<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560</id><updated>2012-01-27T08:58:12.523-08:00</updated><category term='Arquivo'/><category term='filho do carbono e do amoníaco'/><category term='política'/><category term='Artes plásticas'/><category term='quadrinhos'/><category term='programa de rock'/><category term='literatura'/><category term='rock'/><category term='rock sergipano'/><category term='Eu'/><category term='cinema'/><category term='generalidades'/><title type='text'>Escarro Napalm</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>340</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-3125395164820636874</id><published>2012-01-12T07:41:00.000-08:00</published><updated>2012-01-12T14:27:23.454-08:00</updated><title type='text'>Vibrações negativas</title><content type='html'>Resolvi abrir o Glorioso ano da graça de 2012 fazendo mal uso da internet. Explico: Há alguns dias um estudante sergipano resolveu repassar via Facebook uma materia do ano passado do Correio Braziliense que fala sobre irregularidades na captação de dinheiro público para a maior prévia carnavalesca do estado, o famigerado "PreCaju". O bagulho repercutiu muito, o que levou o mentor da tal festa, um daqueles eternos parasitas do poder publico, a processar o rapaz por um suposto "mal uso da internet". Uma emissora de TV local, afiliada à Rede Record, chegou inclusive a fazer uma materia em seu telejornal exclusivamente com este enfoque: "mal uso da internet", com o referido pilantra que se acredita dono de uma das principais avenidas da cidade durante 4 ou 5 dias do ano posando de vítima. Tudo isto com a conivência - diria mais, com a adesão irrestrita e entusiasmada - dos alcaídes locais, prefeito e governador do estado (um se diz comunista, o outro socialista), que adoram posar com seus abadás em plena folia. Inacreditável, não ? Coisas de Sergipe Del Rey. LEIA &lt;a href="http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2010/12/16/interna_politica,227995/muito-festa-e-axe-em-sergipe-com-dinheiro-do-orcamento-da-uniao.shtml"&gt;AQUI&lt;/a&gt; a materia original e confira a cara de pau dos elementos, especialmente quando falam que o Precaju, que é uma festa gigantesca que poderia muito bem se bancar sem o uso dos preciosos recursos publicos tão em falta na educação, saude e segurança publica, NÃO DÁ LUCRO !!!! Seria cômico, se não fosse trágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, uma excelente matéria do jornalista Rian Santos sobre o assunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;&lt;a href="http://spleencharutos.wordpress.com/2012/01/12/cala-a-boca-ja-morreu/" title="Link Permanente para Cala a boca já morreu!" rel="bookmark"&gt;Cala a boca já morreu!&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A Associação Sergipana de Blocos e Trios (ASBT) está na mira dos  artistas sergipanos. O destempero do empresário Fabiano Oliveira – que  deu um tiro no pé e interpelou um estudante judicialmente, constrangendo  o rapaz a comparecer diante de um magistrado para explicar porque teve a  ousadia de compartilhar matéria publicada pelo Correio Braziliense numa  rede social – saiu pela culatra e finalmente tirou a classe da  letargia. &lt;p&gt;O coletivo de músicos Serigy All-Stars está recolhendo as assinaturas  dos alforriados para devolver a chicotada do sinhozinho. Eles pretendem  apresentar denúncia no Ministério Público Federal questionando a ASBT a  respeito da utilização de recursos públicos repassados para a  Associação. A suspeita de irregularidades foi levantada por relatório do  Tribunal de Contas da União (TCU), mas a insatisfação com a prévia  carnavalesca realizada todos os anos com a bênção da Prefeitura de  Aracaju e Governo do Estado de Sergipe vem crescendo há muito tempo,  independente de eventuais conflitos com a letra da lei.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Cala a boca já morreu! – A&lt;/strong&gt; matéria mencionada, causa  e catalizador da indignação dos músicos sergipanos, foi publicada em 16  de dezembro de 2010, sem que qualquer ação judicial tenha sido imposta  ao diário. Nela, o jornalista Lucio Vaz explica como a ASBT, uma  associação sem fins lucrativos, consegue financiar uma festa privada com  um montante milionário, retirado dos cofres do Ministério do Turismo  por meio de emendas parlamentares.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;De acordo com o Correio Braziliense, Albano Franco (PSDB), Jackson  Barreto (PMDB), Jerônimo Reis (DEM), José Carlos Machado (DEM) e  Valadares Filho (PSB), além do baiano Emiliano José (PT), então  deputados federais, julgaram proveitoso destinar quase R$ 16 milhões  para que a ASBT promovesse três edições de uma prévia carnavalesca que  afronta claramente uma série de direitos dos cidadãos sergipanos,  impedidos de trafegar livremente pelas principais vias da cidade nos  dias em que a festa é realizada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No entanto, a boa vontade dos entes públicos com as empresas que  formam o grupo não para por aí. O Pré-Caju foi incluído no calendário  turístico e cultural da capital por lei municipal em 1993. Três anos  depois, outra lei reconheceu a ASBT como entidade gestora e organizadora  do evento. Depois, ela foi agraciada com o certificado de utilidade  pública estadual. Hoje, a micareta é reconhecida pelas autoridades como  um evento estratégico, uma das principais cartadas para promover o  turismo local. Nossos gestores não explicam, contudo, porque depois do  investimento vultoso, realizado durante anos a fio, nem mesmo o  principal provedor da festa reconhece a capital sergipana como destino  apropriado para os visitantes.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Há menos de uma semana, o Ministério do Turismo indicou os 184  destinos para turistas durante a Copa do Mundo de 2014. No Nordeste, só  foram contempladas cidades do Maranhão, Rio Grande do Norte, Piauí,  Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Bahia e Ceará. O objetivo é aumentar o  fluxo turístico e a geração de renda e emprego. Entre os nove estados  nordestinos, Sergipe foi o único que ficou de fora. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Para o cantor e compositor Deilson Pessoa, que também integra a  direção do Fórum de Música de Sergipe, a iniciativa do Serigy All-Stars  já pode ser considerada bem sucedida. Para o coletivo de músicos,  importa o exercício da cidadania, o devido respeito à coisa pública, a  saúde de nossa democracia. “O espírito do Cacique Serigy com certeza  agradece a todos que subscreveram a denúncia que vamos apresentar ao MPF  contra a ASBT e a má utilização de dinheiro público na realização dessa  festa privada. O que nós, artistas sergipanos, estamos reivindicando é  um olhar mais atencioso com a nossa gente e cultura. Só você muda a  maneira como é visto”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;É como se os músicos respondessem à tentativa de cerceamento da  informação, manifesta na ação movida pelo empresário Fabiano Oliveira,  respondendo em alto e bom som: Quem manda em mim sou eu!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;riansantos@jornaldodiase.com.br&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-u9yzrpInFS8/Tw8CcdtVQHI/AAAAAAAAEP0/RS6uHKV62AE/s1600/precaju_deda.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-u9yzrpInFS8/Tw8CcdtVQHI/AAAAAAAAEP0/RS6uHKV62AE/s400/precaju_deda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5696774741681324146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O Excelentíssimo Senhor governador do estado aplaude de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fKGIM0jKRKI/Tw8CcYR9orI/AAAAAAAAEPo/LAiD3XmGnck/s1600/fabiano%2B401419_215601705193323_100002304863140_461479_1351149280_n.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 274px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-fKGIM0jKRKI/Tw8CcYR9orI/AAAAAAAAEPo/LAiD3XmGnck/s400/fabiano%2B401419_215601705193323_100002304863140_461479_1351149280_n.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5696774740224352946" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-le8uPF7wRPs/Tw8Cd-fxhFI/AAAAAAAAEQY/Bx6scPo3UyU/s1600/precaju%2Bbloco_pisados_por_deda.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 358px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-le8uPF7wRPs/Tw8Cd-fxhFI/AAAAAAAAEQY/Bx6scPo3UyU/s400/precaju%2Bbloco_pisados_por_deda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5696774767662695506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-3125395164820636874?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/3125395164820636874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=3125395164820636874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/3125395164820636874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/3125395164820636874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2012/01/fabiano-oliveira-vai-tomar-no-olho-do.html' title='Vibrações negativas'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-u9yzrpInFS8/Tw8CcdtVQHI/AAAAAAAAEP0/RS6uHKV62AE/s72-c/precaju_deda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-2516916551152755795</id><published>2011-12-27T19:56:00.000-08:00</published><updated>2011-12-28T05:06:27.735-08:00</updated><title type='text'>VIVA O GRANDE LÍDER!</title><content type='html'>Capítulo 1 – Do outro lado do mundo existe uma república popular    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-aEXVs_BUFlM/TvsTgcFbhuI/AAAAAAAAEPE/9RxREO-pBu8/s1600/kin%2Bil%2Bsung%2Bdead%2B893_n.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 210px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-aEXVs_BUFlM/TvsTgcFbhuI/AAAAAAAAEPE/9RxREO-pBu8/s320/kin%2Bil%2Bsung%2Bdead%2B893_n.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5691164002128463586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Vista de dentro do pequeno Citroen vermelho, a cidade parecia estranha. Chegar em Pequim é sempre uma coisa preocupante. As multidões, a poeira, as bicicletas como um enxame de abelhas, a indelicadeza de seus habitantes, tudo parece minar a confiança do forasteiro. A confusão urbana ajuda a lembrar que aquele é um território ainda desconhecido e perigoso.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A Estação Rodoviária Oeste, aonde cheguei no trem proveniente de Hong Kong, seria, segundo a propaganda oficial, a mais moderna de toda a China. Estava semi-escura, cheia de gente e tumultuada. Quando saí para a rua e peguei um táxi, já estava começando a anoitecer.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já tendo estado antes em Pequim, eu conhecia mais ou menos o trajeto que o táxi deveria fazer para chegar ao hotel onde eu tinha reserva, localizado na Dongsanhuan, a terceira perimetral leste. Mas, dentro do carrinho vermelho, rapidamente perdi o senso de orientação e comecei a suspeitar que o motorista estivesse dando uma volta monumental em torno do centro para chegar ao hotel. E o pior: com pouco dinheiro em iuane no bolso, eu temia não ter como pagar a corrida. Não seria possível que, após dez minutos de percurso, o taxímetro ainda estivesse marcando 10 iuanes. Barato demais para ser verdade. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao contrário da confusão presenciada na estação de trem, seguíamos agora por grandes avenidas asfaltadas, passando velozmente em frente a arranha-céus iluminados por letreiros em néon. O pequeno táxi era acompanhado nas vias expressas por centenas de carros de todos os lados. Esta não era a Pequim de quatro anos atrás. Onde estava a velha China dos riquixás e da população vestida de azul ? Observada do meio das avenidas do novo capitalismo, a cidade cheirava a tinta e surgia como uma miragem refletindo um inimaginável progresso material. Lembrava mais Los Angeles do que uma metrópole asiática. A sensação de riqueza reforçava minha preocupação com o táxi. Aquilo ia me custar uma fortuna. Somente depois de uma meia hora de dúvidas, chegamos ao Hotel Golden Era. O táxi custou 27 iuanes – pouco mais de três dólares – e eu nem fiz questão do troco. Estava vencida a primeira batalha na capital chinesa.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A segunda batalha começaria no dia seguinte, um sábado. Eu estava em Pequim, desta vez, com um único objetivo: embarcar para a Coréia do Norte, que é considerada como o país mais fechado do planeta. Para se chegar à Coréia do Norte é necessário uma passada obrigatória na China, sobretudo para se conseguir uma forma de transporte até Pyongyang. No sábado de manhã, caí em campo para tentar comprar uma passagem no trem que partiria na segunda-feira à tarde em direção a Dandong, na fronteira da China, seguindo depois ate Pyongyang. Fui ao local mais apropriado para estrangeiros poderem comprar passagens: uma agência do Serviço de Viagens Internacionais da China, a CITS, no Beijing International Hotel. Apesar do padrão luxuoso do hotel, localizado na moderníssima avenida Jianguomennei, o serviço na CITS ainda é soviético. Um atendente que não falava inglês me informou bruscamente, e de má vontade, que não havia passagem à venda. Tudo esgotado. Passagem só com um mês de antecedência. Um burocrata norte-coreano, que panava para conseguir seu bilhete para uma data posterior, me confirmou:&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É muito difícil conseguir passagem de trem. Por que você não tenta o avião ?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;por Marcelo Abreu&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://compare.buscape.com.br/procura?id=3482&amp;amp;kw=viva+grande+lider"&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;+ AQUI&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-2516916551152755795?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/2516916551152755795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=2516916551152755795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/2516916551152755795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/2516916551152755795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/12/viva-o-grande-lider.html' title='VIVA O GRANDE LÍDER!'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-aEXVs_BUFlM/TvsTgcFbhuI/AAAAAAAAEPE/9RxREO-pBu8/s72-c/kin%2Bil%2Bsung%2Bdead%2B893_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-3894429322258762574</id><published>2011-12-26T08:32:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T08:36:45.785-08:00</updated><title type='text'>Jean Wyllys continua surpreendendo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-Ig5sXYUUj-w/TviikUyf57I/AAAAAAAAEOs/ppdNcka40So/s1600/jean%2Bwillys%2B00a208590caa4d8.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 206px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ig5sXYUUj-w/TviikUyf57I/AAAAAAAAEOs/ppdNcka40So/s320/jean%2Bwillys%2B00a208590caa4d8.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690476874122127282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) participou do programa "Poder e  Política - Entrevista", conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. A  gravação ocorreu na quinta-feira (15/12/2011), no estúdio do Grupo Folha em  Brasília. O projeto é uma parceria do UOL e da Folha. Abaixo, a transcrição da entrevista:&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narração de abertura:&lt;/b&gt; O deputado federal Jean Wyllys de Matos Santos tem 37 anos. Nasceu em Alagoinhas, na Bahia. Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, Jean ficou famoso por ter vencido o Big Brother Brasil em 2005. Elegeu-se deputado federal em 2010, pelo PSOL do Rio de Janeiro. Em seu  discurso de estreia na Câmara, Jean Wyllys disse ser o 1º homossexual  assumido, sem homofobia internalizada e ligado ao movimento LGBT a  entrar para a Casa.   &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL:&lt;/b&gt; Olá internauta. Bem-vindo a mais um "Poder e Política  Entrevista". Este programa é uma realização do jornal Folha de São  Paulo, do portal UOL e da Folha.com. A gravação é realizada aqui no  estúdio do Grupo Folha em Brasília. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Hoje o convidado é o deputado federal Jean Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Olá, deputado. Muito obrigado por ter aceitado o convite.  Eu começo perguntando sobre o projeto de lei que, se aprovado, vai  tornar crime atitudes homofóbicas, como já ocorre com o racismo no  Brasil. No ponto em que está tramitando o projeto agora, o sr. acha que  ele está com um texto adequado?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Bom, primeiro eu quero agradecer o convite também e  saudar os internautas. Eu acho que da maneira como ele se encontra [o  projeto], nesse ponto da tramitação, o substitutivo apresentado pela  senadora Marta Suplicy [do PT-SP] ao projeto e foi redigido pelo senador  Demóstenes Torres, do Democratas de Goiás, não agrada à Frente  Parlamentar LGBT, nem agrada a setores do movimento LGBT. Da maneira  como esse substitutivo foi apresentado... E o próprio texto cria um novo  tipo penal e reduz a homofobia a uma mera questão de agressão e  assassinatos, né. Como se a homofobia se expressasse apenas e tão só  nessa forma letal. E essa forma letal da expressão da homofobia, ela já é  tratada no Código Penal. Ou seja: qualquer pessoa que cometa lesão  corporal ou assassinato, o Código Penal já prevê penas para o  assassinato e para a lesão corporal. O que o Código Penal não prevê é um  motivação homofóbica. E aí o projeto, o parecer anterior que é da  senadora Fátima Cleide [do PT-RO] é muito mais amplo, porque ele  contempla, ele prevê a motivação homofóbica, mas ele trata de outras  expressões da homofobia, como a injúria por exemplo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O sr. poderia descrever o que seria adequado que esse projeto de lei estabelecesse como crime de homofobia?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Primeiro é preciso promover o discernimento, né. Tem  muito preconceito em relação a esse projeto, muita distorção, muitos  equívocos sendo divulgados em relação a esse projeto. A ideia, por  exemplo, de que se o projeto for aprovado ninguém vai poder chamar o  outro de veado numa partida de futebol, torcidas rivais não vão poder  fazer piadas nesse sentido. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Isso não é o caso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Não é o caso. A intenção de divulgar e de espalhar  esse tipo de equívoco é de jogar a sociedade civil, a opinião pública,  contra o projeto. O projeto prevê a proteção da comunidade LGBT contra a  injúria e contra o impedimento do acesso ao direito. Por exemplo: é um  direito meu expressar publicamente meu afeto no teatro, no shopping  center e não ser banido desses lugares por conta disso. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: A relatora [do projeto de lei que criminaliza a homofobia] é a senadora Marta Suplicy.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Sim. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Em quais aspectos o sr. acha que ela deveria mudar de  opinião para fazer alguma adequação ali? O sr. teria como dizer  especificamente algo que ela deveria fazer?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Eu acho que o texto da senadora, o substitutivo da  senadora Marta Suplicy, que foi redigido pelo senador Demóstenes Torres  [do DEM-GO], que não é homossexual e, muito pelo contrário, não tem  muita simpatia pela comunidade homossexual, esse texto é defasado por  exemplo no que diz respeito à própria discussão da matéria penal. Ou  seja, nós, militantes dos direitos humanos, a gente trabalha muito na  direção do direito penal mínimo. Então, não nos interessa penas de  prisão de muito tempo de reclusão na sociedade como forma de justificar  ou de se dizer que se está enfrentando a homofobia. Eu penso por exemplo  que as penas alternativas e as multas e as prestações de serviço têm  que ser pensadas no caso das penas no caso das injúrias praticadas  contra homossexuais em programas de televisão, quando isso acontece, por  pessoas públicas, com funções públicas, por estabelecimentos, donos de  estabelecimentos comerciais que permitem essa discriminação. Então esse é  um ponto do texto que me incomoda bastante, a criação de um novo tipo  penal e não a dilatação dos tipos já previstos, como no caso, todo o  arcabouço aí do Código Penal que protege a comunidade judaica e protege a  comunidade negra, incluir nesse arcabouço aí a discriminação por  orientação sexual e por... Porque é uma coisa que é preciso se dizer e  não se diz nunca, claro, trata-se de jogar a opinião pública contra o  projeto de lei, é que o projeto de lei, o PL 122 [de 2006], ele inclui  entre essas discriminações por religião e por etnia a discriminação a  pessoas com deficiência física, a idosos e homossexuais que são grupos  vulneráveis. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Vamos num caso concreto. No shopping está um casal  homossexual trocando carinhos e por algum motivo alguém da administração  do shopping center retira essas pessoas de dentro do shopping center.  Que tipo de pena caberia nesse caso na sua avaliação?