanhas eleitorais. Mas ainda tentei, em 2002, fazer a do Ciro Gomes. E foi um horror. Eu falei: “Não me misturo mais com política, não é meu universo.”

Istoé - Por que foi “um horror”? Silvio Tendler - O comportamento dele com a gente foi muito ruim. Quando ele começou a subir nas pesquisas, começou a se achar o ó do bobó. Foi lamentável. Ele começou a achar que não precisava de partido, de militância, de ninguém. Que sozinho faria tudo. Eu percebi o comportamento utilitarista que ele tinha com a gente e comecei a me afastar até do PPS. Saí da campanha e jurei para mim mesmo que nunca mais faria isso.

terça-feira, 11 de maio de 2010

( * ) Verde, Não devaste



A cruzada da motosserra - Por detrás da guerra da bancada da motosserra contra o Código Florestal, uma lei com 76 anos de história, só há um motivo: ele, finalmente, está deixando de ser letra-morta.

Nunca, neste país, se falou tanto de Código Florestal. O que é de se estranhar, pois a Lei nº 4.771 já está entre nós há exatos 45 anos. Isso sem contar sua primeira versão, que data de 1934. Não faz mais de década e meia, no entanto, que o Código virou alvo do agronegócio e de seus representantes no Congresso. Considerada, no Brasil e no mundo, uma das mais avançadas peças de legislação florestal, o Código, a cada ano, sofre ataques mais virulentos por parte dessa turma que acha que árvore só deve ser tratada a dentes de motosserra.
Na Câmara Federal, o Código está cercado por todos os lados. Na Comissão de Meio Ambiente da Casa, ainda tramita o projeto de lei 6424, de autoria do senador Flecha Ribeiro (PSDB-PA), que anistia desmatadores, reduz áreas de proteção e destina-se a causar tanto mal a nossas árvores que foi apelidado de “Floresta Zero”. Em outra Comissão Especial, criada no ano passado com a missão de juntar 11 projetos de lei que atacam os preceitos do Código Florestal, o relator, deputado federal Aldo Rebelo, (PCdoB-SP), apoiado por uma maioria de ruralistas, dá claros sinais de que nossas matas não terão mais vez.
Hoje, 27 de abril, ele comanda um encontro da comissão especial que vai decidir quando o seu relatório será entregue.

(Atualização em 27 de abril de 2010, às 16h40: a reunião da Comissão Especial do Código Florestal marcada para hoje foi cancelada, sem explicação. O presidente da comissão, o deputado federal ruralista Moacir Micheletto (PMDB-PR), e o relator, Aldo Rebelo, então se fecharam para uma conversa privada. O que querem esconder dos eleitores?)

Na prática, isso pode significar que um grupo reduzido de deputados em fim de mandato vão dar mais um passo para enterrar 76 anos de tradição legal de proteção para as florestas brasileiras. Por que os ruralistas têm se mostrado tão diligentes em seus ataques recentes ao Código Florestal se durante mais de meio século eles simplesmente ignoraram sua existência?
A explicação é simples. Para início de conversa, a capacidade de monitorar o cumprimento da legislação no campo, por imagens de satélite, aumentou sensivelmente na última década e revelou o que de certo modo todo mundo, governo inclusive, já sabia: é raro achar, no Brasil, um fazendeiro que siga à risca o que manda o Código Florestal em termos de preservação de matas nativa e ciliar em suas propriedades. Além da capacidade de monitorar, o governo federal também adotou, de alguns anos para cá, medidas que reforçaram sua capacidade de fazer cumprir o que manda o código.
Duas delas merecem atenção especial. Uma é o decreto 3545, aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em julho de 2008, determinando que fazendeiros que não tivessem seu passivo ambiental regularizado ficariam impedidos de obter financiamento bancário. A outra é uma Medida Provisória que deveria ter entrado em vigor em dezembro passado que obrigava fazendas a declarar oficialmente seu passivo ambiental e registrar como pretendiam resolvê-lo. A MP foi adiada por dois anos. E a decisão do CMN vem sendo implementada de maneira inconsistente. Mas a turma que defende a motosserra no Congresso tomou tenência.
Um total de 36 projetos de lei já tentaram desfigurar as linhas gerais do Código Florestal. A última investida começou a ser esboçada em 2009, com a criação de uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados para reunir projetos que, em sua essência, querem mesmo é desfigurar o Código Florestal. Composta por uma pesada bancada ruralista e com o objetivo de discutir essas propostas, o grupo deve apresentar seu relatório preliminar no final deste mês. Daí, segue para a votação no Senado, retorna à Câmara e recebe a sanção ou veto presidencial. Tudo isso pode acontecer este ano.
Enquanto o dia não chega, os membros da comissão deixam escapar o mote do que já chamam de novo Código Florestal. A ideia deles, dita com todas as letras, é revogar a lei de 1965. E pôr em seu lugar uma legislação mais branda, flexível e adequada aos interesses do agronegócio.
Os ruralistas têm se preocupado em vestir as propostas com uma roupagem verde. Numa aglutinação de 11 projetos de lei, a cartilha florestal que está sendo preparada pode vir à tona sob o nome de Código Ambiental Brasileiro. Em seus rodeios pelo Brasil, o relator da comissão, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), também alinha seu discurso a esse viés. “O principal objetivo da reformulação do Código Florestal é preservar a natureza”, ele garantiu, num bate-papo virtual promovido pela Agência Câmara no início de março.
Mas de preservacionistas, as ideias de Aldo e companhia não têm nada. “A bancada ruralista está se apropriando de um vocabulário e de conceitos como convergência no desmatamento zero e vítimas das mudanças climáticas. Mas o que eles defendem é a justamente a continuação do desmatamento sem aumentar a governança”, denuncia o diretor-executivo do Greenpeace, Marcelo Furtado.

Fonte: Greenpeace

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Aldo Rebelo envia mensagem para quem assina a petição em favor de nossas florestas. Arrogante, o texto insinua que ele é o árbitro ideal para dizer o que é bom para o Brasil.

