quinta-feira, 25 de março de 2010

3 Anos de programa de rock



Acima, o programa de rock perfumado pelas presenças da ouvinte Deborah Fernandes e da vocalista Fabila Tozzi, da banda mineira de gothic/Doom Metal Silent Cry.

O programa de rock é uma produção independente, feita de forma voluntária e sem fins lucrativos. Existe no rádio desde 30 de março de 2007. Foi pensado, produzido e apresentado, em seus primeiros dois anos no ar, por Fabio Snoozer e Adelvan Kenobi. Atualmente é pilotado apenas por Adelvan - com inestimáveis contribuições veiculadas no quadro "Bloco do ouvinte". Tornou-se referencia para os amantes do rock and roll em todas as suas manifestações no estado de Sergipe, alcançando inclusive repercussão Nacional ao ser indicado para o Premio Dynamite 2008 na Categoria Melhor programa de radio. A seleção musical abrange os aspectos mais amplos possíveis, buscando levar à sua audiência não apenas as novas tendências, mas também relembrar clássicos do passado, resgatar musicas e bandas de qualidade que por um motivo ou outro ficaram esquecidas ou relegadas a guetos e garagens, bem como trazer ao dial a riquíssima produção independente de Sergipe, do Brasil e do mundo. Preocupa-se também com a divulgação dos eventos ligados ao rock em nosso estado e adjacências, mantendo uma Agenda semanal de shows e entrevistando bandas do estado e de fora do estado que estejam de passagem por Aracaju.

Toda sexta às 20:00 em Aracaju pela 104,9 APERIPÊ FM – Ouça AO VIVO, via internet, acessando www.aperipe.se.gov.br

Contatos: Av. São João Batista, 548 – Ponto Novo – Aracaju/SE – Cep: 49097.000 – A/C ADELVAN KENOBI
ou pelo e-mail: programaderock@gmail.com

mp3 de bandas novas (ou não) e/ou independentes (ou não) são bem vindas.
Produção: Adelvan Kenobi
Blog:http://pdrock-sergipe.blogspot.com
MSN/E-mail: programaderock@hotmail.com

O que tem rolado:

# 140 - 19/03/2010

Bloco produzido por Maicon “Stooge”:

The Box Tops – The Letter
Big Star (Ao Vivo) – Baby Strange

Lipsticks – Simples assim (A ouvinte ' Luiziиháh ♪ pediu, o programa de rock tocou)
Sabrina Porto – Somewhere out there

Drop Loaded:

Violins
• tsunami
• um só fato

Killing Joke – Love like blood
Trio – Herz ist trumpf
The B´52s – Private Idaho
The Police – Every little thing she does is Magic
Blondie – The tide is high
The Pretenders – Don´t get me wrong

Camarones Orquestra Guitarrística – pororoca

Sex Gang Children – Sebastiane
Bauhaus – Dark entries
Tones On Tail – Burning Skies
Alien Sex Fiend – Now I´m feeling zombified

Cabedal – Morena
Nação Zumbi – quando a maré encher
Eddie (Sessões MTV 2008)
• Me Diga o que não foi legal
• Lealdade
• Vida boa

Entrevista:
Cabedal


# 139 - 12/03/2010

Fear Factory – Mechanize
Forgotten Boys – you draw the line
Superguidis – Aos meus amigos

Cavalera Conspiracy – Sanctuary
Soulfly – Unleash
Nailbomb – Vai tomar no cu
Sepultura – O Matador

Drop Loaded:

Charme Chulo Ao Vivo no Sala Especial Loaded
• Nova onda Caipira
• Fala comigo Barnabé

Agent Orange – Living in darkness
Fear – I Love living in the city
Chron Gen – Jet Boy, Jet girl
Adolescents – Amoeba
Redd Kross – Annette´s got the hits
Stepmothers – Don´t kill the beat

Nebula – Atomic Ritual
Monster Magnet – Powertrip
Fu Manchu – Knew it all long
Queens Of The Stone Age – In my head
Kyuss – thumb

Discoteca Básica: Pixies – “Doolittle”

• Tame
• Wave of mutilation
• Dead
• Crackty Jones
• Mr. Grieves
• La La Love you
• There goes my gun
• Gouge Away
• No. 13 Baby


# 138 - 05/03/2010

Bad Religion – Delirium of disorder
NOFX – Don´t call me white

The Gossip – 8th Wonder
The Donnas – Do you wanna hit it
Bikini kill – Alien she
Katastrophy wife – Gone away

Drop Loaded:

Fly-X – Escape
Fly-X – Dirt on my shoes

Bloco produzido por Fúria:

Funeral – Taarene trkrlm
Officium Triste – Frozen tears
Tristitia - sorrow

Daminhão Experiença - Planeta Lamma
Psicodélicos e psicóticos – Trilha da mãe senhora
Frank Zappa – Take your clothes off when you dance
Pink Floyd – See Emily play
Syd Barret – Gicolo aunt

Firefriend – Liz
Cassim – That old spell
Wry – Nothing´s changed
Loomer –Search on your own

Varukers - protest and survive
Extreme Noise Terror - Screaming Fucking Mayhen
Disrupt - Domestic prison

Warcry – Dirty Power games
Warcry – Blackout
Warcry – Deprogram
Warcry – countdown to hell
Warcry – Sensory overload
Warcry – Burning Society meltdown
Warcry – White Flag


# 137 - 26/02/2010

Black Rebel Motorcycle Club – Beat the Devil´s tattoo

Warcry – The New Age
Velho de Câncer – o som não é justo
The Renegades of punk – tenho certeza que a vingança será doce
The Baggios – No Matagal
Urublues – Minha sede

Drop Loaded:

Dual Tape – All over the way
Dual Tape – Bullshit

Psychic Possessor – Toxin´diffusion
DFC – Mentira de eleição
RDP – Sentir ódio e nada mais
Lobotomia – Distorção policial

Vivendo do Ócio – Meu precioso
Lisergia – Casca no chão
Messias – Off Beat

Velho de Câncer:

Velho de Cancer (a musica)
o grande nada
+Entrevista

Bloco produzido por Lauro “Delírio”:

B.B. King & Jimmy Hendrix – Like a Rolling Stone
Joey Ramone – What a wonderfull world
Motorhead – God Save the Queen
Nirvana – Love Buzz
Arctic Monkeys – You know I´m no good
Cake – I Will survive


# 136 - 19/02/2010

Autoramas (Desplugado) – Rei da implicância
Autoramas (Desplugado) – Hotel Cervantes

Pestilence – Mind Reflections
Voi Vod – The Unknown knows
Kreator – Renewal
The Gathering – The West pole

Drop Loaded (Edição dupla):

Fusíveis ltda. – Seu último carnaval
Red Tomatoes – rock no carnaval
Jair Naves – De branquidão hospitalar
Pão de Hamburger – princesinha do tio

The Kills – Black Rooster
The Raveonettes – Hallucinations
My Bloody Valentine – Feed me with your Kiss
Mercury Rev. – Coney Island cyclone
The Jesus & Mary Chain – Taste the floor

Dead Milkmen – punk rock girl
Agnostic Front – Gotta go
Youth of today – Can´t close my eyes
Poison Idea – Desecrate

Entrevista e “Pocket show”:

Crove Horrorshow

27/03/2010 - às 20:30 - Apague a luz

No sábado, 27 de março, entre 20h30 e 21h30 (hora de Brasília), o Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta. Das moradias mais simples aos maiores monumentos, as luzes serão apagadas por uma hora, para mostrar aos líderes mundiais nossa preocupação com o aquecimento global.

A Hora do Planeta começou em 2007, apenas em Sidney, na Austrália. Em 2008, 371 cidades participaram. No ano passado, quando o Brasil participou pela primeira vez, o movimento superou todas as expectativas. Centenas de milhões de pessoas em mais de 4 mil cidades de 88 países apagaram as luzes. Monumentos e locais simbólicos, como a Torre Eiffel, o Coliseu e a Times Square, além do Cristo Redentor, o Congresso Nacional e outros ficaram uma hora no escuro. Além disso, artistas, atletas e apresentadores famosos ajudaram voluntariamente na campanha de mobilização.

Em 2010, com a sua participação, vamos fazer uma Hora do Planeta ainda mais fantástica!

Saiba mais em http://www.horadoplaneta.org.br



quarta-feira, 24 de março de 2010

PLÁSTICO LUNAR NO ABRIL PRO ROCK 2010



Existem bandas difíceis de descrever num texto, numa matéria, num release. A Plástico Lunar é uma delas. Isso porque o autor do mesmo terá que dizer que se trata de uma banda sergipana formada no final dos anos 90 com influencia de rock sessentista psicodélico em geral, Rolling Stones, Mod, progressivo e afins e o leitor pensará: E daí ? Existe todo um movimento de bandas com este tipo de influencia em ebulição no país e com representantes mais do que dignos despontando na mídia nacionalmente, então porque o digníssimo leitor deveria prestar atenção nesse ainda obscuro grupo vindo dos confins do menor estado da federação ? A resposta está na qualidade de suas composições. Ouvir a Plástico Lunar é ser transportado àquela dimensão paralela para onde vamos todos nós quando somos arrebatados pela mágica da criação artística. É nessa dimensão que nos espantamos com a capacidade do ser humano de criar. Criar a beleza, transformar o processo de assimilação de referências armazenadas ao longo do tempo em novas ondas cerebrais produtivas. Não é pra todos. Muitos pensam que dominam esse processo, mas somente alguns poucos iluminados pelo talento e moldados pelo trabalho, pelo estudo, pela paixão, são capazes de nos legar obras que vão perdurar. A Plástico Lunar é uma delas – e por ser uma delas, é uma banda para o futuro, apesar de (ou justamente por) emular o que de melhor nos deu o passado.