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Uma multa com dinheiro revertido para programas  sejam públicos ou de Organizações Não Governamentais que promovem a  cidadania gay, por exemplo. No caso de adolescentes, por exemplo, que  injuriam... Quando pegos em flagrantes, claro, porque tem que ter o  flagrante... Injuriando ou atacando, como acontece muito, talvez você  não saiba disso, mas acontece bastante, de adolescentes ou  pós-adolescentes passarem de carro e jogarem pedras e ovos nas  travestis, quando pegos essas pessoas poderiam prestar serviços à  comunidade por exemplo. Talvez em organismos que tratem exatamente desse  grupo aí que eles atacaram, as travestis e transexuais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: No relatório da senadora Marta Suplicy é tratado o caso de  cultos religiosos. E há uma certa leniência em relação ao que acontece  dentro de templos religiosos. Como ficou essa parte e o que o sr. acha  dessa abordagem.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Eu acho que as religiões, elas têm liberdade para  propagar da maneira que elas melhor escolheram, definiram, os seus  valores. A sua concepção de vida boa. Isso é uma coisa garantida na  Constituição e que a gente tem que defender. As religiões são livres  para isso. E os pastores são livres para dizer no púlpito de suas  igrejas que a homossexualidade é pecado, já que eles assim o entendem.  Entretanto, eu não acho que os pastores que estão ali explorando uma  concessão pública de rádio e TV tenham que aproveitar esses espaços para  demonizar e desumanizar uma comunidade inteira, como é a comunidade  homossexual. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Como tratar isso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Isso é uma injúria. É uma injúria contra um  coletivo. E essa injúria motivada pela homofobia, ou seja, a promoção da  desqualificação pública da homossexualidade e da dignidade, e ferindo a  dignidade dos homossexuais, ela tem que ser enfrentada. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O texto, tal como está neste momento no Senado, não trata disso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Não trata disso. Muito pelo contrário. O texto  inclusive... Eu até admiro e louvo os esforços da senadora Marta  Suplicy, que é uma pessoa que eu admiro bastante, de tentar uma  negociação com a bancada conservadora do Senado. Nesse intuito de manter  essa negociação ela colocou, inclusive, um parágrafo em que ela  salvaguarda a liberdade de crença e de opinião de religiosos. Que é uma  coisa que deixou, inclusive, a comunidade negra assoberbada e a  comunidade judaica também assoberbada. Porque foi uma conquista do povo  judaico e da comunidade negra, uma conquista muito grande de proteger  esse coletivo da injúria praticada inclusive por religiões. Então quando  a senadora inclui esse parágrafo, ela ameaça conquistas já feitas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Os pastores, os padres que tratarem de homossexualidade em  seus cultos, sobretudo na televisão. Eles, se referirem-se de maneira  agressiva em relação [aos homossexuais]...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Se incitarem a violência, se justificarem as  violências todas praticadas no país contra homossexuais por meio de um  entendimento que a homossexualidade é uma degeneração, para usar a  palavra que eles costumam usar, que é uma abominação, que é uma  degeneração, que a homossexualidade é uma doença, que a homossexualidade  é um pecado grave e mortal, aí sim eu acho que isso tem que ser  enfrentado. E tem que ter uma lei que preveja esse tipo de crime. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Enfrentado, criminalizado?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; É. Enfrentado é criminalizado. Criminalizado. E  quando eu falo criminalizado é entender isso como injúria a um coletivo.  Uma atitude difamatória de um coletivo, que merece o respeito. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Um padre, um pastor que na televisão disser:  "Homossexualidade é incorrer num pecado mortal. Deve ser combatida".  Quem disser isso nesse caso mereceria qual punição?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Nesse caso específico, dizer "homossexualidade é  pecado"... Não, eu não vejo porque ele tenha que ser combatido porque  ele vai inclusive justificar essa afirmação dele. Com base em que ele  diz que a homossexualidade é pecado. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Como seria uma frase inaceitável?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; É. Por exemplo, sabe o que é inaceitável? São as  igrejas, por exemplo, financiarem programas de recuperação e de cura de  homossexualidade. E o pastor promover esse tipo de serviço nos seus  cultos e dizer: "Vocês, homossexuais, venham para os nossos programas de  terapia e de cura de homossexualidade". Homossexualidade não é uma  doença. E afirmação de que homossexualidade é uma doença gera sofrimento  psíquico para a pessoa homossexual e para a família dessa pessoa. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Nesse caso, que tipo de punição poderia ser aplicada?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Olha, eu não sei assim...Você fica me perguntando punição em especial... Eu não me sento à vontade para dizer que punição... &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Mas deveria haver alguma sanção?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Eu acho que tem que haver uma sanção. Eu quero que a  gente compare, simplesmente, com outros grupos vulneráveis, para saber  se é bacana. Alguém que chegue e incite violência contra mulheres e  contra negros, ou contra crianças nesse país... Vai ser bem aceito? O PL  122 da maneira como estava antes, no parecer da senadora Fátima Cleide,  ele era muito eficaz no sentido de proteger a dignidade da pessoa  humana da população LGBT brasileira que, oficialmente, corresponde a 19  milhões de pessoas. Da maneira como ele estava ele enfrentava os números  assustadores de homicídio de homossexuais no Brasil. Até novembro deste  ano [2011] foram mortos 233 homossexuais. E no ano passado [2010] foram  mortos 266. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Os homossexuais além de serem vítimas da violência urbana que você é  vítima, que todos nós somos vítimas independentemente da orientação  sexual, eles são vítimas de uma violência específica que só se abate  sobre eles. E essa violência se abate pela condição deles. Pela  orientação deles, pela existência deles. Essa violência tem que ser  enfrentada. Isso não é uma coisa só do Brasil. A Hillary Clinton,  secretária de Estado [dos EUA] americana se posicionou na ONU,  recentemente, dizendo que os Estados Unidos iriam colocar como condição  para a ajuda internacional o país proteger os direitos dos homossexuais.  Então esse é um grupo considerado vulnerável não só por nós aqui da  Frente LGBT. Esse é um grupo considerado por outros organismos de  proteção aos direitos humanos do mundo inteiro. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O limite para esse tipo de discurso do qual estamos  falando aqui, o discurso condenável sob a ótica dos argumentos que o sr.  apresentou, por parte de religiosos... Quando a gente fala da  televisão, estamos falando de um meio de comunicação de massa. Aparece  um pastor, um padre falando algo dessa natureza. Convidando homossexuais  para entrarem em programas de recuperação ou sei lá como eles chamam  isso. E quando eles falam isso no ambiente do templo, da igreja deles. É  a mesma coisa na sua opinião?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Não. Na minha opinião não é a mesma coisa. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Aí é diferente?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Eu acho que, nos púlpitos das igrejas, os padres têm  o direito de falar o que eles quiserem para sua comunidade de fé e  justificar da maneira... &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Dentro da igreja?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; É. Eu só acho que nas concessões públicas de rádio e  TV isso não poderia ser feito. Porque a concessão pública é uma  concessão de nós como sociedade. E nós como sociedade temos uma Carta  Magna como princípio que nós rege. O princípio soberano da Constituição  Federal de 1988, a Constituição Cidadã, é o princípio da dignidade da  pessoa humana. Então conceder uma exploração, dar o direito de  exploração a um grupo, ou a uma igreja, ou a uma pessoa que fere os  princípios constitucionais não é a coisa mais certa. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Por que o sr. acha que a senadora Marta Suplicy, quem tem  conduzido no Senado a negociação sobre o texto dessa lei, caminhou um  pouco na concessão em relação a esse aspecto religioso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Porque é inegável que no Congresso Nacional nós  temos que dialogar com essas forças. O exercício da política é o  exercício do diálogo. Da mediação de conflitos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O sr. acha que não foi uma boa incursão dela nesse caso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Eu acho que dialogar com as forças conservadoras é  sempre uma boa incursão. O problema nesse quesito, desse caso específico  da senadora Marta Suplicy foi ela ter negociado apenas com essas  forças. Foi a senadora não ter ouvido a Frente Parlamentar LGBT que é um  foro do qual ela faz parte e que é o foro constituído para tratar das  proposições legislativas e das políticas públicas que interessam à  comunidade homossexual brasileira. Outro equívoco foi não ter ouvido o  movimento LGBT em sua diversidade. O movimento LGBT tem uma associação  hegemônica, mas tem outras tantas associações. É um consenso no  movimento LGBT que, para ter uma lei inócua, uma lei que não vai cumprir  o caráter pedagógico, é melhor não ter lei nenhuma. É melhor continuar  na batalha pela lei que a gente quer. As mulheres não fizeram concessões  até aprovar a Lei Maria da Penha da maneira que elas queriam. Os  defensores dos direitos da infância e da juventude não fizeram  concessões até aprovar o ECA, o Estatuto da Criança e do Adolescente  como se queria. O Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado da maneira  que os negros queria. Pelo menos em essência não há uma contestação da  comunidade negra em relação ao estatuto da igualdade racial. Então  porque nós vamos querer uma lei inócua que vai servir apenas para dizer  que o governo petista aprovou alguma coisa, alguma proposição? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O sr. evidentemente já deve ter conversado já muito com a  senadora Marta Suplicy. O que ela diz para o sr. quando o sr. apresenta  esses argumentos?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Olha, a senadora não conversou com a gente. Nas  últimas reuniões da Frente Parlamentar [Mista pela Cidadania LGBT] ela  tem mandado um assessor conversar com a gente. E todos esses argumentos  foram passados para o assessor dela. E o assessor dela, às vésperas da  votação, da última votação do PL 122, devolveu-nos a resposta de que ela  iria manter o substitutivo da maneira que ela tinha concebido junto com  Demóstenes Torres. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: União civil estável entre pessoas do mesmo sexo. O Supremo  Tribunal Federal tomou uma decisão progressistas que reconhece a união  civil estável entre pessoas do mesmo sexo. Não obstante, a Constituição  ainda é ambígua, ou para não dizer contraditória em relação a isso. O  sr. tem uma proposta para alterar um trecho da Constituição, artigo 226.  É vital que esse trecho seja alterado ou o sr. acha que com a decisão  do Supremo, a rigor, a jurisprudência já está formada?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Não, a decisão do Supremo é uma decisão relevante,  muito bem vinda. Inclusive mostra que, ainda bem que, dos três Poderes  da República, um tenha avançado positivamente no sentido de estender a  cidadania aos homossexuais. Só que a decisão do STF não é uma lei. A  decisão do TSF como você bem falou é uma jurisprudência. Nem todo mundo,  nem toda população brasileira tem acesso à Justiça, a gente sabe disso.  Para a gente ter uma ideia, nem todos os Estados do Brasil, nem todos  os municípios contam com uma Defensoria Pública. Portanto o acesso à  Justiça da população brasileira é um acesso pequeno, restrito. Então a  gente não pode achar que uma jurisprudência vá garantir direito ao  conjunto da população. A única forma de garantir direito é através da  lei. Como você bem falou, como a Constituição tem no artigo 226 o  parágrafo terceiro... E esse parágrafo terceiro dá margem a  interpretações no sentido de excluir os homossexuais do direito ao  casamento. Eu apresentei uma PEC, uma Proposta de Emenda à Constituição,  que altera esse artigo 226 no sentido de garantir o direito ao  casamento civil ao conjunto da população brasileira independente de sua  orientação sexual. Estamos falando do casamento civil, óbvio. Em nenhum  momento a minha PEC altera ou trata do casamento religioso. A gente  trata do casamento civil, aquele que é dissolvido pelo divórcio. Então  ainda que eu louve a decisão do STF, eu não vou achar que ela basta. E  também não acredito que nós homossexuais temos que nos contentar com uma  sorte de gueto. Nós não temos que ficar com a união estável enquanto o  restante da população tem direito ao casamento civil. Isso seria uma  cidadania de segunda categoria. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O ministro Ricardo Lewandowski, que é presidente do  Tribunal Superior Eleitoral, esteve aqui, nessa mesma cadeira em que o  sr. está, e disse o seguinte: hoje em dia, há tecnologia muito boa nas  eleições para fazer consultas populares.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Sim. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: E que no ano que vem [2012], se o Congresso, até março,  pelo menos, fizer um decreto a respeito, eles podem incluir consultas,  com resposta simples, "sim" ou "não", na eleição do ano que vem. Esse  seria um tema [casamento civil de homossexuais] talvez bom para se  incluir ou não?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Não é um tema bom para incluir porque o Estado  brasileiro tem um débito enorme com a sua população no que diz respeito a  garantir ao conjunto da população uma educação de qualidade para a  cidadania, que permita a essa população um espírito crítico capaz de  aprofundar determinados temas. Esse débito em relação à educação de  qualidade faz com que grande parte da população trate certos temas com  preconceitos. E se a gente considerar, na correlação de forças que há na  sociedade, se a gente considerar que o poder econômico e o controle dos  meios de comunicação e de informação estão com quem é contrário a essas  pautas, a essa extensão de cidadania nós já sabemos qual vai ser o  resultado desse plebiscito. Não vejo muito sentido em se jogar dinheiro  público fora, porque já sabemos o resultado. Não vejo muito sentido. E,  além desse argumento econômico, nós temos um argumento de mérito.  Direitos fundamentais... Não se deve fazer plebiscito sobre direitos  fundamentais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O sr. diria que dos 513 deputados, 81 senadores, se o sr.  tivesse que dizer hoje... Imagino que o sr. não tenha a contabilidade  exata, mas o sr. acha que a metade já mais ou menos entende, mais da  metade dos congressistas entendem a causa, entendem a causa como um  direito que tem que ser garantido, é constitucional, ou ainda não? Há  muito desconhecimento a respeito?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Olha, eu não saberia precisar quantidade. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Mas a sua impressão assim. O sr. acha que a metade hoje em dia pelo menos vê com simpatia ou ainda não?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Eu acho que a metade vê com simpatia. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: E na hora de votar?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Eu acho que mais da metade está propensa a entender  essas demandas como uma extensão de cidadania, como uma extensão de  direitos. Eu acho que há uma quantidade de deputados que silenciam em  relação a essa questão, que preferem não se colocar. Porque a grande  maioria dos deputados sabe do custo eleitoral dessa causa. A maioria dos  deputados sabe como seus inimigos políticos, em seus municípios, em  seus Estados vão utilizar o envolvimento deles nessa causa contra eles. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Quem são os inimigos declarados da causa LGBT no Congresso o sr. diria?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Olha, você quer nomes, é isso? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: É, ué.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Eu acho que de alguma maneira toda a Frente  Parlamentar Cristã, ela é contrária à cidadania LGBT. Nós temos nessa  frente parlamentar gente com quem a gente pode dialogar, que está  disposta ao diálogo. Por exemplo: foram fundamentais essas pessoas com  as quais a gente pode dialogar, elas foram fundamentais para que o  Estatuto da Juventude fosse aprovado com o termo "orientação sexual",  com a ideia de diversidade, de diversidade sexual e diversidade de  orientação sexual. Ainda bem que nós temos nessa frente gente com quem a  gente pode dialogar. Porque ela não vai poder ser ignorada, porque ela  representa uma parcela considerável da população brasileira. Mas eu  diria que, tirando essas pessoas com quem a gente pode dialogar, de uma  maneira muito, claro, generalizando, eu posso dizer que o grande inimigo  dessa pauta LGBT é essa frente [cristã]. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O sr. é filiado ao PSOL. Em 2009, se não estou enganado, foi sua filiação.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Isso. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O sr. já foi filiado a algum partido antes?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Não. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: E qual é a sua identificação ideológica com o PSOL?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; [risos] Eu nunca fui filiado a partido nenhum antes  do PSOL, tinha uma simpatia pelo PT, venho do movimento pastoral da  Igreja católica, depois ingressei no movimento gay, que hoje é chamado  de movimento LGBT. E sempre tive uma simpatia com o PT, porque o PT era o  partido que se abria para essas causas, para as causas impossíveis.  Quando decidi me filiar, eu comparando a atuação do PT e do PSOL no Rio  de Janeiro, que é a minha cidade de domicílio, e comparando o programa  dos dois partidos, eu vi que eu tinha muito mais identificação  ideológica e programática com o PSOL, que é um partido socialista. E de  alguma maneira os valores que eu herdei do cristianismo, os valores  cristãos que eu herdei do período em que estive na pastoral, de um  cristianismo perdido, infelizmente, esses valores, essa ética está muito  mais próxima da ética socialista, de justiça social e não há socialismo  sem a ideia de liberdade. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O sr. se interessa por política, pelo modelo de política  que se pratica no Brasil e sobre, talvez, como fazer para aperfeiçoar  esse modelo? O sr. está chegando no Congresso, deve ter visto coisa  certa, coisa errada, o sr. já firmou algum juízo sobre o que poderia ser  feito para aprimorar o modelo de democracia representativa no Brasil?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Não, eu não formei um juízo não. Eu acho que a gente  está num processo tanto interno, no partido, de discussão desse modelo,  quanto externamente com os outros partidos, com os outros  representantes do povo. Discutindo como a gente pode aperfeiçoar nosso  modelo de democracia, nosso processo eleitoral, de forma a acabar, por  exemplo, com o curral eleitoral, com as capitanias hereditárias, de pai  para filho passar o seu prestígio... &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O sr. é a favor, por exemplo, do voto proporcional, como é  hoje, para deputado? É a favor do voto distrital? Tem alguma opinião...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Não, eu não sou a favor do voto distrital. O voto  proporcional eu acho mais... Para mim, por exemplo, que represento uma  minoria, e que represento um movimento social, o voto proporcional é  muito mais vantajoso do que o voto distrital. Sou a favor do voto em  lista, desde que a gente garanta processos de indicação democrática  dentro dos partidos. Sou a favor da candidatura avulsa, que é aquela que  não necessariamente precisa ser através de partido, pode ser através do  movimento social, por exemplo, alguém que não se identifique ideológica  ou programaticamente com nenhum dos partidos disponíveis, mas  representa uma causa, a causa ambiental, a causa LGBT, qualquer... e que  pode vir através do movimento social. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O Congresso Nacional teve sempre poucos, uma minoria de  congressistas, que se identificou com o movimento LGBT, como o sr., teve  um recentemente, que já morreu, que foi o deputado Clodovil [do PR-SP].  