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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

"Relentless" - Sepultura, Toda a História ...

Foi lançada finalmente no Brasil a nova biografia de nossa maior banda: “Relentless – 30 Anos de Sepultura”, do escritor norteamericano (de origem polonesa) Jason Korolenko. Impossível não comparar com o já célebre – e há anos fora de catálogo – “Sepultura – Toda a História”, de André Barcinski e Silvio Gomes. O novo relato perde no texto – porque Barcinski é foda – mas ganha na abrangência, já que o primeiro saiu há mais de 15 anos, em 1999, quando eles ainda estavam se firmando em uma nova formação, com Derrick Green substituindo Max Cavalera nos vocais.

Mas perde também na parte iconográfica: a maioria das fotos do novo livro é bem ruinzinha. Fotos banais, do baixista Paulo fumando um cigarro fora do estúdio durante um intervalo nas gravações, por exemplo. O autor deve ter pretendido apresentar imagens inéditas, mas isso pouco importa se as mesmas são esteticamente ruins e/ou de pouca ou nenhuma relevância, nem um pouco merecedoras de figurar num registro histórico de tal envergadura.

Jason é um fã confesso e isso transparece na narrativa, que apresenta, em certos momentos, aquela reverencia exagerada típica de uma resenha de fanzine, o que deixa o livro com cara de “chapa branca”, apesar de não ser - não é uma "biografia autorizada", até onde eu saiba. Em todo caso, há de se reconhecer o esforço de contextualização do autor, especialmente na abertura, quando ele faz um apanhado da história do Brasil do século XX desde a ascensão de Vargas até o ocaso da ditadura militar, só pra explicar o clima político e social do país na época em que a banda surgiu, na metade da década de 1980. Suas análises e opiniões sobre cada disco, faixa a faixa, também são interessantes, apesar do evidente deslumbramento e falta de senso crítico. Faltou, também, um maior aprofundamento: muitos fatos importantes foram esquecidos ou tratados superficialmente. Por um lado, dá pra entender - é muita história pra contar, o livro teria que ter pelo menos umas 500 páginas para que fosse realmente abrangente - mas não deixa de ser uma pena.

Vale, no entanto, a leitura, especialmente se você é fã da banda. Recomendo, entretanto, que não se deixe de ler também o primeiro, que pode ser encontrado com relativa facilidade em sebos. É mais saboroso, porque Barcinski é mestre na narração de "causos" pitorescos e porque trata da fase que REALMENTE interessa, com Max. Sepultura com Derrick nunca conseguiu deixar de ser "apenas" uma banda extremamente profissional, dedicada e cheia de boas idéias, mas com resultados artísticos e comerciais aquém de seu potencial. Falta aquela química intangível, aquele fogo que se acendeu quando os irmãos Cavalera recrutaram o guitarrista Andreas Kisser e pariram seu primeiro grande disco, “Schizophrenia”, e que se extinguiu definitivamente, ao que tudo indica, quando eles se separaram logo após seu maior triunfo, o álbum “Roots”, um verdadeiro divisor de águas na história da música pesada mundial.

O lançamento tem passado estranhamente em branco, sendo pouco divulgado e/ou mencionado na mídia em geral. Nem o próprio Andreas fez qualquer comentário a respeito em seu programa de rádio, o "pegadas". Nunca o vi em nenhuma prateleira de livraria. Caso tenha interesse, há um exemplar a venda na Freedom, em Aracaju - Rua Santa Luzia, 151, centro. O meu. Comprei pela internet, e estou passando adiante.

A.

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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Max & Igor, juntos e ao vivo ...

Demorou 23 anos, desde que os vi no Rock In Rio II, no Maracanã, lançando o disco “Arise”, mas aconteceu domingo, dia 7 de setembro, em Salvador, meu reencontro com os irmãos Cavalera juntos num palco. Já vi Sepultura algumas vezes desde então – uma delas aqui mesmo em Aracaju, ainda com Igor na bateria – mas é diferente. Não gosto de Sepultura com Derrick Green. Do meu ponto de vista, ver um show do Cavalera Conspiracy é, hoje em dia, o mais próximo que você pode chegar da experiência do Sepultura na formação clássica.