Dito isso, vamos ao bom e velho histórico propriamente dito: Começaram como Plástico Solar e faziam covers, mas se diferenciavam já nessa época pela excelência e bom gosto com o qual escolhiam e executavam os mesmos. À época da entrada do lendário baterista Marcos Odara (egresso de bandas importantes do estado ainda nos anos 80, como Crove Horrorshow) eles já tomavam um novo direcionamento, o que resultou na mudança de nome (Plástico Solar era muito praieiro, segundo Odara) e na aposta num repertorio autoral. A resposta veio rápida e a banda começou a se destacar no pequeno porém digno cenário local. Passaram a tocar em todos os lugares onde as portas lhes fossem abertas, de Festivais importantes e prestigiados como o Punka e a Rua da Cultura a shows obscuros em porões do centro da cidade. Com isso, e aliados ao desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação, acabaram chamando a atenção de selos especializados de renome nacional, como o Senhor F. e a Baratos Afins – por esta ultimo debutaram em Cd com uma faixa na coletânea “BRAZILIAN PEBBLES”. Lançaram sua primeira demo, “Plastic Rock Explosion”, em 2003, e se jogaram na estrada em outubro de 2005 para divulgar a segunda demo, o EP “Próxima Parada”. Tocaram e deixaram saudades no Rio de Janeiro e em São Paulo, na capital e no interior. Shows memoráveis, espírito rock a toda prova. O bom e velho “faça você mesmo”.

Foi com esse espírito aceso e as energias renovadas que os 5 cavaleiros da psicodelia sergipana voltaram ao seu pequenino estado natal com todo o gás para novas composições e a gravação do tão esperado primeiro CD completo. Não sem percalços pelo caminho, porque a estrada do rock é cheia de pedras que não criam limo no lugar de tijolos dourados. Mas o universo costuma conspirar a favor dos que persistem em busca de seus ideais. Por conta disso, a resposta à perda de seu guitarrista, que deixou a banda porque foi morar em São Paulo, foi a entrada de um novo membro que parece ter sido moldado sob encomenda para as necessidades do grupo: o brilhante Julio Dodges, da The Baggios, uma banda nova que despontou na cidade como um furacão movido a blues garageiro e rock and roll da melhor safra. Alguém lá em cima (Odim?) gosta muito da Plástico Lunar.

A banda hoje está desfalcada de um de seus membros-fundadores, Daniel Torres, mas segue em frente com Julio Dodges (sempre detonando) na guitarra e vocal, Plástico Jr. no baixo e vocal, Leo Airplane nos teclados “vintage” e uma locomotiva movida a rock and roll e demais substancias afins que atende por Marcos “Odara” na bateria. Aos poucos vão se inserindo no circuito de Festivais alternativos, tendo tocado recentemente no Festival DoSol, em Natal, na Feira de Musica de Fortaleza e em duas edições do Psicodália, em Santa Catarina. No próximo mês apresentarão seu tão esperado e finalmente lançado primeiro disco, "Coleção de Viagens Espaciais", ao público do Abril pro Rock, em Recife.

É o ciclo da vida. É a vida pulsando. Rock and roll é vontade de potencia. Plástico lunar é rock, é pop – Diabo! Foi ele mesmo que me deu o toque, porque você sabe, enquanto Freud explica as coisas, o diabo fica dando os toques.
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Um dos mais importantes festivais de música pop do Brasil, o Abril Pro Rock acontece desde 1993, fomentando uma das cenas mais influêntes do país. Em 18 anos, foi responsável por trazer à cidade nomes como Motorhead, Jon Spencer Blues Explosion, Sepultura, Soulfly, Placebo, dEUS, Bloco Vomit, The Queers, Asian Dub Fundation, Stephen Malkmus, Aterciopelados, Camille, Marky Ramone, Lee Perry, Los Alamos, Diplo e Stereo Total. Serviu de projeção nacional e passagem de algumas bandas fundamentais da música pop brasileira. Skank, Chico Science & Nação Zumbi, Paralamas do Sucesso, Planet Hemp, Ratos de Porão, Pato Fu, Lenine, Korzus, O Rappa, Mutantes, Tom Zé e Arnaldo Antunes, tiveram alguma iniciação pelo Abril Pro Rock. Também foi palco da formação de uma nova cena de bandas independentes como Cachorro Grande, Matanza, Forgotten Boys, MQN, Retrofoguetes, Volver, Vamoz, Pitty, Moptop, Shaaman, Orquestra Imperial, Los Hermanos e Zefirina Bomba.



: Abril Pro Rock 2010 na Fábrica Tacaruna em Recife, Pernambuco
Local: Dias 16 e 17 de abril. Abertura dos portões às 20h (dia 16) e 17h (dia 17).
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia-entrada); R$ 25 + 1 kg de alimento não-perecível (ingresso social).

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Sexta, 16 de abril de 2010
A partir das 20h (abertura dos portões)

10 bandas

Blaze Bayley | Inglaterra | http://www.abrilprorock.info/blaze-bayley-inglaterra/
Ex-vocalista das bandas Iron Maiden e Wolfsbane, é considerando um dos principais músicos de heavy metal no mundo na atualidade. Seu quinto disco, chamado Promise and terror, foi lançado no começo de 2010 e recebido com cotação máxima pela imprensa especializada.

The Varukers | Inglaterra | http://www.abrilprorock.info/the-varukers-inglaterra/
Parte da segunda geração do punk inglês, eles trouxeram a sonoridade mais suja e agressiva para o gênero, junto com grupos como Exploited e GBH no final da década de 1970. Estão em turnê mundial comemorando 30 anos de banda com o disco Killing myself to live.

Ratos de Porão | SP | http://www.abrilprorock.info/ratos-de-porao-sp/
Uma das mais antigas e importantes bandas punk do Brasil. Fundada em 1981, liderada por João Gordo, estão de volta a fase hardcore com o disco Homem Inimigo do Homem.

Agent Orange | EUA | http://www.abrilprorock.info/agent-orange-eua/
Formada no final da década de 70 em Orange County, California, a banda foi uma das primeiras a misturar punk rock com surf music, criando uma geração inteira de bandas que formariam o “punk californiano”.

Terra Prima | PE | http://www.abrilprorock.info/terra-prima-pe/
Uma das principais representantes do heavy metal em Recife, seu disco de estréia, “And Life Begins” foi recém lançado com produção de Marcelo Pompeu e Heroes Trench, da banda Korzus.

Claustrofobia | SP | http://www.abrilprorock.info/claustrofobia/
Uma das bandas mais respeitadas do circuito underground de metal brasileiro, misturam trash e death metal com hardcore, com um resultado que acumula fãs até na Europa Oriental, de onde voltam de turnê.

Eminence | MG | http://www.abrilprorock.info/eminence-mg/
Banda mineira celebrada no circuito de heavy metal no Brasil. Após acompanharem os dinamarqueses do Mercyful Fate em turnê, fizeram uma longa temporada na Europa e agora retomam o território nacional com o disco God of All Mistakes.

Inner Demons Rise | PE | http://www.abrilprorock.info/inner-demons-rise-pe/
Banda de heavy metal crossover da nova geração de Pernambuco. No primeiro disco, “Drachenorden”, cantam a história de Vlad Teps, o Conde Drácula na versão clássica de Bram Stoker.

Alkymenia | PE | http://www.abrilprorock.info/alkymenia-pe/
Banda de metal formada por três irmãos de Caruaru e com fiéis seguidores na cidade natal. Foram finalistas do Wacken Metal Battle Brasil, disputando em São Paulo por uma vaga no festival europeu.

The Mullet Monster Mafia |SP | http://www.abrilprorock.info/the-mullet-monster-mafia-sp/
Quarteto instrumental de surf music, do interior de São Paulo. Apesar do pouco tempo de estrada e apenas um EP lançado em 2009, entraram na rota de turnês internacionais com grandes nomes do gênero.


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:: Sábado, 17 de abril de 2010
A partir das 17h (abertura dos portões)

14 bandas

Afrika Bambaata | EUA | http://www.abrilprorock.info/afrika-bambaata-eua/
Kevin Donovan é lider da Zulu Nation, Organização Não Governamental considerada a fundadora do Hip Hop. Como DJ, criou as bases que fizeram surgir o miami bass e freestyle.

Pato Fu | MG | http://www.abrilprorock.info/pato-fu
Eles já foram considerados pela revista Time como uma das melhores bandas do mundo. Título a parte, os mineiros do Pato Fu são uma das bandas pop mais queridas do país.

3naMassa | PE/SP | http://www.abrilprorock.info/3-na-massa-pesp
Projeto de Pupilo e Dengue (Nação Zumbi) com Rica Amabis (Instituto). Uma homenagem a paixão pelas mulheres, com várias cantoras convidadas no palco.

Instituto Mexicano del Sonido | México http://www.abrilprorock.info/ims/
Projeto do DJ e produtor mexicano Camilo Lara - que ainda é presidente da EMI mexicana. A banda é parte de um movimento crescente na Cidade do México, encorajando fusão de música popular com programações eletrônicas. O IMS tem aparecido em trilhas de series como Ugly Betty, Californication e o cultuado game de futebol Fifa Soccer.

Wado | AL | http://www.abrilprorock.info/wado-al/
Um dos nomes mais celebrados da nova Música Popular Brasileira, o Alagoano Wado teve seu disco mais recente “Atlantico Negro” na lista de melhores discos lançados em 2009.

The River Raid | PE | http://www.abrilprorock.info/the-river-raid/
Com volta celebrada ao Brasil, após passar por festivais como o South by Southwest (SXSW) e Canadian Music Fest, a banda lança “In a Forest”, disco que acelera a pegada rock e traz agora mais músicas cantadas em inglês voltadas para o mercado indie americano.

Nevilton | PR | href="http://www.abrilprorock.info/nevilton-pr/
Nevilton tem sido apontado por todos que assistem seu show como uma das grandes promessas da música brasileira para os próximos anos. Dono de uma apresentação cheia de energia, ele toca um rock que não tem medo de soar viciante e pop com um carregado sotaque brasileiro.