O sr. tem alguma avaliação sobre como foi a atuação dele como deputado?  Ele ajudou ou não ajudou nesse caso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Eu não tenho uma avaliação, eu não acompanhei o  mandato do deputado Clodovil, e também desconheço a identificação do  deputado Clodovil com a comunidade LGBT. O deputado Clodovil não foi  eleito por essa comunidade nem, em nenhum momento da campanha dele, pelo  que vi, pelo que eu pude acompanhar da campanha dele, em nenhum momento  ele se comprometeu com as demandas do movimento LGBT. O deputado  Clodovil, eu até o conheci em vida, uma pessoa muito simpática, pelo  menos comigo foi muito simpático, foi muito cortes, ele na minha  avaliação assim, todas as ausências são atrevidas, ele não está mais  aqui, então eu me acho até injusto falar isso, porque ele não está aqui  para se defender, mas na minha avaliação, o deputado Clodovil tinha  muita homofobia internalizada, de modo que ele não tinha uma relação  orgulhosa com sua própria orientação sexual. Então não foi uma, nem duas  vezes que ele se posicionou contra as paradas do orgulho gay, não foi  uma nem duas vezes que ele se posicionou contra o pleito do casamento  civil igualitário. Portanto ele não tinha uma relação, nem mesmo com a  comunidade mais ampla LGBT, nem com o movimento. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Tem algo que o incomoda na Câmara? No dia a dia, na rotina?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Olha, não. Talvez o que me incomode sejam as  ausências, por exemplo, nas comissões. Isso me incomoda. As ausências,  os pareceristas, os projetos que estão ali para serem votados e que não  são votados porque o relator não está presente porque ele deveria dar o  parecer, aí tem, que sair da pauta. Essa ausência me incomoda, porque o  processo democrático já é demorado, né. A democracia, ela tem um tempo,  que tem que ser respeitado. O processo democrático já é demorado. Se as  pessoas se ausentam, quando elas são funcionárias públicas eleitas para  servir à população, elas se ausentam dessa tarefa que é a sua obrigação,  isso de alguma maneira... &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: É frustrante?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; É. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: E o que é bom lá na Câmara? O sr. está gostando de ser deputado?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Eu não costumo colocar a coisa entre gostar e não  gostar. Não coloco as coisas nesses termos não. Eu me candidatei por uma  causa, por uma razão. Eu apresentei pretensões durante a minha  campanha, e propostas que eu quero concretizá-las aqui. Então mais do  que gostar ou não gostar, eu acho que alguém com o meu perfil, não  necessariamente eu, mas alguém com meu perfil era necessário. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: A essa altura da sua carreira como deputado, o sr. diria  que quatro anos serão suficientes, o sr. acha que, se for necessário,  gostaria de ficar mais um ou mais períodos para fazer alguma coisa nessa  área?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Não. Não sei dizer. Eu não gosto de fazer  futurologia. Eu gosto de fazer bem esse mandato. Eu fui eleito graças à  conjunção dos astros. Graças à nominata do meu partido que permitiu que  dois deputados entrassem. Um que foi super bem votado, que foi o  deputado Chico Alencar [do PSOL-RJ] e outro que fui eu, que fui o  segundo mais votado [do PSOL-RJ], que fiz uma campanha invisível, uma  campanha sem recursos, como são a maioria das campanhas de esquerda  nesse Brasil, que não contam com financiamento público, que não têm...  Ainda mais eu que não tinha mandato, portanto... Mesmo com essa campanha  invisível consegui ser o segundo mais votado, graças a essa conjunção  dos astros, eu quero fazer o melhor mandato possível. E fazer o melhor  mandato possível é servir bem à população que me elegeu, é tentar  concretizar as minhas pretensões e propostas de campanha. Então nesse  sentido, mais que gostar ou não gostar de ser deputado, eu acho que eu  sou necessário na Câmara dos Deputados. Eu acho que alguém ali,  homossexual assumido como eu, que tem uma relação orgulhosa com a minha  identidade sexual, com a minha identidade de gênero, com a minha  orientação, e que estou habilitado para promover um debate, para elevar o  nível do debate em relação às políticas LGBTs, eu acho que uma pessoa  assim é necessária. E não precisa ser necessariamente eu. Eu só estou  dizendo que alguém com esse perfil é necessário. A política de direitos  humanos é muito rebaixada e, em especial, dentro da política de direitos  humanos, a política LGBT é muito rebaixada. É considerada como uma  baixa política. Quase sempre alvo de sensacionalismo, quase sempre alvo  de histrionismo e de desrespeito por parte da imprensa. Então eu acho  que promover um debate de qualidade que traga essa discussão para um  nível mais lato é por demais importante. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Fernando Henrique, Lula e agora Dilma. De maneira bem  breve, o sr. poderia falar alguma coisa sobre cada um desses três  presidentes? Gosta, não gosta... Se foram bons presidentes ou maus  presidentes?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Fernando Henrique Cardoso fez a minha cabeça como  sociólogo assim em algum momento. Por exemplo, eu sou professor de  cultura brasileira e o trabalho que o Fernando Henrique fez com o  Florestan Fernandes revelando que o Brasil não era uma democracia racial  foi fundamental para minha formação intelectual e minha formação como  sujeito. Eu respeito e admiro Fernando Henrique como intelectual. Como  presidente, não gostei da gestão. Embora reconheça que ele tem o mérito  importantíssimo que foi a estabilidade da moeda e da economia, que  serviu de plataforma para o governo Lula, que todos eles, que você  citou, é o que mais me inspira. É com quem eu mais tenho identificação.  Porque Lula tem uma história de vida muito parecida com a minha. Veio do  Nordeste, eu da Bahia, ele de Pernambuco, filhos de uma mãe que teve  que ralar muito para criar a gente. Eu que estudei em escola pública,  que tive que trabalhar aos dez anos de idade, tenho uma identificação  com esse homem que venceu a subalternidade, a pobreza e se tornou  presidente do Brasil. E foi, sem sobra de dúvidas, com todas as  concessões que ele fez ao capital financeiro, com todas as concessões  que ele fez aos poderes, à elite, para usar um termo que ele gosta de  dizer, apesar de todas as concessões que ele fez às elites econômicas,  foi o melhor dos nossos presidentes. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: E Dilma?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; [Sobre] Dilma não tenho uma avaliação feita ainda.  Eu acho que a presidenta Dilma, eu tinha muitas expectativas em  relação... Eu tinha muitas expectativas em relação a esse primeiro ano  do mandato da presidenta Dilma. E ela ficou muito abaixo dessas  expectativas sobretudo no que diz respeito a algo que ela disse lá  quando ela foi levar a mensagem ao Congresso Nacional... &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Folha/UOL: Por quê?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Ela disse que o governo dela seria pautado pela  defesa intransigente dos direitos humanos. Não vi nesse primeiro ano.  Tudo bem, é um primeiro ano. Eu não vi essa defesa intransigente, muito  pelo contrário. Então eu não tenho ainda uma avaliação sobre a  presidenta. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Por quê? O sr. teve algum contra exemplo nesse caso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Tenho. Por exemplo, a própria suspensão do projeto  Escola sem Homofobia por parte da presidenta Dilma, inclusive no momento  da suspensão, ela deu uma declaração pública, ela disse que o governo  não serviria à propaganda a opção sexual nenhuma. Isso para mim revelou  um profundo desconhecimento da presidenta dessa demanda histórica do  movimento LGBT, da ideia de que nós não optamos pela nossa orientação  sexual, não é uma questão de opção... &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O Escola sem Homofobia é aquele que foi mencionado muitas  vezes na mídia como 'kit homossexual', 'kit gay', alguma coisa assim.  Era isso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; É. O 'kit gay' foi uma expressão cunhada pelo  deputado Jair Bolsonaro [do PP-RJ], que é um opositor da dignidade, não  só da cidadania, mas da própria dignidade homossexual. Aliás, o deputado  Jair Bolsonaro não é só inimigo da comunidade homossexual. O deputado  Jair Bolsonaro é a favor da ditadura militar, por exemplo, é contra a  instalação da comissão da verdade, já propôs que o Fernando Henrique  Cardoso fosse metralhado... Enfim, é dessa pessoa que nós estamos  falando. Foi essa pessoa que cunhou o termo 'ki gay', que parte, setores  da mídia hegemônica assimilaram. Parte dessa mídia assimilou esse  termo. Mas eu não gosto desse termo. Porque não se trata de um 'kit gay'  se trata de um projeto, de uma política pública contra o bulling  homofóbico nas escolas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O sr. acha que a presidente Dilma aí fraquejou?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Houve um contexto para esse fraquejamento. O momento  em que ela suspendeu o projeto Escola sem Homofobia foi exatamente o  momento em que o então ministro da Casa Civil, o Palocci [Antonio  Palocci], estava sendo acusado de enriquecimento ilícito. E houve uma  ameaça por parte dos parlamentares dessa bancada [contrários ao projeto]  de convocar o ministro para se explicar no Congresso Nacional se ela  [Dilma] não suspendesse o projeto Escola sem Homofobia. Tem a famosa  frase do deputado Anthony Garontinho [dp PR-RJ] do Rio de Janeiro que  disse que eles tinham na mão um diamante. Que o Palocci representava um  diamante para negociar com o governo o que eles queriam. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: O sr. ganhou notoriedade participando do programa "Big  Brother" em 2005. Passados alguns anos essa sua participação ainda é  presente na sua vida, as pessoas ainda o abordam muito por causa disso,  fazem perguntas? E que tipo de avaliação o sr. faz desse programa que  continua no ar, é longevo, está aí até hoje?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; Olha [risos], o programa está presente na minha vida  porque eu venci o programa e eu tenho muito orgulho de ter feito o  programa. Eu tenho muito orgulho da maneira como eu, digamos assim,  transformei, a minha presença naquele programa transformou de alguma  maneira a relação da audiência com ele. Tenho muito orgulho disso. Hoje  em dia as pessoas não me param por causa do programa, porque essa  exposição como político, como deputado, acabou suplantando de alguma  maneira a participação. Mas eu tenho muito orgulho de ter feito. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Acho que o programa "Big Brother" tem que ser encarado como uma partida de futebol. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Folha/UOL: Como assim?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jean Wyllys:&lt;/b&gt; É uma disputa pública, uma gincana de pessoas por um  prêmio, transmitida pela televisão, como uma partida de futebol. É tão  edificante quanto uma partida de futebol. Mobiliza tantas paixões quanto  uma partida de futebol. Talvez movimente menos dinheiro e menos  interesses do que uma partida de futebol. Mas eu preferia encarar dessa  maneira. É entretenimento, como é o futebol. Porque, como diz o Chico  Buarque, a gente também vai se divertindo, porque sem diversão ninguém  segura esse rojão. Ainda mais uma população como a nossa. Grande parte  dela, a maior parte dela só tem acesso a entretenimento através dos  meios de comunicação de massa, da televisão. Porque o teatro custa caro  nesse país. Porque ópera custa caro nesse país. Mesmo as artes vivas, o  circo... Se a gente for pensar o Cirque du Soleil, não é todo mundo que  tem acesso a isso. Então as pessoas não são porcos para viverem só de  comida. E se a gente vive num Estado em que a diversão das pessoas só  acontece através daquilo que a televisão oferece, que pelo menos tenha  isso. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-3894429322258762574?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/3894429322258762574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=3894429322258762574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/3894429322258762574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/3894429322258762574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/12/jean-wyllys-continua-surpreendendo.html' title='Jean Wyllys continua surpreendendo'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Ig5sXYUUj-w/TviikUyf57I/AAAAAAAAEOs/ppdNcka40So/s72-c/jean%2Bwillys%2B00a208590caa4d8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-7526225366233266513</id><published>2011-12-24T12:58:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T06:32:11.494-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Dean Moriarty</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-d_2Rdo3OgBU/TvY9Q6tfEoI/AAAAAAAAENw/dI01ngPjvTo/s1600/neal1large.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 233px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-d_2Rdo3OgBU/TvY9Q6tfEoI/AAAAAAAAENw/dI01ngPjvTo/s400/neal1large.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5689802540076438146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fui apresentado recentemente, através da leitura do clássico “on the road”, a Dean Moriarty, um daqueles personagens eternos e fascinantes que povoam a história da literatura mundial, digno de ocupar o mesmo panteão onde estão Ahab, de “Moby Dick”, Raskólnikov, de “crime e castigo” e a nossa Emilia, do “Sítio do Pica-pau amarelo”, dentre outros. Baseado na figura real de Neil Cassady, escritor "beat", ele é o rolo compressor incansável atrás do qual está sempre o autor da narrativa, Jack Kerouak, aqui atendendo pela alcunha de Sal Paradise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo o livro, uma pergunta não me saía da cabeça: Como diabos não fizeram ainda um filme adaptando esta história? O papel de Dean Moriarty já teria um dono certo, a meu ver: Dennis Hopper. Era a imagem dele que me vinha a mente sempre que o texto discorria sobre aquele maluco sedutor irresistível que todos sabiam ser um canalha mas quase ninguém conseguia odiar, ou mesmo evitar. Uma daquelas pessoas que possuem uma personalidade magnético em torno da qual gravita um séqüito de seguidores devotados, e o mais célebre e devotado deles era, justamente, Jack kerouak/Sal Paradise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarde demais: Hopper já morreu. Mas os planos de uma adaptação para o cinema seguem vivos, desta vez num projeto confuso que está nas mãos do cineasta brasileiro Walter Salles. Reza a lenda que as filmagens já terminaram e o filme entrará em cartaz no ano que vem. No papel de Dean, um tal de Garrett Hedlund. Sua namorada (e amante de Sal), Marylou, será vivida por Kristen Stewart, a “Bela” da saga Crepúsculo. Seja lá o que Deus quiser ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“On the road”, que recebou o subtítulo “pé na Estrada”, no Brasil, é um relato das viagens do alter ego de seu autor pelas rodovias norteamericanas no final dos anos 40 e  início dos anos 50. Tudo gira em torno de Dean, pelo qual Sal, o narrador, é absolutamente fascinado. É Dean que o tira da letargia da vida pacata e monótona de classe média na costa leste para cair na estrada, sempre rumo ao oeste, do atlântico ao pacífico, à toda velocidade em carros possantes nem sempre adquiridos de forma legal – Dean é um ladrão habilidoso. É também um louco, que não hesita em abandonar seus amigos e companheiras nas piores situações quando lhe dá na telha, para reaparecer do nada algum tempo depois e voltar a seduzi-los com a promessa de novas aventuras. É assim durante toda a narrativa. Dean Moriarty parece incansável, e Sal Paradise está sempre na sua cola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi assim na vida real, evidentemente. Chegou uma hora em que Kerouac, aparentemente, cansou. Normal: (quase) todo mundo cansa. De tudo. Cansou da estrada e de tudo o que sua célebre obra-prima literária provocou: uma verdadeira revolução comportamental que culminou no verão do amor hippie e, posteriormente, no niilismo da “geração x”, aquela que não tinha futuro. Desiludido e solitário, foi morar com a mãe em Long Island. Sob a influência da matriarca, o vigor deu lugar ao cansaço e o escritor que inspirou os loucos e rebeldes de todo o mundo (ocidental, principalmente) revelou-se um católico conservador resmungão cuja vida resumia-se a sentar no sofá o dia inteiro assistindo a programas de auditório pela TV. Morreu cedo, aos 47 anos, na Florida, para onde se mudou com a última esposa e a mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Neal Cassady eu não diria que "cansou", mas certamente tentou, em vários momentos, atender aos apelos de suas companheiras e levar uma vida mais sossegada, mais equilibrada, mais responsável, enfim - afinal ele tinha filhos para criar. Mas nele o apelo da estrada parecia ser mais forte, portanto continuou sua saga alucinada e chegou a se unir, nos anos 60, aos célebres Merry Pranksters, um grupo de amigos que percorria os Estados Unidos divulgando seus experimentos com LSD. Morreu em 1968, em decorrência de uma mistura fatal de drogas e álcool, logo após sair de uma festa de casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por Adelvan&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-7526225366233266513?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/7526225366233266513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=7526225366233266513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/7526225366233266513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/7526225366233266513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/12/dean-moriarty.html' title='Dean Moriarty'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-d_2Rdo3OgBU/TvY9Q6tfEoI/AAAAAAAAENw/dI01ngPjvTo/s72-c/neal1large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-481312466762520699</id><published>2011-12-16T05:49:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T03:00:12.182-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrinhos'/><title type='text'>5 Anos sem Joacy Jamys</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cF-3fBYsHEA/TutNljoj93I/AAAAAAAAENY/sjcJybnSzC8/s1600/jamys2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 269px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-cF-3fBYsHEA/TutNljoj93I/AAAAAAAAENY/sjcJybnSzC8/s320/jamys2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686724262101251954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nunca encontrei Joacy Jamys pessoalmente, mas ele era meu amigo. Amigo à distancia de uma época pré-internet, quando nos comunicávamos via correio ou telefone. Trocamos várias longas cartas e alguns igualmente longos telefonemas, nos quais falávamos dos nossos interesses em comum e também de nossas discordâncias num clima de camaradagem, sem estresse.  Os assuntos em comum eram geralmente o rock underground e os quadrinhos. As divergências ficavam no campo político: ele era um punk anarquista convicto e eu um simpatizante do PT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2NTt6kTW7pg/TutNyht4wbI/AAAAAAAAENk/Zb7vAmtVfk4/s1600/aaah%2B5.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 265px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-2NTt6kTW7pg/TutNyht4wbI/AAAAAAAAENk/Zb7vAmtVfk4/s400/aaah%2B5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686724484925014450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Jamys era um artista “underground”, portanto pouco conhecido na chamada “grande mídia”, mas bastante reconhecido no cenário alternativo dos quadrinhos e do movimento punk. E foi justamente quando eu comecei a me aventurar por estas paragens inóspitas que o conheci : ele já era um veterano quando eu estava dando meus primeiros passos. Adorava receber seus zines, tanto as voltados para a musica, como o “Sociedade dos Mutilados”, quanto os dedicados aos quadrinhos, como o “Legenda” e o “Singularplural”. Admirava muito sua competência e consistência, apesar da eterna tosquice. Sim, porque as cópias de suas publicações e as gravações das bandas das quais participava eram sempre toscas, mas por trás daqueles ruídos quase inaudíveis e daquelas páginas xerocadas em máquinas vagabundas havia muito conteúdo – especialmente os desenhos, sempre muito bons, com um traço sinuoso e elegante. Das bandas, confesso que não gostava muito. A que mais me agradou foi a Última Marcha, a última (sic) da qual participou. Já a Estrago e a Terror Terror eram “feijão com arroz” demais, aquele punk rock panfletário musicalmente pobre e clicheroso até a medula. Nunca deixei, no entanto, de admirar sua persistência e convicção de idéias, algo sempre importante, especialmente nesses tempos confusos em que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joacy morreu há exatos 5 anos, no dia 16 de dezembro de 2006. Era carioca de nascença (1971) mas radicado no Maranhão desde os 14 anos. Em seus 35 anos de vida deixou um currículo lotado de Quadrinhos modernos e música revoltada, além de exemplos de solidariedade, generosidade e, sobretudo, muita atitude.  