Foi
lançada finalmente no Brasil a nova biografia de nossa maior banda: “Relentless
– 30 Anos de Sepultura”, do escritor norteamericano (de origem polonesa) Jason
Korolenko. Impossível não comparar com o já célebre – e há anos fora de
catálogo – “Sepultura – Toda a História”, de André Barcinski e Silvio Gomes. O
novo relato perde no texto – porque Barcinski é foda – mas ganha na abrangência,
já que o primeiro saiu há mais de 15 anos, em 1999, quando eles ainda estavam
se firmando em uma nova formação, com Derrick Green substituindo Max Cavalera
nos vocais.
Mas perde também na parte iconográfica: a maioria das fotos do novo
livro é bem ruinzinha. Fotos banais, do baixista Paulo fumando um cigarro fora
do estúdio durante um intervalo nas gravações, por exemplo. O autor deve ter
pretendido apresentar imagens inéditas, mas isso pouco importa se as mesmas são
esteticamente ruins e/ou de pouca ou nenhuma relevância, nem um pouco merecedoras de figurar num
registro histórico de tal envergadura.
Jason é um fã
confesso e isso
transparece na narrativa, que apresenta, em certos momentos, aquela
reverencia exagerada típica de uma resenha de fanzine, o que deixa o
livro com
cara de “chapa branca”, apesar de não ser - não é uma "biografia
autorizada", até onde eu saiba. Em todo caso, há de se reconhecer o
esforço de
contextualização do autor, especialmente na abertura, quando ele faz um
apanhado da história do Brasil do século XX desde a ascensão de Vargas
até o
ocaso da ditadura militar, só pra explicar o clima político e social do
país na
época em que a banda surgiu, na metade da década de 1980. Suas análises e
opiniões sobre cada disco, faixa a faixa, também são interessantes,
apesar do evidente deslumbramento e falta de senso crítico. Faltou,
também, um maior aprofundamento: muitos fatos importantes foram
esquecidos ou tratados
superficialmente. Por um lado, dá pra entender - é muita história pra
contar, o livro teria que ter pelo menos
umas 500 páginas para que fosse realmente abrangente - mas não deixa de
ser uma pena.
Vale, no entanto, a leitura,
especialmente se você é fã da banda. Recomendo, entretanto, que não se deixe de ler também o primeiro, que pode
ser encontrado com relativa facilidade em sebos. É mais saboroso, porque Barcinski é mestre na narração de "causos" pitorescos e porque trata da fase que REALMENTE interessa,
com Max. Sepultura
com Derrick nunca
conseguiu deixar de ser "apenas" uma banda extremamente profissional,
dedicada e
cheia de boas idéias, mas com resultados artísticos e comerciais aquém
de
seu potencial. Falta aquela química intangível, aquele fogo que se
acendeu
quando os irmãos Cavalera recrutaram o guitarrista Andreas Kisser e
pariram seu
primeiro grande disco, “Schizophrenia”, e que se extinguiu
definitivamente, ao que tudo indica, quando eles se separaram logo após
seu maior triunfo, o álbum
“Roots”, um verdadeiro divisor de águas na história da música pesada
mundial.
O lançamento tem passado estranhamente em branco,
sendo pouco divulgado e/ou mencionado na mídia em geral. Nem o próprio
Andreas fez qualquer comentário a respeito em seu programa de rádio, o
"pegadas". Nunca o vi em nenhuma prateleira de livraria. Caso tenha
interesse, há um exemplar a venda na Freedom, em Aracaju - Rua Santa
Luzia, 151, centro. O meu. Comprei pela internet, e estou passando
adiante.
A.
#
Mostrando postagens com marcador Sepultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sepultura. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Max & Igor, juntos e ao vivo ...
Demorou 23 anos, desde que os vi no Rock In Rio II, no
Maracanã, lançando o disco “Arise”, mas aconteceu domingo, dia 7 de setembro, em
Salvador, meu reencontro com os irmãos Cavalera juntos num palco. Já vi
Sepultura algumas vezes desde então – uma delas aqui mesmo em Aracaju, ainda
com Igor na bateria – mas é diferente. Não gosto de Sepultura com Derrick
Green. Do meu ponto de vista, ver um show do Cavalera Conspiracy é, hoje em
dia, o mais próximo que você pode chegar da experiência do Sepultura na formação
clássica.
Não foi um show perfeito, mas foi muito bom. Max demonstrava
um certo cansaço e é nítida a falta que Andreas kisser faz, mas teria valido a
pena o esforço apenas para ver o segundo melhor baterista de Heavy Metal do
mundo em ação. Puta que pariu, caralho, o cara é muito bom! E ainda é bonito, o
“fi-da-peste”! Chega a ser engraçado o contraste dele com Max, mais evidente no
final do show, quando os dois agradecem ao público abraçados no palco – um
super em forma, de cabelo cortado e figurino sóbrio, o outro gordo, detonado,
com imensos dreadlocks podres e o velho conhecido figurino “camuflado” em tons
de cinza. Mas acima de tudo, muito bom ver a bonita amizade e a cumplicidade
que os une, do tipo que consegue se comunicar com uma simples troca de olhar.