Bugs | RN | http://www.abrilprorock.info/bugs-rn/
Quarteto potiguar formado em 2002, carrega prêmios de melhor disco de rock por sites e blogs especializados a cada trabalho lançado. O mais recente, “Eli, Lama Sabachthani”, não fez diferente e foi recebido com elogios como o trabalho mais pesado da banda.

Vendo 147 | BA | http://www.abrilprorock.info/vendo-147-ba/
Banda instrumental de Salvador. A Vendo 147 impressiona a cada apresentação ao vivo graças as baterias siamesas, com dois conjuntos ocupando um só espaço para dois bateristas.

Plastique Noir | CE | http://www.abrilprorock.info/plastique-noir-ce/
Um dos maiores nomes da cena dark / gótica nacional. Banda cearense faz um eletro-rock com influências de rock gótico e já teve seus discos lançados na Itália e Alemanha.

Mini Box Lunar | AP | http://www.abrilprorock.info/mini-box-lunar-ap/
Revelação que vem do extremo norte do país, a Mini Box tem uma referência forte da tropicália brasileira. Destacados como revelação pela revista Rolling Stone Brasil, cantam em português, com duas vocalistas e uma banda que mais lembra os Mutantes de antigamente.

Anjo Gabriel | PE | http://www.abrilprorock.info/anjo-gabriel-pe
Banda pernambucana que mostra que a psicodelia não foi esquecida. O quarteto está perto de lançar o primeiro vinil, com apoio do SIC e do Funcultura, cheio de colagens sonoras chapantes.

Zeca Viana |PE | http://www.abrilprorock.info/zeca-viana-pe/
O incansável baterista da Volver lança mais um projeto paralelo, atualizando e abrasileirando a idéia de folk rock.

Plástico Lunar | SE | http://www.abrilprorock.info/plastico-lunar-se/
Quinteto de Sergipe, misturam hard rock, mod e blues. O lado autoral chamou atenção do selo paulista Baratos Afim, despertando interesse na cena independente da cidade.

segunda-feira, 22 de março de 2010

( * ) Barbarism Begins At Home



Por Adelvan Kenobi

Conheci o diretor Michael Hanneke com “Violência gratuita” (1), um impressionante e assustador exercício de ... violência gratuita. No filme, dois rapazes, quase garotos, invadem a casa de um casal de classe media com o único objetivo de violentá-los e torturá-los da forma mais cruel possível. Assim, sem mais nem menos, sem nenhuma explicação. Por puro sadismo. O diretor já me impressionou logo de cara, na abertura, com uma cena idílica do casal voltando tranquilamente ao lar de carro ao som ensurdecedor de John Zorn (jazzista maluco aficcionado em grindcore quer era fã do Napalm Death e já gravou com o baterista Mick Harris) – por sinal estou atrás da versão original, pois a que vi foi a refilmagem de 2007, muito embora não deva haver muita diferença já que, ao que me consta, ele refilmou tudo na mesma ordem, quadro a quadro. Instigado e ainda contando na cidade com o maravilhoso acervo da (infelizmente) finada Super Vídeo Locadora, de Ivan Valença, assisti outro filme bastante comentado dele, Cachê (2). A violência neste caso é mais sugerida, psicológica, mas não menos sufocante – é a história de outro casal de classe media (ele parece odiar casais de classe media) atormentado por imagens de vídeo que chegam misteriosamente às mãos deles revelando que alguém os está vigiando. Muito bom.

Este ano Hanneke ganhou a palma de ouro de Cannes com sua nova obra, “A Fita Branca”, e, como não poderia deixar de ser, nós, aficcionados pela sétima arte, tivemos a oportunidade de vê-lo na tela gande em Aracaju graças ao excelente trabalho do produtor Roberto Nunes na última Sessão Notívagos, que aconteceu no sábado, 20/03/2010. Trata-se de mais um exercício estilístico com base na violência – no caso, as sementes da maior barbárie já cometida em toda a História da humanidade, a ascenção do nazismo e todas as suas conseqüências. Nunca a origem do mal foi mostrada de forma tão sutil e assustadora. A banda The Smiths tem uma música chamada “Barbarism begins at home” (O barbarismo começa em casa), e é exatamente isto que vemos no decorrer da projeção. Crime – ou melhor, o que a visão canhesta e insuportavelmente conservadora dos habitantes de um vilarejo alemão às vésperas da eclosão da primeira guerra mundial chamam de crime (se masturbar, por exemplo, é um deles) – e castigo. Muitos, e cruéis, castigos. A brutalidade impera, a lei do mais forte é a regra. O Barão, o homem mais rico da região e que emprega quase todos, manda em todo mundo, da mesma forma que os homens falam e as mulheres e as crianças obedecem, e assim vai se formando um caldo de cultura que deu no que todo mundo já sabe, mas que muitos ainda hoje insistem em ignorar. É a gestação de uma geração que muito em breve estaria erguendo a mão direita para o fuhrer e o apoiando incondicionalmente em sua cruzada ensandecida. Há momentos absolutamente antológicos, como o diálogo entre o médico (primeira vítima dos crimes misteriosos que começam a acontecer) e sua amante, a parteira. Merece figurar entre os mais devastadores da historia do cinema, ao lado, por exemplo, daquele em que o personagem de Christopher Walken, um mafioso de origem italiana, é provocado de forma suicida por Dennis Hopper em “Amor à queima-roupa. Tudo isso pra não falar da belíssima fotografia em preto-e-branco. Brilhante.

A noite prosseguiu, como de praxe, com dois shows ao vivo no saguão do cinema. O primeiro foi da sergipana Cabedal. Muito bom. Têm uma pegada mais (muito mais) puxada para o samba-rock, o que não é muito a minha praia, mas salta aos olhos, com uma perfomance animada e animadora, e aos ouvidos, as qualidades dos rapazes, que têm muito futuro pela frente, caso saibam administrar as adversidades que fatalmente encontrarão pelo caminho e consigam construir uma carreira neste maravilhoso e ao mesmo tempo confuso e assustador mundo da música “autoral”.

Fechando o evento com chave de ouro, o Eddie, de Pernambuco. Finalmente ! Faziam mais de 10 anos que eles não tocavam aqui, o que me parece um tanto quanto incompreensível, já que desde o lançamento de “original olinda style” a banda vem crescendo e arrebanhando um publico fiel Brasil afora – pelo menos entre os mais “antenados”, os que se interessam por música de verdade e ignoram o lixo que nos é empurrado goela abaixo diariamente pela grande mídia. A última vez que eles tocaram aqui foi num evento um tanto quanto megalomaníaco da extinta “Marginal produções”, um “Festival de Verão” no antigo “Los Gatos”, próximo ao Espaço Emmes, e que trouxe também mais duas bandas da terra do frevo e do maracatu, Kaya na Real e Faces do Subúrbio. Antes, já tinham se apresentado no Rock-se, festival seminal que aconteceu no Batistão em 1998 (com Pin ups, Marcelo D2, O Rappa, Mechanics e muitos outros), e num show meio “nada a ver” no Espaço 799 (acho que era este o nome), uma casa que ficava no meio do nada, na Coroa do Meio, por trás do farol. Lembro que o Eddie estava totalmente deslocado neste evento, cheio de moleques com camisetas pretas sedentos por rock pesado e satânico, e o então baixista “Roger man” (depois fundador do Bonsucesso Samba Clube) ficou indignado com o descaso da galera, que começava a ir embora, e deu uma pagação geral no microfone, falando que eles deveriam abrir mais a mente e parar de ouvir só rock pesado, num discurso meio sem noção interrompido pelo sempre desencanado e boa-praça Fabio Trummer, que pediu pra ele parar de viajar na maionese pra eles poderem continuar o show.

Pois bem, eis o Eddie entre nós pela quarta vez, lançando numa só noite seus três últimos discos, ‘Carnaval no inferno”, “Metropolitano” e “Original Olinda Style”. Até mesmo eu, que costumo viajar para ver shows e não perco uma edição do Abril pro rock, nunca os tinha visto ao vivo depois do “original” (uma obra-prima), que representou uma virada na carreira da banda, quando eles abandonaram um pouco suas características mais garageiras para fazer um som absolutamente suingado e original. Um rock legítima e genuinamente brasileiro. O show? Foi uma festa, apesar do som falhando e, do meio para o final da apresentação, saturado – especialmente o dos microfones. Fabio Trummer é um misto de show-man inspirado e ao mesmo tempo acanhado. Se comunica com o público o tempo inteiro, mas de forma espontânea e contida, sem nenhum arroubo de rockstar alucinado e embriagado pelo “sucesso”. E as músicas vão se sucedendo, quase todas cantadas em uníssono pela platéia, animada e participativa. Os destaques vão para as ótimas “me diga o que não foi legal”, “lealdade”, “sentado na beira do rio” e o hit “quando a maré encher”, esta ainda da fase mais pesada e guitarreira. Em “Guia de Olinda”, Trummer e Urêa, vocalista e percussionista, improvisam um diálogo hilário, como se estivessem ensinando a um sergipano o que ver na “Marim dos Caetés”. Já em “Vida Boa” eles incentivam todos a “frevar”. Até eu, que não danço, em hipótese alguma, ensaiei uns passinhos à La “Escola coisinha de Jesus”. A destacar também a atitude desencanada dos caras com relação ao download de suas músicas na internet – avisaram que tinham cópias de seus dois últimos discos para vender mas que quem não quisesse comprar poderia baixar facilmente na net, algo que a banda incentiva, chegando ao requinte de dar uma dica de um site (cujo nome eu não me lembro) onde toda a sua discografia estava disponível. Eu particularmente já me considero curado deste antigo vício de comprar discos, mas me empolguei ao ponto de fazer uma exceção e gastei vinte mirréis para completar minha coleção. Aliás, um fato curioso: os discos tinham toda a pinta de “oficiais”, lacracradinhos e com encarte e frente do CD impressos, mas me chamou a atenção o fato de não terem numeração, apesar de estar lá o indefectível selinho de “produzido na zona franca de Manaus – visite o amazonas”. Só que não dizia quem produziu, e a parte “queimada” tem aquela característica cor azulada dos CD-Rs. Estaria o Eddie pirateando seu próprio catálogo ? sinal dos tempos ...