Na noite da última terça-feira, 4 de maio, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) soltou nova leva de sua mensagem respondendo à petição, enviada por quase 50 mil brasileiros a partir do site do Greenpeace, exigindo que ele deixe em paz nossas florestas. Aldo, relator da Comissão Especial na Câmara em que meia dúzia de deputados em fim de mandato tramam para desfigurar o Código Florestal Brasileiro, sentiu a pressão do ativismo on-line.
No entanto, sua resposta saiu pela culatra. Seu tom, entre arrogante e paternalista, serviu para incentivar os brasileiros que não querem mudanças no Código Florestal a enviar a petição para o deputado. Nas últimas 24 horas, mais de 3 mil pessoas juntaram-se a outras milhares que já mandaram a petição para o gabinete de Aldo. Ontem à noite, a reação furibunda de Aldo figurava entre os assuntos mais comentados no Twitter. Ela deixou muita gente irritada.
Aldo menospreza a inteligência de quem assinou a petição. Insinua que são pessoas desinformadas, suscetíveis à confusão e à manipulação, incapazes de pensar por si próprias. Quem não está com ele é um idiota. Ou, então, defende interesses estrangeiros. Aldo ouviu essa ladainha no passado. Era como a ditadura militar desqualificava seus adversários, Aldo inclusive. Felizmente, nenhum ciberativista que assinou a petição pelas florestas tentou excluí-lo do debate pelo fato de o deputado professar uma ideologia nascida na Europa e reciclada pelos chineses.
Aldo se esquece de onde veio. Bate no peito e jura que ele é que sabe o que ser brasileiro. Se é assim, ele poderia ser ao menos um pouco mais coerente e devolver os R$ 300 mil que recebeu da mineradora Caemi - que conta com 50% de participação da japonesa Mitsui -, para irrigar seus cofres de campanha em 2006. Ou então parar de se comportar como empedernido nacionalista.
Sobre o trabalho da comissão, Aldo tenta passar a noção de que ele foi criterioso, realizando 19 audiências públicas e ouvindo mais de 300 pessoas. O que Aldo não conta é que metade dessas audiências sequer tem registro público. Aquelas que têm demonstram que a comissão deu preferência a escutar a opinião de quem quer desfigurar o Código Florestal. Ela deu voz a 63 representantes do agronegócio, todos críticos do Código Florestal.
Dos pequenos produtores e trabalhadores rurais, que Aldo jura defender, a comissão ouviu 37 representantes. Apenas 2 líderes indígenas foram convocados para prestar depoimento. De ambientalistas, a comissão não chamou para escutar sequer uma dezena e meia. Nada surpreendente. Aldo e sua turma de ruralistas na comissão não gostam de quem defende a natureza brasileira. O deputado, nos últimos meses, dedicou ao Ministério do Meio Ambiente e Ministério Público os mesmos adjetivos que vem dispensando ao Greenpeace. Em bom português, disse que não passam de lacaios do imperialismo americano e europeu.
O deputado também usa sua resposta para banalizar o debate sobre o Código Florestal. Entre os exemplos que invoca para justificar a necessidade de alterá-lo – corrigi-lo, como prefere seu pedantismo – diz que ele pode levar à cadeia um sujeito que pegar uma minhoca na beira de um rio.
Não se sabe de ninguém que tenha sofrido tal sanção. Mas sabe-se que, detrás da alteração do Código Florestal orquestrada pelo deputado e seus colegas ruralistas na Comissão, está a anistia aos desmatadores, a redução das áreas de preservação permanente e a alteração da reserva legal.
Nem por isso, insiste Aldo, ele deveria ser tachado de ruralista. Mas tem muito ruralista que, graças a ele, anda pensando em virar comunista. "Eu sou do PMDB. Provavelmente, pelo contato que eu tenho com o Aldo Rebelo, logo irei para o PCdoB", disse o deputado Moacir Micheletto (PMDB-SC), membro da Comissão Especial e sócio de carteirinha da bancada da motosserra na Câmara. Ela está adorando a performance de Aldo Rebelo.
Sobre o Greenpeace, Aldo não consegue achar nada de muito substancial para dizer a não ser que somos uma ONG holandesa, financiada por interesses externos. Ele erra nos dois tiros. O Greenpeace não é holandês. Nasceu no Canadá e hoje é uma ONG global, com 42 escritórios espalhados pelo mundo. E não vive de dinheiro de governos, partidos ou empresas. Depende de doações individuais, que garantem a independência e autonomia de suas campanhas em favor do meio ambiente.
No Brasil, o Greenpeace tem quase 50 mil doadores e recebe o apoio de 320 mil ativistas on-line. Todos, ao contrário do que supõe Aldo, brasileiríssimos e engajados na defesa do que sobra das florestas que inspiraram o uso do verde na bandeira nacional. Assine a petição que anda irritando tanto o deputado Aldo Rebelo. E junte-se a nós.

Fonte: Greenpeace

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( Wikipedia ): José Aldo Rebelo Figueiredo (Viçosa, 23 de fevereiro de 1956) é jornalista e político brasileiro, membro do Partido Comunista do Brasil(PCdoB) e deputado federal eleito diversas vezes pelo mesmo partido, representante do estado de São Paulo na Câmara dos Deputados.
Foi presidente da Câmara dos Deputados, sendo parte da base do governo Lula, juntamente com seu partido PC do B, cumprindo um papel fundamental para a implementação dos projetos propostos pelo governo. Também foi Ministro de Estado da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais do Governo, no período 2004-2005.
É conhecido pela postura nacionalista, e por projetos as vezes polêmicos, como o de redução de estrangeirismos na língua portuguesa e o da reforma do Código Florestal Brasileiro, "já que grande número de fazendeiros não o obedece"[1].
Tem intensa participação em debates na área de relações exteriores e defesa nacional, sendo membro da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) que presidiu em 2002. Atualmente, o deputado é presidente do Grupo Parlamentar Brasil-China.
Foi Vereador da cidade de São Paulo em 1989-1991 pelo PCdoB.
Foi Deputado Federal no período 1991-1995 (Congresso Revisor), quando participou da Revisão Constitucional. Foi eleito Deputado Federal para os mandatos de 1995-1999, 1999-2003, 2003-2007 e 2007-atual. Foi eleito deputado federal em 1990, com 29.554 votos e em 1994 com 45.240 votos [2]. Nas eleições de 1998 foi eleito com 84.288 votos, em 2002 com 134.241 votos, e em 2006, com 169.621 votos.
Seu interesse pela política começou quando estudava no Colégio Agrícola Floriano Peixoto, na década de 70. Rebelo ingressou na Ação Popular (AP) e em 1977 ingressou no Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em 1979, quando a União Nacional dos Estudantes (UNE) foi reconstruída, o já comunista Aldo foi eleito secretário-geral e, na gestão seguinte, foi presidente da UNE na gestão 1980-1981. Em 1982, lançou-se candidato a deputado federal pelo PMDB paulista, em um período em que o Partido Comunista do Brasil ainda estava na ilegalidade. Sua trajetória parlamentar se iniciou em 1988, quando foi eleito vereador por São Paulo.
Rebelo foi presidente da Câmara dos Deputados do Brasil entre 2005 e 2007, eleito com 258 votos contra 243 do oponente José Thomaz Nonô, membro do então PFL (atual Democratas). De 512 deputados votantes, seis votaram branco e dois anularam o voto. Em 2009 Rebelo voltou a disputar a presidência da Câmara.
Nas eleições municipais de 2008, foi candidato a vice-prefeito de São Paulo na chapa de Marta Suplicy, que no 1o turno obteve 2.088.329 de votos, ou 32,79% dos votos válidos contra 33,61% do primeiro colocado. No segundo turno foi derrotado para a coligação do atual prefeito Gilberto Kassab, do Democratas, que teve 60,72% dos votos válidos[4].
Foi líder do PCdoB e líder do governo Lula. Em janeiro de 2004, licenciou-se do mandato de deputado e assumiu a Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, responsável pelas relações institucionais entre os Poderes da República e entre os entes federativos e pela articulação política do Palácio do Planalto.
Quando da grave crise econômica por que o Brasil passava durante o governo de José Sarney, destacou-se ao tentar levar congressistas a visitar a Albânia, a seu ver, um exemplo de um país a ser seguido. Recebeu, por isso, apelido pejorativo de "albanês". É também autor do polêmico projeto de lei de número 1676/99 que limita o uso de palavras estrangeiras, aprovado na Câmara em março de 2001 e em tramitação no Senado Federal.
O Deputado já apresentou centenas de proposições em sua carreira[5], sendo que alguns dos projetos mais famosos e polêmicos são o de limitação de estrangeirismos, o da criação do Dia Nacional do Saci-Pererê e o Pró-Mandioca.
Dia Nacional do saci-pererê
Em 2003 o deputado apresentou PL-2762/2003 que propõe transformar o dia 31 de outubro no Dia Nacional do saci-pererê, visando substituir a importação cultural do "Halloween".[6]
Pró-Mandioca
Em abril de 2006, através do Projeto de Lei 4.679/2001, que ficou popularmente conhecido como o Pró-Mandioca, tentou tornar obrigatória a adição de 10% de raspa de mandioca na farinha de trigo destinada à fabricação do pão francês (ou pãozinho, pão de sal). Dentre as justificativas para o PL estavam a idéia de melhorar a quantidade de nutrientes do pão e impulsionar a cadeia de produção da mandioca, produto do qual o Brasil é o maior produtor mundial. O projeto chegou a enfrentar forte resistência da indústria da farinha de trigo e também dos padeiros, que em protesto passaram a exibir cartazes com fotos de Aldo Rebelo expressando a insatisfação com o projeto de lei do deputado, justamente no período de campanha eleitoral. O projeto recebeu diversas emendas e foram elaborados dois substitutivos, mas acabou sendo vetado pela Comissão especial criada para discutir o tema. [7] http://www.camara.gov.br/Sileg/Prop_Detalhe.asp?id=338753