Chegamos no horário marcado no site apenas pra saber que o
show havia sido adiado para duas horas depois. Má noticia, já que a idéia seria
voltar para Aracaju ainda naquela noite de domingo, por conta de compromissos
na segunda pela manhã, mas normal. Coisas do rock. Casa cheia, público razoável
– cerca de 500 “cabeças”. Entramos a tempo de ver parte do show da banda de
abertura, Capadócia. Competente.
Não teria despencado linha verde afora se o show tivesse
sido do Soulfly, devo confessar, mas também não concordo com a opinião de minha
querida amiga Maíra Ezequiel de que Max sem Igor não é nada. Ele é tosco pra
cacete, rosna, não canta, toca guitarra de maneira primitiva – o que se reflete
em suas composições, evidentemente – mas foda-se: o cara é foda. Emana uma aura
meio inexplicável que faz com que você se identifique instantaneamente com sua
energia e atitude. Deve ser o que chamam por aí de “carisma” ...
E foi essa aura que dominou o ambiente assim que ele
adentrou o palco da casa de shows “The Hall”, na Pituba – no mesmo estilo mas bem
melhor, mais espaçosa e elegante do que a “nossa” Infinity Club, onde uma
semana antes eu havia visto o Krisiun. A catarse já havia se iniciado alguns
segundos antes, quando a silhueta de Igor ficou visível por trás da bateria,
mas Max é o “frontman”, é ele que “levanta a massa”.
Sem muitas delongas, tome paulada no pé do ouvido:
“Inflikted”, primeiro “single” deles, abre os trabalhos em grande estilo, já
que é uma boa musica. Segue ok com “warlord”, mas o bicho começa realmente a
pegar quando rola a introdução de “Beneath the remains”, clássico do Sepultura,
nos alto-falantes. E quando eu falo em “bicho pegando”, em termos de Salvador,
é porque lá o bicho pega MESMO: “pogo” – ou “slam dancing”, “clube da luta”, o
que seja – violentíssimo, SEMPRE! A “roda” lá é pros fortes mesmo, nada da
“ciranda cirandinha” que se costuma ver no Recife, por exemplo. Bonito de ver a
cena, apreciada de uma distancia segura por mim – a idade somada a duas
cirurgias no cotovelo e quase um ano de fisioterapia por conta dessa
“brincadeirinha” deixaram marcas ...
O set list é espertamente distribuído entre coisas mais
antigas, do Sepultura – sempre as mais aclamadas, claro, e com razão, clássico
é clássico – e novas, do Cavalera. Com duas exceções: “Orgasmatron”, do
Motorhead – só um trecho, de improviso – e “Wasting Away”, do Nailbomb – ambas
tocadas de modo desleixado, mas com uma energia bruta contagiante. Idem para a
novíssima “Bonzai Kamikaze”, que eu curti muito na versão de estúdio mas ao
vivo ficou quase irreconhecível, uma merda. Os grandes destaques da noite, pra
mim, foram “refuse/resist” e “Territory”, que não por acaso fazem parte do
repertório de meu disco favorito, “Chaos AD”. “Roots Bloody Roots” também foi
foda – pensei que Max fosse mencionar o clipe, gravado na Bahia ...
![]() |
| por Maíra Ezequiel |
Fim de festa, volta pra casa tranqüila madrugada adentro.
Valeu, Salvador!
Quero mais!
A.
#
segunda-feira, 30 de junho de 2014
"My Bloody roots", de Max Cavalera
“Desde
a música “kaiowas”, em “Chaos AD”, em 1993, eu vinha me perguntando se
seria possível entrar na selva e conhecer os índios. Eles possuem uma
história riquíssima e nenhuma banda de rock tinha tentado fazer algo
parecido antes. Mas seria uma empreitada perigosa: eles matam os brancos
e estão sempre em guerra com os fazendeiros da região.”
O trecho acima ilustra bem o conteúdo de “My Bloody Roots”, autobiografia de Max Cavalera lançada recentemente no Brasil e disponível nas melhores livrarias: impreciso, exagerado, mas sempre intenso e apaixonado. Ao ler o livro você se imagina sentado na mesa de um bar ouvindo as histórias de vida do vocalista e guitarrista do Soulfly e do Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura e Nailbomb. A linguagem é absolutamente informal e não existe nem mesmo uma preocupação maior com a precisão das informações no processo de revisão. Outro exemplo: ao comentar o documentário “Ruído das Minas”, no qual o Sepultura é acusado por alguns de seus pares de boicotar a cena local, Max nem se dá ao trabalho de dizer o nome correto do filme, referindo-se ao mesmo como “Metal de Belô nos primórdios” ou algo do tipo.