E brincadeira, claro, afinal se o disco é deles, não há pirataria.

Enfim, foi antológico – uma noite para ficar na memória de todos os que estavam lá, abrigados da chuva e da programação insossa e fajuta de uma tal “Virada cultural” improvisada pela prefeitura, cujos responsáveis pela inexistente “política cultural” parecem achar que, em Pernambuco, só existe a Nação zumbi (eles tocam aqui praticamente todo ano, geralmente no Projeto Verão, em detrimento de outros grandes nomes como Otto e o Mundo Livre S/A, outra que faz muito tempo que não pisa os pés nesta terra supostamente amaldiçoada pelo Cacique Serigy). Supostamente, pois aos poucos o pensamento provinciano vai cedendo espaço para teimosos como Roberto Nunes, que fez questão de ressaltar, ao microfone, que este era um evento único já que, com essa característica de unir musica e arte cinematográfica madrugada adentro numa sala de cinema de um shopping Center, só acontece aqui, em Aracaju.

E em abril tem mais uma Virada Cinematográfica.

Nos vemos lá.

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(1) VIOLÊNCIA GRATUITA

Fonte: Omelete

Michael Haneke refilma quadro a quadro seu filme de 1997

por Érico Borgo em 18 de Setembro de 2008

Funny Games
Reino Unido / EUA / França , 2007 - 107
Drama / Suspense

Direção:
Michael Haneke

Roteiro:
Michael Haneke

Elenco:
Naomi Watts, Michael Pitt, Tim Roth, Brady Corbet, Boyd Gaines, Siobhan Fallon e Devon Gearhart
4 ovos

Michael Haneke (Caché) é frequentemente associado a adjetivos como "gênio" por uns. Outros o chamam de "sádico". Não há consenso sobre a obra desse cineasta alemão a não ser a certeza de que ele é polêmico.

Cineasta de filmes perturbadores, voltados a ocorrências violentas e possíveis, divide público e crítica simplesmente porque alguns acreditam que ele vá longe demais em seus retratos, que exigem certo preparo para serem acompanhados.

Violência Gratuita (Funny Games), filme que Haneke dirigiu em 1997, é um de seus trabalhos que mais divide opiniões. Esteja você em qualquer um dos lados do espectro, é impossível sair inalterado da projeção, tal a força da tensão criada pelo cineasta nesse violento drama psicológico.

No filme, dois jovens simpáticos apresentam-se a uma rica família em férias como convidados de seus vizinhos. Não tarda para que suas sádicas e verdadeiras intenções se desfraldem.

As comparações com o clássico Laranja Mecânica (A Clockwork Orange) de Stanley Kubrick são frequentes, mas um tanto exageradas. Há, sim, uma homenagem escancarada ali ao personagem Alex, de Malcolm McDowell, porém a intenção de Haneke não é copiar, mas questionar a própria platéia, que atua em Violência Gratuita como cúmplice, em uma escancarada crítica ao cinema de violência. Para fazer-se entender, Haneke dá as costas para um dos mais básicos princípios do cinema: a transparência. Trata-se da regra segundo a qual o cineasta e suas intenções como realizador devem dar um passo atrás para não quebrar a ilusão da Sétima Arte. Prova dessa ruptura são os momento em que o personagem Paul conversa diretamente com o público, trazendo-o para dentro do filme ou quando lhe convém, coloca-se à parte do filme, quase como um alter-ego do diretor, reeditando a história segundo sua lógica.

Apenas fica a dúvida das razões pelas quais Haneke ter decidido refilmar Violência Gratuita dez anos depois, em 2007, nos Estados Unidos. Não faz qualquer sentido, já que ele não mudou um quadro ou diálogo sequer, apenas os atores (Naomi Watts, Michael Pitt, Tim Roth, Brady Corbet, Boyd Gaines, Siobhan Fallon e Devon Gearhart entram no lugar - mas atuando igualzinho!). Até mesmo as locações são cópias fiéis americanas dos cenários europeus.

É possível argumentar que foi pensando em lucro, já que existe enorme resistência do público dos Estados Unidos a assistir filmes com legendas - mas, novamente, a lógica se perde quando observamos o teor do filme. É o tipo de produção restrita aos cinemas de arte e circuitos alternativos - normalmente bastante receptivo às legendas e produções estrangeiras, mas que arrecadam muito menos dinheiro nas bilheterias.

Haneke pode ser um gênio, mas essa decisão ficou mesmo é com jeito de excentricidade. De qualquer maneira, se você não assistiu ao original (disponível em DVD no Brasil), ao menos há agora a chance de sofrer no cinema com os sádicos de luvinhas brancas. Afinal, não há qualquer diferença entre assistir ao filme de 1997 ou o atual.

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(2) Caché

por Mário "Fanaticc" Abbade em 04 de Maio de 2006

Fonte: Omelete

Caché, 2005
Áustria/França/Alemanha/Itália
Drama/Suspense - 117 min

Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke

Elenco: Juliette Binoche, Daniel Auteuil, Maurice Bénichou, Annie Girardot, Bernard Le Coq, Walid Afkir, Daniel Duval, Nathalie Richard, Denis Podalydès, Aïssa Maïga, Caroline Baehr, Christian Benedetti, Philippe Besson, Loic Brabant

O diretor austríaco Michael Haneke tem filmado ultimamente na França e usado em seu elenco os profissionais do país. Seus filmes costumam ter como personagens a classe média atingida por algum horror. Ele é um mestre no suspense e na violência abafada, surda. Grande observador do comportamento humano em situações de crises extremas e limítrofes. Diferente dos suspenses americanos, sua tensão é provocada pelo dia-a-dia comum em que as pessoas vivem em situações cotidianas.

Em Caché (2005), a trama é sobre uma família que aparentemente não tem nenhum problema emocional ou financeiro. Georges (Daniel Auteil) e sua esposa (Juliette Binoche) começam a receber fitas de vídeo com imagens de sua casa e desenhos sinistros de alguém misterioso que parece conhecê-los muito bem. Devido ao episódio, o marido reencontra um personagem de sua infância: um argelino, que se tornou pai e vive em um lugar humilde. Este encontro irá resultar em uma tragédia que mudará para sempre sua vida e a de sua família.

O filme começa de uma forma inovadora. Os créditos iniciais são apresentados de forma contínua como se fossem digitados diretamente na tela. Há uma imagem ao fundo, que o público logo descobre ser o lar do casal. O interessante é que, em vários momentos da produção, não se sabe ao certo se a cena apresentada é do filme ou da filmagem feita pela figura misteriosa. Esse tipo de informação se mistura com flashes do passado de George e lembranças antigas. O espectador fica na dúvida se a imagem é parte da narrativa, como mais um personagem, ou foi colocada para compor a história.

Haneke, um cineasta autoral, apresenta os elementos que sempre permearam sua obra: o inevitável efeito que o passado faz no presente, a assombração, a culpa pessoal ou coletiva, a paranóia criada por uma manifestação doméstica ou externa e os indivíduos que relutam em aceitar a responsabilidade por sua própria conduta ou atos. Esses aspectos são relacionados ao medo e à culpa que qualquer ser humano possa vir a desenvolver durante a sua existência. Ele tem uma visão sombria, ambígua e cínica do mundo e isso é refletido em seus filmes.

Um outro lado abordado pelo diretor é a relação entre o povo argelino e o francês. Eles têm uma história tensa, pois a Argélia foi colônia da França. A independência aconteceu há apenas 40 anos. Podemos notar a mesma relação entre os personagens, como também a relação entre o primeiro e terceiro mundo. O filme é, na verdade, uma alegoria política das relações inter-raciais. O mais desenvolvido não se preocupa com o mais necessitado. Só vê e acredita nas suas próprias necessidades.

Durante o desenvolvimento do roteiro, além dos aspectos externos que trazem desequilíbrio à família, os próprios envolvidos criam situações que desestabilizam suas vidas. A desconfiança é plantada no seio familiar, em todas as relações que há nele. Isso faz o público não ter pena dos indivíduos, pois na verdade ninguém é mostrado como santo. Ao que parece, a perfeita harmonia existente na família é apenas superficial, bastando um elemento catalisador para jogar tudo por terra.

Caché tem vários sentidos, alguns literais e outros metafísicos. A câmera pode significar uma invasão de privacidade na vida de George, mas ao mesmo tempo pode ser um elemento que irá trazer a luz ao seu passado para sua esposa e em sua própria consciência. Uma espécie de acerto de contas, possibilitando-o a enfrentar seus próprios demônios. Tanto que a última tomada do filme é tão ambígua quanto a última cena em que George aparece. O público que precisa de um final certinho pode ficar revoltado, mas isso é o que menos importa nos filmes de Haneke. Seu principal objetivo é apontar os movimentos emocionais e não resolvê-los.