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Código Florestal - Confira a entrevista com Aldo feita pelo Vermelho
Portal Vermelho - Joana Rozowykwiat
27/04/2010

Relator da comissão especial que discute mudanças no Código Florestal, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB) está em meio ao fogo cruzado que o tema desencadeia. São muitos os interesses em conflito, envolvendo desde pequenos e grandes produtores, ambientalistas e governo, até potências estrangeiras. Nesta entrevista, ele expõe as polêmicas, denuncia a ação anti-nacionalista de algumas ONGs e afirma que busca uma saída que leve em conta tanto o meio ambiente quanto o desenvolvimento do país.

Por sua postura crítica em relação a algumas entidades ambientalistas, que atuam no Brasil em defesa de interesses de outros países, Rebelo está sendo vítima de uma campanha do Greenpeace, que tenta vinculá-lo aos grandes produtores rurais. É uma mostra de como o assunto acirra ânimos.

Na conversa com o Vermelho, o deputado destaca que, para além do problema ambiental em si, a discussão do código mexe com questões ideológicas, políticas e comerciais, já que tem estreita ligação com a disputa travada na Organização Mundial do Comércio entre a agricultura dos países ricos e aquela desenvolvida em nações emergentes como Brasil.

Aldo Rebelo defende o código florestal, mas critica as modificações que foram feitas nele, ao longo dos anos. Segundo ele, algumas das normas introduzidas são impossíveis de serem cumpridas, prejudicando, em especial, os pequenos produtores. O resultado é que muitos não conseguem manter sua propriedade, e a legislação termina por ajudar a reconcentração da propriedade da terra e a migração para grandes cidades.

Para o parlamentar, é preciso adequar a lei à realidade. Nesta terça (27), a comissão especial que trata do assunto na Câmara se reúne para definir o cronograma de trabalho. Confira a entrevista concedida ao Vermelho:

Jornalista e deputado eleito por São Paulo pelo PCdoB, Aldo Rebelo atua há cinco mandatos consecutivos e figura como um dos mais influentes deputados do Congresso. Aos 54 anos de idade - mais de 30 dedicados à política, o deputa¬do já foi presidente da Câmara dos Deputados, ministro da coordenação política e líder do governo Lula na Câmara. Na juventude, foi líder do movimento estudantil. Chegou à presidência da UNE - União Nacional dos Estudantes e criou a UJS - União da Juventude Socialista. Seu primeiro mandato parlamentar foi como vereador de São Paulo.

Uma das áreas da atuação parlamentar de Aldo é a de relações exteriores e defesa nacional. O deputado é mem¬bro da Comissão Permanente da Câmara dos Deputados que analisa todas as proposições legislativas dessas áreas, in¬clusive os acordos e tratados internacionais dos quais o Brasil faz parte. É relator do novo Código Florestal Brasileiro e nesta entrevista exclusiva ao Informequim trata do assunto e esclarece alguns pontos sobre a defesa nacional e políticas públicas na preservação do meio ambiente.

Informequim: Qual o principal desafio e dificuldades na elaboração do relatório do novo Código Florestal?

Aldo Rebelo: Nós temos um Código Florestal de 1965, muito avançado, mas que foi profundamente modificado nos últimos anos. As mudan¬ças tornaram impossível a sua aplicação, pois os agricultores, principalmente os pequenos, não têm como cumprir suas exigências, o que levou o governo a adiar por decreto a entrada em vigor de algumas alterações. Nosso desafio é adaptar o Código Florestal a realidade do país, protegendo o meio ambiente e protegendo a agricultura e o desenvolvi¬mento do país.
Como vem sendo feito este trabalho? Tem como divulgar o panorama destas áreas e programas visitados? Nós já realizamos 64 audiências públicas em Brasília e em 19 estados do Brasil. Testemunhamos a dificuldade dos agricultores, muitos deles vendendo as suas pequenas propriedades, por não conse¬guirem cumprir a legislação ambiental que tornou inviável a sua sobrevivência no campo. No Pantanal mato-grossense, por exemplo, embora seja a área mais preservada do Brasil, com a criação de gado, há mais de 200 anos, a legislação atual torna essa atividade ilegal, ameaçando o trabalho e a vida de muita gente.

Em seu relatório, há projeto de manutenção para as áreas consolidadas?

Nós pretendemos oferecer um tratamento gene¬roso a agricultura praticada há muito tempo, em qualquer lugar do país. As áreas consolidadas devem permanecer destinadas ao uso atual, salvo aquelas consideradas essenciais para a proteção da água e do solo.