Chegamos no horário marcado no site apenas pra saber que o show havia sido adiado para duas horas depois. Má noticia, já que a idéia seria voltar para Aracaju ainda naquela noite de domingo, por conta de compromissos na segunda pela manhã, mas normal. Coisas do rock. Casa cheia, público razoável – cerca de 500 “cabeças”. Entramos a tempo de ver parte do show da banda de abertura, Capadócia. Competente.

Não teria despencado linha verde afora se o show tivesse sido do Soulfly, devo confessar, mas também não concordo com a opinião de minha querida amiga Maíra Ezequiel de que Max sem Igor não é nada. Ele é tosco pra cacete, rosna, não canta, toca guitarra de maneira primitiva – o que se reflete em suas composições, evidentemente – mas foda-se: o cara é foda. Emana uma aura meio inexplicável que faz com que você se identifique instantaneamente com sua energia e atitude. Deve ser o que chamam por aí de “carisma” ...

E foi essa aura que dominou o ambiente assim que ele adentrou o palco da casa de shows “The Hall”, na Pituba – no mesmo estilo mas bem melhor, mais espaçosa e elegante do que a “nossa” Infinity Club, onde uma semana antes eu havia visto o Krisiun. A catarse já havia se iniciado alguns segundos antes, quando a silhueta de Igor ficou visível por trás da bateria, mas Max é o “frontman”, é ele que “levanta a massa”.

Sem muitas delongas, tome paulada no pé do ouvido: “Inflikted”, primeiro “single” deles, abre os trabalhos em grande estilo, já que é uma boa musica. Segue ok com “warlord”, mas o bicho começa realmente a pegar quando rola a introdução de “Beneath the remains”, clássico do Sepultura, nos alto-falantes. E quando eu falo em “bicho pegando”, em termos de Salvador, é porque lá o bicho pega MESMO: “pogo” – ou “slam dancing”, “clube da luta”, o que seja – violentíssimo, SEMPRE! A “roda” lá é pros fortes mesmo, nada da “ciranda cirandinha” que se costuma ver no Recife, por exemplo. Bonito de ver a cena, apreciada de uma distancia segura por mim – a idade somada a duas cirurgias no cotovelo e quase um ano de fisioterapia por conta dessa “brincadeirinha” deixaram marcas ...

O set list é espertamente distribuído entre coisas mais antigas, do Sepultura – sempre as mais aclamadas, claro, e com razão, clássico é clássico – e novas, do Cavalera. Com duas exceções: “Orgasmatron”, do Motorhead – só um trecho, de improviso – e “Wasting Away”, do Nailbomb – ambas tocadas de modo desleixado, mas com uma energia bruta contagiante. Idem para a novíssima “Bonzai Kamikaze”, que eu curti muito na versão de estúdio mas ao vivo ficou quase irreconhecível, uma merda. Os grandes destaques da noite, pra mim, foram “refuse/resist” e “Territory”, que não por acaso fazem parte do repertório de meu disco favorito, “Chaos AD”. “Roots Bloody Roots” também foi foda – pensei que Max fosse mencionar o clipe, gravado na Bahia ...

por Maíra Ezequiel
Não foi um show perfeito, mas foi muito bom. Max demonstrava um certo cansaço e é nítida a falta que Andreas kisser faz, mas teria valido a pena o esforço apenas para ver o segundo melhor baterista de Heavy Metal do mundo em ação. Puta que pariu, caralho, o cara é muito bom! E ainda é bonito, o “fi-da-peste”! Chega a ser engraçado o contraste dele com Max, mais evidente no final do show, quando os dois agradecem ao público abraçados no palco – um super em forma, de cabelo cortado e figurino sóbrio, o outro gordo, detonado, com imensos dreadlocks podres e o velho conhecido figurino “camuflado” em tons de cinza. Mas acima de tudo, muito bom ver a bonita amizade e a cumplicidade que os une, do tipo que consegue se comunicar com uma simples troca de olhar.

Fim de festa, volta pra casa tranqüila madrugada adentro.

Valeu, Salvador!

Quero mais!

A.

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segunda-feira, 30 de junho de 2014

"My Bloody roots", de Max Cavalera

“Desde a música “kaiowas”, em “Chaos AD”, em 1993, eu vinha me perguntando se seria possível entrar na selva e conhecer os índios. Eles possuem uma história riquíssima e nenhuma banda de rock tinha tentado fazer algo parecido antes. Mas seria uma empreitada perigosa: eles matam os brancos e estão sempre em guerra com os fazendeiros da região.”