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(*) Barbarism Begins At Home

por The Smiths

Tradução:

Barbaridades Começam Em Casa

Unruly boys/Garotos desobedientes
Who will not grow up/Que não se tornarão adultos
Must be taken in hand/Devem ser pegos pela mão
Unruly girls/Garotas desobedientes
Who will not settle down/ Que não acomodarão
They must be taken in hand/ Devem ser pegas pela mão

A crack on the head/ Uma pancada na cadeça
Is what you get for not asking/ É o que você ganha por não perguntar
And a crack on the head/ E uma pancada na cadeça
Is what you get for asking/ É o que você ganha por perguntar

A crack on the head/ Uma pancada na cabeça
Is just what you get/ É só o que você ganha
Why because of who you are/ Por quê? Devido a quem você é
And a crack on the head/ E uma pancada na cabeça
Is just what you get/ É só o que você ganha
Why because of what you are/ Por quê? Devido a quê você é
A crack on the head/ Uma pancada na cabeça
Because of/ Por causa das
The things you said, or didn't say/ Coisas que você disse, ou não disse
The things you did/ Pelas coisas que você fez

Unruly boys/ Garotos desobedientes
Who will not grow up/ Que não se tornarão adultos
Must be taken in hand/ Devem ser pegos pela mão
Unruly girls/ Garotas desobedientes
Who will not grow up/ Que não se acomodarão
They must be taken in hand/ Elas devem ser pegas pela mão

( * ) Nas ruas é que me sinto bem ...

( * ) Do Grupo Ira!, "Nas Ruas"

Fábio Sampaio coloca caju nas ruas

Fonte: Spleen & Charutos

por Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Não é qualquer artista que desafia a solidão das paredes e vence os limites das galerias. Desde que começou a militar em Aracaju, no entanto, o artista plástico Fábio Sampaio vem afirmado com muito trabalho que o seu lugar de direito é o meio da rua. Primeiro, foram as intervenções urbanas do Interacidade. Agora, integrada à programação que comemora os 155 anos de nossa capital, a proposta ganhou uma dimensão muito maior, e reuniu alguns dos nomes mais importantes das artes plásticas sergipanas para colocar o Caju na Rua.
O projeto Caju na Rua é uma intervenção urbana diferente, por meio da qual diversas esculturas de uma das frutas mais caras à identidade sergipana serão expostas em nossas vias públicas.
Através da customização das peças, os artistas que fazem parte do projeto –Zé Fernandes, Madureira, Edidelson, Hortência Barreto, Antônio da Cruz, João Valdênio e Elias Santos, entre tantos outros – prestam uma homenagem sincera ao aniversário de Aracaju, pelo viés criativo.
Os Cajus de 1,80 m serão colocados em diversos pontos da cidade, dando prioridade àqueles que possuem importância histórica, ou concentram uma grande circulação de pessoas. O primeiro deles vai ser colocado no mercado Thales Ferraz, esse domingo, durante o encerramento da I Virada Cultural.
Confira o registro de uma conversa com o homem por trás da ousadia.

Jornal do Dia – Como surgiu a inspiração do projeto Caju na Rua? Ele possui alguma relação com as intervenções urbanas do Interacidade?

Fábio Sampaio – Sim. Na verdade, acho que o Caju na Rua não passa de um desdobramento do Interacidade. Fazer algo do tamanho desse projeto, com a participação de apenas um artista, entretanto, seria completamente inviável. Por isso a opção de dar a ele um caráter coletivo, algo como o Cow Parade.

JD – Ao que parece, o projeto Caju na Rua dá conta de duas carências que podem ser observadas no mercado das artes visuais em nossa capital: A ausência de grandes projetos, que capitalizem os artistas e os façam conhecidos além dos muros das galerias, e a inexistência de monumentos que dêem personalidade à cidade. A obervação procede?

Sampaio – Sem dúvida! Aracaju, até onde sei, é a única capital nordestina que não possui artistas com visibilidade nacional, em grandes exposições e circuitos internacionais. Acredito que projetos grandiosos como esse podem despertar a curiosidade de outros centros e instituições. Quanto a questão dos monumentos, Aracaju realmente é um cidade carente de obras públicas. Eu espero que essa iniciativa projete uma certa ambição, não apenas na cabeça dos seus moradores, como também em quem administra a cidade. Nós temos, sim, todas as possibilidades de uma cidade mais artística.

JD – Qual a reação dos artistas convidados? Parece que os nomes que compõem o projeto dão uma idéia bem precisa do conjunto das artes plásticas em Sergipe. Como você chegou a esses nomes?

Sampaio – Os artistas escolhidos por mim representam um pouco de várias gerações, escolas e estilos praticados em Aracaju. A reação dos mesmos foi de grande satisfação por serem lembrados e sobretudo pagos pelo serviço, que será prestado a toda comunidade Aracajuana no seu aniversário.

JD – E os pontos escolhidos para abrigar os Cajus? Qual a relação deles com a geografia da cidade?

Sampaio – A Emurb ficou com essa tarefa, mas espero que seja possível contemplar não só os mais antigos como os mais novos bairros da cidade.

JD – Existem planos para dar continuidade ao projeto Caju na Rua? Esse é somente o pontapé inicial ou o projeto inicia e encerra no aniversário de 155 anos de Aracaju?

Sampaio – Sem dúvida! Esse é o primeiro passo rumo a projetos de grande qualidade, para essa que é a capital com a melhor qualidade de vida do Brasil.





sábado, 20 de março de 2010

Jamson Madureira - perfil de um artista "underground"

Lá pelos idos de 1996 o nome Jamsom Madureira aparecia na cena artística underground sergipana como líder de uma banda industrial/ minimalista chamada Camboja. A banda já existia desde o inicio da década, e foi formada por amigos que moravam no conjunto Marcos Freire, em Nossa Senhora do Socorro, região metropolitana de Aracaju, com o intuito de fazer um som grindcore. Os shows dos caras eram um caos, mas o que chamava mesmo a atenção (além da perfomance alucinada do vocalista Fúria) era a arte que emoldurava o material “promocional” da banda, releases e capinhas da fitas demo. Era um traço estilizado, com uma excelente utilização do contraste claro/escuro e óbvia inspiração no que de melhor existia nos quadrinhos alternativos da época. A arte de Jamson Madureira aparecia para o mundo, via circuito “alternativo” ( leia-se troca de zines e demos pelo correio ).

A formação da banda começou a mudar, mas isso não importava. Era a típica banda-de-um-homem-só. Ecos de grindcore nos vocais berrados e a guitarra velha extremamente suja e desafinada, tocada “com vontade”, era o que importava. Após a saída de todos os primeiros componentes, depois do lançamento da primeira demo, “Grind to grind”, Jamson abandonou as baquetas e passou a assumir vocais e guitarras, revelendo-se um exímio criador de riffs matadores e de melodias grudentas que compunham uma musica minimalista ao extremo, na maioria das vezes se resumindo à repetição de uma frase pro cima de um riff de guitarra. Isso após um breve período acompanhado por uma bateria eletrônica primitiva e tosca, que ele abandonou para recrutar, para as baquetas, Wesley, já velho conhecido de bandas punk/hc/grind como ETC e Lipofrenia, e o “velho guerreiro” Sylvio Suburbano, fundador da Karne Krua, para a outra guitarra. Sem contrabaixo, “pra não atrapalhar”, nas palavras de Madureira. Gravaram mais uma demo caseira que se tornou um pequeno clássico “udigrudi”, intitulada “Lies about freedom”, e em seguida entraram finalmente em estúdio paras uma terceira demo, dessa vez acompanhados por um baixista, por pura insistência do mesmo, que vinha a ser Marlio, baixista da Karne Krua e outro fiel colaborador, sempre colocando sua casa a disposição nos fins de semana para os ensaios.

Seguiram tocando e gravando por aproximadamente 4 anos, shows no volume Maximo, com bateria cadenciada marcando os espasmos guitarristicos e vocais gritados de Madureira emoldurados por pelos efeitos sonoros da guitarra de Sylvio que, espertamente, captou no ar que a sinfonia repetitiva de riffs criada por Madureira não precisava de mais do que isso para preencher os naturais vazios que a formação pra lá de enxuta produzia.

Mais tarde, por volta de 1998, Madureira revelou-se também artista plástico. Seus quadros foram exibidos durante o festival Rock-SE, realizado no fim de outubro daquele ano. O estilo arrojado e altamente influenciado por quadrinhos deixou muita gente de queixo caído. Como assim esse cara é de Sergipe, aquele mesmo doido do Camboja? Bananeiras, retratos de igreja e natureza morta, além de cavalos, muitos cavalos, eram a idéia que a maioria tinha de arte sergipana. Porém, a arte de Jamson não tem raiz alguma com o que já se fez no Estado. Como já disse, quadrinhos são a grande referência. Nada no estilo super-herói, é claro. As reverberações vão de Bill Sienkiewicz (da clássica mini-série Elektra Assassina), a viagens quadrinísticas em forma de graphic novel, como “Blood” ou “Ás Inimigo – Um Poema de Guerra”, este último de George Pratt. Mesmo assim, essa tentativa de aproximação em nada resume a dimensão da arte de Jamson. O caos de 68, poemas dadaístas e a música de John Cage talvez ajude. Ou melhor, não é nada disso. Não há nada tão abstrato num elefante. Ou uma colher. O que importa é o traço, ou garrancho, ou simplesmente as partes do quadro perfuradas por algum instrumento estranho aos manuais de artes plásticas. Sua arte pintada seguia de um certo modo a mesma concepção de sua musica, minimalista, feita de signos e de imagens urbanas, paranóias e fixações. Experimentalismo, talvez seja por aí.