Não é grande literatura, evidentemente, portanto é recomendado apenas aos fãs e demais aficcionados pelo estilo. Mas mesmo estes sentirão falta de um maior aprofundamento nos detalhes de determinados fatos e acontecimentos. Tudo soa meio apressado, atropelado. Sentirão falta, também, da versão do “outro lado” em passagens como a que fala sobre o assassinato do filho de Gloria e a separação do Sepultura em 1996 - neste caso não há muito a ser feito, já que se trata de uma autobiografia. Na verdade muita coisa já foi dita sobre o assunto, mas ninguém, que eu saiba, rebateu a acusação - grave, a meu ver - de que alguém teria ligado da parte da produção da banda se passando por uma das filhas de Gloria e irmã de Dana para o necrotério onde seu corpo esperava pelo reconhecimento da mãe para que o mesmo agilizasse os procedimentos, dando a impressão de que o resto da banda gostaria, nas palavras de Gloria, esposa de Max e empresária do Sepultura na época, que eles jogassem seu filho às pressas num buraco e retornassem imediatamente aos palcos. Talvez porque ninguém nunca tenha assumido a autoria do tal telefonema. A principal suspeita, da parte de Max, recai sobre Monika Bass Cavalera, então esposa de Iggor, pela qual o autor nutre um ódio manifesto, ao ponto de chama-la de “piranha” e “acusá-la” de ter dado em cima dele – quando eu li sobre isso na imprensa entendi que tinha acontecido enquanto ela ainda estava com Iggor, mas no livro ele deixa claro que foi antes. Sendo assim, a “acusação” perde totalmente o sentido e na verdade denuncia o rancor nela embutido - além de um ranço machista lamentável, evidentemente. O fato é que, segundo Max, ela sempre invejou Gloria e, não por acaso, assumiu seu lugar logo após a separação ...
Picuinhas e exageros à parte, é deliciosa a leitura – para os fãs, repito. Muito bom conhecer finalmente os detalhes da infância dos dois – Iggor é presença constante na narrativa, como não poderia deixar de ser. O impacto da morte do pai sobre seu comportamento – Max se afundou nas drogas e Iggor se tornou tímido e introspectivo – e a mudança para a capital mineira – que nem sequer é mencionada, você está lendo sobre eles em São Paulo e de repente já está em Belo Horizonte, ou “Belô”, como é carinhosamente chamada. Lá, acompanhamos o envolvimento cada vez maior com o universo do metal - com o apoio da mãe, que havia desistido de tentar disciplina-los para ir à escola regularmente. Mãe que é, também, uma grande influência para Max, principalmente no campo espiritual. Dela, ele herdou o interesse e admiração pelos cultos africanos do candombé e da umbanda. Especialmente saborosos são, também, os depoimentos de diversos personagens citados na história, estrategicamente incluídos na narrativa: David Vincent (do Morbid Angel), David Ellefson (do Megadeth), Mille Petrozza (Kreator), Corey Taylor (Slipknot), Dino Cazares, Sean Lennon, Sharon Osbourne, Jairo Guedes, Marc Rizzo (guitarrista do SOULFLY e amigo de longa data), Michael Whelan (o artista que criou as capas de 'Beneath the Remains', 'Arise', 'Chaos A.D.' e 'Roots'), Monte Conner (da Roadrunner Records), e João Eduardo (Cogumelo records), dentre outros.
Os primórdios do Sepultura são contados em detalhes mas naquela mesma linguagem de eterno moleque “metaleiro” interessado porém ligeiramente desinformado – ok, não dá pra exigir erudição de quem passava os dias inteiros bebendo, “zoando” e ouvindo Celtic Frost, Venom e Slayer no volume máximo. Mas engana-se quem tomar isso como burrice: Max é daqueles que demonstram ter uma inteligência intuitiva extremamente aguçada, o que se reflete na excelente produção musical que segue acumulando em sua carreira. É dono, também, de uma integridade inabalável: os desafetos de antes continuam os mesmos e ele não tem papas na língua ao dizer o que acha deles. Wagner Lamounier, da formação original do Sepultura e posteriormente fundador também do Sarcófago, outra banda seminal do metal mineiro, é descrito como desonesto e acusado literalmente de roubo – segundo Max, num determinado momento o pouco material que eles tinham começou a sumir, até que Wagner também sumiu. Max foi até sua casa perguntar o que estava acontecendo e os cabos roubados estavam lá! O "cleptomaníaco" tentou se justificar mas não teve perdão, foi expulso da banda. SHOW NO MERCY! Paulo, o baixista, é outro que é desancado impiedosamente ao longo da narrativa, descrito como “um babaca” preguiçoso que tinha medo de tudo e não conseguia aprender a tocar. Ao mesmo tempo ele é só elogios e compreensão com relação ao irmão, à esposa e a amigos de longa data como Jairo, o guitarrista que substituiu Wagner e precedeu Andreas. Andreas parece ser, por sua vez, uma das únicas exceções nesses extremos de amor e ódio: ao mesmo tempo em que ele credita ao seu veto a impossibilidade de uma volta da formação clássica do Sepultura, reconhece seu enorme talento e o companheirismo em alguns momentos difíceis, como na ocasião em que ele cantou e tocou no enterro de seu enteado Dana.