O trecho acima ilustra bem o conteúdo de “My Bloody Roots”, autobiografia de Max Cavalera lançada recentemente no Brasil e disponível nas melhores livrarias: impreciso, exagerado, mas sempre intenso e apaixonado. Ao ler o livro você se imagina sentado na mesa de um bar ouvindo as histórias de vida do vocalista e guitarrista do Soulfly e do Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura e Nailbomb. A linguagem é absolutamente informal e não existe nem mesmo uma preocupação maior com a precisão das informações no processo de revisão. Outro exemplo: ao comentar o documentário “Ruído das Minas”, no qual o Sepultura é acusado por alguns de seus pares de boicotar a cena local, Max nem se dá ao trabalho de dizer o nome correto do filme, referindo-se ao mesmo como “Metal de Belô nos primórdios” ou algo do tipo.

Não é grande literatura, evidentemente, portanto é recomendado apenas aos fãs e demais aficcionados pelo estilo. Mas mesmo estes sentirão falta de um maior aprofundamento nos detalhes de determinados fatos e acontecimentos. Tudo soa meio apressado, atropelado. Sentirão falta, também, da versão do “outro lado” em passagens como a que fala sobre o assassinato do filho de Gloria e a separação do Sepultura em 1996 - neste caso não há muito a ser feito, já que se trata de uma autobiografia. Na verdade muita coisa já foi dita sobre o assunto, mas ninguém, que eu saiba, rebateu a acusação - grave, a meu ver - de que alguém teria ligado da parte da produção da banda se passando por uma das filhas de Gloria e irmã de Dana para o necrotério onde seu corpo esperava pelo reconhecimento da mãe para que o mesmo agilizasse os procedimentos, dando a impressão de que o resto da banda gostaria, nas palavras de Gloria, esposa de Max e empresária do Sepultura na época, que eles jogassem seu filho às pressas num buraco e retornassem imediatamente aos palcos. Talvez porque ninguém nunca tenha assumido a autoria do tal telefonema. A principal suspeita, da parte de Max, recai sobre Monika Bass Cavalera, então esposa de Iggor, pela qual o autor nutre um ódio manifesto, ao ponto de chama-la de “piranha” e “acusá-la” de ter dado em cima dele – quando eu li sobre isso na imprensa entendi que tinha acontecido enquanto ela ainda estava com Iggor, mas no livro ele deixa claro que foi antes. Sendo assim, a “acusação” perde totalmente o sentido e na verdade denuncia o rancor nela embutido - além de um ranço machista lamentável, evidentemente. O fato é que, segundo Max, ela sempre invejou Gloria e, não por acaso, assumiu seu lugar logo após a separação ...

Picuinhas e exageros à parte, é deliciosa a leitura – para os fãs, repito.
Muito bom conhecer finalmente os detalhes da infância dos dois – Iggor é presença constante na narrativa, como não poderia deixar de ser. O impacto da morte do pai sobre seu comportamento – Max se afundou nas drogas e Iggor se tornou tímido e introspectivo – e a mudança para a capital mineira – que nem sequer é mencionada, você está lendo sobre eles em São Paulo e de repente já está em Belo Horizonte, ou “Belô”, como é carinhosamente chamada. Lá, acompanhamos o envolvimento cada vez maior com o universo do metal - com o apoio da mãe, que havia desistido de tentar disciplina-los para ir à escola regularmente. Mãe que é, também, uma grande influência para Max, principalmente no campo espiritual. Dela, ele herdou o interesse e admiração pelos cultos africanos do candombé e da umbanda. Especialmente saborosos são, também, os depoimentos de diversos personagens citados na história, estrategicamente incluídos na narrativa: David Vincent (do Morbid Angel), David Ellefson (do Megadeth), Mille Petrozza (Kreator), Corey Taylor (Slipknot), Dino Cazares, Sean Lennon, Sharon Osbourne, Jairo Guedes, Marc Rizzo (guitarrista do SOULFLY e amigo de longa data), Michael Whelan (o artista que criou as capas de 'Beneath the Remains', 'Arise', 'Chaos A.D.' e 'Roots'), Monte Conner (da Roadrunner Records), e João Eduardo (Cogumelo records), dentre outros.