Aos poucos, mesmo sem nenhum esforço pessoal do artista, a arte de Madureira foi chamando a atenção de mais e mais pessoas, inclusive daaquelas distantes do mundinho do rock onde vivia, o que o levou a produzir de capa de disco pra banda de rock (snooze, “waking up waking down) a ilustrações de livros de poesia (de Araripe Coutinho e do hoje ministro do Supremo Tribunbal Federal Carlos Ayres de Brito). Depois de um tempo pintando sem parar, cansou dessa vida de exposições conjuntas em Assembléias Legislativas, galerias de arte convencionais e “mercados pop”. Parou de pintar. Assim como o Camboja se dissolveu bem antes, com três demo-tapes servindo de legado. Eventualmente ele apareceu com outra banda, a Madame Tubarão, com um som meio “surf garageiro”. No mínimo, autêntico.Madureira voltou a exibir seu talento distribuindo fanzines – mesmo sendo já coisa do passado, da era pré-Internet –, apresentando sua criação para o mundo dos quadrinhos. Automazo e a Amante do Mutante foi feita e desenhada a mão, xerocada e distribuída pra quem ele bem entendesse. Sortudos os que guardam suas cópias. Uma versão em html chegou a ser feita, mas não tenho notícia de ter sido posta na net. O estilo apresentado é típico Madureira, versão HQ. O texto, uma linguagem solta e inspirada, em cima de argumento beirando o surrealismo. A série perdura até hoje. Quando você menos espera lá vem Madureira com mais algumas historinhas em quadrinhos simples e ao mesmo tempo herméticas, rebuscadas e rabiscadas, xerocadas e distribuidas sem nenhum compromisso a não ser o mais nobre, a necessidade de se comunicar, mesmo que de forma torta, enviezada e deliciosamente anacrônica. Camisas foram feitas com o personagem. Jamsom até voltou a exibir em galeria de arte, usando os originais dos fanzines, foi tema de matéria em jornal local e foi, inclusive, esse ano, convidado a participar, como único representante do estado de Sergipe, de uma mostra nacional de novos (novos? Melhor dizer “desconhecidos”) talentos na Funarte, no Rio de janeiro. Resta a nós, pobres mortais, esperar e torcer pelo próximo passo do mestre.

Publicado originalmente no site "overmundo"

por Adelvan “kenobi” e Maira Ezequiel









Fúria por ele mesmo



uma entrevista com Furia por Maíra Ezequiel para o site overmundo.

Do dicionário: Fúria s. f.: acesso violento de loucura; braveza, cólera; ira; sanha; raiva; inspiração; estro; entusiasmo; fervor; pessoa furiosa; mulher desgrenhada; divindades infernais, na mitologia pagã. Em Aracaju – pelo menos no meio artístico, cultural – há mais um sentido para essa palavra. Furia é uma pessoa, um cara. Melhor. Um artista plástico, autor de colagens incríveis, de clara inspiração quadrinística. Um pensador marginal, um intelectual (por que não?), que apesar da pouca escolaridade, já leu bem mais que muitos professores universitários. Aventureiro da música e da literatura. Alguém cujos “acessos violentos de loucura” se transformam em “inspiração” para produzir arte; que consome e produz cultura com “fervor” e “entusiasmo”. Alguém, enfim, comum. Mas cuja “cólera”, “ira”, “raiva” da mediocridade e do senso-comum o movimentam para fazer a diferença. Ainda que ninguém veja. De fato, a alcunha lhe cai muito bem. A seguir, conheça O Fúria.
Quem é você?
Sou João Antônio do Nascimento nascido em 15 de junho de 1974. Gosto de bons livros e boa música. Sem radicalismos. Gosto de cinema. Uns dizem que sou extremamente chato. Sou artista plástico. Espanco bateria de vez em quando. Não tenho nenhuma pretensão de ser músico. Sou extremamente inconstante.
Por que Fúria?
No fim do anos 80 tinha uma banda de funk do Rio de Janeiro chamada Fúria. Esse grupo tinha uma música que emplacou sucesso nacional. Na época, meu visual era completamente punk. E um dos moleques da minha sala botou na cabeça que punk e funk eram a mesma coisa. Então tentei explicar que não era. Enfim terminou numa briga de sete pessoas na sala de aula. No outro dia o colégio inteiro estava me chamando de Fúria. Sem querer proclamei esta alcunha que hoje prefiro invés do meu nome.
O que te deixa furioso?
A raça humana e sua tão pretensa inteligência. Tanta racionalidade e um futuro de caos é o presente para as novas gerações.
O que você faz e já fez da vida?
Trabalho numa livraria e num bar ao mesmo tempo. No turno da tarde trabalho na livraria. No turno da noite trabalho no bar fazendo de tudo. Desde os drinks até servir. Já trabalhei em vários lances. Já fui mestre de cerimônia em festival de rock, servente de pedreiro, entregador de jornal, atendente de loja de música, roadie de banda. E trabalhei muito de graça em produções locais. Já viajei a metade do país de carona. Enfim nada demais.Me fale sobre suas colagens.Meu trabalho consiste no remanejamento de lixo publicitário, revista, chapas de radiografia, cola e o que pintar na cabeça. Dei início ao processo criativo nos meados de 1987. Foi nessa fase que estava mergulhado na produção de fanzines, art pop, vídeo clipes, quadrinhos etc e tal. Meu processo criativo é muito inconstante. São surtos! Pra mim é um ato quase fisiológico, necessário. Pode ser uma imagem que vejo na rua, uma frase que ouço dentro do ônibus e desperta um turbilhão. Então ponho discos na vitrola e deixo me levar pela força da criação. Minha inspiração vem de tudo que tá ao meu redor. Expus em 2000 na Galeria J. Inácio uma individual com 46 obras, o detalhe é que foi minha primeira exposição oficial, em 1997 expus na galeria da biblioteca de Universidade Federal de Sergipe; ainda em 2000 participei de uma coletiva na Galeria Álvaro Santos, em 2003 expus na Casa laranja, e por último fiz um curso de xilogravura com o professor Elias Santos que resultou numa coletiva na Sociedade Semear. Depois não fiz mais nada. Ando meio morto.
Por quê?
Não tenho mais espaço para armazenar; a política sergipana não tem um direcionamento responsável e expor do próprio bolso é oneroso demais; e não tenho mais tanto tempo como outrora.
Além das colagens, que outras atividades artísticas desenvolve ou já se arriscou?
Já cantei em banda de trash metal, toquei percussão num projeto maluco que nunca rola ensaio. E fiz tanta jam session que perdi as contas. Fui um dos fundadores de uma das bandas mais porrada da história do underground sergipano: Camboja. Fiz participação na ExTxC... uma das coisas mais bizarras daqui da cidade. Atualmente a única atividade que me consome por completo é o trabalho. Tem meses que não crio nada. Também faço desenhos horríveis, nem penso em expor. Só.
Você já leu muito e de tudo. De onde veio a paixão pela leitura?
Veio dos quadrinhos. De Turma da Mônica a Moebius. Todos eles me transportaram para o universo fantástico da leitura. Muita coisa. Virginia Woolf, James Joyce, Richard Farina, John Fante, Fernando Pessoa, Paul Auster, Balzac, são tantos que passaria dias enumerando.
O que você tem orgulho de ter lido? Com o que mais se identificou?
Me identifiquei com um autor alemão: Anton Enrhezweig – A Ordem Oculta da Arte ou Psicologia da Imaginação Artística, é um livro que trata da vida e independência da obra de arte. Recomendo.
O que detestou?
Detesto best-sellers. Procuro me afastar do que não presta. É tanta coisa boa e obrigatória pra ser lida que não dá pra perder tempo com o monte de lixo exposto na praça.
Qual seu grau de escolaridade?
Fundamental. Sou o semi-analfabeto ousado. Não me incomodo com tal fato. Tudo que aprendi foi de maneira lenta e deliciosa.
Pensa em cursar a universidade?
Não penso em cursar nenhuma escola superior.
Por quê?
Não tenho paciência para uma metodologia que mais parece uma colcha de retalhos. Uma imensa fábrica de sofistas. E nunca foi uma coisa que passasse pela minha cabeça.
O que tem feito ultimamente?
A escrita tem sido uma fuga mais corriqueira, mas a imagem sempre está atrelada ao meu ato criativo mesmo escrevendo; poderia classificá-la como prosa poética.
Como você se definiria?
Depressivamente eufórico. Devorador voraz de cultura e contra-cultura. Autodidata. Sincero. Anti-reprodução. Desleixado. Mas sou responsável quando me envolvo em qualquer trabalho.
“Anti-reprodução” não é uma contradição pra quem trabalha com colagens?
Contradição é sinônimo de inteligência.

A Base

Gabbirim Nagal Giborin AKA Villas Parakas, ou simplesmente Bilal, o auto-intitulado "rei do metal", é uma verdadeira "lendja" viva do underground de Aracaju. Amado por uns, odiado por outros (foda-se, "toda unanimidade é burra"), ninguém é indiferente a essa criatura. Ele é chato pra caralho quando bebe (e ele bebe o tempo todo), mas também é divertido e acredite: é um cara muito gente boa. Se não quiser acreditar também tanto faz, foda-se.

Eu estava lá quando ele se reconciliou com uma amiga que tinha colocado um post tirando onda com ele e outras criaturas "das trevas" aracajuanas. Ela pagou um "príncipe" pra ele e ficou tudo bem - pra ele, pra ela ficou pior, porque ele não desgrudou da pobrezinha. Lembro dele jogando a mesa de plástico de um bar da praia pro alto quando ela falou que ele ia ficar só na vontade de comê-la, assim como ela, que queria dar pro Brad Pitt. Também lembro das suas estripulias nas "festinhas" promovidas por Alexandre, vulgo "Tina Tchacha", em sua casa no Fernando Collor (que merda existir um lugar com o nome desse cara, né.). Foi lá que foi tirada a foto abaixo. Bilal é o que está ensanduichado pelas garotas, sorvendo uma tetinha.

Enfim, são muitas histórias. Uma delas foi contada por mim há algum tempo atrás, no extinto site "gambiarra", e eu a reproduzo abaixo:

Bilal, “A Base de tudo!”

Bilal, o rei do metal, é o mais autêntico “rocker” de Aracaju. Pode ser encontrado sempre à noite vagando pela cidade ou nas escadarias da Catedral, no centro, antigo ponto de encontro dos roqueiros e malucos em geral, sempre agilizando a arrecadação de uma cotinha para a aquisição do “kit Tubiacanga” (como RAS, outro maluco clássico da city, chama o local), que vem a ser um litro de 21 mais um refrigerante qualquer, geralmente o já “crássico” Nat cola, uma tubaina local.