Para além dos detalhes importantes – e curiosos – de sua vida pessoal, Max nos brinda, também, com relatos saborosos sobre os processos de composição e gravação de todos os discos dos quais participou – e foram muitos! Está despertando em mim, inclusive, o desejo de dar uma nova chance ao Soulfly, banda que eu desisti de acompanhar por achar um tanto quanto “porralouca” – sempre achei que tinha muito ritmo tribal e palavras “exóticas” e sem sentido em português apenas para deslumbrar os gringos – e derivativa demais – tudo que eu ouço do Soufly me lembra algo que já havia sido feito antes, principalmente em “Roots”, do Sepultura. A sinceridade e a intensidade de Max está aos poucos me fazendo rever esta avaliação. Me fazendo enxergar a verdade que existe por trás de todo aquele exagero, que ele mesmo reconhece: num determinado momento diz que deveria estar sob o efeito de alguma droga pesada quando resolveu enterrar as masters do primeiro disco do Soulfly antes de entrega-las à gravadora. Por sorte, o material não se perdeu e a atitude pra lá de inusitada só resultou numa exclamação de interrogação assustada de Andy Wallace, responsável pela mixagem, ao receber as fitas empoeiradas ...
por Adelvan
#
O trecho acima ilustra bem o conteúdo de “My Bloody Roots”, autobiografia de Max Cavalera lançada recentemente no Brasil e disponível nas melhores livrarias: impreciso, exagerado, mas sempre intenso e apaixonado. Ao ler o livro você se imagina sentado na mesa de um bar ouvindo as histórias de vida do vocalista e guitarrista do Soulfly e do Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura e Nailbomb. A linguagem é absolutamente informal e não existe nem mesmo uma preocupação maior com a precisão das informações no processo de revisão. Outro exemplo: ao comentar o documentário “Ruído das Minas”, no qual o Sepultura é acusado por alguns de seus pares de boicotar a cena local, Max nem se dá ao trabalho de dizer o nome correto do filme, referindo-se ao mesmo como “Metal de Belô nos primórdios” ou algo do tipo.
Não é grande literatura, evidentemente, portanto é recomendado apenas aos fãs e demais aficcionados pelo estilo. Mas mesmo estes sentirão falta de um maior aprofundamento nos detalhes de determinados fatos e acontecimentos. Tudo soa meio apressado, atropelado. Sentirão falta, também, da versão do “outro lado” em passagens como a que fala sobre o assassinato do filho de Gloria e a separação do Sepultura em 1996 - neste caso não há muito a ser feito, já que se trata de uma autobiografia. Na verdade muita coisa já foi dita sobre o assunto, mas ninguém, que eu saiba, rebateu a acusação - grave, a meu ver - de que alguém teria ligado da parte da produção da banda se passando por uma das filhas de Gloria e irmã de Dana para o necrotério onde seu corpo esperava pelo reconhecimento da mãe para que o mesmo agilizasse os procedimentos, dando a impressão de que o resto da banda gostaria, nas palavras de Gloria, esposa de Max e empresária do Sepultura na época, que eles jogassem seu filho às pressas num buraco e retornassem imediatamente aos palcos. Talvez porque ninguém nunca tenha assumido a autoria do tal telefonema. A principal suspeita, da parte de Max, recai sobre Monika Bass Cavalera, então esposa de Iggor, pela qual o autor nutre um ódio manifesto, ao ponto de chama-la de “piranha” e “acusá-la” de ter dado em cima dele – quando eu li sobre isso na imprensa entendi que tinha acontecido enquanto ela ainda estava com Iggor, mas no livro ele deixa claro que foi antes. Sendo assim, a “acusação” perde totalmente o sentido e na verdade denuncia o rancor nela embutido - além de um ranço machista lamentável, evidentemente. O fato é que, segundo Max, ela sempre invejou Gloria e, não por acaso, assumiu seu lugar logo após a separação ...