Como ficará a reserva legal em seu relatório?

Eu pretendo que a lei acolha o conceito de Reserva Legal e de Área de Proteção Permanente (APP) e tenho simpatia pela idéia do desmatamento zero, mesmo que temporariamente, para a realização do zoneamento ecológico, econômico e social de nosso território.

Como o go¬verno pode resguardar suas reservas naturais?

O estado brasileiro tem como obrigação proteger a natureza, a fauna, a flora, o solo, o subsolo e a água, com políticas públicas e educacionais, pois dessa pro¬teção, depende o bem-estar material e espiritual do povo brasileiro.

Como está a participação dos ambien¬talistas na construção desse relatório?

Nós ouvimos dezenas de ONGs, com suas distintas visões sobre as questões de meio ambiente, e suas reivindi¬cações a respeito desse tema.

E como a preservação do meio ambiente nas cidades será tratada em seu relatório?

É preciso deixar claro que a proteção do meio ambiente não é uma responsa¬bilidade exclusiva do homem do campo. Penso que a socie¬dade urbana tem uma dívida muito maior do que a daqueles que vivem mais próximos da natureza.
Informequim: Existe algu¬ma medida sobre indicações quanto as questões ambien¬tais nas cidades?

Aldo: É necessário que a cidade partilhe a responsabilidade pela dívida ambiental de toda a sociedade. E nós vamos encontrar na lei a forma pela qual isso seja feito com equilíbrio e eficiência.

Como serão tratadas a grande agricultura e a pequena agricultura em seu relatório. Terão tratamentos diferenciados?

Naquilo em que são iguais, serão tratadas com igualdade. Ou seja, todas elas, a pequena, a média e a grande precisam da proteção do estado brasileiro diante da concor¬rência e dos subsídios que são dados a agricultura dos países ricos. Por outro lado, por ser mais frágil, a pequena propriedade carece de uma proteção maior, o que pode ser feito via crédito subsidiado e política de preço mais favorável ao pequeno agricultor.

Qual o trâmite para aprova¬ção do novo código?

A Comissão Especial estabelecerá o prazo para a entrega do relatório, o que deverá acontecer o mais breve possível. E depois de votado na comissão, o projeto será endereçado ao plenário da Câmara e, em seguida, para o Senado Federal.

Qual a perspectiva para o cenário político em 2010?

Creio que teremos eleições muito equilibradas entre a candidata do presidente Lula e dos partidos da base do governo, a ministra Dilma, e o candidato da oposição, ex-governador José Serra. Dilma dispõe de uma base política muito mais ampla, além do apoio e da popularidade do presidente Lula, o que a torna uma candidata muito forte.

* Cólera

Uma grande perda ...

Morre o pintor e quadrinista Frank Frazetta - Ícone das poses da literatura de fantasia tinha 82 anos

por Érico Assis

Um dos nomes que definiu o visual dos mundos de fantasia na literatura fantástica e nos quadrinhos no século XX, o estadunidense Frank Frazetta, faleceu nesta segunda-feira num hospital próximo à sua casa nas Montanhas Pocono, no Estado da Pennsylvania. Ele tinha 82 anos.

Frazetta deixou sua marca na cultura pop a partir dos anos 1960, quando começou a ilustrar pôsteres de filmes e capas de livros pulp, como os de Tarzan e Conan. Imagens como a pintura The Death Dealer e as de Vampirella são ícones de seu trabalho.

Mas o artista começou a trabalhar ainda na década de 40, desenhando quadrinhos para editoras como EC Comics, National Comics e outras. Ele passou quase uma década como assistente de Al Capp, o autor da tira Ferdinando, antes de partir para a companhia de Harvey Kurtzman, o futuro criador da Mad.

Foram suas pinturas dos anos 60 que o tornaram uma referência não só para outros artistas, mas para o mundo do cinema, da música e dos quadrinhos. Em 2008, a capa do livro Escape on Venus - com uma voluptuosa mulher guerreira enfrentando um tigre - foi vendida por US$ 250 mil em leilão. A pintura Conan the Conqueror foi vendida no ano passado por US$ 1 milhão (pagos, dizem, por Kirk Hammett, do Metallica).

Com a fama, Frazetta reduziu sua produção. Na última década, pintou muito pouco devido a sucessivos problemas de saúde. Mantinha um pequeno museu junto a sua propriedade, administrado pela família.

Em dezembro, seu filho Frank Jr. jogou um carro contra uma parede do museu, derrubando-a e entrando para tentar roubar quase 90 quadros - alegando que queria protegê-los de compradores, seguindo desejos do pai. Ele acabou sendo processado pelos outros irmãos. O Frazetta pai veio a público declarar que seu filho era um estranho para ele.

O artista faleceu após um derrame. As dezenas de livros publicados sobre ele, o documentário Frank Frazetta: Painting With Fire, de 2003, e suas centenas de imagens musculosas, fantasiosas, eróticas, aterrorizantes e poderosas vão continuar influenciando muita gente.

Omelete




















segunda-feira, 10 de maio de 2010

09/05/2010 - 65 Anos da Vitória na Grande Guerra Patriótica

Ontem foi um dia de festa em Moscou, capital da Rússia: completaram-se 65 anos da rendição dos nazistas, em 1945. É o Dia da Vitória na Grande Guerra patriótica, que é como eles chamam a Segunda Guerra Mundial.

A importância da participação da União Soviética no conflito é subestimada na maioria dos livros de História do ocidente - uma herança da Guerra Fria, muito provavelmente. A História, afinal, é escrita pelos vencedores, e como a coalizão que venceu Hitler rachou imediatamente após o fim da guerra, é natural que a contribuição do ex-aliado, então inimigo, fosse revista. Mas a verdade é que foram os russos que venceram, de fato, a guerra, pelo menos na Europa. Há quem diga, inclusive, que o famoso Dia D, a invasão dos aliados ocidentais à Normandia, foi planejado mais para deter o avanço soviético sobre a Europa do que para expulsar os nazistas, a esta altura do campeonato já irremediavelmente derrotados.