Um belo dia ele tomou finalmente coragem para pisar novamente em solo baiano, depois de um longo período longe daquelas plagas, ausência esta motivada por constantes atritos entre a “barca” black metal de Aracaju, na qual se inclui, e ícones do metal baiano, as bandas Malefactor e Mystifier. Da última vez que havia ficado frente a frente com "Boizebu" - como ele chamava um desafeto - o saldo foi uma visita ao pronto socorro e a lataria do carro do dono do estudio, onde a Mystical Fire estava gravando um CD demo, amassada. Pois bem, garantida a retaguarda (pelos auto-denominados black metal “reais” soteropolitanos, que também não simpatizam com as bandas citadas), segue nosso herói para a capital mundial do acarajé em busca de sexo, drogas e rock and roll. Os dois últimos ítens ele teve de sobra, já que o primeiro ficava difícil garantir com sua boca banguela e seu visual casca grossa.

Numa de suas aventuras, Bilal, vulgo Lorde Astovidatu, ou Gabirina “alguma coisa aí” (pseudônimo de black metal é complicado pra caralho) foi apresentado por Cadáver, notório representante do que há de mais radical na cena metal baiana, a um indivíduo que era o rei de uma quebrada escondida por trás da fachada pra turista ver do Dique do Tororó, um fim de mundo desses que você se depara ao virar algumas esquinas ou entrar em alguns becos da Cidade do Salvador. Era um negão casca-grossa, já meio coroa, que atendia pela alcunha de “A Base”. “A Base” porque ele era “A base de tudo” ali naquela área, como veio a saber nosso herói mais tarde, depois de passar uma tarde na companhia do malandro. Este intimava todos os desconhecidos que se aventuravam pela sua área, aos gritos de: “ô, uns e outro, ta indo pra onde ??!!” – “To indo ali na casa de fulano, Base”, “Ah! Ta ligado com quem ta falando, né???” . “Claro, com A Base” “é isso aí, a base de tudo aqui nessa porra”.

No principio A Base ficou meio invocado com o visual de nosso herói do rock casca grossa sergipano. Se chegou pra Cadáver e perguntou: “ô Cadáver, que porra é essa que tu trouxe pra cá pra área?”, no que foi tranqüilizado, porque esse era Bilal, brother de Aracaju, autêntico Black metal. Consta que A Base não entendeu porra nenhuma, mas ficou tudo bem. Impressionado com a moral do “garoto”, Bilal questiona Cadáver: “ô Cadáver, que porra é que esse maluco faz aqui pra todo mundo respeitar ele?”, no que Cadáver retrucou: “Meu irmão, não queira nem saber!”.

Ficou tudo bem até que A Base chamou-os para bater um rango e tomar umas cervas. Foram até um barzinho e ele foi logo ordenando “ô umas e outras, coloque aí três hamburgers e três guaranás aqui pros meus chegados, porque tu sabe com quem tu ta falando, né ?” “Com A Base”, respondeu a dona do bar de trás do balcão, no que ele completou: “isso mesmo, A Base de tudo aqui nessa porra !!!”. Comeram pra caralho, beberam, Bilal crente que A Base ia pagar o rango, até que ele se vira pra eles e sentencia: “Meu irmão, eu vou é pinotar dessa porra !!!”, e sai correndo como um louco na chuva, deixando pra trás os dois atônitos e a mulher que resmungava: “porra, A Base é foda, come, bebe, pinta e borda, mas pagar que é bom, nada ... Vocês dois aí “... “Vamo nessa, Bilal”, alertou Cadáver, e lá se vão os dois de pinote em sentido contrário ao dA Base ...

Alguns dias mais tarde Bilal volta a Salvador, dessa vez para embarcar num ônibus cheio de "Black metaleiros" com destino a um show de puro e autêntico Black metal em Jacobina, no sertão baiano, distante 8 horas da Cidade do Axé e do amor. Consta que, no meio do caminho, teve até um doido que suplicou “to com sede, alguém trouxe água aí”, no que foi respondido que “liquido aqui nesse ônibus só cachaça e mijo”, “Então eu vou beber é mijo mesmo”, replicou o indivíduo, que era um roqueiro radical novo no pedaço e precisava demonstrar atitude diante da barca casca-grossa das antigas ali presente. Como todos duvidaram de suas palavras, ele foi até o vaso sanitário, espalhou um pouco a nata de vômito que estava por cima, pegou um pouco de mijo com a mão em forma de concha e o sorveu, diante dos olhares incrédulos das criaturas negras que tinham se juntado ao seu redor para registrar o fato inusitado.

Mas isso é outra história. Passe um dia à noite na frente da Catedral, ajude na cotinha pra comprar o kit e pergunte a Bilal os detalhes de sua empolgante viagem a Jacobina. É mais provável que ele mande você tomar no cu ou alguma coisa parecida, mas ele pode, porque ele é A Base de tudo aqui nessa porra dessa Aracaju.

por Adelvan

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segunda-feira, 15 de março de 2010

Fé demais não cheira bem ...


Nunca imaginei que o Glauco, aquele malucão que criou o Geraldão, era místico ao ponto de ter fundado sua própria igreja ! Mas ok, não vou dar uma de dono da verdade ou ateu militante ao ponto de culpar a opção religiosa do cara numa hora dessas - apenas fiquei surpreso pois, como já disse num post anterior eu não era tão fã dele tanto quanto sou do Angeli e do Laerte, por isso acompanhei pouco sua carreira. Pra mim a religião é uma loucura em si, um delirio, mas malucos existem em todos os extratos da sociedade, não apenas entre os frequentadores das seitas religiosas. Por isso, a meu ver, não é justo creditar à ingestão do tal "Santo Daime" usado no culto fundado pelo Glauco a maluquice do cara que tirou a vida dele. É sempre a mesma coisa, nos jornais sensacionalistas - quando acontece uma tragédia ou um assassinato e o responsável é usuário de algum tipo de "substância ilícita", a tendência é sempre associar o vício ou a ingestão da substancia em questão pelo crime, quando existem tantos crimes bárbaros por aí cometidos por gente que não é viciada em nenhum tipo de droga nem apresenta disturbios mentais clinicamente catalogados como doença. Da mesma forma, existem inúmeros exemplos de pessoas que usam drogas numa boa, nunca fizeram nem dão sinal de terem a intenção de fazer mal a ninguém - no máximo, a si mesmos, afinal estão ingerindo substancias potencialmente perigosas para sua saude, mas isso é uma opção individual de cada um. Quem come prego sabe o cu que tem - ou pelo menos deveria saber.

Lamentável, mas é isso aí. Life goes on.

A.

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Acima, uma bonita homenagem de Adolfo do blog VIVA LA BRASA ao cartunista morto
Abaixo, os últimos desdobramentos do caso:

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Criminoso confessa à polícia e à TV que matou Glauco e seu filho

da Folha Online

A Polícia Federal em Foz do Iguaçu (PR) afirmou que Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, 24, confessou nesta segunda-feira ter matado o cartunista, compositor e líder religioso Glauco Vilas Boas, 53, e seu filho Raoni, 25. Ele também confessou o crime ao jornal da GloboNews, quando uma repórter o questionou após a prisão. O acusado está preso desde a 0h de hoje, quando tentou fugir para o Paraguai.

Desde a prisão, Nunes está em uma cela individual da delegacia da Polícia Federal e agora é considerado réu confesso pelo assassinato de Glauco e seu filho. Com ele, a polícia apreendeu um carro, que havia sido roubado em São Paulo, uma arma e uma quantidade não determinada de maconha.

A polícia afirmou que Nunes foi interceptado por uma fiscalização de rotina, que o ordenou a parar. Houve tiroteio e um policial federal foi ferido. Os policiais, então, perseguiram Nunes na ponte, onde conseguiram pará-lo. Ele só foi identificado como o assassino do cartunista Glauco Vilas Boas quando seus documentos foram checados.

Segundo a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, até as 10h30 desta segunda ainda não havia previsão para que Nunes fosse transferido para São Paulo.

Motorista

Após cerca de cinco horas de depoimento, neste domingo (14), na Delegacia Seccional de Osasco (na Grande São Paulo), Felipe Iasi, 23, foi liberado pela polícia por ter bons antecedentes e residência fixa. No entanto, o delegado Veras Júnior disse que o depoimento de Iasi não convenceu totalmente.

Iasi levou Cadu até a casa do Glauco na madrugada de sexta-feira (12). O carro de Iasi, um Gol cinza, foi encontrado na noite deste sábado (13).

Aos policiais, Iasi disse que foi sequestrado por Cadu e ameaçado com uma arma para ir até o local do crime. Cadu teria dito, segundo o amigo, que "precisava esclarecer que era Jesus Cristo". Conforme o advogado de Iasi, ele não chegou a ouvir os disparos, pois deixou o local antes.

Para o delegado, se Iasi era um refém como diz o advogado, ele deveria ter ligado para a polícia. No entanto, Veras Júnior disse não poder contradizer Iasi porque, até agora, nenhuma testemunha afirmou que viu Iasi levando Cadu embora. Outro motivo que fez com que o jovem fosse liberado foi que a localização dada por ele da família de Glauco dentro da casa durante o crime foi a mesma da versão da enteada do cartunista.

Em entrevista ao "Fantástico", na TV Globo, na noite deste domingo, a mulher de Glauco, Beatriz Galvão, contesta a versão de Iasi. Ela disse que o jovem ficou sentado no sofá enquanto Cadu torturava o cartunista. Beatriz também disse que chegou a pedir ajuda a Iasi, que aparentava estar drogado, mas que ele teria feito sinal negativo com a cabeça.

Na entrevista, Beatriz também disse que não sabe o que motivou o crime.

Caso

O cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25, foram mortos a tiros na casa do cartunista, em Osasco (Grande São Paulo), na madrugada de sexta-feira (12).