Viverá para sempre na memória e no coração de todos os que o conheceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, uma entrevista conduzida em 2004 por Ademir Pascale para o site Cranik:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademir Pascale: O que você acha do Gênero Fantasia-Fantástica nos dias atuais?&lt;br /&gt;Joacy James: Quase não existe mais a produção no Brasil. Depois da Art &amp;amp;Comics, muitos de nossos artistas enveredaram e adaptaram suas HQs para tentar uma chance no mercado dos Estados Unidos. Muitos zineiros novos seguiram (e seguem) esta meta, sempre tentando fazer trampos voltados para conseguir um contrato (de escravidão, na maioria das vezes, servem de mão-de-obra barata do Terceiro Mundo, da globalização, pois o tal mercado paga bem abaixo do valor real para artistas estrangeiros). Porém, outros muitos continuam firmes, inclusive os “novatos”. O mangá também invadiu o mundo, mexeu até com o mercado europeu. A gurizada se vicia nisto tentando adaptar culturas que não compreendem/vivem. A própria fantasia-fantástica é da escola franco-belga, Moebius, Caza e tal. Foi minha influência no começo quando adolescente. Mas, fiz uma adaptação para minha realidade e eles reconheceram isto lá, quando comentavam meus trabalhos na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fantasia-fantástica perdeu muito de seus expoentes no Brasil. Mas, outros continuam produzindo outras linhas autorais e expressionistas, como Andraus e Edgar Franco. Contudo, a Fantasia quase não se tem mais desenhistas fazendo, eu mesmo estou produzindo aos poucos. Adoro este gênero. Também existem outros gêneros/linhas que foram perdendo sua força, como fazia Alberto Monteiro, Ricardo Borges, Hermuche e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademir Pascale: Poderia comentar sobre o Zine Legenda?&lt;br /&gt;Joacy James: Ele é o primeiro de quadrinhos no Maranhão e ainda resiste. Desde 1990, seguiu a linha editorial autoral, onde um autor tem uma coletânea de seus trabalhos e a apresenta. Depois lancei o Legenda Comix, que segue a linha mista, HQs nacionais e estrangeiras (não pirateadas, mas que autores enviam), notícias, entrevistas, artigos etc. O mais atual é o nº 27, com coletânea de meus trabalhos chamada “Canciones de sangre”, só HQs na linha existencial, tristes...muitas inéditas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademir Pascale: E o que você diz sobre a primeira edição de quadrinhos pós-modernos Brasileiros?&lt;br /&gt;Joacy James: O Flávio Calazans sempre está incentivando e estudando, pesquisando e dando conceitos sobre trabalhos que acha interessante. Isto é bom. Vejo que ele sempre teve uma atenção com meus trampos. Quando lancei o “Legenda 20 – Contos Fictícios”, que reuniu em 1990, 20 HQs desta série de fantasia-fantástica, ele tratou-a como “pós-moderno”. Este zine está entre os três principais títulos publicados até hoje no Brasil, ao lado de “Psiu Mudo” (Edgar Guimarães) e “Guerra das Idéias” (Calazans), tem outros ainda que não podem ser esquecidos como “Psiu Mudo” e “Psiu Ecologia”. É uma pena não termos mais iniciativas editoriais como estas, de grandes zines que realmente mudam coisas, que infincam idéias e mostram que há trabalhos inteligentes com quadrinhos de qualidade. Lembro ainda das edições do Henrique Magalhães, do Worney , do Calazans e Edgard Guimarães.&lt;br /&gt;O Legenda 20 – Contos Fictícios, ainda virou material de estudo na USP e UFMS. Em breve estarei lançando a 2ª parte desta minha série, que chegam a 35 HQs, publicadas em diversos zines brasileiros e Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademir Pascale: Como surgiu o grupo “Singularplural”?&lt;br /&gt;Joacy James: Reunião de alguns adolescentes e fanzineiros em 1989, que queriam não só ficar produzindo quadrinhos e zines, mas montar uma associação. Como tínhamos poucos autores, o jeito foi criar um grupo, como propôs o Iramir. Desde 1991, a formação mudou muito, primeiro foi o nome Grupo de Risco para Singularplural Quadrinhos (Singularplural era o nome do zine do Grupo de Risco, que na verdade foi um “marco”, digo porque publicava mais de 25 quadrinhistas por edição e foi o primeiro a divulgar o cenário de quadrinhos, eventos e grupos do mundo no Brasil – não existia internet! Tudo pesquisado por mim...êta, como não tenho modéstia! Desculpem estas falhas humanas. Veja quantas citações o Henrique Magalhães fez em seu livro “Rebuliço Mundo dos Fanzines” (desculpe se o título certo não é este). Abria os capítulos sobre “fanzines” com citações em matéria publicada em nosso zine. Mais de uma década depois, ele lembra disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademir Pascale: Além de produzir quadrinhos e ilustrações, você ainda é vocalista da banda anarcopunk Última Marcha, e mantém a distribuidora/selo “Grito Punk Prod”, também organiza eventos de quadrinhos e shows punks. Como você organiza todas essas tarefas no seu dia-a-dia?&lt;br /&gt;Joacy James: Ainda tenho família e trampo o dia inteiro. Todos sempre perguntavam sobre isso do meu tempo e conciliação. Digo que é teimosia e insatisfação. Insatisfeito em ficar parado, em não poder somar com nada. Quando tudo isto vira sua vida, fica mais fácil e prazeiroso em fazer. Você não se cansa. Além do que citou, ainda colaboro com zines (e agora sites), faço diversos sites, respondo trocentas cartas do Brasil e exterior, produzo quadrinhos, cartuns, fanzines, revistas e ainda bebo cachaça com os(as) amigos(as) no final de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademir Pascale: Poderia comentar sobre os concursos e exposições no qual participou e ainda participa?&lt;br /&gt;Joacy James: Ganhei Menção Honrosa no Concurso de Carlos Barbosa/RS (HQ) e Mostra de Humor do Maranhão (cartum). Participei de exposições em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Maranhão, Piauí, Portugal, Cabo Verde e etc. Sejam exposições de quadrinhos, cartuns e zines.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademir Pascale: Fiquei sabendo que você já Publicou na Espanha, Dinamarca, Portugal, França, Polônia entre outros lugares. Como o seu trabalho é visto fora do Brasil? Quais são os comentários dos críticos?&lt;br /&gt;Joacy James: sempre recebo bons comentários. Agora mesmo, o editor da Atomik (França) elogiou bastante uma tira que publicou na revista dele em 1995! Disse que surtiu ótimo efeito entre os leitores. Com a fantasia-fantástica, produzi muitas HQs sem diálogos, ficando fácil publicar no exterior. Algumas HQs são em inglês e espanhol. A PLG (uma das maiores associações de quadrinhistas franceses),tratou meus trabalhos como o “Moebius” brasileiro. Sempre mantive bons contatos com os estrangeiros e tive diversos trabalhos lá, até um especial em Portugal. Também sempre enviei trabalhos de brasileiros para o exterior, eles adoram. Preferem raízes, não adaptações de mangás e super-heróis, todos cansam disso. Olha que gosto de muitos mangás e super-heróis melhores produzidos (atual Demolidor e Hulk, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademir Pascale: Qual é a sua visão dos desenhistas nos dias atuais no quesito “criatividade”?&lt;br /&gt;Joacy James: meio à meio. Temos ótimos quadrinhistas e argumentistas. O pessoal evoluiu muito, falando sério. Invejo muitos jovens que estão arrebentando. Aqui em São Luís mesmo, tem um pessoal novo que detona. Até o pessoal que está produzindo super-heróis e mangás, estão bons. Infelizmente, muitos se pasteurizaram, ficando bonitinhos demais e estão atolados em temas que não somam com nada, transformando ARTE em apenas PRODUTO. O Brasil está cheio de artistas-produtos, preocupados com elogios e status em grupos fechados. Mas, tem outros que mantém trabalhos coerentes e interessantes. Veja o pessoal da revista Graffiti (MG), Front (SP), Ragú (PE), Fúria (MA) e outros. Tem gente boa por aí, sim. Veja os sites. Tem coisas bem trabalhas e produzidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.cranik.com/entrevista10.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-481312466762520699?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/481312466762520699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=481312466762520699' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/481312466762520699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/481312466762520699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/12/nunca-encontrei-joacy-jamys.html' title='5 Anos sem Joacy Jamys'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-cF-3fBYsHEA/TutNljoj93I/AAAAAAAAENY/sjcJybnSzC8/s72-c/jamys2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-4367493059362005154</id><published>2011-12-01T13:39:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T03:01:44.567-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='generalidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock'/><title type='text'>Goiânia Noise</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-NDTYnSe6uUA/Ttf1EvDTvbI/AAAAAAAAEMo/jzeNPDD3L6Y/s1600/goiania%2Bananhguera%2Bpb%2B6296830882_35d7a94c10_b.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-NDTYnSe6uUA/Ttf1EvDTvbI/AAAAAAAAEMo/jzeNPDD3L6Y/s320/goiania%2Bananhguera%2Bpb%2B6296830882_35d7a94c10_b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5681278916649794994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);"&gt;(recordar é viver)&lt;/span&gt;  Sempre tive bons contatos e ainda melhores amigos em Goiânia e, muito  por conta disso, nutria desde tempos imemoriais uma vontade de, um dia,  aparecer por lá. Aconteceu, finalmente, em novembro de 2003,  aproveitando a data para conferir, “in loco”, mais uma edição do Goiânia  Noise Festival – minha primeira e, pelo menos por enquanto, última vez.     &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era bem mais barato ir daqui (Aracaju) pra São  Paulo e de lá para Goiânia, então foi o que fiz, me programando para, já  que teria que passar por lá mesmo, ficar uma semana (das duas que tinha  disponíveis) na terra da garoa. Não sem antes fazer uma volta absurda,  parando primeiro em Maceió e depois em Petrolina, Pernambuco (o  aeroporto de Petrolina parecia um sítio, apenas uma casinha no meio de  um descampado)! Coisas da finada BRA ...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Não conhecia absolutamente nada de Goiânia, por  isso entrei na net para pesquisar pontos turísticos e coisa e tal. Não  achei praticamente nada, a não ser uma estátua de Ananhguera* que parece  ser, realmente, um ponto de referência. Bom, pelo menos eu senti que  estava finalmente na capital de Goiás ao me ver em frente ao referido  monumento.     &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O centro da cidade é  interessante, lembra um pouco Aracaju no sentido de haver uma curiosa  mistura de cidade grande com aquele clima de interior: num momento você  está numa avenida enorme e movimentadíssima cercade de prédios, mas  então vira uma esquina e se depara com uma rua só de casas onde as  pessoas ainda se sentam na porta para conversar. É legal isso. É  aconchegante, como aconchegante foi o hotelzinho 5 cruzes onde eu me  hospedei até conseguir finalmente entrar em contato com meu camarada de  longa data Marcio jr., na casa de quem ficaria.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Aproveitei para freqüentar dois cinemas de rua que ainda existiam por lá  – sempre aproveito essas viagens para ver filmes em cinemas de rua nas  cidades que porventura ainda os tenha. Vi a parte final de “Matrix” em  um e o filme d’Os Normais” em  outro. Nada de muito incrível, nem os  filmes, nem os cinemas, mas tava valendo. O que mais me impressionou, no  entanto, foi a incrível quantidade de sebos, de livros e de discos, que  havia na cidade. Até me arrependi de ter gastado quase toda a minha  grana em Sampa, já que vi coisas bem mais interessantes e, mais  importante, mais baratas, por lá.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas vamos ao festival: Lá vi, pela primeira vez, o  Matanza, ainda não tão famoso. Grande show. Grandes shows também fizeram  o Relespública, de Curitiba; Os Astronautas, de Recife; o Mukeka di  rato, do Espírito Santo (este com direito à presença de uma vaca  cenográfica que eles capturaram de um depósito ao lado no palco);  Walverdes, de Porto Alegre, e Autoramas, do Rio. Das bandas locais  destacaria O Mechanics, que são sempre bons, especialmente ao vivo, Hang  The Superstars e MQN. O MQN foi mais que bom, foi ótimo – Fabrício  Nobre é um ótimo performer e tem o público na mão. Me lembro da  preocupação dele com um gordinho (maneira de dizer, o cara era OBESO,  MUITO GORDO) do publico que, me parece, teve um ataque cardíaco durante o  festival ...    &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Já excelentes foram os shows  do Ratos de Porão, dos Retrofoguetes, de Salvador – estes são sempre  ótimos, é até covardia comparar – e, principalmente, do Guitar Wolf,  legendária formação de garage rock do Japão. Merecem, inclusive, um  parágrafo à parte ...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não foi bem um show,  foi uma perfomence regada e muito barulho e insanidade. Os caras, pelo  que lembro, praticamente não tocaram nenhuma musica inteira - apenas  começavam algum riff e partiam pra ignorância, para a microfonia pura e  simples, se contorcendo e se jogando no palco e/ou oferecendo os  instrumentos para que o publico tocasse, no que foram atendidos diversas  vezes. Musicalmente caótico, mas valeu pela catarse coletiva. Foi  divertido. Aliás, os caras são muito divertidos: São rock and roll até a  medula! Saí com eles e uma galera pra bater um rango num boteco depois  do show e ficava impressionado com o cuidado que eles tinham com os  topetes e com a quantidade de fotos que os pessoas que os acompanhavam  tiravam. Era foto de tudo: do cardápio do bar, dos copos, das mesas, dos  pés, do cachorro que passava pela rua ...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um  registro: vi também o Mundo Livre S/A, e foi estranho ver o Mundo Livre  S/A fora do Recife, ou do nordeste. Mas de repente não foi nem isso, já  que o Mundo Livre é meio estranho mesmo: às vezes fazem shows  sensacionais, outras vezes nem tanto. Foi lá também, no Jóquei Clube de  Goiás, uma das ultimas vezes em que eu caí no pogo, ao som do crustcore  preciso dos candangos da Terror Revolucionário, banda capitaneada pelo  herói da resistência Fellipe CDC, meu amigo de longa data. Foi muito bom  revê-lo, assim como foi rever Renzo (com o qual esbarrei em plena roda  de pogo) e Phu, ex-DFC. Perguntei pelo Túlio e Phu respondeu que “Túlio é  playboy, não vem pra esses rocks não”.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi  muito bom também rever, mesmo que brevemente, meu amigo de fé, irmão e  camarada Oscar F., hoje Fortunato, artista plástico conceituado na  cidade. E conhecer pessoalmente, finalmente, alguns grandes  correspondentes dos tempos das cartas e zines, como o (então) casal  Eduardo e Lorena D’Allara, dos Resistentes – que também tocaram no  festival. Eduardo era impressionante, uma verdadeira enciclopédia viva  de punk rock nacional. Era também meio esquisito, tinha uns tiques  nervosos com sanduíches com maionese, por exemplo, mas normal. “De  perto, ninguém é normal”, já dizia Caê. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bem  legal também participar dos bastidores do evento – Almoçar arroz de  pequi com pimenta com os Retrofoguetes, relembrar o Punka com Gabriel do  Autoramas, os tempos do rock alagoano com Wado (que eu não lembrava que  eu já conhecia do tempo em que andava por lá com os caras da Living In  the Shit), ouvir as merdas do Finatti e as reclamações do Gordo do Ratos  - especialmente quanto à viagem de avião, que também foi pela BRA. De  “quebra”, me batí com Pompeu, do Korzus, que era técnico de som do  Ratos, e com Juninho, o baixista, que me reconheceu e foi logo cantando  algumas singelas composições da minha banda de grindcore pornográfico, a  120 Dias de Sodoma, que ele havia conhecido algum tempo antes quando  havia tocado aqui em Aracaju com a Discarga.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Amanhã começa mais uma edição do Goiânia Noise. É a décima sétima (a que eu fui foi a nona). Não vai dar pra mim, mais uma vez, mas tenho saudades. Qualquer dia apareço de novo por lá ...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;por Adelvan&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;# # #&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;* Goiás tira seu nome  dos extintos índios Goyazes, que eram considerados  bonitos, de pele  clara, acolhedores e de trato ameno. E por isso mesmo  tomaram na  tarraqueta. Os Goyazes dominavam uma grande região às  margens do Rio  Araguaia. Viviam tranqüilos, pescando e dormindo. Até  que lá pelo século  XVII, atrás de ouro, pedras preciosas e escravos,  chegaram os  bandeirantes paulistas. Em 1647, o sanguinário Manuel  Correia encontrou  ouro em quantidade considerável na terra dos Arais.  Regressou a São  Paulo levando uma penca de índios, que eram torturados  das formas mais  absurdas.&lt;br /&gt;Sabendo do ouro e das índias bonitonas, outros bandeirantes   sanguinolentos despencaram para cá: Francisco Lopes Benevides,   Francisco Ribeiro de Morais, Jerônimo Bueno, João Martins Heredia,   Antônio Ribeiro Roxo, entre outros elementos de pouca cultura e moral.&lt;br /&gt;Tentaram  alcançar o cerradão. Mas cobra, onça, índio bom de flecha,  mosquito,  enfermidades e o calor insuportável desviaram essa corja rumo  ao Pará,  Pernambuco e Bahia. Outros foram para o Sul. E alguns, sem  querer,  acabaram voltando para São Paulo. E os Goyazes haviam tirado o  seu da  reta por mais um tempo.&lt;br /&gt;Até que em 1682, o malcheiroso Bartolomeu  Bueno da Silva resolveu  seguir o rastro deixado por Manoel Correia,  trazendo seu filho  infelético de mesmo nome. Bartolomeu era sobrinho do  nefando Amador  Bueno, irmão de Jerônimo Bueno, o qual a indiada encheu  de flechas, à  beira do rio Taquari.&lt;br /&gt;O safado alcançou o Rio Vermelho,  onde travou contato com os Goyazes,  que lamentariam para sempre aquele  encontro. Aquela estória de colocar  fogo em um prato cheio de aguardente  para forçar a indiada abrir o bico  e falar onde estava o ouro é  atribuída, segundo o historiador Pedro  Taques, ao bandeirante Pires  Ribeiro, sobrinho de Fernão Dias Paes  Leme. Afirma ele ainda que o  apelido Anhanguera se deva a outra razão.  Imaginem: os Goyazes, lá no  meio do mato, pescando e nadando com suas  índias formosas. Aparece um  homem fedorento, cabeludíssimo, coberto de  piolhos e com um dos olhos  furados. Não deu outra, acertaram-lhe a  alcunha.&lt;br /&gt;Primeira coisa que o  biltre fez foi jogar os Arais contra os Goyazes, aprisionar um monte de  índios e voltar para São Paulo.&lt;br /&gt;1722. Lembram do Anhanguerinha? Pois  é, o sifilítico junto com João  Leite da Silva Ortiz, comandando cem  homens, seguindo o caminho do pai,  descobriram os rios: dos Pilões,  Corumbá, das Almas, Rico e da  Perdição. Uma centena de homens rudes e  violentos no meio do mato não  poderia acabar bem. Brigas, ataques dos  Caiapós e enfermidades deixaram  um monte de paulistas no meio do  caminho. Os que voltaram levaram ouro  que não dava para cobrir os gastos  da expedição. Ainda assim, três  anos depois, o piolhento Anhanguera  Júnior chegou ao Rio Vermelho. Dois  índios velhos o reconheceram e o  caldo entornou. Controlada a situação  com os nativos que queriam  vingança, fez um trato com os índios, que  liberaram seus homens a  fornicarem com as índias. Resultado? Além dos  filhos feios, fundaram os  arraiais de Santana, Barra, Ferreira e Ouro  Fino. Voltando a São Paulo,  mostrou, ao então Governador Antônio da  Silva Caldeira Pimentel, tanto  ouro que o safardana financiou uma nova  expedição.&lt;br /&gt;A Ordem Régia de  14 de março de 1731 outorgou ao Anhanguerinha, filho  de meretriz  portuguesa, a patente de Capitão-mor e governador das  terras por ele  descobertas. Começou então a chegar todos os tipos de  patifes, ladrões e  gente de quinta categoria, atrás de ouro e das  índias. Fundaram as  povoações de Meia Ponte, Santa Cruz e Orixá. Sendo  Goiás longe dos  grandes centros, tinham ouro mas não tinham o conforto  das cidades.  Viviam miseravelmente, cobriam-se com trapos.  Entregaram-se ao vício da  bebida, ao roubo, mataram os Goyazes  dizimando uma boa parte de seus  compatriotas.&lt;br /&gt;Em 11 de fevereiro de 1736, uma Ordem Régia tornou  Goiás comarca  dependente de São Paulo. Nomeou  Agostinho Pacheco Teles  primeiro  Ouvidor-Geral. Pouco depois, Antônio Luís de Távora, então  governador  paulista, elevou o povoado à condição de vila passando a se  chamar Vila  Boa. Mas o pau continuava quebrando e os poucos Goyazes que  restaram  comeram o pão que o diabo amassou na mão dos novos mandatários.  