Os primórdios do Sepultura são contados em detalhes mas naquela mesma linguagem de eterno moleque “metaleiro” interessado porém ligeiramente desinformado – ok, não dá pra exigir erudição de quem passava os dias inteiros bebendo, “zoando” e ouvindo Celtic Frost, Venom e Slayer no volume máximo. Mas engana-se quem tomar isso como burrice: Max é daqueles que demonstram ter uma inteligência intuitiva extremamente aguçada, o que se reflete na excelente produção musical que segue acumulando em sua carreira. É dono, também, de uma integridade inabalável: os desafetos de antes continuam os mesmos e ele não tem papas na língua ao dizer o que acha deles. Wagner Lamounier, da formação original do Sepultura e posteriormente fundador também do Sarcófago, outra banda seminal do metal mineiro, é descrito como desonesto e acusado literalmente de roubo – segundo Max, num determinado momento o pouco material que eles tinham começou a sumir, até que Wagner também sumiu. Max foi até sua casa perguntar o que estava acontecendo e os cabos roubados estavam lá! O "cleptomaníaco" tentou se justificar mas não teve perdão, foi expulso da banda. SHOW NO MERCY! Paulo, o baixista, é outro que é desancado impiedosamente ao longo da narrativa, descrito como “um babaca” preguiçoso que tinha medo de tudo e não conseguia aprender a tocar. Ao mesmo tempo ele é só elogios e compreensão com relação ao irmão, à esposa e a amigos de longa data como Jairo, o guitarrista que substituiu Wagner e precedeu Andreas. Andreas parece ser, por sua vez, uma das únicas exceções nesses extremos de amor e ódio: ao mesmo tempo em que ele credita ao seu veto a impossibilidade de uma volta da formação clássica do Sepultura, reconhece seu enorme talento e o companheirismo em alguns momentos difíceis, como na ocasião em que ele cantou e tocou no enterro de seu enteado Dana.

Para além dos detalhes importantes – e curiosos – de sua vida pessoal, Max nos brinda, também, com relatos saborosos sobre os processos de composição e gravação de todos os discos dos quais participou – e foram muitos! Está despertando em mim, inclusive, o desejo de dar uma nova chance ao Soulfly, banda que eu desisti de acompanhar por achar um tanto quanto “porralouca” – sempre achei que tinha muito ritmo tribal e palavras “exóticas” e sem sentido em português apenas para deslumbrar os gringos – e derivativa demais – tudo que eu ouço do Soufly me lembra algo que já havia sido feito antes, principalmente em “Roots”, do Sepultura. A sinceridade e a intensidade de Max está aos poucos me fazendo rever esta avaliação. Me fazendo enxergar a verdade que existe por trás de todo aquele exagero, que ele mesmo reconhece: num determinado momento diz que deveria estar sob o efeito de alguma droga pesada quando resolveu enterrar as masters do primeiro disco do Soulfly antes de entrega-las à gravadora. Por sorte, o material não se perdeu e a atitude pra lá de inusitada só resultou numa exclamação de interrogação assustada de Andy Wallace, responsável pela mixagem, ao receber as fitas empoeiradas ...

por Adelvan


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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

RiR no Sofá da Má – ultima noite

Não é nada mal essa brincadeira de assistir os shows de grandes festivais no sofá de casa. Já tem um tempo que me convenci de que não tenho mais saco nem disposição para essas super maratonas: horas na fila, empurra-empurra, banheiros a 300 km de distancia, sol e chuva e, no fim, você ainda assiste o show em um telão. Em casa é no meu sofá e no meu banheiro, na hora certa, sem sol nem chuva, com lanchinho e sofá e amigos. Depois do show do Paul McCartney decidi que só iria para outra maratona daquelas se fosse por algum artista do mesmo “naipe”, do mesmo grau de importância pra mim. Por isso, assistir a esse Rock in Rio no sofá de casa está mais do que excelente, na minha avaliação. Talvez tirando o Iron Maiden, não trocaria o sofá e a companhia do meu ídolo-amigo e jedi favorito AdelvanKenobi por nada. Combinamos de ver juntos os dois dias em que o line-up realmente contemplou o rock, na quinta e no domingo. Só nesse último tivemos a ideia de botar no papel algumas das besteiras (ou não) que a gente soltava enquanto assistia os shows. É uma tentativa de compartilhar a diversão com mais gente.