Para o cidadão comum do ocidente, os judeus (que, não por acaso, têm uma forte presença em Hollywood, esta verdadeira fabrica de difusão cultural e ideológica), foram o povo que mais sofreu nas mãos da máquina de guerra nazista, mas a verdade é que, sem de forma alguma desmerecer a memória do sofrimento do povo judeu com o Holocausto, foram os russos as maiores vítimas da guerra. Isto é fato, atestado pelo impressionante número estimado de mais de 20 milhões de mortos. Foram vítimas de uma guerra de extermínio, e talvez por isso mesmo tenham sido tão bravos na resistência e tão devastadoramente vitoriosos. Venceram APESAR de Stalin, e não graças à sua liderança, como conta a História oficial da União Soviética. Os soviéticos foram pegos de surpresa pela invasão alemã, a operação Barbarossa, muito provavelmente porque o ditador realmente acreditou no cumprimento de pacto de Não-agressão por parte de Hitler – não contava, provavelmente, com a força do ódio cego que o comandante nazista nutria pelo regime bolchevista e pelos povos eslavos em geral, que ele planejava exterminar por completo ou escravizar. Além do mais, o exército vermelho estava profundamente desestruturado pelos expurgos comandados por Stalin em seus quadros alguns anos antes. Apesar disso, o povo russo, que já havia resistido às tropas de Napoleão, mais uma vez superou a terrível adversidade e saiu-se vitorioso. Por isso, quando vejo as imagens das paradas militares comemorativas à data em Moscou, me emociono, porque vejo nelas não apenas a demonstração de força de um império autocrático (coisa que, definitavamente, também é), mas a lembrança de um povo guerreiro que ousou tomar em suas mãos seu próprio futuro e, com isso, inaugurou uma nova era na História da humanidade. É evidente que não é possível ignorar os terríveis erros cometidos nos rumos da revolução e de tudo que a sucedeu, mas é justamente isso que me faz ter uma admiração pelo povo russo e sua história. Eles, pelo menos, tentaram e, em parte, como no episódio da vitória na guerra, conseguiram.

A.

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( Wikipedia ) A Grande Guerra Patriótica foi o nome pelo qual ficou conhecida a Segunda Guerra Mundial para os povos da União Soviética. Com forte viés ideológico, a definição tinha por objetivo incutir na mente dos povos integrantes da URSS a ideia de que o combate com os alemães significava uma guerra em defesa da pátria, nesse caso, o Estado Soviético. Por outro lado, juntamente com outras ações políticas, a definição tinha por objetivo alçar a figura de Stalin como o supremo líder e guia dessa pátria.

As comemorações e o significado da vitória na guerra, pela qual a URSS pagou um preço alto, tanto em termos humanos como materias, foram sempre profundamente marcadas na consciência dos povos das repúblicas soviéticas. O "Dia da Vitória", ou "День Победы" - "Den' Pobiedy", era, junto com o Primeiro de Maio - Dia do Trabalho, um dos dois principais festejos populares na URSS. O episódio permanece importante para os russos devido às imensas perdas humanas sofridas no conflito, inclusive após a queda do regime soviético. É raro encontrar algum cidadão das ex-repúblicas soviéticas cuja família não tenha perdido um ente próximo na guerra.

Embora o significado das batalhas entre Alemanha e URSS tenha sido enormemente relativizado no mundo capitalista pós-guerra, por conta de questões ideológicas próprias da Guerra Fria (quando não era mais conveniente ressaltar qualidades positivas do antigo aliado soviético), a chamada frente oriental foi onde aconteceram as mais ferozes batalhas da Segunda Guerra Mundial, com as maiores perdas civis e militares da história. Na resistência contra a Wehrmacht, o Exército Vermelho mostrou excepcional tenacidade e capacidade de reorganização e aprendizagem.
Apesar das imensas perdas humanas e materiais, e das brutais atrocidades cometidas contra o povo soviético pelos alemães nazistas, que lhe causaram a morte de quase 27 milhões de seres humanos, simplesmente por pertencerem a um estado comunista e serem eslavos (uma sub-raça na concepção nazista); e devido à ideologia do Lebensraum ( um espaço vital que os " arianos" alemães deveriam obter no leste da Europa às custas dos povos eslavos, considerados subumanos pelos nazistas), a URSS foi a única nação da guerra a ser invadida territorialmente pela Werhmacht (então o maior, melhor treinado, mais bem equipado, e mais eficiente exército do mundo, cujos vários feitos em eficiência e versatilidade em campo permanecem inigualados até hoje) a ser capaz de se reorganizar e, sem rendição ou acordos colaboracionistas (como o do “Governo de Vichy”, na França), resistir, combater, e efetivamente rechaçar as forças alemãs para fora de seu território sem tropas externas atuando conjuntamente (como na recuperação da França, por exemplo, que precisou de ajuda maciça de tropas Britânicas, Americanas e Canadenses) e, mais importante, seguir um curso de vitórias até a capital da Alemanha, terminando, na prática, a guerra. Poucos dias depois do suicídio de Hitler em Berlim - já completamente ocupada pelo Exército Vermelho - as forças alemãs assinaram sua rendição incondicional.

É consenso entre a grande maioria dos historiadores e países que participaram da guerra que a URSS desempenhou papel decisivo na derrota da Alemanha Nazista. Tanto que o Exército Vermelho recebeu diversos elogios do presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt e do Primeiro-Ministro Britânico Winston Churchill. Este último, na conferência de Teerã ( Teerão/PE) presenteou Stalin em nome de Sua Majestade britânica, com uma bela espada cravejada de joias em honra à vitória militar soviética em Stalingrado. O ditador, que parecia sempre ser uma esfinge aos seus parceiros da conferencia, frio, desconfiado e distante, derramou uma discreta lágrima.

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01/05/2010 - 11h49

Comunistas protestam em Moscou contra desfile de tropas da Otan

da Efe, em Moscou

Milhares de comunistas saíram neste sábado às ruas de Moscou para protestar contra o desfile de tropas aliadas do próximo dia 9 na Praça Vermelha, que lembrará os 65 anos da vitória sobre a Alemanha nazista.

"Permitir a entrada de tropas da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] na Praça Vermelha é uma humilhação para os veteranos da Grande Guerra Patriótica', disse hoje Gennady Ziuganov, líder comunista russo, em referência à parte soviética da Segunda Guerra.

Em discurso, Ziuganov acusou expressamente o primeiro-ministro Vladimir Putin de convidar os soldados da Otan a desfilar contra o "sagrado" mausoléu de Lenin, fundador da União Soviética.

Numa das maiores manifestações comunistas dos últimos dez anos, os saudosos da URSS conduziram hoje em Moscou uma grande marcha entre a Praça de Outubro, onde está a estátua de Lenin, e a Praça do Teatro, em frente ao monumento dedicado a Karl Marx.

"As tropas da Otan que bombardearam o Iraque e a antiga Iugoslávia não têm o direito moral de pisar na Praça Vermelha", assegurou à Agência Efe um porta-voz do Partido Comunista Russo.

Os comunistas apontam a Otan como "um agressivo bloco militar antirrusso", que não abandonou a ideia de se expandir até as fronteiras da Rússia.

Ao contrário de outras ocasiões, entre os manifestantes foi possível ver muitos jovens, que erguiam cartazes com palavras contra o Kremlin e o Ocidente.

O Kremlin confirmou esta semana que soldados de Estados Unidos, Reino Unido, França e Polônia, todos membros da Otan, desfilariam pela primeira vez na Praça Vermelha.

A Rússia se propôs a celebrar em grande estilo este ano o 65º aniversário da derrota de Hitler. Os eventos terão a presença, entre outros líderes, da chanceler alemã, Angela Merkel, do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.