Em  1739, Luis de Mascarenhas instalou o Senado da Câmara, construiu uma   igreja, uma cadeia e uma forca que era “um monumento de pronta justiça   que intentava fazer nos malfeitores”. Os mais chegados à confusão,   arrumaram as trouxas e subiram para o Norte.&lt;br /&gt;Um alvará de oito de  novembro de 1744 tornou Goiás independente. D.  Marcos de Noronha, o tal  de Conde dos Arcos, foi o primeiro governador e  Capitão-General da nova  capitania, em 1749. Seguiram-se a ele vários  governantes que mantiveram a  política de extermínio aos índios. João  Manuel de Melo, José de Almeida  Vasconcelos e Tristão da Cunha Menezes.  Esse último expulsou os Caiapós  das terras onde viviam desde antes do  Descobrimento. Socaram o cacete  nos Xavantes, que fugiram para selva e  lá ficaram isolados por muito  tempo.&lt;br /&gt;Durante o século XVIII, acharam mais ouro e diamantes nas  lavras de  Cocal, Tesouras e Fundão. A casa de fundição, que funcionava  em São  Félix, mudou-se para Cavalcanti, em 1798. Dezesseis anos depois,  uma  nova Carta Régia transformou a então Vila Boa de Goiás em cidade.  Luís  da Cunha Menezes, urbanista, alinhou as ruas, construiu pontes,  criou  as milícias, “pacificou” os Caiapós e começou a dar os contornos  atuais  de nosso Estado.&lt;br /&gt;Em nove de novembro de 1942, uma estátua de  corpo inteiro foi erguida  no cruzamento das avenidas Goiás e Anhanguera,  criação do artista  plástico Armando Zago, com a inacreditável inscrição  “à nobre estirpe  dos Bandeirantes”. Essa homenagem a esse ASSASSINO  permanece lá,  envergonhando um Estado inteiro.  Existem tentativas de  substituir o  abominável genocida por uma estátua de Atílio Correa Lima,  esse sim  merecedor de justa homenagem. A praça do Bandeirante, na  verdade, se  chama Praça Atílio Correa Lima.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;por Oscar Fortunato&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Fonte: &lt;a href="http://plusgaleria.com.br/blog/?cat=1&amp;amp;paged=11"&gt;Plus galeria&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-4367493059362005154?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/4367493059362005154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=4367493059362005154' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/4367493059362005154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/4367493059362005154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/12/goiania-noise.html' title='Goiânia Noise'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-NDTYnSe6uUA/Ttf1EvDTvbI/AAAAAAAAEMo/jzeNPDD3L6Y/s72-c/goiania%2Bananhguera%2Bpb%2B6296830882_35d7a94c10_b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-3601644270176130569</id><published>2011-11-26T20:53:00.000-08:00</published><updated>2011-11-26T21:01:38.387-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>O ódio</title><content type='html'>O flagrante orbitou pelo mundo. E o rosto de uma adolescente de 15 anos  tornou-se a imagem oficial da intolerância racial na América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ódio revisitado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-nnbcJXSxUPU/TtHDBd-sYPI/AAAAAAAAELs/W7lrL1cBFa8/s1600/odio%2Blittlerockx-large.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 246px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-nnbcJXSxUPU/TtHDBd-sYPI/AAAAAAAAELs/W7lrL1cBFa8/s320/odio%2Blittlerockx-large.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679535035085775090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;por &lt;em&gt;Dorrit Harazim&lt;br /&gt;na &lt;a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-62/anais-da-fotografia/odio-revisitado"&gt;piauí&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;p&gt; Nada mais fugidio e elusivo do que o “momento decisivo” perseguido e  fotografado por Henri Cartier-Bresson ao longo da vida – aquele que  define a essência de uma situação. Não raro, esse instante se apresenta  sem avisar. Com frequência, sequer é percebido por quem o captou.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Cinquenta e quatro anos atrás, um jovem fotógrafo do &lt;em&gt;Arkansas Democrat &lt;/em&gt;conseguiu  encapsular um desses momentos com sua primeira Nikon S2, máquina da era  pré-digital. Carregou a máquina com um filme Kodak Plus X, ótimo para  manhãs ensolaradas de final de verão, e foi cobrir o primeiro dia de  aula de um grupo de estudantes negros na maior e melhor escola média de  Little Rock. Esse pedaço de história ficou gravado no negativo de número  15.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-CyDasQCuyIg/TtHDLxEI27I/AAAAAAAAEL4/WkjpsBTj32Q/s1600/odio%2Btumblr_lstf1z0tS31qz6f9yo1_500.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-CyDasQCuyIg/TtHDLxEI27I/AAAAAAAAEL4/WkjpsBTj32Q/s320/odio%2Btumblr_lstf1z0tS31qz6f9yo1_500.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679535212007578546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eram apenas nove os jovens negros selecionados pela direção do principal  colégio da cidade, o Central High School, para cumprir a ordem judicial  de integração racial no país. Segundo David Margolick, autor do  recém-publicado &lt;em&gt;Elizabeth and Hazel: Two Women of Little Rock&lt;/em&gt;  (ainda inédito no Brasil), a peneira foi cautelosa. A busca se  concentrou em colegiais que moravam perto da escola, tinham rendimento  acadêmico ótimo, eram fortes o bastante para sobreviver à provação,  dóceis o bastante para não chamar a atenção e estoicos o suficiente para  não revidar a agressões. Como conjunto, também deveria ser esquálido,  para minimizar a objeção dos 2 mil estudantes brancos que os  afrontariam.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-BoXOLWCThPw/TtHDiiW4kfI/AAAAAAAAEME/ZqHloeJD_Ak/s1600/odio%2Blittle_rock_desegregation_1957-will-counts.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 375px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-BoXOLWCThPw/TtHDiiW4kfI/AAAAAAAAEME/ZqHloeJD_Ak/s400/odio%2Blittle_rock_desegregation_1957-will-counts.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679535603196662258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Assim nasceu o grupo que entraria na história dos direitos civis  americanos como “Os Nove de Little Rock”. Eram todos adolescentes  bem-comportados, com sólidos laços familiares, filhos de funcionários  públicos e integrantes da ainda incipiente classe média negra sulista.  Entre eles, a reservada Elizabeth Eckford, de 15 anos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Os pais dos nove pioneiros foram instruídos a não acompanharem os filhos  naquele 4 de setembro de 1957, pois as autoridades temiam que a  presença de negros adultos inflamasse ainda mais os ânimos. Por isso, os  escolhidos agruparam-se na casa de uma ativista dos direitos civis e de  lá seguiram juntos para o grande teste de suas vidas. Menos Elizabeth,  que não recebera o aviso para se encontrar com os demais e partiu  sozinha rumo a seu destino.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6RipOpgBC5A/TtHD3CZrCfI/AAAAAAAAEMQ/LjPuz91ASpU/s1600/odio%2Bcentral3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 331px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-6RipOpgBC5A/TtHD3CZrCfI/AAAAAAAAEMQ/LjPuz91ASpU/s400/odio%2Bcentral3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679535955395676658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;img alt="" src="http://revistapiaui.estadao.com.br/assets/media/images/geral/d_v1.gif" style="margin-left: 4px; margin-right: 4px; margin-top: 1px; margin-bottom: 1px; float: left; width: 32px; height: 37px; " /&gt;e  longe ela avistou a massa de alunos brancos passando desimpedidos pelo  cordão de isolamento montado pela Guarda Nacional do Arkansas. Ao tentar  fazer o mesmo, foi barrada por três soldados que ergueram seus rifles.  Elizabeth recuou, procurou passar pela barreira de soldados em outro  lugar da caminhada e a cena se repetiu. Alguém, de longe, gritou “Não a  deixem entrar” e uma pequena multidão começou a se formar às suas  costas. Foi quando Elizabeth se lembra de ter começado a tremer. Com a  majestosa fachada da escola à sua frente, ela ainda fez uma terceira  tentativa de atravessar o bloqueio em outro ponto do cordão de  isolamento.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Como pano de fundo, começou a ouvir invectivas de “Vamos linchá-la!”,  “Dá o fora, macaca”, “Volta pro teu lugar”, frases proferidas por vozes  adultas e jovens. Atordoada, dirigiu-se a uma senhorinha branca – a mãe  lhe ensinara que em caso de apuro era melhor procurar ajuda entre  idosos. A senhorinha, porém, lhe cuspiu no rosto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Como não conseguisse chegar à escola, a adolescente então tomou duas  decisões: não correr (temeu cair se o fizesse) e andar um quarteirão até  o ponto de ônibus mais próximo. Um aglomerado de cidadãos brancos  passou a seguir cada passo seu. Imediatamente às suas costas vinha um  trio de adolescentes, alunas do colégio. Entre elas, Hazel Bryan.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; “Vai pra casa, negona! Volta para a Á”– &lt;em&gt;clic&lt;/em&gt;– “frica!” Segundo o  autor do livro centrado no episódio, foi este o instante em que a  câmera de Will Counts captou a imagem que se tornaria histórica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Hazel, de quinze anos e meio, não carregava qualquer livro escolar.  Apenas uma bolsa e um inexplicável jornal. Ela não planejara nada para  aquela manhã. Vestira-se com o esmero que era sua marca – roupas e  maquiagem ousadas para uma adolescente daquela época – e arvorou-se de  audácia ao ver tantos fotógrafos e soldados da Guarda Nacional. Nada  além disso. O resto pode ser debitado à formação que recebera em casa –  família de origem rural, ideário fundamentalista cristão, atitude racial  aprendida com o pai.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;img alt="" src="http://revistapiaui.estadao.com.br/assets/media/images/geral/a_v2.gif" style="margin-left: 4px; margin-right: 4px; margin-top: 1px; margin-bottom: 1px; float: left; width: 29px; height: 37px; " /&gt; foto  que correu mundo e fez a alegria da União Soviética naquele auge da  Guerra Fria é tudo, menos estática. Ela fala, grita, tem vida e  movimento. Mostra Elizabeth num vestido de algodão feito em casa,  estalando de branco, com um fichário e um livro apertados contra o peito  e medo escondido por óculos escuros. Em meio à massa de brancos que a  seguem, Hazel. Olhos e sobrancelhas franzidos, a boca aberta contorcida  pelo ódio e pela raiva.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Foi assim que Elizabeth e Hazel se “encontraram” sem se conhecerem. E é o  que as manteve ligadas, ora contra, ora por vontade própria, por mais  de cinquenta anos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Assim como Hazel se converteu na imagem oficial da intolerância, a  caminhada solitária de Elizabeth virou bandeira para toda uma geração de  atletas, advogados, professores negros decididos a não recuar. Décadas  depois do episódio, Bill Clinton, que governou o mesmo Arkansas nos anos  80, admitiu o quanto a foto fez com que ele acertasse seu compasso  moral.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Em seu livro sobre essas duas vidas, o jornalista David Margolick  responde a todas as perguntas que a foto deixa suspensas, e vai além.  Editor da revista&lt;em&gt; Vanity Fair&lt;/em&gt;, ele já havia escrito&lt;em&gt; Strange Fruit – The Biography of a Song&lt;/em&gt;, a canção que Billie Holiday imortalizou em 1939 e que já expunha o racismo e denunciava os linchamentos de negros.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; O episódio daquela manhã de 1957 levou Little Rock à combustão e  convenceu o presidente Dwight Eisenhower a enviar tropas da 101ª Divisão  Aerotransportada para assegurar a integração escolar decidida três anos  antes pela Suprema Corte. Ironicamente, Hazel e Elizabeth jamais  chegaram a se cruzar nos corredores da Central High School, pois os pais  da menina branca, assustados com a repercussão da foto, preferiram  trocá-la de escola. Mas “Os Nove de Little Rock”, uma vez admitidos,  viveram anos de pavor. Semana após semana, foram alvo de agressões –  desde cusparadas a cacos de vidro no chão do chuveiro na hora do banho.  Elizabeth, primeira a ser empurrada escadaria abaixo, só teve o rosto  preservado por ter usado como escudo o mesmo arquivo que segura na foto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;img alt="" src="http://revistapiaui.estadao.com.br/assets/media/images/geral/d_v1.gif" style="margin-left: 4px; margin-right: 4px; margin-top: 1px; margin-bottom: 1px; float: left; width: 32px; height: 37px; " /&gt;ali  em diante, em plena era Kennedy dos anos 60, Hazel, a garota branca,  seguiu seu destino. Abandonou o colégio, casou-se aos 17 anos, teve três  filhos, morou em trailers, partiu de Little Rock e fez paradas  temporárias em atividades tão distintas como apresentações de dança do  ventre e trabalho voluntário junto a crianças carentes negras. De volta a  Little Rock, despencou para perto da linha da pobreza e era vista como  um fantasma a rondar o passado de violência da cidade. Decidiu então ir  ao encontro de seu indesejado papel na história americana e embarcou em  ações sociais e ativismo comunitário.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Elizabeth, enquanto isso, passou cinco anos servindo no Exército, mas  conseguiu formar-se em história pela Universidade do Estado de Ohio. Mãe  solteira de dois filhos e recorrendo ao auxílio-desemprego nos anos 80,  beirou a depressão. Um de seus filhos, também depressivo, acabou sendo  morto por um policial ao sair dando tiros pela rua.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Somenteem 1997 as duas mulheres, então com 55 anos de idade, se  encontraram de verdade. A ocasião foi um evento, com novo espocar de  flashes e publicidade: o 40º aniversário da fatídica manhã de 4 de  setembro de 1957. Várias décadas antes, Hazel conseguira localizar  Elizabeth pela lista telefônica, tomou coragem e discou o número para  pedir desculpas. Elas foram aceitas sem, contudo, entreabrir qualquer  contato pessoal.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Foi por ocasião do evento comemorativo de 1997 que as duas mulheres  estabeleceram um tênue laço. Participaram de um seminário sobre questões  raciais, deram palestras, foram entrevistadas por Oprah Winfrey.  Chegaram a cogitar escrever um livro a quatro mãos. E posaram também,  desta vez lado a lado, para nova foto feita pelo mesmo Will Counts.  Nela, as duas aparecem sorrindo em frente ao portal da Central High  School, e a imagem acabou sendo transformada num pôster intitulado  “Reconciliação”. E quando a sessão de fotos se encerrou, com ambas já  fora de enquadramento, as duas mulheres iniciaram uma tentativa de  amizade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; À medida que Elizabeth foi ganhando em autoestima, porém, ela voltou a  tomar distância de Hazel. A bordo do cargo de oficial de justiça e  agraciada com uma Medalha de Ouro do Congresso, ela foi se tornando mais  exigente, mais crítica, menos disposta a oferecer perdão em nome de um  final feliz. Desconfianças antigas reemergiram e quando o episódio  completou meio século, em 2007, a relação tinha azedado de vez. Naquele  ano, Elizabeth acusou Hazel de se esconder atrás de uma confortável  amnésia sobre o incidente – ela havia descoberto que a adolescente  branca mantivera contato o tempo todo com os alunos da escola que  infernizaram a vida dos nove negros, e que Hazel fazia parte de um grupo  organizado que os atacava fisicamente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Hazel, por seu lado, mantém até hoje que naquela manhã de 54 anos atrás ela não pestanejou nem se sentiu mal. Para o autor de &lt;em&gt;Two Women&lt;/em&gt;  [Duas Mulheres], em momento algum ela achou ter feito algo errado. Ou  inusitado. Ou que marcaria a sua vida para sempre. Ela estava apenas  traduzindo o que ouvira em casa durante quinze anos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Ambas chegam à terceira idade cansadas de dar palestras e entrevistas  que apenas reavivaram ressentimentos e frustração – Hazel diz que não  aguenta mais pedir desculpas; Elizabeth sustenta que sua nêmesis, no  fundo, sequer sabe do que está se desculpando. “Elizabeth só então se  deu conta do quanto de amargura carregava no peito, e o quanto de raiva e  ódio a haviam paralisado”, escreveu Margolick. E conclui: “Ela sempre  teve melhor formação e foi mais intelectualizada do que Hazel, mas Hazel  acabou mais bem ajustada no seu entorno social.”&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo o autor, novas barreiras substituíram as antigas e o embrião de  amizade acabou sendo solapado pelas mesmas fissuras e incompreensões que  continuam a permear as relações raciais nos Estados Unidos. Margolick  vai além do simples acompanhamento das duas mulheres idade adentro. Ele  amplia a narrativa, torna-a mais complexa. As vidas entrelaçadas de  Elizabeth e Hazel servem de metáfora para o país, sem soluções fáceis  para um impasse moral dessa grandeza.&lt;/p&gt;  Elizabeth nãose dispôs a entrar na Central High School em 1957 para  fazer amizades. Ela sentou nos bancos da escola segregada para quebrar  as barreiras legais e institucionais que negavam aos negros americanos  oportunidades iguais. Hoje, as barreiras legais não mais existem. Mas a  cor da pele ainda marca bairros, igrejas, prisões e também escolas nos  Estados Unidos. Em 2007, meio século depois que Elizabeth e Hazel  protagonizaram o “momento decisivo” captado em foto, 40% das crianças  negras americanas ainda frequentavam escolas quase totalmente  segregadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-3601644270176130569?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/3601644270176130569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=3601644270176130569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/3601644270176130569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/3601644270176130569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/11/o-odio.html' title='O ódio'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-nnbcJXSxUPU/TtHDBd-sYPI/AAAAAAAAELs/W7lrL1cBFa8/s72-c/odio%2Blittlerockx-large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-4841701812316050202</id><published>2011-11-22T18:56:00.000-08:00</published><updated>2011-12-16T05:49:39.068-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arquivo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filho do carbono e do amoníaco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>A Balada de um derrotado.</title><content type='html'>Tá bom, é inveja, eu admito. Mas não é sem motivo! O filho da puta era o maior vagabundo, um parasita! Vivia de bobeira às custas da mãe. Seus dias se resumiam a chegar em casa de madrugada, acordar por volta do meio-dia e voltar à rua, não sem antes sorver com apetite o almoço que a pobre coitada preparava com todo o carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que a sua simples presença era suficiente para me tirar do sério. Aqueles olhos sonolentos, aquela conversa mole, e a bajulação - porra, como bajulavam aquele cara! "Bicho, quando é que tu pinta lá no ensaio?". "Vou dar uma festa lá em casa mas só pros mais chegados, tu tá convidade e pode chamar quem quiser". "Cara, valeu pelo show, foi de fuder"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso não é nada, o cara era simpático mesmo. Boa pinta. Além do mais, eu sempre soube que as garotas gostavam mesmo era dos cafajestes. Quanto mais machuca, mais elas se derretem. As mulheres parecem ter desenvolvido, em nossa sociedade machista, uma estranha compulsão para a dependência, para o masoquismo. O pior era a banda. A porra da banda. "The pigs of death" era meu grupo preferido, a mais fodida banda de death metal que já apareceu por estes lados - e olha que nossa região é pródiga de bandas do estilo. Um dia, eles perderam o vocalista. Eu não falei nada, mas acredito que tava na cara, era meu sonho! Eu vivia babando atrás dos caras, ia a todos os ensaios. Era fã de carteirinha. Chegaram até a comentar, certo dia, que meus vocais "guturais" eram legais e que se eles um dia ficassem sem vocalista iriam me chamar para a vaga. Mas não me surpreendi quando me chamaram para assitir ao primeiro ensaio com o novo vocalista. Ele, sempre ele! Parecia disposto a acabar de vez com a minha vida, a me perseguir até o fim dos meus dias. A partir daquele momento, passei a demonstrar abertamente a minha antipatia, o que me afastou ainda mais de pessoas que, até pouco tempo, eram como irmãos para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas rodas de conversa, tudo o que ele dizia era motivo para chacota de minha parte. E era pretensioso, o canalha! Espalhava pra Deus e pro mundo que tinha planos de, um dia, viajar pros Estados Unidos, entrar pra industria de filmes pornô, ganhar uma grana preta (dava grana, naquela época) e ainda por cima, pasmem, comer o cu da Belladona! Vejam só vocês, ele falava sério! Foi um dos meus poucos momentos de triunfo. Porque, claro, esta ninguém engoliu e o babaca recebeu, finalmente, o que merecia: o riso e o escárnio de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foram se passando os dias, eu cada vez mais afastado da antiga turma, até me desligar por completo. Arrumei um emprego estável, casei e isolei-me em casa com a família. Tornei-me o esterótipo perfeito do homem de classe média: gordo, sedentário, apático, dividindo o tempo entre o trabalho e o aparelho de televisão. Me afastei da cena também. Nem tinha internet, não acompanhava mais as notícias e os lançamentos do mundinho do rock underground. Só não parei de ver filmes pornográficos. Gostava de pornografia, e sei que a net tá cheia disso, mas preferia ver em DVD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-yba6qYWZEBs/Tsxq_oVe1yI/AAAAAAAAEK8/h5MXpTmgj_c/s1600/belladona%2B10.