Sepultura e Zé Ramalho

Primeira coisa que eu estranhei: porque o Sepultura tocou duas vezes, hein? Alguém explicou isso aí? Não que eu esteja reclamando, mas foi estranho e meio sem proposito, não foi não? NO show de quinta eles dividiram o palco com uns batuqueiros franceses. Negócio super esquisito por sinal: metal em francês vamos combinar que já não combina, e europeu batendo lata a la olodum e dizendo que é metal... bom, sem comentários. Curti não. Já o show de domingo me pareceu mais “o show do Sepultura mesmo”. Aí, pra não ficar na cara o jabazão, a galera chamou o Zé Ramalho pra fazer a segunda metade do show. Infelizmente, foi justamente a parte que eu não vi por conta dos afazeres domésticos (ok, tem essa desvantagem de assistir em casa). Mas a primeira metade do show eu achei sensacional. Um desfile de classicões do Sepultura, banda afiadaça, som bom, não me lembro de nada pra falar mal do show em si. Alguns comentários que fizemos, eu e Adelvan, sobre o Sepultura hoje em dia, que também não devem ser novidade pra quem acompanha a carreira da banda: 1) o Derrick não é um vocalista virtuoso, é estranho ele estar há tanto tempo na banda; 2) sem comentários a falta que o Igor faz na batera. Esse garoto novo é bom, mas não chega aos pés; 3) o Paulo nunca foi nada além de um baixista medíocre; 4) CONCLUSÃO RÁPIDA E SEM NENHUM APROFUNDAMENTO: o Sepultura hoje tá na mão do Andreas Kisser. Ok, tem um pouco de exagero aí, mas é um desfalque imenso mesmo. E é uma pena porque sempre foi uma banda fodona. Só orgulho de cá.

SLAYER!!!

Maíra estava ocupada e viu de relance, mas eu (Adelvan) não poderia perder uma de minhas bandas favoritas do metal extremo tocando no maior festival do Brasil – e um dos maiores do mundo. Bastante desfalcados, é verdade, mas é o Slayer, porra! É Reign in Blood! É Tom Araya e é Kerry King. E é Gary Holt, do Exodus. E Paul Bostaph ...

Com todo respeito a Jeff Hanneman, o grande desfalque é, realmente, o de Dave Lombardo. Trata-se, afinal, do maior baterista de Heavy Metal de todos os tempos – considerando-se que o Led Zeppelin não era Heavy Metal, evidentemente. NUNCA, JAMAIS, ninguém vai conseguir substituí-lo. Porque ninguém consegue fazer as viradas que ele faz com a elegância e a velocidade que lhe é característica. Dito isso, sigamos em frente ...

O show foi bom, mas não foi 100%. Som bom, execução precisa, barulho do inferno, Araya sempre simpático e sorridente, uma bonita homenagem ao guitarrista falecida e é isso. Tá dado o recado. Na moral, quem ficou ali depois do Slayer pra ver Avenged Sevenfold merece no mínimo uma surra de cipó de aroeira ...

Nota 8.

DVD Gangrena Gasosa Ao Vivo no inferno

Daí que o Adelvan trouxe o DVD do Gangrena pra gente assistir o show ao vivo porque ele já sabia que o Avenged Sevenfold era uma merda. Mas eu, feito uma idiota, por alguns minutos ousei duvidar da opinião do mestre. Bastou, entretanto, rolar um VT de apresentação dos caras, antes mesmo do show começar, pra eu entender que se tratava de uma espécie de Charlie Brown Jr do Metal, ou um “emo-metal”, e entender que JAMAIS se duvida da opinão de um Jedi do rock.

Fomos para o inferno assistir Gangrena. Nada mais apropriado para a noite. Aliás, taí uma banda que colocaria no chinelo uma meia dúzia de farofeiro que passou por esse Rock in Rio.

Conheci o Gangrena Gasosa recentemente, justo com esse mesmo DVD – que é duplo e o primeiro volume é um documentário (impagável) que conta a história da banda. Virei fã imediatamente. Espero poder vê-los ao vivo algum dia.

Eles costumam ser definidos como Saravá Metal, estilo, aliás,que ninguém nunca ousou imitar. A estética musical é basicamente trash (NOTA: sem o H mesmo) metal, mas a banda persegue um conceito, no visual e nas letras, que tira sarro com a umbanda e o candomblé. Tem que ter coragem mesmo. Os caras se vestem das diversas facetas do capeta, do modo como são vistos por ambas as religiões. A ideia é “pagar de satanista”, só que tirando uma onda pesada.