Picuinhas e exageros à parte, é deliciosa a leitura – para os fãs, repito. Muito bom conhecer finalmente os detalhes da infância dos dois – Iggor é presença constante na narrativa, como não poderia deixar de ser. O impacto da morte do pai sobre seu comportamento – Max se afundou nas drogas e Iggor se tornou tímido e introspectivo – e a mudança para a capital mineira – que nem sequer é mencionada, você está lendo sobre eles em São Paulo e de repente já está em Belo Horizonte, ou “Belô”, como é carinhosamente chamada. Lá, acompanhamos o envolvimento cada vez maior com o universo do metal - com o apoio da mãe, que havia desistido de tentar disciplina-los para ir à escola regularmente. Mãe que é, também, uma grande influência para Max, principalmente no campo espiritual. Dela, ele herdou o interesse e admiração pelos cultos africanos do candombé e da umbanda. Especialmente saborosos são, também, os depoimentos de diversos personagens citados na história, estrategicamente incluídos na narrativa: David Vincent (do Morbid Angel), David Ellefson (do Megadeth), Mille Petrozza (Kreator), Corey Taylor (Slipknot), Dino Cazares, Sean Lennon, Sharon Osbourne, Jairo Guedes, Marc Rizzo (guitarrista do SOULFLY e amigo de longa data), Michael Whelan (o artista que criou as capas de 'Beneath the Remains', 'Arise', 'Chaos A.D.' e 'Roots'), Monte Conner (da Roadrunner Records), e João Eduardo (Cogumelo records), dentre outros.
Os primórdios do Sepultura são contados em detalhes mas naquela mesma linguagem de eterno moleque “metaleiro” interessado porém ligeiramente desinformado – ok, não dá pra exigir erudição de quem passava os dias inteiros bebendo, “zoando” e ouvindo Celtic Frost, Venom e Slayer no volume máximo. Mas engana-se quem tomar isso como burrice: Max é daqueles que demonstram ter uma inteligência intuitiva extremamente aguçada, o que se reflete na excelente produção musical que segue acumulando em sua carreira. É dono, também, de uma integridade inabalável: os desafetos de antes continuam os mesmos e ele não tem papas na língua ao dizer o que acha deles. Wagner Lamounier, da formação original do Sepultura e posteriormente fundador também do Sarcófago, outra banda seminal do metal mineiro, é descrito como desonesto e acusado literalmente de roubo – segundo Max, num determinado momento o pouco material que eles tinham começou a sumir, até que Wagner também sumiu. Max foi até sua casa perguntar o que estava acontecendo e os cabos roubados estavam lá! O "cleptomaníaco" tentou se justificar mas não teve perdão, foi expulso da banda. SHOW NO MERCY! Paulo, o baixista, é outro que é desancado impiedosamente ao longo da narrativa, descrito como “um babaca” preguiçoso que tinha medo de tudo e não conseguia aprender a tocar. Ao mesmo tempo ele é só elogios e compreensão com relação ao irmão, à esposa e a amigos de longa data como Jairo, o guitarrista que substituiu Wagner e precedeu Andreas. Andreas parece ser, por sua vez, uma das únicas exceções nesses extremos de amor e ódio: ao mesmo tempo em que ele credita ao seu veto a impossibilidade de uma volta da formação clássica do Sepultura, reconhece seu enorme talento e o companheirismo em alguns momentos difíceis, como na ocasião em que ele cantou e tocou no enterro de seu enteado Dana.
Para além dos detalhes importantes – e curiosos – de sua vida pessoal, Max nos brinda, também, com relatos saborosos sobre os processos de composição e gravação de todos os discos dos quais participou – e foram muitos! Está despertando em mim, inclusive, o desejo de dar uma nova chance ao Soulfly, banda que eu desisti de acompanhar por achar um tanto quanto “porralouca” – sempre achei que tinha muito ritmo tribal e palavras “exóticas” e sem sentido em português apenas para deslumbrar os gringos – e derivativa demais – tudo que eu ouço do Soufly me lembra algo que já havia sido feito antes, principalmente em “Roots”, do Sepultura. A sinceridade e a intensidade de Max está aos poucos me fazendo rever esta avaliação. Me fazendo enxergar a verdade que existe por trás de todo aquele exagero, que ele mesmo reconhece: num determinado momento diz que deveria estar sob o efeito de alguma droga pesada quando resolveu enterrar as masters do primeiro disco do Soulfly antes de entrega-las à gravadora. Por sorte, o material não se perdeu e a atitude pra lá de inusitada só resultou numa exclamação de interrogação assustada de Andy Wallace, responsável pela mixagem, ao receber as fitas empoeiradas ...
por Adelvan
#
Marcadores:
Adelvan k,
literatura,
rock,
Sepultura
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
RiR no Sofá da Má – ultima noite
Não é nada mal essa brincadeira de assistir os shows de
grandes festivais no sofá de casa. Já tem um tempo que me convenci de que não
tenho mais saco nem disposição para essas super maratonas: horas na fila, empurra-empurra,
banheiros a 300 km de distancia, sol e chuva e, no fim, você ainda assiste o
show em um telão. Em casa é no meu sofá e no meu banheiro, na hora certa, sem
sol nem chuva, com lanchinho e sofá e amigos. Depois do show do Paul McCartney
decidi que só iria para outra maratona daquelas se fosse por algum artista do
mesmo “naipe”, do mesmo grau de importância pra mim. Por isso, assistir a esse
Rock in Rio no sofá de casa está mais do que excelente, na minha avaliação.