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 202px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-yba6qYWZEBs/Tsxq_oVe1yI/AAAAAAAAEK8/h5MXpTmgj_c/s400/belladona%2B10.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678030871599175458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um dia soube que o filho da puta havia sumido. Circulavam boatos  de que havia embarcado clandestinamente no porão de um navio rumo aos "states". Não dei ouvidos. Achei que ele tinha era jogado uma mochila nas costas e pegado a estrada, deixando os baba-ovos de sempre chupando vento. Hoje, bicho-grilo que era, estaria vendendo bugingangas numa calçada imunda, barbudo e sujo como um hippie fora de época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É foda. Nunca vou esquecer aquela olhadinha que ele deu para a câmera, os mesmos olhos mortiços e embaçados que povoavam meus pesadelos e pareciam sussurrar em meus ouvidos: "você nunca vai deixar de ser o que sempre foi: NADA".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;publicado originalmente no Fanzine Escarro Napalm # 4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por Adelvan.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-4841701812316050202?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/4841701812316050202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=4841701812316050202' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/4841701812316050202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/4841701812316050202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/11/balada-de-um-derrotado.html' title='A Balada de um derrotado.'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-yba6qYWZEBs/Tsxq_oVe1yI/AAAAAAAAEK8/h5MXpTmgj_c/s72-c/belladona%2B10.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-6630078626861988225</id><published>2011-11-18T12:57:00.000-08:00</published><updated>2011-11-26T21:03:43.934-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>A Metamorfose, de Franz Kafka</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-g_Gw9f8XDKs/TsbHqWK60hI/AAAAAAAAEKk/U8xKFqyaBd0/s1600/samsa.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 211px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-g_Gw9f8XDKs/TsbHqWK60hI/AAAAAAAAEKk/U8xKFqyaBd0/s320/samsa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5676443910666899986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:black;"&gt;Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregório Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão duro que parecia revestido de metal, e, ao levantar um pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho dividido em duros segmentos arqueados, sobre o qual a colcha dificilmente mantinha a posição e estava a ponto de escorregar. Comparadas com o resto do corpo, as inúmeras pernas, que eram miseravelmente finas, agitavam-se desesperadamente diante de seus olhos.&lt;/span&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0MJmIlZvCpQ/TsbHyjYCdJI/AAAAAAAAEKw/H6nZEDEIoEI/s1600/kafka1%2Bcaricatura%2B.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 294px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-0MJmIlZvCpQ/TsbHyjYCdJI/AAAAAAAAEKw/H6nZEDEIoEI/s320/kafka1%2Bcaricatura%2B.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5676444051650540690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:black;"&gt;Que me aconteceu ? — pensou. Não era nenhum sonho. O quarto, um vulgar quarto humano, apenas bastante acanhado, ali estava, como de costume, entre as quatro paredes que lhe eram familiares. Por cima da mesa, onde estava deitado,desembrulhada e em completa desordem, uma série de amostras de roupas: Samsa era caixeiro-viajante, estava pendurada a fotografia que recentemente recortara de uma revista ilustrada e colocara numa bonita moldura dourada. Mostrava uma senhora, de chapéu e estola de peles, rigidamente sentada, a estender ao espectador um enorme regalo de peles, onde o antebraço sumia! Gregório desviou então a vista para a janela e deu com o céu nublado — ouviam-se os pingos de chuva a baterem na calha da janela e isso o fez sentir-se bastante melancólico. Não seria melhor dormir um pouco e esquecer todo este delírio? — cogitou. Mas era impossível, estava habituado a dormir para o lado direito e, na presente situação,não podia virar-se. Por mais que se esforçasse por inclinar o corpo para a direita, tornava sempre a rebolar, ficando de costas. Tentou, pelo menos, cem vezes, fechando os olhos, para evitar ver as pernas a debaterem-se, e só desistiu quando começou a sentir no flanco uma ligeira dor entorpecida que nunca antes experimentara. Oh, meu Deus, pensou, que trabalho tão cansativo escolhi! Viajar, dia sim, dia não. É um trabalho muito mais irritante do que o trabalho do escritório propriamente dito, e ainda por cima há ainda o desconforto de andar sempre a viajar, preocupado com as ligações dos trens, com a cama e com as refeições irregulares, com conhecimentos casuais, que são sempre novos e nunca se tornam amigos íntimos. Diabos levem tudo isto! Sentiu uma leve comichão na barriga; arrastou-se lentamente sobre as costas, — mais para cima na cama, de modo a conseguir mexer mais facilmente a cabeça, identificou o local da comichão, que estava rodeado de uma série de pequenas manchas brancas cuja natureza não compreendeu no momento, e fez menção de tocar lá com uma perna, mas imediatamente a retirou, pois, ao seu contato, sentiu-se percorrido por um arrepio gelado. Voltou a deixar-se escorregar para a posição inicial. Isto de levantar cedo, pensou, deixa a pessoa estúpida. Um homem necessita de sono. Há outros comerciantes que vivem como mulheres de harém. Por exemplo, quando volto para o hotel, de manhã, para tomar nota das encomendas que tenho, esses se limitam a sentar-se à mesa para o pequeno almoço. Eu que tentasse sequer fazer isso com o meu patrão: era logo despedido. De qualquer maneira, era capaz de ser bom para mim — quem sabe? Se não tivesse de me agüentar, por causa dos meus pais, há muito tempo que me teria despedido; iria ter com o patrão e lhe falar exatamente o que penso dele. Havia de cair ao comprido em cima da secretária! Também é hábito esquisito, esse de se sentar a uma secretária em plano elevado e falar para baixo para os empregados, tanto mais que eles têm de aproximar-se bastante, porque o patrão é ruim de ouvido. Bem, ainda há uma esperança; depois de ter economizado o suficiente para pagar o que os meus pais lhe devem — o que deve levar outros cinco ou seis anos —, faço-o, com certeza. Nessa altura, vou me libertar completamente. Mas, para agora, o melhor é me levantar, porque o meu trem parte às cinco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:black;"&gt;Olhou para o despertador, que fazia tique-taque na cômoda. Pai do Céu! — pensou. Eram seis e meia e os ponteiros moviam-se em silêncio, até passava da meia hora, era quase um quarto para as sete. O despertador não teria tocado? Da cama, via-se que estava corretamente regulado para as quatro; claro que devia ter tocado. Sim, mas seria possível dormir sossegadamente no meio daquele barulho que trespassava os ouvidos? Bem, ele não tinha dormido sossegadamente; no entanto, aparentemente, se assim era, ainda devia ter sentido mais o barulho. Mas que faria agora? o próximo trem saía às sete; para o apanhar tinha de correr como um doido, as amostras ainda não estavam embrulhadas e ele próprio não se sentia particularmente fresco e ativo. E, mesmo que apanhasse o trem, não conseguiria evitar uma reprimenda do chefe, visto que o porteiro da firma havia de ter esperado o trem das cinco e há muito teria comunicado a sua ausência. O porteiro era um instrumento do patrão, invertebrado e idiota. Bem, suponhamos que dizia que estava doente? Mas isso seria muito desagradável e pareceria suspeito, porque, durante cinco anos de emprego, nunca tinha estado doente. O próprio patrão certamente iria lá à casa com o médico da Previdência, repreenderia os pais pela preguiça do filho e poria de parte todas as desculpas, recorrendo ao médico da Previdência, que, evidentemente, considerava toda a humanidade um bando de falsos doentes perfeitamente saudáveis. E enganaria assim tanto desta vez? Efetivamente, Gregório sentia-se bastante bem, à parte uma sonolência que era perfeitamente supérflua depois de um tão longo sono, e sentia-se mesmo esfomeado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:black;"&gt;À medida que tudo isto lhe passava pela mente a toda a velocidade, sem ser capaz de resolver a deixar a cama — o despertador acabava de indicar um quarto para as sete, ouviram-se pancadas cautelosas na porta que ficava por detrás da cabeceira da cama.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:black;"&gt;— Gregório — disse uma voz, que era a da mãe, - é um quarto para as sete. Não tens de apanhar o trem?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:black;"&gt;Aquela voz suave! Gregório teve um choque ao ouvir a sua própria voz responder-lhe, inequivocamente a sua voz, é certo, mas com um horrível e persistente guincho chilreante como fundo sonoro, que apenas conservava a forma distinta das palavras no primeiro momento, após o que subia de tom, ecoando em torno delas, até destruir-lhes o sentido, de tal modo que não podia ter-se a certeza de tê-las ouvido corretamente. Gregório queria dar uma resposta longa, explicando tudo, mas, em tais circunstâncias, limitou-se a dizer:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=" ;font-family:Arial;color:black;"  &gt;— Sim, sim, obrigado, mãe, já vou levantar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:black;"&gt;( ... )&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-6630078626861988225?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/6630078626861988225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=6630078626861988225' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/6630078626861988225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/6630078626861988225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/11/metamorfose-de-franz-kafka.html' title='A Metamorfose, de Franz Kafka'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-g_Gw9f8XDKs/TsbHqWK60hI/AAAAAAAAEKk/U8xKFqyaBd0/s72-c/samsa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-5485463228159910368</id><published>2011-11-18T12:45:00.000-08:00</published><updated>2011-11-26T21:09:26.193-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>O Anticristo, de Friedrich Nietzsche</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Prefácio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wEX3O4ibpIo/TsbFK4BGHjI/AAAAAAAAEKY/hKJR2hc5tP4/s1600/nietzsche.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 265px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-wEX3O4ibpIo/TsbFK4BGHjI/AAAAAAAAEKY/hKJR2hc5tP4/s320/nietzsche.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5676441170973433394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Este livro pertence aos homens mais raros. Talvez nenhum deles sequer esteja vivo. É possível que se encontrem entre aqueles que compreendem o meu “Zaratustra”: como eu poderia misturar-me àqueles aos quais se presta ouvidos atualmente? – Somente os dias vindouros me pertencem. Alguns homens nascem póstumos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As condições sob as quais sou compreendido, sob as quais sou necessariamente compreendido – conheço-as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumado a viver no cimo das montanhas – e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial... Possuir uma inclinação – nascida da força – para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo – acumular sua força, seu entusiasmo... Auto-reverência, amor-próprio, absoluta liberdade para consigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito bem! Apenas esses são meus leitores, meus verdadeiros leitores, meus leitores predestinados: que importância tem o resto? – O resto é somente a humanidade. – É preciso tornar-se superior à humanidade em poder, em grandeza de alma – em desprezo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Friedrich Nietzsche&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;– Olhemos-nos face a face. Somos hiperbóreos(1) – sabemos muito bem quão remota é nossa morada. “Nem por terra nem por mar encontrarás o caminho aos hiperbóreos”: mesmo Píndaro, em seus dias, sabia tanto sobre nós. Além do Norte, além do gelo, além da morte – nossa vida, nossa felicidade... Nós descobrimos essa felicidade; nós conhecemos o caminho; retiramos essa sabedoria dos milhares de anos no labirinto. Quem mais a descobriu? – O homem moderno? – “Eu não conheço nem a saída nem a entrada; sou tudo aquilo que não sabe nem sair nem entrar” – assim suspira o homem moderno... Esse é o tipo de modernidade que nos adoeceu – a paz indolente, o compromisso covarde, toda a virtuosa sujidade do moderno Sim e Não. Essa tolerância e largeur(2) de coração que tudo “perdoa” porque tudo “compreende” é um siroco(3)para nós. Antes viver no meio do gelo que entre virtudes modernas e outros ventos do sul!... Fomos bastante corajosos; não poupamos a nós mesmos nem os outros; mas levamos um longo tempo para descobrir aonde direcionar nossa coragem. Tornamo-nos tristes; nos chamaram de fatalistas. Nosso destino – ele era a plenitude, a tensão, o acumular de forças. Tínhamos sede de relâmpagos e grandes feitos; mantivemo-nos o mais longe possível da felicidade dos fracos, da “resignação”... Nosso ar era tempestuoso; nossa própria natureza tornou-se sombria – pois ainda não havíamos encontrado o caminho. A fórmula de nossa felicidade: um Sim, um Não, uma linha reta, uma meta...&lt;br /&gt;1 – Os Gregos acreditavam que no extremo Norte da Terra vivia um povo que gozava de felicidade eterna, os hiperbóreos, que nunca guerreavam, adoeciam ou envelheciam. Sem a ajuda dos Deuses, seu território era inalcançável. (N. do T.)&lt;br /&gt;2 – Grandeza.&lt;br /&gt;3 – Vento asfixiante, quente e empoeirado originário de desertos. (N. do T.)&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;O que é bom? – Tudo que aumenta, no homem, a sensação de poder, a vontade de poder, o próprio poder.&lt;br /&gt;O que é mau? – Tudo que se origina da fraqueza.&lt;br /&gt;O que é felicidade? – A sensação de que o poder aumenta – de que uma resistência foi superada.&lt;br /&gt;Não o contentamento, mas mais poder; não a paz a qualquer custo, mas a guerra; não a virtude, mas a eficiência (virtude no sentido da Renascença, virtu(1), virtude desvinculada de moralismos).&lt;br /&gt;Os fracos e os malogrados devem perecer: primeiro princípio de nossa caridade. E realmente deve-se ajudá-los nisso.&lt;br /&gt;O que é mais nocivo que qualquer vício? – A compaixão posta em prática em nome dos malogrados e dos fracos – o cristianismo...&lt;br /&gt;1 – “Vir”, em latim, significa “varão”, “homem”. Ou seja, “virtu”, neste “sentido da Renascença”, designa qualidades viris como força, bravura, vigor, coragem, e não humildade, compaixão, etc. (N. do T.)&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;O problema que aqui apresento não consiste em rediscutir o lugar humanidade na escala dos seres viventes (– o homem é um fim –): mas que tipo de homem deve ser criado, que tipo deve ser pretendido como sendo o mais valioso, o mais digno de viver, a garantia mais segura do futuro.&lt;br /&gt;Este tipo mais valioso já existiu bastantes vezes no passado: mas sempre como um afortunado acidente, como uma exceção, nunca como algo deliberadamente desejado. Com muita freqüência esse foi precisamente o tipo mais temido; até ao presente foi considerado praticamente o terror dos terrores; – e devido a esse terror, o tipo contrário foi desejado, cultivado e atingido: o animal doméstico, o animal de rebanho, a doentia besta humana: o cristão...&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;Pelo que aqui se entende como progresso, a humanidade certamente não representa uma evolução em direção a algo melhor, mais forte ou mais elevado. Este “progresso” é apenas uma idéia moderna, ou seja, uma idéia falsa. O Europeu de hoje, em sua essência, possui muito menos valor que o Europeu da Renascença; o processo da evolução não significa necessariamente elevação, melhora, fortalecimento.&lt;br /&gt;É bem verdade que ela tem sucesso em casos isolados e individuais em várias partes da Terra e sob as mais variadas culturas, e nesses casos certamente se manifesta um tipo superior; um tipo que, comparado ao resto da humanidade, parece uma espécie de super-homem. Tais golpes de sorte sempre foram possíveis e, talvez, sempre serão. Até mesmo raças inteiras, tribos e nações podem ocasionalmente representar tais ditosos acidentes.&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;Não devemos enfeitar nem embelezar o cristianismo: ele travou uma guerra de morte contra este tipo de homem superior, anatematizou todos os instintos mais profundos desse tipo, destilou seus conceitos de mal e de maldade personificada a partir desses instintos – o homem forte como um réprobo, como “degredado entre os homens”. O cristianismo tomou o partido de tudo o que é fraco, baixo e fracassado; forjou seu ideal a partir da oposição a todos os instintos de preservação da vida saudável; corrompeu até mesmo as faculdades daquelas naturezas intelectualmente mais vigorosas, ensinando que os valores intelectuais elevados são apenas pecados, descaminhos, tentações. O exemplo mais lamentável: o corrompimento de Pascal, o qual acreditava que seu intelecto havia sido destruído pelo pecado original, quando na verdade tinha sido destruído pelo cristianismo! –&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;Um doloroso e trágico espetáculo surge diante de mim: retirei a cortina da corrupção do homem. Essa palavra, em minha boca, é isenta de pelo menos uma suspeita: a de que envolve uma acusação moral contra a humanidade. A entendo – e desejo enfatizar novamente – livre de qualquer valor moral: e isso é tão verdade que a corrupção de que falo é mais aparente para mim precisamente onde esteve, até agora, a maior parte da aspiração à “virtude” e à “divindade”. Como se presume, entendo essa corrupção no sentido de decadência: meu argumento é que todos os valores nos quais a humanidade apóia seus anseios mais sublimes são valores de decadência.&lt;br /&gt;Denomino corrompido um animal, uma espécie, um indivíduo, quando perde seus instintos, quando escolhe, quando prefere o que lhe é nocivo. Uma história dos “sentimentos elevados”, dos “ideais da humanidade” – e é possível que tenha de escrevê-la – praticamente explicaria por que o homem é tão degenerado. A própria vida apresenta-se a mim como um instinto para o crescimento, para a sobrevivência, para a acumulação de forças, para o poder: sempre que falta a vontade de poder ocorre o desastre. Afirmo que todos os valores mais elevados da humanidade carecem dessa vontade – que os valores de decadência, de niilismo, agora prevalecem sob os mais sagrados nomes.