A parada terá mais de 11 mil soldados e cerca de 300 equipamentos militares, entre mísseis intercontinentais, baterias antiaéreas, carros blindados, caminhões, aviões e helicópteros.

O Kremlin retomou em 2008 os desfiles militares com mísseis intercontinentais e armamento pesado na Praça Vermelha, suspensos após a queda da URSS.

Segundo estatísticas oficiais, mais de 26 milhões de soviéticos, sendo quase nove milhões de soldados do Exército Vermelho, morreram durante a Segunda Guerra Mundial.

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09/05/2010 - 08h07

Rússia realiza desfile militar pelo 65º aniversário da vitória sobre nazistas

da Efe, em Moscou

O tradicional desfile militar por causa do dia da vitória sobre a Alemanha nazista, que completa neste domingo 65 anos, foi realizado na praça Vermelha de Moscou.
É a primeira vez que tropas de países da Otan desfilam na parada militar, a poucos metros das muralhas do Kremlin.

Depois que o ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov, passou revista às tropas, e o presidente, Dmitri Medvedev, pronunciou seu discurso da tribuna, o hino russo foi entoado, acompanhado de salvas.

Na cerimônia, que durou 72 minutos, participaram 10.500 soldados russos e cerca de mil representando os Estados da pós-soviética Comunidade dos Estados Independentes, assim como dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França e da Polônia.

Além disso, circularão sobre a praça Vermelha 159 veículos militares, entre carros de combate, blindados, peças de artilharia autopropulsadas, sistemas antiaéreos e plataformas com mísseis.

Abrirão passagem nove lendários tanques T-34 e serão exibidos também foguetes tático-operacionais Iskander-M, sistemas de defesa aérea com mísseis S-300 e S-400, plataformas de lançamento múltiplas de foguetes Smerch e plataformas móveis com mísseis balísticos intercontinentais Topol-M, a arma mais temível do arsenal russo.
Fecham a parada orquestras militares de Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia.

Participam da cerimônia 3.000 veteranos, cerca de 200 procedentes de outros 24 países. Entre os líderes estrangeiros presentes estavam a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente israelense, Shimon Peres, e o dirigente chinês, Hu Jintao.

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Tropas de quatro países membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) marcharam pela primeira vez na Rússia na parada anual que marca a vitória na Segunda Guerra Mundial.

Soldados da Grã-Bretanha, França, Polônia e Estados Unidos marcharam neste domingo ao lado de tropas russas na Praça Vermelha, em Moscou. A chanceler alemã Angela Merkel estava entre as dezenas de líderes mundiais participando do aniversário de 65 anos da vitória.

Além de 10 mil soldados russos e das tropas estrangeiras, a parada também incluiu tanques, mísseis balísticos e o voo de 127 aeronaves. Essa foi a maior demonstração do poder militar russo desde o colapso da União Soviética, segundo o correspondente da BBC em Moscou, Richard Galpin. O presidente russo Dmitry Medvedev disse em um discurso que as lições da Segunda Guerra Mundial "nos urgem a mostrar solidariedade". "A paz ainda é frágil e é nosso dever lembrar que guerras não começam em um instante", disse. "É apenas juntos que deveremos conseguir combater as ameaças modernas."

Visitas canceladas - A presença de tropas estrangeiras na Praça Vermelha - que um dia foi o coração da União Soviética - foi um gesto altamente simbólico, demonstrando até que ponto a rivalidade da Guerra Fria foi superada, segundo o correspondente. Um membro do Exército britânico disse à BBC que seu batalhão estava animado de fazer parte da parada, pois é importante que os antigos aliados que derrotaram os nazistas estejam juntos no aniversário de 65 anos do fim da guerra.

Nenhuma autoridade britânica, no entanto, estava entre os líderes mundiais que assistiam ao desfile. Uma fonte confirmou à BBC que o governo russo recusou a oferta de participação do Príncipe Charles, mas a razão não está clara. O presidente francês Nicolas Sarkozy e o italiano Silvio Berlusconi cancelaram suas visitas para poder lidar com a crise envolvendo o euro.

Os aliados ocidentais marcam a vitória sobre os nazistas na Europa todo dia 8 de maio, mas a Rússia celebra o evento um dia depois, quando ocorreu a rendição nazista em Moscou.

bbcbrasil.com

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O que está sendo comemorado hoje, domingo 09 de Maio, em toda a Federação Russa e em outros lugares, é um evento singular e único: homenagear os 26 milhões de cidadãos soviéticos que fizeram o último sacrifício de qualquer ser humano, reunindo em torno da figura colossal de Stalin, que conseguiu galvanizar a sua nação para salvar não apenas a sua Pátria, mas o mundo inteiro, do jugo da tirania fascista.

Nos bastidores, como de costume, são tentativas de desviar a questão principal e tirar o foco daquilo que está sendo comemorado: a questão central é a magnífica contribuição feita pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em derrotar o pior flagelo que o mundo tinha visto em séculos, e ao fazê-lo, oferecendo um dos mais tremendos sacrifícios humanos. Cerca de vinte e seis milhões de homens e mulheres soviéticos deram suas vidas abnegadamente na luta contra a tirania fascista e racista desencadeada pela arrogância do regime nazista em todo o continente europeu.

As forças deste templo de racismo e intolerância encontraram na Frente Oriental um inimigo resoluto, a URSS, onde o governo de Stalin já tinha preparado a indústria para uma economia de guerra, muito antes das primeiras tropas alemãs terem violado as fronteiras da União Soviética, a lançar a Operação Barbarossa em 22 de Junho de 1941. Cerca de 75% das vítimas sustentados pelo Wehrmacht foram na frente oriental, numa batalha titânica que, além das enormes perdas humanas, devastou quase 2.000 cidades e vilas soviéticas, 70.000 aldeias e lugarejos, 84.000 escolas, 60.000 km de ferrovias, 43 mil bibliotecas, 40 mil hospitais, 32 mil instalações industriais e 2.500 igrejas.

O preço pago pelas cidades da União Soviética, de norte a sul, de leste a oeste, foi tão enorme como foi a sua contribuição heróica à causa. Leninegrado perdeu 1,5 milhões de almas num cerco brutal de 900 dias. Quando Hitler virou para sul até Estalinegrado (Julho de 1942 - Fevereiro 1943), Moscou já tinha vencido e repulsado a Operação Tufão do invasor (Setembro 1941 - Abril 1942). Seguiram-se Kursk (Julho-Agosto 1943), culminando na massiva Operação Bagration de Junho de 1944, a maior concentração de tropas e equipamentos em toda a campanha, um pico de brilho militar e estratégica, que minou a força do invasor.