Segundo as testemunhas, o suspeito chegou ao local e rendeu a enteada de 30 anos, que mora em uma casa no mesmo terreno. Glauco e a mulher Bia ouviram gritos, foram ao quintal, e começaram a conversar com Nunes.

Ele era conhecido da família por já ter frequentado a igreja Céu de Maria, que segue os princípios do Santo Daime e foi fundada por Glauco.

Segundo o relato das testemunhas, Cadu, como era conhecido o estudante, delirava e queria levar todos para a casa de sua mãe, em São Paulo, com o objetivo de afirmarem à mulher que ele era Jesus Cristo. Ele estava armado com uma pistola automática e uma faca.

Glauco tentou negociar com Nunes para ir sozinho, e chegou a ser agredido. De acordo com o delegado Archimedes Veras Júnior, responsável pela investigação, Glauco não reagiu.

No meio da discussão, porém, Raoni chegou ao local de carro. Em seguida, Cadu atirou contra pai e filho, mas os motivos ainda não foram esclarecidos. Os dois chegaram a ser atendidos no hospital, mas não resistiram e morreram.

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Do VIVA LA BRASA:

"A primeira pessoa que recebeu ele em São Paulo fui eu. Ele dormiu na minha casa, comeu da minha comida, paquerou a minha mulher (risos), ele teve uma participação intensa na minha vida. Perdi uma boa parte da minha história com a morte do Glauco. Éramos amigos muitos íntimos e tínhamos uma relação forte. Apesar de distante nos últimos tempos, o nosso elo não havia se quebrado. Tinha algo que se encaixava entre mim, Laerte e Glauco.” ANGELI

“O Glauco costumava faltar bastante aos encontros de Los 3 Amigos, pelo menos na época em que eu participei do bando. Mas quando ele aparecia dava conta do recado em segundos e logo sumia novamente. Ele tinha um dos traços mais difíceis de imitar. Era muito caligráfico, quase uma assinatura. O Laerte era o único que conseguia fazer o boneco do Glauquito quando o Glauco não estava. Numa entrevista com Los 3 Amigos, o Glauco faltou a sessão de fotos e nós tivemos a idéia de fazer uma caricatura dele pra preencher sua falta. Que notícia de merda, essa, hein?” ADÃO ITURRUSGARAI

“Foi na revista dele que eu publiquei meus primeiros desenhos, que mandava pra sessão de cartas. Ele tinha aquela coisa de responder, agradecer o envio dos desenhos. Glauco, Angeli e Laerte são os responsáveis por fazer no Brasil essa coisa do quadrinho adulto. Eles vêm com esse humor que fala mais de comportamento, que mostra tipos de pessoas mais próximas do real.” WEAVER LIMA

“A trajetória dele na época da censura foi um divisor de águas. Ele fazia um humor mais ácido e muito engraçado. A atuação dele como chargista foi algo fantástico, e depois, como quadrinista, ele criou um estilo de personagens completamente fora dos padrões. É o fim de uma proposta de humor que moldou as novas gerações. O Angeli, o Glauco e o Laerte eram os três mosqueteiros. Agora ficam só dois.” CAMILO RAINI

“Meu traço não é bom para retratar o futuro. Corro o risco de não falar a língua da moçada.”A notícia do assassinato de Glauco Villas Boas e seu filho Raoni na madrugada de sexta deixou não só os fãs de quadrinhos, mas todo o Brasil triste. C/ seu traço limpo e anguloso e humor inusitado e ligeiro, Glauco marcou os anos 80 c/ a revista do Geraldão – o solteirão donzelo tarado pela mãe que passa o dia se drogando – e toda uma galeria de personagens desajustados e cômicos: Doy Jorge, Casal Neuras, Dona Marta, Zé do Apocalipse... Nos anos 90 fez roteiros p/ o TV Pirata e a TV Colosso na Globo e fundou a própria igreja, Céu de Maria, seguindo o Santo Daime.

“O Angeli sempre tirou muito sarro de mim porque eu sou muito místico”, disse em 2001 numa entrevista: “Sou pisciano. Sempre gostei da linha espiritual, de estudar. Depois que eu comecei a freqüentar o Santo Daime – que é uma bebida que vem lá da Amazônia, que os índios consagram – Angeli e Laerte tiraram muito sarro dessa minha nova jornada. Chegaram a fazer história sobre o Glauquito, que encontrou suas raízes, montou uma seita e fez um chá com as suas raízes.”

Hahaha! Até quando falava sério o cara era engraçado.

“Eu sou daimista. Criamos um grupo de estudo e passamos a receber o Daime lá da floresta. É um centro de pesquisa espiritual. O Daime tem um potencial de cura muito grande. Eu coordeno o ritual, que é bastante musical. São vários hinos, recebidos pelos caboclos lá da mata, que a gente executa depois de ter ingerido o Daime. A gente faz um trabalho musical e as pessoas vão estudando, dentro da força do Daime, porque ele é um expansor de consciência. Me trouxe muita disciplina, principalmente com meu trabalho de cartunista, do traço. Também relacionado à saúde, porque eu era muito exagerado, boêmio, e isso atrapalhava o meu dia-a-dia. O traço é uma coisa que você precisa estar harmonizado com você mesmo. Senti uma evolução muito grande no meu trabalho e em todos os aspectos da minha vida.”

Ironia maldita, Glauco e seu filho morreram após serem baleados 4 vezes cada por um ex-frequentador do culto, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, playboy junkie que invadiu o sítio do cartunista dizendo ser Jesus Cristo. “É uma tragédia”, lamenta Adão Iturrusgarai, o ‘4º amigo’ dos 3 Amigos. “Ele era muito rápido pra descobrir os seus pontos fracos e detonar com você. Era muito divertido”, Adão diz, referindo-se a Glauco, não ao demente do ‘Cadu’, que até o fechamento deste post continuava foragido: “É muito triste ver isso acontecendo. Não é ler que o Glauco morreu. É ler que ele foi assassinado. E junto a um filho. Não existe mais ética ou moral no ser humano.”

O que deixou todo mundo de cara, mais do que a perda prematura, foi a brutalidade do ato gratuito. “Como eu disse no primeiro momento, no Twitter, o fato é tão chocante que nossa reação não pode ser medida em palavras, mas em um sentimento de dor, luto e desesperança”, disse o tuiteiro Mauricio de Souza: “Apesar disso, nós sairemos do choque. E vamos encontrar caminhos, mesmo que sejam longos, demorados, para contermos essa onda de irracionalidade e desumanidade.”

Até o Presidente mandou uma nota: “Glauco foi um grande cronista da sociedade brasileira, entendia os usos e costumes da nossa gente e expressava isso com inteligência e humor”, escreveu Lula: “Foi uma perda tremenda. Diante dessa verdadeira tragédia, quero expressar meu sentimento de pesar a familiares, amigos e admiradores.”

GERALDÃO Surfistão! Gravidão! foi um dos gibis mais marcantes da minha vida. Eu começava a pegar onda e já sacava a Chiclete com Banana do Angeli, e só dei um tempo de desenhar o Bob Cuspe no meu caderno da escola quando conheci os quadrinhos do Glauco – a partir daí passei a copiar o Geraldão também. “A gente trabalhou juntos na Circo por quase 10 anos”, diz o editor Toninho Mendes: “Eu não consigo acreditar no que está acontecendo.”

“O Glauco era o batedor que ia na frente testando os limites pra todo mundo que vinha atrás”, fala Arnaldo Branco, outro da minha geração, parceiro da revista Tarja Preta: “Sempre ficava impressionado como o cara falava abertamente de sexo e drogas ainda na vigência da censura (velada, que fosse). Fazia humor urgente, em estado bruto.”

“Era o único que não conheci pessoalmente da turma dos Los 3 Amigos”, diz Allan Sieber: “Mas segundo os chegados, era um gênio da resposta imediata, muito rápido no gatilho mesmo.” Pra Fernando Gonsales, Glauco foi “um dos grandes revolucionários do humor brasileiro: ele deu uma escrachada que revolucionou.”

Em poucas palavras, Caco Galhardo resumiu o sentimento geral: “Para todos os cartunistas foi uma grande referência. O Geraldão é uma grande referência e o Glauco era um cara pacífico. Como alguém pode fazer uma coisa dessas? O atirador não tem noção”, comentou na sexta-feira: “O Glauco era um gigante. Ele tinha o dom de repetir a mesma piada e ser engraçada dez mil vezes. O mundo acordou mais xarope hoje.”

“Comecei a desenhar no 2º grau. Sempre desenhei na turma do fundão, que eu fui freqüentador assíduo. Desenvolvi essa linguagem e vi que era uma ferramenta muito poderosa: o humor aliado com caricatura. Também tive contato com o pessoal do Pasquim, todos aqueles desenhistas, o Ziraldo. Aquilo foi me inspirando.”

Glauco tinha acabado de completar 53 anos. Publicava tiras e charges na Folha de S.Paulo desde 1984. À sua galeria original de personagens, agregou nas últimas décadas Edmar Bregmam, Geraldinho, Faquinha, Ficadinha, Zé Malária, Nojinski e Netão, um tipo que “surgiu com essa nova moda da internet” – disse em 2001 numa entrevista p/ o UOL: “O Netão tem uns 30 anos, é metropolitano, casado, vive internado num apartamento e viaja pelo mundo afora pelo computador.” Glauquito, que tinha medo de ficar ultrapassado, não teve nem a chance de envelhecer. Mas sua verve sobreviverá.

“Eu desenho a nanquim com papel e depois escaneio. Eu uso o computador quando é pra aplicar cor. Tentei usar computador pra desenhar, mas meu desenho sai como se fosse uma criança. Não tenho o domínio ainda. Mesmo aquela canetinha que tem uma tela. Pra meu tipo de traço, estou acostumado com a pena, que dá um toque todo peculiar.”

GLAUCO [1957-2010]