Talvez tirando o Iron Maiden, não trocaria o sofá e a companhia do meu
ídolo-amigo e jedi favorito AdelvanKenobi por nada. Combinamos de ver juntos os
dois dias em que o line-up realmente contemplou o rock, na quinta e no domingo.
Só nesse último tivemos a ideia de botar no papel algumas das besteiras (ou
não) que a gente soltava enquanto assistia os shows. É uma tentativa de
compartilhar a diversão com mais gente.
Sepultura e Zé Ramalho
Primeira coisa que eu estranhei: porque o Sepultura tocou
duas vezes, hein? Alguém explicou isso aí? Não que eu esteja reclamando, mas
foi estranho e meio sem proposito, não foi não? NO show de quinta eles dividiram
o palco com uns batuqueiros franceses. Negócio super esquisito por sinal: metal
em francês vamos combinar que já não combina, e europeu batendo lata a la
olodum e dizendo que é metal... bom, sem comentários. Curti não. Já o show de
domingo me pareceu mais “o show do Sepultura mesmo”. Aí, pra não ficar na cara
o jabazão, a galera chamou o Zé Ramalho pra fazer a segunda metade do show.
Infelizmente, foi justamente a parte que eu não vi por conta dos afazeres
domésticos (ok, tem essa desvantagem de assistir em casa). Mas a primeira
metade do show eu achei sensacional. Um desfile de classicões do Sepultura,
banda afiadaça, som bom, não me lembro de nada pra falar mal do show em si.
Alguns comentários que fizemos, eu e Adelvan, sobre o Sepultura hoje em dia,
que também não devem ser novidade pra quem acompanha a carreira da banda: 1) o
Derrick não é um vocalista virtuoso, é estranho ele estar há tanto tempo na banda;
2) sem comentários a falta que o Igor faz na batera. Esse garoto novo é bom,
mas não chega aos pés; 3) o Paulo nunca foi nada além de um baixista medíocre; 4)
CONCLUSÃO RÁPIDA E SEM NENHUM APROFUNDAMENTO: o Sepultura hoje tá na mão do
Andreas Kisser. Ok, tem um pouco de exagero aí, mas é um desfalque imenso
mesmo. E é uma pena porque sempre foi uma banda fodona. Só orgulho de cá.
SLAYER!!!
Maíra estava ocupada e viu de relance, mas eu (Adelvan) não
poderia perder uma de minhas bandas favoritas do metal extremo tocando no maior
festival do Brasil – e um dos maiores do mundo. Bastante desfalcados, é
verdade, mas é o Slayer, porra! É Reign in Blood! É Tom Araya e é Kerry King. E
é Gary Holt, do Exodus. E Paul Bostaph ...
Com todo respeito a Jeff Hanneman, o grande desfalque é,
realmente, o de Dave Lombardo. Trata-se, afinal, do maior baterista de Heavy
Metal de todos os tempos – considerando-se que o Led Zeppelin não era Heavy
Metal, evidentemente. NUNCA, JAMAIS, ninguém vai conseguir substituí-lo. Porque
ninguém consegue fazer as viradas que ele faz com a elegância e a velocidade
que lhe é característica. Dito isso, sigamos em frente ...
O show foi bom, mas não foi 100%. Som bom, execução precisa,
barulho do inferno, Araya sempre simpático e sorridente, uma bonita homenagem
ao guitarrista falecida e é isso. Tá dado o recado. Na moral, quem ficou ali
depois do Slayer pra ver Avenged Sevenfold merece no mínimo uma surra de cipó
de aroeira ...
Nota 8.
DVD Gangrena Gasosa Ao
Vivo no inferno
Daí que o Adelvan trouxe o DVD do Gangrena pra gente
assistir o show ao vivo porque ele já sabia que o Avenged Sevenfold era uma
merda. Mas eu, feito uma idiota, por alguns minutos ousei duvidar da opinião do
mestre. Bastou, entretanto, rolar um VT de apresentação dos caras, antes mesmo
do show começar, pra eu entender que se tratava de uma espécie de Charlie Brown
Jr do Metal, ou um “emo-metal”, e entender que JAMAIS se duvida da opinão de um
Jedi do rock.
Fomos para o inferno assistir Gangrena. Nada mais apropriado
para a noite. Aliás, taí uma banda que colocaria no chinelo uma meia dúzia de
farofeiro que passou por esse Rock in Rio.
Conheci o Gangrena Gasosa recentemente, justo com esse mesmo
DVD – que é duplo e o primeiro volume é um documentário (impagável) que conta a
história da banda. Virei fã imediatamente. Espero poder vê-los ao vivo algum
dia.