É este último sacrifício humano, que é comemorado na Praça Vermelha e em outros lugares, hoje, o 65 º Aniversário do Dia da Vitória, num evento que conta com a participação de 25 líderes estrangeiros, entre eles a Chanceler alemã Angela Merkel e o Presidente francês, Nicolas Sarkozy. Os embaixadores britânicos e americanos também estão presentes.

As tentativas de minar o foco da celebração - Como de costume, há agendas políticas accionadas para desvirtuar o foco principal do evento, insultando o espírito e a memória daqueles que deram suas vidas para que a Europa e o resto do mundo poderiam viver em paz e liberdade. A controvérsia está centrada em torno da figura de Estaline. Vamos, então, de uma vez por todas, abordar este problema. Não se pode contemplar incidentes isolados na história, sem os vectores sócio-econômicos e de desenvolvimento que lhes deram forma e, em seguida, colori-los completamente fora de contexto, revisando-os décadas depois através de óculos cor-de-rosa, usando-os para providenciar combustível para agendas pessoais e políticas.

É verdade, houve atos atribuídos a Iosif Vissarionovich Dyugashvili, o secretário (georgiano) do Partido Comunista da União Soviética, que só podem ser descritos como lamentáveis e inaceitáveis. No entanto, concentrar-se nos incidentes em um só país (a URSS), sem atribuir qualquer importância oriunda dos vectores políticos, sociais e comunitários, é igualmente inaceitável. E então os massacres espanhóis na América Latina? E os massacres contra os nativos americanos pelos britânicos e norte-americanos? E a invasão das terras dos povos indígenas nos E.U.A. para que colónias de anglo-saxónicos descritos na altura como “racialmente superiores” pudessem ser estabelecidas? E o envio de soldados indianos pelos britânicos às câmaras de gás para testar os efeitos do gás mostarda? E a revolta indiana de 1857, e os massacres britânicos posteriores neste país? Que tal o descaso assassino de Churchill para a vida humana na Primeira Guerra Mundial? E os massacres de Oliver Cromwell, ainda festejado como um herói por muitos no Reino Unido, na Irlanda? E Sabra e Shatila? Onde é que a bola vai parar e sendo assim, quem tem o direito moral de opinar?

Estaline está incluído nestas comemorações, porque ele era o líder supremo da União Soviética, foi o ponto focal em torno do qual as nações se reuniram: "Za rodinu, za Stalina!" ("Para a Pátria. Para Estaline!")

Aqueles que tentam depreciar sua importância demonstram uma ignorância chocante sobre o fato de que seus programas de industrialização tornaram possível a União Soviética travar a guerra numa base sustentável. Vendo a nuvem no horizonte, Estaline comprou tempo com o Pacto de Não Agressão Molotov-Ribbentrop, em Agosto de 1939.

Contudo, até então, o programa de industrialização iniciado por Estaline tinha estabelecido mecanismos que deram ao país a capacidade de produzir mais tanques do que todo o resto da Europa. Além disso, o programa de ordenamento do território da União Soviética tinha assegurado que, mesmo depois de perder cerca de metade de suas unidades industriais para o Wehrmacht, a URSS passou a produzir em 1942 cinco vezes mais tanques do que a Alemanha. Além disso, o modelo industrial adotado na União Soviética era baseado no modelo civil/militar, em que as fábricas civis eram facilmente adaptáveis para a produção militar.

Comemorando com amigos e aliados - O facto que Angela Merkel pode estar lado a lado e num clima de amizade com os representantes russos, franceses, britânicos e dos E.U.A., entre outros, diz tudo sobre quanto o mundo mudou desde 1945. Hoje, esses países têm muito mais em comum do que pontos de divergência e podemos descrever-nos como amigos, e não inimigos. É corretoq que comemorem o 65º Aniversário do Dia da Vitória juntos, porque foi realmente um esforço coletivo, no qual a contribuição da União Soviética é historicamente ignorada pelos escritores revisionistas históricos atuando como agentes provocadores. Mas um esforço em conjunto, foi sim. O programa Lend Lease dos EUA providenciou cerca de 11 bilhões de dólares em ajuda e equipamentos para a URSS (embora parte de péssima qualidade), juntamente com o programa Alívio de Guerra EUA-Rússia e Cruz Vermelha Internacional.

A frente no Norte da África aberto pelas forças militares norte-americanos, britânicos, e forças imperiais e coloniais britânicos foi importante para dividir as energias do Wehrmacht e o apoio por parte da aviação norte-americana ao Reino Unido de 1941 em diante foi vital para manter o tecido industrial da Alemanha na defensiva, atrasando a sua programas de produção de armas superiores até que fosse tarde demais para que pudessem fazer a diferença.

A abertura da segunda (ou terceira) Frente na Europa Ocidental, demorou tanto que Marechal Georgii Konstantinovich Zhukov, em desespero, disse que "O Diabo que os leva", mas quando veio, demorou menos de um ano antes que os exércitos dos aliado se encontravam a celebrar juntos.

É este espírito de colaboração que estamos celebrando hoje e, felizmente, com os alemães presentes em torno da mesma mesa, agora como amigos. Se nós podemos perdoar, se não esquecer, o passado e seguir em frente, talvez todos nós possamos aceitar a nossa história de uma vez por todas, sendo orgulhosos e eternizando os pontos positivos, enquanto analisamos o mal, e recusando-nos a usá-lo para servir agendas políticas e pessoais, esforçámo-nos a nunca mais o repetir.

Desta forma, o livro da história fornece uma lição, e não uma causa.

Timothy BANCROFT-HINCHEY
Director e Chefe de Redacção
PRAVDA.Ru
Versão portuguesa
Lisa KARPOVA

09.05.2010

PRAVDA.Ru

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O holocausto comunista

Vencedora do prêmio Pulitzer, Anne Applebaum mergulhou nos arquivos secretos da URSS para mostrar os bastidores de um regime assassino
Por Alexandre Petillo
Edição de Sérgio Gwercman

A jornalista Anne Applebaum começou a desconfiar que alguma coisa estava errada quando percebeu um número crescente de jovens usando camisetas com símbolos soviéticos, em especial a foice e o martelo. Foi aí que ela se perguntou por que as pessoas toleram e até aceitam um regime cruel como o comunismo da União Soviética enquanto desprezam veementemente o nazismo.

Ex-correspondente da revista The Economist na Europa Oriental, Anne teve acesso aos arquivos oficiais, até então secretos, do comunismo soviético. Entrevistou sobreviventes e analisou documentos até desembocar no livro Gulag, a History ("Gulag, uma História", inédito no Brasil ), que devassa a máquina de matar montada pelo stalinismo. O livro narra a história dos campos de trabalho soviéticos e descreve o dia-a-dia desses lugares – e todas as atrocidades cometidas em nome da foice e do martelo. Com Gulag, Anne ganhou o Pulitzer de 2004, mais importante prêmio do jornalismo. De Washington, onde é colunista e integrante do conselho editorial do jornal The Washington Post, a jornalista falou com a Super.