&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;Chama-se cristianismo a religião da compaixão. – A compaixão está em oposição a todas as paixões tônicas que aumentam a intensidade do sentimento vital: tem ação depressora. O homem perde poder quando se compadece. Através da perda de força causada pela compaixão o sofrimento acaba por multiplicar-se. O sofrimento torna-se contagioso através da compaixão; sob certas circunstancias pode levar a um total sacrifício da vida e da energia vital – uma perda totalmente desproporcional à magnitude da causa (– o caso da morte de Nazareno). Essa é uma primeira perspectiva; há, entretanto, outra mais importante. Medindo os efeitos da compaixão através da intensidade das reações que produz, sua periculosidade à vida mostra-se sob uma luz muito mais clara. A compaixão contraria inteiramente lei da evolução, que é a lei da seleção natural. Preserva tudo que está maduro para perecer; luta em prol dos desterrados e condenados da vida; e mantendo vivos malogrados de todos os tipos, dá à própria vida um aspecto sombrio e dúbio. A humanidade ousou denominar a compaixão uma virtude (– em todo sistema de moral superior ela aparece como uma fraqueza –); indo mais adiante, chamaram-na a virtude, a origem e fundamento de todas as outras virtudes – mas sempre mantenhamos em mente que esse era o ponto de vista de uma filosofia niilista, em cujo escudo há a inscrição negação da vida. Schopenhauer estava certo nisto: através a compaixão a vida é negada, e tornada digna de negação – a compaixão é uma técnica de niilismo. Permita-me repeti-lo: esse instinto depressor e contagioso opõe-se a todos os instintos que se empenham na preservação e aperfeiçoamento da vida: no papel de defensor dos miseráveis, é um agente primário na promoção da decadência – compaixão persuade à extinção... É claro, ninguém diz “extinção”: dizem “o outro mundo”, “Deus”, “a verdadeira vida”, Nirvana, salvação, bem-aventurança... Essa inocente retórica do reino da idiossincrasia moral-religiosa mostra-se muito menos inocente quando se percebe a tendência que oculta sob palavras sublimes: a tendência à destruição da vida. Schopenhauer era hostil à vida: esse foi o porquê de a compaixão, para ele, ser uma virtude... Aristóteles, como todos sabem, via na compaixão um estado mental mórbido e perigoso, cujo remédio era um purgativo ocasional: considerava a tragédia como sendo esse purgativo. O instinto vital deveria nos incitar a buscar meios de alfinetar quaisquer acúmulos patológicos e perigosos de compaixão, como os presentes no caso de Schopenhauer (e também, lamentavelmente, em toda a nossa décadence literária, de St. Petersburgo a Paris, de Tolstoi a Wagner), para que ele estoure e se dissipe... Nada é mais insalubre, em toda nossa insalubre modernidade, que a compaixão cristã. Sermos os médicos aqui, sermos impiedosos aqui, manejarmos a faca aqui – tudo isso é o nosso serviço, é o nosso tipo de humanidade, é isso que nos torna filósofos, nós, hiperbóreos! –&lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;É necessário dizer quem consideramos nossos adversários: os teólogos e tudo que tem sangue teológico correndo em suas veias – essa é toda a nossa filosofia... É necessário ter visto essa ameaça de perto, melhor ainda, é preciso tê-la vivido e quase sucumbido por ela, para compreender que isso não é qualquer brincadeira (– o alegado livre-pensamento de nossos naturalistas e fisiologistas me parece uma brincadeira – não possuem a paixão nessas coisas; não sofreram –). Este envenenamento vai muito mais longe do que a maioria imagina: encontro o arrogante hábito de teólogo entre todos aqueles que se consideram “idealistas”, entre todos que, em virtude uma origem superior, reivindicam o direito de se colocarem acima da realidade, e olhá-la com suspeita... O idealista, assim como o eclesiástico, carrega todos os grandes conceitos em sua mão (– e não apenas em sua mão!); os lança com um benevolente desprezo contra o “entendimento”, os “sentidos”, a “honra”, o “bem viver”, a “ciência”; vê tais coisas abaixo de si, como forças perniciosas e sedutoras, sobre as quais “o espírito” plana como a coisa pura em si – como se a humildade, a castidade, a pobreza, em uma palavra, a santidade, não tivessem causado muito mais dano à vida que quaisquer outros horrores e vícios... O puro espírito é a pura mentira... Enquanto o padre, esse negador, caluniador e envenenador da vida por profissão for aceito como uma variedade de homem superior, não poderá haver resposta à pergunta: Que é a verdade?(1)A verdade já foi posta de cabeça para baixo quando o advogado do nada foi confundido com o representante da verdade.&lt;br /&gt;1 – Alusão à passagem bíblica (Novo Testamento, Evangelho segundo João 18:38) na qual Pilatos pergunta a Jesus: “Que é a verdade?”. (N. do T.)&lt;br /&gt;IX&lt;br /&gt;É contra este instinto teológico que guerreio: encontro vestígios dele por toda parte. Todo aquele que possui sangue teológico em suas veias é cínico e desonrado em todas as coisas. Ao pathos(1) que se desenvolve dessa condição denomina-se fé: em outras palavras, fechar os olhos ante si mesmo de uma vez por todas para evitar o sofrimento causado pela visão de uma falsidade incurável. As pessoas constroem um conceito de moral, de virtude, de santidade a partir dessa falsa perspectiva das coisas; fundamentam a boa consciência sobre uma visão falseada; após terem-na tornado sacrossanta com os nomes “Deus”, “salvação” e “eternidade” não aceitam mais que qualquer outro tipo de visão possa ter valor. Descubro este instinto teológico em todas direções: é a mais disseminada e mais subterrânea forma de falsidade que se pode encontrar na Terra. Tudo que um teólogo considera verdadeiro é necessariamente falso: aqui temos praticamente um critério da verdade. Seu profundo instinto de autopreservação não lhe permite honrar ou sequer mencionar a verdade. Onde quer que a influência dos teólogos seja sentida, há uma transmutação de valores, os conceitos de “verdadeiro” e “falso” são forçados a inverter suas posições: tudo que é mais prejudicial à vida é nomeado “verdadeiro”, tudo que a exalta, a intensifica, a afirma, a justifica e a torna triunfante é nomeado “falso”... Quando teólogos, através “consciência” dos príncipes (ou dos povos –), estendem suas mãos ao poder, não há qualquer dúvida quanto a este aspecto fundamental: que o anseio pelo fim, a vontade niilista, aspira ao poder...&lt;br /&gt;1 – O termo phatos vem do grego, significando “sentimento”, “emoção” “paixão”. Opõe-se a logos, pensamento racional, lógico. (N. do T.)&lt;br /&gt;X&lt;br /&gt;Entre os alemães sou imediatamente compreendido quando digo que o sangue teológico é a ruína da filosofia. O pastor protestante é o avô da filosofia alemã; o protestantismo em si é o peccatum originale(1). Definição do protestantismo: paralisia hemiplégica(2) do cristianismo – e da razão... Precisa-se apenas pronunciar as palavras “Escola de Tübingen”(3) para compreender o que é, no fundo, a filosofia alemã – uma forma muito astuta de teologia... Os suevos são os melhores mentirosos da Alemanha; mentem com inocência... Qual o porquê de toda alegria que se estendeu pelo universo erudito da Alemanha – que é formado em três quartos por filhos de pastores e professores – com o aparecimento de Kant? Por que ainda ecoa na convicção alemã que com Kant houve uma mudança para melhor? O instinto teológico dos estudiosos alemães os fez enxergar nitidamente o que tinha se tornado possível novamente... Abria-se um caminho que conduzia de volta ao velho ideal; os conceitos de “mundo verdadeiro” e de moral como essência do mundo (– os dois erros mais viciosos que já existiram!)&lt;br /&gt;estavam, uma vez mais, graças a um ceticismo sutil e astucioso, se não demonstráveis, pelo menos irrefutáveis... A razão, o direito da razão, não vai tão longe... A realidade foi relegada a uma “aparência”; um mundo absolutamente falso – o da essência – foi transformado na realidade... O sucesso de Kant foi um sucesso meramente teológico; assim como Lutero ou Leibniz, ele não foi senão um empecilho à já pouco estável integridade alemã. –&lt;br /&gt;1 – Pecado original.&lt;br /&gt;2 – Hemiplegia designa paralisia de um dos lados do corpo.&lt;br /&gt;3 – A Escola de Tübingen (fundada em 1477) possui uma famosa faculdade de teologia, na qual estudaram Hegel e Johannes Kepler. (N. do T.)&lt;br /&gt;XI&lt;br /&gt;Agora uma palavra contra Kant como moralista. A virtude deve ser nossa invenção; deve surgir de nossa necessidade pessoal e em nossa defesa. Em qualquer outro caso é fonte de perigo. Tudo que não pertence à vida representa uma ameaça a ela; uma virtude nascida simplesmente do respeito ao conceito de “virtude”, como Kant a desejava, é perniciosa. A “virtude”, o “dever”, o “bem em si”, a bondade fundamentada na impessoalidade ou na noção de validez universal – são todas quimeras, e nelas apenas encontra-se a expressão da decadência, o último colapso vital, o espírito chinês de Konigsberg(1). Exatamente o contrário é exigido pelas mais profundas leis da autopreservação e do crescimento: que cada homem crie sua própria virtude, seu próprio imperativo categórico(2). Uma nação se reduz a ruínas quando confunde seu dever com o conceito universal de dever. Nada conduz a um desastre mais cabal e pungente que todo dever “impessoal”, todo sacrifício ao Moloch(3) da abstração. – E imaginar que ninguém pensou no imperativo categórico de Kant como algo perigoso à vida!... Somente o instinto teológico tomou-o sob sua proteção! – Uma ação suscitada pelo instinto vital prova estar correta pela quantidade de prazer que gera: e ainda assim esse niilista, com suas vísceras de dogmatismo cristão, considerava o prazer como uma objeção... O que destrói um homem mais rapidamente que trabalhar, pensar e sentir sem uma necessidade interna, sem um profundo desejo pessoal, sem prazer – como um mero autômato do dever? Essa é tanto uma receita para a décadence(4) quanto para a idiotice... Kant tornou-se um idiota. – E ele era contemporâneo de Goethe! Este calamitoso fiandeiro de teias de aranha foi reputado o filósofo alemão par excellence(5) – e continua a sê-lo!... Abstenho-me de dizer o que penso dos alemães... Kant não viu na Revolução Francesa a transformação do estado da forma inorgânica para a orgânica? Não perguntou a si mesmo se havia algum evento que não poderia ser explicado exceto através de uma disposição moral no homem, para que, fundamentada nisso, “a tendência da humanidade ao bem”&lt;br /&gt;pudesse ser explicada de uma vez por todas? Resposta de Kant: “Isso é a revolução”. O instinto que engana sobre toda e qualquer coisa, o instinto como revolta contra a natureza, a decadência alemã em forma de filosofia – isso é Kant!&lt;br /&gt;1 – Cidade da Prússia onde Kant nasceu e passou toda a sua vida. Por isso, também é conhecido como “filósofo de Köenizberg”. (Pietro nasseti)&lt;br /&gt;2 – Conceito kantiano. Considera-se imperativo uma proposição que tenha a forma de comando, de imposição e, em particular, de um comando ou ordem que o espírito dá a si próprio, Kant distinguia duas espécies de imperativos: o hipotético (ou condicional), quando a ordem ou determinação está subordinada como meio para atingir um determinado fim (ex.: sê justo, se queres ser respeitado); e o categórico (ou não-condicional), se a ordem é incondicional (ex. sê justo). Para Kant só existia um imperativo categórico fundamental (e é a esse que Nietzsche se refere) cuja fórmula é: “Age de tal maneira que o motivo que te levou a agir possa ser convertido em lei universal”. (Pietro nasseti)&lt;br /&gt;3 – Divindade adorada pelos amonitas e moabitas, à qual sacrificavam crianças em troca de boas colheitas e vitória nas guerras. (N. do T.)&lt;br /&gt;4 – Decadência.&lt;br /&gt;5 – Por excelência.&lt;br /&gt;XII&lt;br /&gt;Ponho à parte uns poucos céticos, os tipos decentes na história da filosofia: o resto não possui a menor noção de integridade intelectual. Comportam-se como donzelas, todos esses grandes entusiastas e prodígios – consideram os “belos sentimentos” como argumentos, o “peito estufado” como o sopro de uma inspiração divina, a convicção como um critério da verdade. Ao final, com “alemã” inocência, Kant tentou dar um caráter científico a essa forma de corrupção, essa falta de consciência intelectual, chamando-a de “razão prática”. Deliberadamente inventou uma variedade de razões para usar ocasionalmente quando fosse desejável não se preocupar a razão – isto é, quando a moral, quando o sublime comando “tu deves” fosse ouvido. Lembrando do fato que, entre todos os povos, o filósofo não representa nada mais que o desenvolvimento dos velhos sacerdotes, essa herança sacerdotal, essafraude contra si mesmo deixa de ser algo surpreendente. Quando um homem sente que possui uma missão divina, digamos, melhorar, salvar ou libertar a humanidade – quando um homem sente uma faísca divina em seu coração e acredita ser o porta-voz de imperativos supranaturais – quando tal missão o inflama, é&lt;br /&gt;simplesmente natural que ele coloque-se acima dos níveis de julgamento meramente racionais. Sente a si próprio como santificado por essa missão, sente que faz parte de uma ordem superior!... O que padres têm a ver com filosofia! Estão muito acima dela! – E até agora os padres reinaram! – Determinaram o significado dos conceitos de “verdadeiro” e “falso”!&lt;br /&gt;XIII&lt;br /&gt;Não subestimemos este fato: que nós mesmos, nós, espíritos livres, já somos a “transmutação de todos os valores”, uma manifesta declaração de guerra e uma vitória contra todos os velhos conceitos de “verdadeiro” e “falso”. As intuições mais valiosas são as mais tardiamente adquiridas; as mais valiosas de todas são aquelas que determinam os métodos. Todos os métodos, todos os princípios do espírito científico de hoje foram alvo, por milhares de anos, do mais profundo desprezo; caso um homem se interessasse por eles era excluído da sociedade das pessoas “decentes” – passava por “inimigo de Deus”, por zombador da verdade, por “possesso”. Enquanto homem da ciência, pertencia à Chandala(1)... Tivemos contra nós toda a patética estupidez da humanidade – toda a noção que tinham do que a verdade deveria ser, de qual deveria ser a função da verdade – todo o seu “tu deves” era arremessado contra nós... Nossos objetivos, nossos métodos, nossa calma, cautela, desconfiança – para eles tudo isso parecia algo absolutamente indecoroso e desprezível. – Olhando para trás, alguém até poderia perguntar-se, com alguma razão, se não foi, na verdade, um senso estético que manteve os homens cegos por tanto tempo: o que exigiam da verdade era uma eficiência pitoresca, e daquele em busca do conhecimento uma forte impressão sobre seus sentidos. Foi nossa modéstia que por tanto tempo lhes desceu a contragosto... Quão bem o adivinharam, esses pavões da divindade!&lt;br /&gt;1 – Chandala é a casta mais baixa no sistema hindu. (N. do T.)&lt;br /&gt;XIV&lt;br /&gt;Nós desaprendemos algo. Nos tornamos mais modestos em todos os sentidos. Não derivamos mais o homem do “espírito”, do “desejo de Deus”; rebaixamos o homem a um mero animal. O consideramos o mais forte entre eles porque é o mais astuto; um dos resultados disso é sua intelectualidade. Em&lt;br /&gt;contrapartida, nós nos precavemos contra este conceito: de que o homem é o grande objetivo da evolução orgânica. Em verdade, pode ser qualquer coisa, menos a coroa da criação: ao lado dele estão muitos outros animais, todos em similares estágios de desenvolvimento... E mesmo quando dizemos isso, estamos exagerando, pois o homem, relativamente falando, é o mais corrompido e doentio de todos os animais, o mais perigosamente desviado de seus instintos – apesar disso tudo, com certeza, continua a ser o mais interessante! – No que concerne aos animais inferiores, foi Descartes quem primeiro teve a admirável ousadia de descrevê-los como uma machina(1); toda a nossa fisiologia é um esforço para provar a veracidade dessa doutrina. Entretanto, é ilógico colocar o homem à parte, como fez Descartes: todo o conhecimento que temos sobre o homem aponta precisamente ao que o consideramos: uma máquina. Antigamente, concedíamos ao homem, como herança de algum tipo de ser superior, o que se denominava “livre-arbítrio”; agora lhe retiramos até essa vontade, pois o termo não descreve qualquer coisa que possamos compreender. A velha palavra “vontade” agora designa apenas um tipo de resultado, uma reação individual, que se segue inevitavelmente de uma série de estímulos parcialmente discordantes e parcialmente harmoniosos – a vontade não mais “age” ou “movimenta”... Antigamente pensava-se que a consciência humana, seu “espírito”, era uma evidência de sua origem superior, de sua divindade. Aconselharam-no que, para que se tornasse perfeito, assim como a tartaruga, recolhesse seus sentidos em si mesmo e não tivesse mais contato com coisas terrenas, para escapar de seu “envoltório mortal” – assim apenas restaria sua parte importante, o “puro espírito”. Aqui também pensamos melhor sobre o assunto: para nós a consciência, ou “o espírito”, aparece como um sintoma de uma relativa imperfeição do organismo, como uma experiência, um tatear, um equívoco, como uma aflição que consome força nervosa desnecessariamente – nós negamos que qualquer coisa feita conscientemente possa ser feita com perfeição. O “puro espírito” é uma pura estupidez: retire o sistema nervoso e os sentidos, o chamado “envoltório mortal”, e o resto é um erro de cálculo – isso é tudo!...&lt;br /&gt;1 – Máquina.&lt;br /&gt;XV&lt;br /&gt;No cristianismo, nem a moral nem a religião têm qualquer ponto de contado com a realidade. São oferecidas causas puramente imaginárias (“Deus”, “alma”, “eu”, “espírito”, “livre arbítrio” – ou mesmo o “não-livre”) e efeitos puramente imaginários (“pecado”, “salvação”, “graça”, “punição”, “remissão dos pecados”). Um intercurso entre seres imaginários (“Deus”, “espíritos”, “almas”); uma história natural imaginária (antropocêntrica; uma negação total do conceito de causas naturais); uma psicologia imaginária (mal-entendidos sobre si, interpretações equivocadas de sentimentos gerais agradáveis ou desagradáveis, por exemplo, os estados do nervus sympathicus com a ajuda da linguagem simbólica da idiossincrasia moral-religiosa – “arrependimento”, “peso na consciência”, “tentação do demônio”, “a presença de Deus”); uma teleologia imaginária (o “reino de Deus”, “o juízo final”, a “vida eterna”). –&lt;br /&gt;Esse mundo puramente fictício, com muita desvantagem, se distingue do mundo dos sonhos; o último ao menos reflete a realidade, enquanto aquele falsifica, desvaloriza e nega a realidade. Após o conceito de “natureza” ter sido usado como oposto ao conceito de “Deus”, a palavra “natural” forçosamente tomou o significado de “abominável” – todo esse mundo fictício tem sua origem no ódio contra o natural (– a realidade! –), é evidência de um profundo mal-estar com a efetividade... Isso explica tudo. Quem tem motivos para fugir da realidade? Quem sofre com ela. Mas sofrer com a realidade significa uma existência malograda... A preponderância do sofrimento sobre o prazer é a causa dessa moral e religião fictícias: mas tal preponderância, no entanto, também fornece a fórmula para a décadence...&lt;br /&gt;XVI&lt;br /&gt;Uma crítica da concepção cristã de Deus conduz inevitavelmente à mesma conclusão. – Uma nação que ainda acredita em si mesma possui seu próprio Deus. Nele são honradas as condições que a possibilitam sobreviver, suas virtudes – projeta o prazer que possui em si mesma, seu sentimento de poder, em um ser ao qual pode agradecer por isso. Quem é rico lhe prodigaliza sua riqueza; uma nação orgulhosa precisa de um Deus ao qual pode oferecer sacrifícios... A religião, dentro desses limites, é uma forma de gratidão. O homem é grato por existir: para isso precisa de um Deus. – Tal Deus precisa ser tanto capaz de beneficiar quanto de prejudicar; deve ser capaz representar um amigo ou um inimigo – é admirado tanto pelo bem quanto pelo mal que causa. Castrar esse Deus, contra toda a natureza, transformando-o em um Deus somente bondade, seria contrário à inclinação humana. A humanidade necessita igualmente de um Deus mau e de um Deus bom; não deve agradecer por sua própria existência à mera tolerância e à filantropia... Qual seria o valor de um Deus que desconhecesse o ódio, a vingança, a inveja, o desprezo, a astúcia, a violência? Que talvez nem sequer tenha experimentado os arrebatadores ardeurs(1) da vitória e da destruição? Ninguém entenderia tal Deus: por que alguém o desejaria? – Sem dúvida, quando uma nação está em declínio, quando sente que a crença em seu próprio futuro, sua esperança de liberdade estão se esvaindo, quando começa a enxergar a submissão como primeira necessidade e como medida de autopreservação, então precisa também modificar seu Deus. Ele então se torna hipócrita, tímido e recatado; aconselha a “paz na alma”, a ausência de ódio, a indulgência, o “amor” aos amigos e aos inimigos. Torna-se um moralizador por excelência; infiltra-se em toda virtude privada; transforma-se no Deus de todos os homens; torna-se um cidadão privado, um cosmopolita... Noutros tempos representava um povo, a força de um povo, tudo que em suas almas havia de agressivo e sequioso de poder; agora é simplesmente o bom Deus... Na verdade não há outra alternativa para os Deuses: ou são a vontade de poder – no caso de serem os Deuses de uma nação – ou a inaptidão para o poder – e neste caso precisam ser bons.&lt;br /&gt;1 – Ardores.