Durante muito tempo a ligação com essas religiões foi só no visual e nas letras. Mais recentemente, eles chamaram percussionistas – atualmente uma percussionistA, fêmea – e gata. Comprometida, com Ângelo/Zé Pilintra, o vocalista - pra fazer parte da banda incorporando o “batuque do terreiro” na sonoridade também.

Agressivo, competente, hilário, inteligente e devidamente DO MAL, como todo metal deve ser. Altamente recomendado. Foi uma ótima pedida pra esperar... O SHOW.

Iron Maiden

Tudo isso era pra chegar aqui. A gente queria mesmo era ver e ouvir o Iron. Qualquer roqueiro que se preze teve sua fase metal e, muito provavelmente, ela começou pelo Iron Maiden. E quando passou deixou marcado pelo menos uma meia dúzia de riffs inesquecíveis que passam de geração a geração e são esperadas ansiosamente a cada show. Era o que a gente estava esperando também. E não nos decepcionamos.

Particularmente, eu, Maíra, achava que já não ia lembrar de muita coisa. Junto com o Rush e o Metallica, o Iron Maiden foi uma das primeiras bandas de rock que eu ouvi na vida, só que eu gastei menos tempo com eles.

Conversamos um pouco sobre isso, inclusive, aqui no sofá da Má. Não era tão simples escutar um disco naquela época. No meu caso, por exemplo: primeiro eu era tão nova, tipo 10 ou 11 anos, que sequer tinha autonomia de gosto, ou de grana, pra dizer que queria comprar um disco. Acho que nem mesada eu recebia ainda. Fora isso, o único toca discos da casa ficava na sala. Não era tão simples pegar e colocar um disco de metal no meio da sala da família pra tocar. Aí um dia eu pedi o fone de ouvido do meu pai emprestado. Era um fone grandão, caro, e o cabo era curto. Ou seja, eu tinha que sentar no chão, no meio da sala, atrapalhando o caminho até o telefone, por exemplo, pra ouvir um disco. E além disso o meu pai não curtia estar me emprestando o fone dele. Enfim, a molecada de hoje tem bem mais sorte. Ainda assim a gente furou a bolha. Porque quando tem que ser a gente vai lá e é.

Mas eu tava dizendo que achava que não ia lembrar das musicas. Rá. Riff bom é riff que gruda. A cada começo de musica era mais emoção. Do meio pro fim do show, gritinhos e sorrisos. Não tinha como ser menos emocionante.

O foco no “Seventh son of a seventhson” nos fez sentir privilegiados: é um discaço mesmo e tem uma das musicas que nós dois consideramos uma das que nós mais gostamos: “The evi lthat men do”. A execução da faixa título também foi de arrepiar. Para além de análises de técnica ou estética, a gente aqui só conseguia mesmo dizer algumas poucas palavras, não das mais refinadas, mas tudo no bom sentido: “porra, caralho, putaquepariu, vai tomar no cu e etc e tal...

Alguns comentários foram inevitáveis: que vitalidade invejável do Bruce Dickinson, hein? O cara pilota o avião, tá com a voz (e o “corpitcho”) super em forma, corre e pula pra todo lado o show inteiro, pratica esgrima e ainda toma cerveja e caipinha! Porra, vai se lascar! (Pode ser lá em casa, ok? *diz a Má) E o Steve Harris, é tipo o Dracula, né? Não muda a cara nem o cabelo nunca. Segundo Adelvan, no dia que ele cortar o cabelo acabou o metal.

Já o Janick Gers tá fazendo o quê no Iron Maiden ainda, hein minha gente?? Entrou pra substituir o Adrian Smith. Daí o cara volta, toca muito mais que ele, por sinal, e ele agora fica saltitando feito uma gazela no palco! Quequéisso!! Cadê o respeito?

Eu (Adelvan) não me iniciei no rock exatamente com o Iron Maiden, muito embora costume dizer que comecei a aprender o que era realmente esse tal de rock and roll com o primeiro Rock in rio, de 1985. Sacumé, né, ta na Globo, ta na boca do povo. Ainda hoje é assim – impressionante a quantidade de gente que vem me perguntar, no trabalho ou nas reuniões familiares, porque eu não estava lá. Quando estou de bom humor respondo que vou estar no Black Sabbath, mas aí é uma confusão, porque você tem que explicar o que é o Black Sabbath e porque eles, sozinhos, são mais importantes e valem um ingresso mais caro que todo o rock in rio junto.