Eles costumam ser definidos como Saravá Metal, estilo,
aliás,que ninguém nunca ousou imitar. A estética musical é basicamente trash (NOTA:
sem o H mesmo) metal, mas a banda persegue um conceito, no visual e nas letras,
que tira sarro com a umbanda e o candomblé. Tem que ter coragem mesmo. Os caras
se vestem das diversas facetas do capeta, do modo como são vistos por ambas as
religiões. A ideia é “pagar de satanista”, só que tirando uma onda pesada.
Durante muito tempo a ligação com essas religiões foi só no
visual e nas letras. Mais recentemente, eles chamaram percussionistas –
atualmente uma percussionistA, fêmea – e gata. Comprometida, com Ângelo/Zé
Pilintra, o vocalista - pra fazer parte da banda incorporando o “batuque do
terreiro” na sonoridade também.
Agressivo, competente, hilário, inteligente e devidamente DO MAL, como todo metal deve ser. Altamente recomendado. Foi uma ótima pedida pra esperar... O SHOW.
Agressivo, competente, hilário, inteligente e devidamente DO MAL, como todo metal deve ser. Altamente recomendado. Foi uma ótima pedida pra esperar... O SHOW.
Iron Maiden
Tudo isso era pra chegar aqui. A gente queria mesmo era ver
e ouvir o Iron. Qualquer roqueiro que se preze teve sua fase metal e, muito
provavelmente, ela começou pelo Iron Maiden. E quando passou deixou marcado
pelo menos uma meia dúzia de riffs inesquecíveis que passam de geração a
geração e são esperadas ansiosamente a cada show. Era o que a gente estava
esperando também. E não nos decepcionamos.
Particularmente, eu, Maíra, achava que já não ia lembrar de
muita coisa. Junto com o Rush e o Metallica, o Iron Maiden foi uma das
primeiras bandas de rock que eu ouvi na vida, só que eu gastei menos tempo com
eles.
Conversamos um pouco sobre isso, inclusive, aqui no sofá da
Má. Não era tão simples escutar um disco naquela época. No meu caso, por
exemplo: primeiro eu era tão nova, tipo 10 ou 11 anos, que sequer tinha
autonomia de gosto, ou de grana, pra dizer que queria comprar um disco. Acho
que nem mesada eu recebia ainda. Fora isso, o único toca discos da casa ficava
na sala. Não era tão simples pegar e colocar um disco de metal no meio da sala
da família pra tocar. Aí um dia eu pedi o fone de ouvido do meu pai emprestado.
Era um fone grandão, caro, e o cabo era curto. Ou seja, eu tinha que sentar no
chão, no meio da sala, atrapalhando o caminho até o telefone, por exemplo, pra
ouvir um disco. E além disso o meu pai não curtia estar me emprestando o fone
dele. Enfim, a molecada de hoje tem bem mais sorte. Ainda assim a gente furou a
bolha. Porque quando tem que ser a gente vai lá e é.
Mas eu tava dizendo que achava que não ia lembrar das
musicas. Rá. Riff bom é riff que gruda. A cada começo de musica era mais
emoção. Do meio pro fim do show, gritinhos e sorrisos. Não tinha como ser menos
emocionante.
O foco no “Seventh son of a seventhson” nos fez sentir
privilegiados: é um discaço mesmo e tem uma das musicas que nós dois
consideramos uma das que nós mais gostamos: “The evi lthat men do”. A execução
da faixa título também foi de arrepiar. Para além de análises de técnica ou
estética, a gente aqui só conseguia mesmo dizer algumas poucas palavras, não
das mais refinadas, mas tudo no bom sentido: “porra, caralho, putaquepariu, vai
tomar no cu e etc e tal...
Alguns comentários foram inevitáveis: que vitalidade
invejável do Bruce Dickinson, hein? O cara pilota o avião, tá com a voz (e o “corpitcho”)
super em forma, corre e pula pra todo lado o show inteiro, pratica esgrima e
ainda toma cerveja e caipinha! Porra, vai se lascar! (Pode ser lá em casa, ok?
*diz a Má) E o Steve Harris, é tipo o Dracula, né? Não muda a cara nem o cabelo
nunca. Segundo Adelvan, no dia que ele cortar o cabelo acabou o metal.
Já o Janick Gers tá fazendo o quê no Iron Maiden ainda, hein
minha gente?? Entrou pra substituir o Adrian Smith. Daí o cara volta, toca muito
mais que ele, por sinal, e ele agora fica saltitando feito uma gazela no palco!
Quequéisso!! Cadê o respeito?