O que exatamente era o Gulag?
É uma abreviação em russo para "Administração Central dos Campos". Um nome burocrático para o órgão que administrava todos os campos de trabalho.

Quem foi o responsável pela criação desses campos?
Os czares já tinham pequenas colônias de trabalho forçado. De certa forma, a União Soviética se construiu sobre essa tradição. Stálin sempre admirou a utilização de trabalho forçado por Pedro, o Grande, durante a construção de São Petersburgo. Mas o gulag era um fenômeno bem diferente, bem maior, com milhões de pessoas. O maior campo, Kolyma, era seis vezes mais extenso que a França. O gulag se tornou parte considerável da economia soviética e ícone central da ideologia do regime. Cidades inteiras foram construídas pelos prisioneiros, assim como quase todas as estradas da Sibéria, aeroportos e campos de petróleo.

É possível comparar o gulag a um campo de concentração nazista?
O gulag durou muito mais tempo, atravessando ciclos de enorme crueldade e relativa humanidade. Os campos nazistas duraram menos e tiveram menos variações: simplesmente se tornaram cada vez mais cruéis até que os aliados venceram a guerra. O gulag tinha vários tipos de campos, desde as letais minas de ouro de Kolyma, onde 3 milhões de pessoas morreram, até os "luxuosos" institutos secretos, nos arredores de Moscou, onde cientistas prisioneiros construíam armas para o Exército Vermelho.

A definição de "inimigo" era muito mais enganosa que a definição de "judeu" na Alemanha nazista. Salvo pequenas exceções, nenhum judeu poderia mudar seu status e escapar com vida do nazismo. Enquanto milhões de prisioneiros soviéticos temiam morrer – e milhões morreram –, não existia nenhuma categoria particular cuja morte era garantida. Alguns poderiam provar seu valor e trabalhar em empregos confortáveis, como engenheiros ou geólogos, em que tinham a integridade preservada.

Os campos de concentração eram verdadeiras fábricas de cadáveres. Pouquíssimas pessoas faziam trabalhos forçados – a maioria das vítimas era mandada diretamente para as câmaras de gás e depois cremada. Esse tipo de assassinato não teve um equivalente soviético. Mas, é claro, a União Soviética encontrou maneiras de matar milhões de cidadãos. Normalmente, eles eram levados até florestas, recebiam um tiro na cabeça e terminavam em túmulos coletivos. A polícia secreta usava "emanações exaustivas", espécie primitiva de gás mortal, como os nazistas faziam antes de ter as câmaras de gás. Prisioneiros também morriam por negligência. Eram mandados para cortar árvores durante o inverno e morriam de frio. Trancados em celas punitivas, morriam de fome. Doentes eram largados em hospitais sem aquecimento e comida. Os campos soviéticos não foram criados para produzir cadáveres em massa – no entanto, acabaram produzindo.

Você disse que as definições de "inimigo" no regime soviético eram elásticas. Qual era, então, a razão que a polícia secreta encontrava para prender pessoas?
Era possível ser preso por qualquer razão. Durante ondas de terror maciças, o regime prendeu todo mundo que parecia suspeito. Se alguém contava uma piada política, ia para a cadeia. Se fosse descendente de estrangeiros, também. A maioria dos presos eram trabalhadores e camponeses de origem russa. Nem todos tinham praticado crimes políticos. Milhões eram chamados de presos criminais. Só que chegar atrasado ao trabalho, por exemplo, era considerado crime pelas autoridades.

Por que as potências do Ocidente não agiram contra esse regime?
Os crimes de Stálin não incitavam a mesma reação visceral que os de Hitler. Outro ponto é que o comunismo soviético tornou-se menos repressivo com o tempo. E as informações não vazavam. Ninguém sabia o que acontecia na União Soviética. Nenhuma câmera filmou os campos do gulag ou suas vítimas. E a imagem move a cultura ocidental. Sem imagens, nada atormentava nossas mentes.

Havia também o conceito que o ocidente fazia do comunismo. Nos anos 30, jornalistas americanos foram enviados para tentar aprender as regras na União Soviética. Um deles, do The New York Times, passou alguns anos por lá e voltou escrevendo que o regime era um sucesso – ganhou um prêmio Pulitzer pela reportagem. O fato de Stálin ser um dos aliados contra Hitler na Segunda Guerra também ajudou a ignorar a verdade sobre a repressão. Chefes de Estado como Roosevelt e Churchill apareciam sempre ao lado dele. No campo das idéias, intelectuais de esquerda apoiaram o regime soviético nos anos 50 e 60. Jean-Paul Sartre voltou de uma viagem para a Rússia, em 1954, declarando que existia liberdade de crítica e imprensa na União Soviética. Seria leviano dizer que ele mentiu. Prefiro acreditar que ele apenas não queria que outros soubessem a verdade.

Os crimes de Stálin foram debatidos à altura da discussão gerada pelo nazismo?
Na Rússia, não existe nenhum monumento nacional em tributo às vítimas. Quase 15 anos depois do colapso do comunismo na União Soviética, o novo regime não instaurou nenhum julgamento, nenhuma comissão de inquérito, nenhuma investigação governamental sobre o que aconteceu no passado, nem mesmo nenhum debate público sobre o assunto. Mesmo abundantes, os livros com as memórias dos sobreviventes do gulag são praticamente ignorados. O presidente da Rússia (Vladimir Putin) é um ex-agente da KGB e freqüentemente lança mão de gírias da polícia de Lênin. Na Alemanha pós-nazismo, as atrocidades ficaram na mente das pessoas. Na Rússia pós-soviética, essas memórias são confusas, com a presença de atrocidades que vieram após o colapso econômico, como penúria e conflitos internos. Essa desinformação é útil para o governo. Os russos não teriam invadido a Chechênia se lembrassem o que Stálin fez com o chechenos. Na Segunda Guerra, os chechenos foram acusados de colaborar com nazistas. Em vez de punir os colaboradores, que realmente existiam, Stálin puniu toda a nação. Colocou homens, mulheres, velhos e crianças em caminhões de gado e soltou-os no deserto da Ásia Central. Metade morreu. Invadir a Chechênia de novo tem o equivalente moral de a Alemanha invadir a Polônia outra vez. Mas poucos russos vêem a situação dessa maneira.

Anne Applebaum

•Tem 40 anos
• Adora ler livros infantis que compra para os filhos – em especial Alice no País das Maravilhas e Dr. Doolittle
• Escreve pelas manhãs, quando tem mais concentração. Se precisa trabalhar à tarde, tira uma soneca de 20 minutos depois do almoço
• É casada com o escritor polonês Radek Sikorski, que conheceu no Muro de Berlim logo após sua queda. “Ele do Oriente, eu ocidental, o muro derrubado... Acabamos ficando juntos”, conta.