Então: comecei com o (nem sempre) bom e velho (dependendo do ponto de vista) rock brasileiro dos anos 80, que tocava no rádio. E eu ouvia rádio. Claro, todo mundo ouvia. Como sou cara de pau, não tenho vergonha de confessar que já fui, inclusive, fã do RPM. Todo mundo era, ora. Aí um dia, não sei muito bem como nem porque, eu descobri que não precisava ser como todo mundo. Acho que foi quando escutei o Camisa de Vênus cantando “Silvia”, uma das musicas mais escrotas já feitas, em todos os entidos, no rádio, que me dei conta disso. Decidi que iria comprar um disco deles, e eis que “Viva, Ao vivo”, se tornou a aquisição número um de minha coleção. “Vivendo e não aprendendo” do Ira! foi o número 2. E aí veio o Iron Maiden, com “Somewhere in time” – lançamento, na época. Quando aqueles primeiros acordes de guitarra sintetizada espocaram em minha caixa de som – no mesmo esquema da Má, som da família, tinha que esperar papai e mamãe irem pra missa no domingo à noite pra ouvir no volume adequado – minha vida mudou. Literalmente. Parei de ir à igreja, virei ateu. Parei de pegar no pé de minha irmã por besteira – ela adorou, mas não gostou quando, algum tempo depois, eu comprei o LP “Descanse em paz”, do Ratos de Porão, que tem a imagem de uma senhora morta na capa. Ela tinha pesadelos com aquilo e eu, quando queria irritá-la, saía correndo atrás dela com o disco na mão. Virei “roqueiro”. Em Itabaiana, nos anos 80. Parada dura.

Acompanhei o Iron até justamente o “Seventh  son of a seventh son”, o disco enfocado na atual turnê. Depois meu gosto musical se ampliou ao ponto de quase esquecê-los. Mas sempre os tive como uma memória boa de um tempo bom, de descobertas. Tive a oportunidade de vê-los ao vivo pela primeira vez no Recife, há uns dois anos. Devia isso ao meu eu adolescente. Foi o show mais bem produzido e organizado que eu já fui em toda a minha vida, em todos os sentidos – até as placas de sinalização eram bonitas e perfeitamente posicionadas. Vi da área vip – “I sold my sou for rock and roll” – e chorei feito um bebê. Fui embora feliz, ao som de música que encerra “A Vida de Brian”, do Monty python – os caras são foda! Mas admito: tanto os show da turnê anterior, que dava uma geral na carreira da banda, quanto este, da “Maiden England Tour”, são melhores do que o que eu vi. Eles estavam lançando disco novo e por isso tentaram nos empurrar material mais recente, não apenas do “Final Frontier” como de coisas dos anos 2000, que eu absolutamente desconheço. Não foi ruim, claro. Mas o show que vi na madrugada do domingo para a segunda-feira no Rock In Rio foi perfeito.

Adorei a cenografia, a pirotecnia, o figurino, o set list, os Eddies – até mesmo aquele bonecão desengonçado de sempre – tudo! Bruce, que parece estar deixando novamente os cabelos crescerem, estava especialmente teatral e brincalhão, como quando fez um merchandise “ixpierto” da recém lançada cerveja “the Trooper” ou quando chacoalhou a base elevada onde estava no verso “balancing on the edge” de “The Evil that men do”. Sua perfomance – e a da banda – na épica e climática faixa título, “seventh son of a seventh son”, foi coisa de mestre. E têm o público na mão, como de praxe: a turba ensandecida de 85.000 “metaleiros” respondia a todos os seu comandos, o que deve ter causado uma inveja danada em algum político sem carisma que só consegue se eleger na base da propina que por ventura estivesse insone naquela madrugada ...

Enfim, tem que ser muito ranzinza pra não gostar do Iron Maiden. Ou não – mas as exceções eu nem comento, porque não entendo. Iron Maiden fez e, pelo jeito, sempre fará parte da minha vida. 

HALLOWED BE THY NAME!

Amém.

10. 

Maíra Ezquiel escreveu sobre o Sepultura, a Gangrena Gasosa e o Iron Maiden
Adelvan escreveu sobre o Slayer e o Iron Maiden.

UP THE IRONS
SLAYER!!!

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