Eu (Adelvan) não me iniciei no rock exatamente com o Iron
Maiden, muito embora costume dizer que comecei a aprender o que era realmente
esse tal de rock and roll com o primeiro Rock in rio, de 1985. Sacumé, né, ta na
Globo, ta na boca do povo. Ainda hoje é assim – impressionante a quantidade de
gente que vem me perguntar, no trabalho ou nas reuniões familiares, porque eu
não estava lá. Quando estou de bom humor respondo que vou estar no Black
Sabbath, mas aí é uma confusão, porque você tem que explicar o que é o Black
Sabbath e porque eles, sozinhos, são mais importantes e valem um ingresso mais
caro que todo o rock in rio junto.
Então: comecei com o (nem sempre) bom e velho (dependendo do
ponto de vista) rock brasileiro dos anos 80, que tocava no rádio. E eu ouvia
rádio. Claro, todo mundo ouvia. Como sou cara de pau, não tenho vergonha de
confessar que já fui, inclusive, fã do RPM. Todo mundo era, ora. Aí um dia, não
sei muito bem como nem porque, eu descobri que não precisava ser como todo
mundo. Acho que foi quando escutei o Camisa de Vênus cantando “Silvia”, uma das
musicas mais escrotas já feitas, em todos os entidos, no rádio, que me dei
conta disso. Decidi que iria comprar um disco deles, e eis que “Viva, Ao vivo”,
se tornou a aquisição número um de minha coleção. “Vivendo e não aprendendo” do
Ira! foi o número 2. E aí veio o Iron Maiden, com “Somewhere in time” –
lançamento, na época. Quando aqueles primeiros acordes de guitarra sintetizada
espocaram em minha caixa de som – no mesmo esquema da Má, som da família, tinha
que esperar papai e mamãe irem pra missa no domingo à noite pra ouvir no volume
adequado – minha vida mudou. Literalmente. Parei de ir à igreja, virei ateu.
Parei de pegar no pé de minha irmã por besteira – ela adorou, mas não gostou
quando, algum tempo depois, eu comprei o LP “Descanse em paz”, do Ratos de
Porão, que tem a imagem de uma senhora morta na capa. Ela tinha pesadelos com
aquilo e eu, quando queria irritá-la, saía correndo atrás dela com o disco na
mão. Virei “roqueiro”. Em Itabaiana, nos anos 80. Parada dura.
Acompanhei o Iron até justamente o “Seventh son of a seventh son”, o disco enfocado na
atual turnê. Depois meu gosto musical se ampliou ao ponto de quase esquecê-los.
Mas sempre os tive como uma memória boa de um tempo bom, de descobertas. Tive a
oportunidade de vê-los ao vivo pela primeira vez no Recife, há uns dois anos.
Devia isso ao meu eu adolescente. Foi o show mais bem produzido e organizado
que eu já fui em toda a minha vida, em todos os sentidos – até as placas de
sinalização eram bonitas e perfeitamente posicionadas. Vi da área vip – “I sold
my sou for rock and roll” – e chorei feito um bebê. Fui embora feliz, ao som de
música que encerra “A Vida de Brian”, do Monty python – os caras são foda! Mas
admito: tanto os show da turnê anterior, que dava uma geral na carreira da
banda, quanto este, da “Maiden England Tour”, são melhores do que o que eu vi.
Eles estavam lançando disco novo e por isso tentaram nos empurrar material mais
recente, não apenas do “Final Frontier” como de coisas dos anos 2000, que eu
absolutamente desconheço. Não foi ruim, claro. Mas o show que vi na madrugada
do domingo para a segunda-feira no Rock In Rio foi perfeito.
Adorei a cenografia, a pirotecnia, o figurino, o set list,
os Eddies – até mesmo aquele bonecão desengonçado de sempre – tudo! Bruce, que
parece estar deixando novamente os cabelos crescerem, estava especialmente
teatral e brincalhão, como quando fez um merchandise “ixpierto” da recém
lançada cerveja “the Trooper” ou quando chacoalhou a base elevada onde estava
no verso “balancing on the edge” de “The Evil that men do”. Sua perfomance – e a
da banda – na épica e climática faixa título, “seventh son of a seventh son”,
foi coisa de mestre. E têm o público na mão, como de praxe: a turba ensandecida
de 85.000 “metaleiros” respondia a todos os seu comandos, o que deve ter causado
uma inveja danada em algum político sem carisma que só consegue se eleger na
base da propina que por ventura estivesse insone naquela madrugada ...
Enfim, tem que ser muito ranzinza pra não gostar do Iron
Maiden. Ou não – mas as exceções eu nem comento, porque não entendo. Iron
Maiden fez e, pelo jeito, sempre fará parte da minha vida.
HALLOWED BE
THY NAME!
Amém.
10.
Maíra Ezquiel escreveu sobre o Sepultura, a Gangrena Gasosa
e o Iron Maiden
Adelvan escreveu sobre o Slayer e o Iron Maiden.
UP THE IRONS
SLAYER!!!
#
Marcadores:
Adelvan k,
rock,
rock in rio,
Sepultura
Assinar:
Postagens (Atom)