&lt;br /&gt;XVII&lt;br /&gt;Onde quer que, por qualquer forma, a vontade de poder comece enfraquecer, haverá sempre um declínio fisiológico concomitante, uma décadence. A divindade dessa décadence, despida de suas virtudes e paixões masculinas, é convertida forçosamente em um Deus dos fisiologicamente degradados, dos fracos. Obviamente, eles não se denominam os fracos; denominam-se “os bons”... Nenhuma explicação é necessária para se entender em quais momentos da História a ficção dualista de um Deus bom e um Deus mau se tornou possível pela primeira vez. O mesmo instinto que leva os inferiores a reduzir seu próprio Deus à “bondade em si” também os leva a eliminar todas as qualidades do Deus daqueles que lhes são superiores; vingam-se demonizando o Deus de seus dominadores. – O bom Deus, assim como o Diabo – ambos são frutos da décadence. – Como podemos ser tão tolerantes com o simplismo dos teólogos cristãos, aceitando sua doutrina de que a evolução do conceito de Deus a partir do “Deus de Israel”, o Deus de um povo, ao Deus cristão, a essência de toda a bondade, significa um progresso? – Mas até Renan(1) o fez. Como se Renan tivesse o direito ao simplismo! O contrário, na realidade, é o que se faz ver. Quando tudo que é necessário à vida ascendente; quando tudo que é forte, corajoso, imperioso e orgulhoso foi amputado do conceito de Deus; quando se degenerou progressivamente até tornar-se uma bengala para os cansados, uma tábua de salvação aos que se afogam; quando vira o Deus dos pobres, o Deus dos pecadores, o Deus dos incapazes par excellence, e o atributo de “salvador” ou “redentor” continua como o atributo mais essencial da divindade – qual é a significância de tal metamorfose? O que implica tal redução do divino? – Sem dúvida, com isso o “reino de Deus” cresceu. Antigamente, tinha somente seu povo, seus “escolhidos”. Mas desde então saiu perambulando, assim como seu próprio povo, a territórios estrangeiros; desistiu de acomodar-se; e finalmente passou a sentir-se em casa em qualquer lugar, esse grande cosmopolita – até agora possui a “grande maioria” ao seu lado, e metade da Terra. Mas esse Deus da “grande maioria”, esse democrata entre os Deuses, não se tornou um Deus pagão orgulhoso: pelo contrário, continua um judeu, continua um Deus das esquinas, um Deus de todos os recantos e gretas, de todos lugares insalubres do mundo!... Seu reino na Terra, agora, assim como sempre, é um reino do submundo, um reino subterrâneo, um reino-gueto... Ele mesmo é tão pálido, tão fraco, tão décadent... Até o mais pálido entre os pálidos é capaz de dominá-lo – os senhores metafísicos, os albinos do intelecto. Esses teceram teias ao seu redor por tanto tempo que finalmente o hipnotizaram, o transformaram em aranha, em mais um metafísico. E então retornou mais uma vez ao seu velho serviço de tecer o mundo a partir de sua natureza interior sub specie Spinozae(2); após isso se transformou em algo cada vez mais tênue e pálido – tornou-se o “ideal”, o “puro espírito”, o “absoluto”, a “coisa em si”... O colapso de um Deus: ele converte-se na “coisa em si”.&lt;br /&gt;1 – O filólogo e historiador Ernest Renan (1823-1892), que dera a um dos volumes de sua obra-mestra, Les Origines du Christianisme, precisamente o título L’Atnéchrist. O volume continha uma história das heresias. (Rubens Rodrigues Torres Filho)&lt;br /&gt;2 – Frase de sentido duplo: segundo a óptica de Espinoza e sob a forma de aranha. Trata-se de um jogo de palavras baseado no próprio de Espinoza – spinne significa aranha em alemão. (Pietro Nasseti)&lt;br /&gt;XVIII&lt;br /&gt;A concepção cristã de Deus – Deus o como protetor dos doentes, o Deus que tece teias de aranha, o Deus na forma de espírito – é uma das concepções mais corruptas que jamais apareceram no mundo: provavelmente representa o nível mais ínfero da declinante evolução do tipo divino. Um Deus que se degenerou em uma contradição da vida. Em vez de ser sua própria glória e eterna afirmação! Nele declara-se guerra à vida, à natureza, à vontade de viver! Deus transforma-se na fórmula para todas calúnias contra o “aqui e agora” e para cada mentira sobre “além”! Nele o nada é divinizado e a vontade do nada se faz sagrada!...&lt;br /&gt;XIX&lt;br /&gt;O fato de as raças fortes do Norte da Europa não terem repudiado esse Deus cristão não dá qualquer crédito aos seus dotes religiosos – para não mencionar seus gostos. Deveriam ter sido capazes de sobrepujar tal moribundo e decrépito produto da décadence. Uma maldição paira sobre eles porque não o repeliram; absorveram em seus instintos a enfermidade, a senilidade e a contradição – e a partir de então não criaram mais nenhum Deus. Dois mil anos se passaram – e nem um único Deus novo! Em vez disso, ainda existe como que por algum direito intrínseco – como se fosse um ultimatum(1) e maximum(2) da força criadora de divindades, do creator spiritus(3) da humanidade –, esse deplorável Deus do monótono-teísmo cristão! Essa imagem híbrida da decadência, destilada do nada, da contradição e da imaginação estéril, na qual todos os instintos da décadence, todas as covardias e cansaços da alma encontram sua sanção! –&lt;br /&gt;1 – Última palavra.&lt;br /&gt;2 – Máximo.&lt;br /&gt;3 – Espírito criador.&lt;br /&gt;XX&lt;br /&gt;Em minha condenação do cristianismo certamente espero não injustiçar uma religião análoga que possui um número ainda maior de seguidores: aludo ao budismo. Ambas devem ser consideradas religiões niilistas – são religiões da décadence – mas distinguem-se de um modo bastante notável. Pelo simples fato de poder compará-las, o crítico do Cristianismo está em débito com os estudiosos da Índia. – O budismo é cem vezes mais realista que o cristianismo – é parte de sua herança de vida ser capaz de encarar problemas de modo objetivo e impassível; é o produto de longos séculos de especulação filosófica. O conceito “Deus” já havia se estabelecido antes dele surgir. O budismo é a única religião genuinamente positiva que pode ser encontrada na História, e isso se aplica até mesmo à sua epistemologia (que é um fenomenalismo estrito) – ele não fala sobre “a luta contra o pecado”, mas, rendendo-se à realidade, diz “a luta contra o sofrimento”. Diferenciando-se nitidamente do cristianismo, coloca a autodecepção que existe nos conceitos morais por detrás de si; isso significa, em minha linguagem, além do bem e do mal. – Os dois fatos fisiológicos nos quais se apóia e aos quais direciona a maior parte de sua atenção são: primeiro, uma excessiva sensibilidade à sensação que se manifesta através de uma refinada suscetibilidade ao sofrimento; segundo, uma extraordinária espiritualidade, uma preocupação muito prolongada com os conceitos e com os procedimentos lógicos, sob a influência da qual o instinto de personalidade submete-se à noção de “impessoalidade” (– ambos esses estados serão familiares a alguns de meus leitores, os objetivistas, por experiência própria, assim como são para mim). Esses estados fisiológicos produzem uma depressão, e Buda tentou combatê-la através de medidas higiênicas. Prescreveu a vida ao ar livre, a vida nômade; moderação na alimentação e uma cuidadosa seleção dos alimentos; prudência em relação ao uso de intoxicantes; igual cautela em relação a quaisquer paixões que induzem comportamentos biliosos e aquecimento do sangue; finalmente, não se preocupar nem consigo nem com os outros. Encoraja idéias que produzam serenidade ou alegria – e encontra meios de combater as idéias de outros tipos. Entende o bem, o estado de bondade, como algo que promove a saúde. A oração não está inclusa, e nem o asceticismo. Não há um imperativo categórico ou qualquer disciplina, mesmo dentro dos monastérios (– dos quais é sempre permitido sair –). Todas essas coisas seriam simplesmente meios para aumentar aquela excessiva sensibilidade supramencionada. Pelo mesmo motivo não advoga qualquer conflito contra os incrédulos; seus ensinamentos não antagonizam nada senão a vingança, a aversão, o ressentimento (– “inimizade nunca põe fim à inimizade”: o refrão que move o budismo...) E nisso tudo estava correto, pois são precisamente essas paixões que, na perspectiva de seu principal objetivo regimental, são insalubres. A fadiga mental que apresenta, já claramente evidenciada pelo excesso de “objetividade” (isto é, a perda do interesse em si mesmo, a perda do equilíbrio e do “egoísmo”), é combatida por vigorosos esforços a fim de levar os interesses espirituais de volta ao ego. Nos ensinamentos de Buda o egoísmo é um dever. A “única coisa necessária”, a questão “como posso me libertar do sofrimento”, é o que rege e determina toda a dieta espiritual (– talvez alguém lembrar-se-á daquele ateniense que também declarou guerra ao “cientificismo” puro, a saber, Sócrates, que também elevou o egoísmo à condição de princípio moral).&lt;br /&gt;XXI&lt;br /&gt;As necessidades do budismo são um clima extremamente ameno, muita gentileza e liberalidade nos costumes, e nenhum militarismo; ademais, que seu início provenha das classes mais altas e educadas. Alegria, serenidade e ausência de desejo são os objetivos principais, e eles são alcançados. O budismo não é uma religião na qual a perfeição é meramente objeto de aspiração: a perfeição é algo normal. – No cristianismo os instintos dos subjugados e dos oprimidos vêm em primeiro lugar: apenas os mais rebaixados buscam a salvação através dele. Nele o passatempo prevalecente, a cura favorita para o enfado, é a discussão sobre pecados, a autocrítica, a inquisição da consciência; nele a emoção produzida pelo poder (chamada de “Deus”) é insuflada (pela reza); nele o bem mais elevado é considerado algo inatingível, uma dádiva, uma “graça”. Também falta transparência: o encobrimento e os lugares obscurecidos são cristãos. Nele o corpo é desprezado e a higiene é acusada de lascívia; a Igreja distancia-se até da limpeza (– a primeira providência cristã após a expulsão dos mouros foi fechar os banhos públicos, dos quais havia 270 apenas em Córdoba). Também é cristã uma certa crueldade para consigo e para com os outros; o ódio aos incrédulos; o desejo de perseguir. Idéias sombrias e inquietantes ocupam o primeiro plano; os estados mentais mais estimados, portando os nomes mais respeitáveis, são epileptiformes; a dieta é determinada com o fim de engendrar sintomas mórbidos e supra-estimulação nervosa. Também é cristã toda a inimizade mortal aos senhores da terra, aos “aristocratas” – juntamente com uma rivalidade secreta contra eles (– resignam-se do “corpo” – querem apenas a “alma”...). É cristão todo o ódio contra o intelecto, o orgulho, a coragem, a liberdade, a libertinagem intelectual; o ódio aos sentidos, à alegria dos sentidos, à alegria em geral, é cristão...&lt;br /&gt;XXII&lt;br /&gt;Quando o cristianismo abandonou sua terra natal, aqueles das classes mais baixas, o submundo da&lt;br /&gt;Antigüidade, e começou a buscar poder entre os povos bárbaros, não tinha mais de se relacionar com homens exauridos, mas homens ainda intimamente selvagens e capazes de sacrifícios – em suma, homens fortes, mas atrofiados. Aqui, distintamente do caso dos budistas, a causa do descontentamento consigo, do sofrimento por si, não é meramente uma sensibilidade extremada e uma suscetibilidade à dor, mas, ao contrário, uma excessiva ânsia por infligir sofrimento aos outros, uma tendência a obter uma satisfação subjetiva em feitos e idéias hostis. O cristianismo tinha de adotar conceitos e valorações bárbaras para obter domínio sobre os bárbaros: assim como, por exemplo, o sacrifício do primogênito, a ingestão de sangue como um sacramento, o desprezo pelo intelecto e pela cultura; a tortura sob todas as suas formas, corporal e espiritual; toda a pompa do culto. O budismo é uma religião para pessoas em um estágio mais adiantado de desenvolvimento, para raças que se tornaram gentis, amenas e demasiado espiritualizadas (– a Europa ainda não está madura para ele –): é um convite de retorno à paz e à felicidade, a um cuidadoso racionamento do espírito, a um certo enrijecimento do corpo. O cristianismo visa dominar animais de rapina; sua estratégia consiste em torná-los doentes – enfraquecer é a receita cristã para domesticar, para “civilizar”. O budismo é uma religião para o final, para os derradeiros estágios de cansaço da civilização. O cristianismo surge antes da civilização mal ter começado – sob certas circunstâncias cria as próprias fundações desta.&lt;br /&gt;XXIII&lt;br /&gt;O Budismo, eu repito, é uma centena de vezes mais austero, mais honesto, mais objetivo. Não precisa mais justificar suas aflições, sua suscetibilidade ao sofrimento, interpretando essas coisas em termos de pecado – simplesmente diz o que simplesmente pensa: “eu sofro”. Para o bárbaro, entretanto, o sofrimento em si é pouco compreensível: o que necessita é, em primeiro lugar, uma explicação sobre o porquê de seu sofrimento (o seu instinto leva-o a negar completamente seu sofrimento, ou a suportá-lo em silêncio). Aqui a palavra “Diabo” era uma bênção: o homem devia possuir um inimigo onipotente e terrível – não havia motivos para envergonhar-se por sofrer nas mãos de tal inimigo.&lt;br /&gt;– No seu íntimo o cristianismo possui várias sutilezas que pertencem ao Oriente. Em primeiro lugar, sabe que é de pouca relevância se uma coisa é verdadeira ou não, desde que se acredite que é verdadeira. Verdade e fé: aqui temos dois mundos de idéias inteiramente distintas, praticamente dois mundos diametralmente opostos – os seus caminhos distam milhas um do outro. Entender esse fato a fundo – isso é quase o suficiente, no Oriente, para fazer de alguém um sábio. Os brâmanes sabiam disso, Platão sabia disso, todo estudante de esoterismo sabe disso. Quando, por exemplo, um homem sente qualquer prazer através da idéia de que foi redimido do pecado, não é necessário que seja realmente pecador, mas que simplesmente sinta-se pecador. Mas quando a fé é exaltada acima de tudo, disso segue-se necessariamente o descrédito à razão, ao conhecimento e à investigação meticulosa: o caminho que leva à verdade torna-se proibido. – A esperança, em suas formas mais vigorosas, é um estimulante muito mais poderoso à vida que qualquer espécie de felicidade efetiva. Para o homem resistir ao sofrimento deve possuir uma esperança tão elevada que nenhum conflito com a realidade possa destruí-la – de fato, tão elevada que nenhuma conquista possa satisfazê-la: uma esperança que alcança além deste mundo (precisamente por causa do poder que a esperança tem de fazer os sofredores persistirem, os gregos a consideravam o mal entre os males, como o mais maligno de todos males; permaneceu no fundo da fonte de todo o mal(1)). – Para que o amor seja possível, Deus deve tornar-se uma pessoa; para que os instintos mais baixos tenham seu espaço, Deus precisa ser jovem. Para satisfazer o ardor das mulheres, um santo formoso deve aparecer na cena; para satisfazer o dos homens, deve haver uma virgem. Tais coisas são necessárias se o cristianismo quiser assumir controle sobre um solo no qual o culto de Afrodite ou de Adônis já tenha estabelecido a noção de como uma adoração deve ser. Insistir na castidade aumenta grandemente a veemência e a subjetividade do instinto religioso – torna o culto mais fervoroso, mais entusiástico, mais espirituoso. – O amor é o estado no qual o homem vê as coisas quase totalmente como não são. A força da ilusão alcança seu ápice aqui, assim como a capacidade para a suavização e para a transfiguração. Quando um homem está apaixonado sua tolerância atinge ao máximo; tolera-se qualquer coisa. O problema consistia em inventar uma religião na qual se pudesse amar: através disso o pior que a vida tem a oferecer é superado – tais coisas sequer serão notadas. – Tudo isso se alcança com as três virtudes cristãs: fé, esperança e caridade: as denomino as três habilidades cristãs. – O budismo encontra-se em um estágio de desenvolvimento demasiado avançado, demasiado positivista para ter esse tipo de astúcia. –&lt;br /&gt;1 – Ou seja, na caixa de Pandora. (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;XXIV&lt;br /&gt;Aqui apenas toco superficialmente o problema da origem do cristianismo. A primeira coisa necessária para resolver o problema é a seguinte: que o cristianismo deve ser compreendido apenas a partir da análise do solo em que se originou – não é uma reação contra os instintos judaicos; é sua conseqüência inevitável; é simplesmente mais um passo dentro da intimidante lógica dos judeus. Nas palavras do Salvador: “a salvação vem dos judeus”(1). – A segunda coisa a ser lembrada é esta: que o tipo psicológico do Galileu(2) ainda é reconhecível, mas que apenas em sua forma mais degenerada (mutilado e sobrecarregado com características estrangeiras) pôde servir da maneira em que foi utilizado: como tipo para Salvador da humanidade.&lt;br /&gt;– Os judeus são o povo mais notável da História, pois quando foram confrontados com o dilema do ser ou não ser, escolheram, através de uma deliberação excepcionalmente lúcida, o ser a qualquer preço: esse preço envolvia uma radical falsificação de toda a natureza, de toda a naturalidade, de toda a realidade, de todo o mudo interior e também o exterior. Colocaram-se contra todas aquelas condições sob as quais, até agora, os povos foram capazes de viver, ou até mesmo tiveram o direito de viver; a partir deles se desenvolveu uma idéia que se encontrava em direta oposição às condições naturais – sucessivamente distorceram a religião, a civilização, a moral, a história e a psicologia até as transformar em uma contradição de sua significação natural. Nós encontramos o mesmo fenômeno mais adiante, em uma forma incalculavelmente exagerada, mas apenas como uma cópia: a Igreja cristã, comparada ao “povo eleito”, exibe absoluta ausência de qualquer pretensão à originalidade. Precisamente por esse motivo os judeus são o povo mais funesto de toda a história universal: sua influência causou tal falsificação na racionalidade da humanidade que hoje um cristão pode sentir-se anti-semita sem se dar conta de que ele próprio não é senão a última conseqüência do judaísmo.&lt;br /&gt;Em minha “Genealogia da Moral” apresentei a primeira explicação psicológica dos conceitos subjacentes a estas coisas antitéticas: uma moral nobre e uma moral do ressentimento, a segunda sendo um mero produto da negação da primeira. O sistema moral judaico-cristão pertence à segunda divisão, e em todos os sentidos. Para ser capaz de dizer Não a tudo que representa uma evolução ascendente da vida – isto é, ao bem-estar, ao poder, à beleza, à auto-afirmação – os instintos do ressentimento, aqui completamente transformados em gênio, tiveram de inventar outro mundo no qual a afirmação da vida representasse as maiores malignidades e abominações imagináveis. Psicologicamente, os judeus são pessoas dotadas da mais forte vitalidade, tanto que, quando se viram frente a condições onde a vida era impossível, escolheram voluntariamente, e com um profundo talento para a autopreservação, tomar o lado de todos os instintos que produzem a decadência – não por estarem dominados por eles, mas como que adivinhando neles o poder através do qual “o mundo” poderia ser desafiado. Os judeus são exatamente o oposto dos decadentes: simplesmente foram forçados se mostrar com esse disfarce, e com um grau de habilidade próximo ao non plus ultra(3) do gênio histriônico conseguiram se colocar à frente de todos of movimentos decadentes (– por exemplo, o cristianismo de Paulo –), e assim fazerem-se algo mais forte que qualquer partido de afirmação da vida. Para o tipo de homens que aspiram ao poder no judaísmo e no cristianismo – em outras palavras, a classe sacerdotal – a decadência não é senão um meio. Homens desse tipo têm um interesse vital em tornar a humanidade enferma, em confundir os valores de “bom” e “mau”, “verdadeiro” e “falso” de uma maneira que não é apenas perigosa à vida, mas que também a falsifica.&lt;br /&gt;1 – João 4:22.&lt;br /&gt;2 – A palavra possui forte conotação histórica, pois assim era mais freqüentemente designado Cristo no séc IV, na época das grandes lutas entre pagãos ou helenos, liderados pelo imperador Juliano, e os cristãos alcunhados depreciativamente Galileus, fanáticos do Galileu. (Pietro Nasseti)&lt;br /&gt;3 – Não mais além, isto é, algo inexcedível, que não se ultrapassa.&lt;br /&gt;XXV&lt;br /&gt;A história de Israel é inestimável como uma típica história de uma tentativa de deturpar todos os valores naturais: exponho três fatos corroboram isso. Originalmente, e acima de tudo no tempo da monarquia, Israel manteve uma atitude justa em relação às coisas, ou seja, uma atitude natural. O seu Iavé(1) era a expressão da consciência de seu próprio poder, de sua alegria consigo mesmo, da esperança que tinha em si: através dele os judeus buscavam a vitória e a salvação, através dele esperavam que a natureza lhes desse tudo que fosse necessário para sua existência – acima de tudo, chuva. Iavé é o Deus de Israel e, conseqüentemente, o Deus da justiça: essa é a lógica de toda raça que possui poder em suas mãos e que o utiliza com a consciência tranqüila. Na cerimônia religiosa dos judeus ambos aspectos dessa auto-afirmação ficam manifestos. A nação é grata pelo grande destino que a possibilitou obter domínio; é grata pela benéfica regularidade na mudança das estações e por toda a fortuna que favorece seus rebanhos e colheitas. – Essa visão das coisas permaneceu ideal por um longo período, mesmo após ter sido despojada de validade tragicamente: dentro, a anarquia, fora, os assírios. Mas o povo ainda conservou, como uma projeção de sua mais alta aspiração, a visão de um rei que era ao mesmo tempo um galante guerreiro e um decoroso juiz – foi conservada sobretudo por aquele profeta típico (ou seja, crítico e satírico do momento), Isaías. – Mas toda a esperança foi vã. O velho Deus não podia mais fazer o que fizera noutros tempos. Deveria ter sido abandonado. Mas o que ocorreu de fato? Simplesmente isto: sua concepção foi mudada – sua concepção foi desnaturalizada; esse foi o preço que tiveram de pagar para mantê-lo. – Iavé, o Deus da “justiça” – não está mais de acordo com Israel, não representa mais o egoísmo da nação; agora é apenas um Deus condicionado... A noção pública desse Deus agora se torna meramente uma arma nas mãos de agitadores clericais, que interpretam toda felicidade como recompensa e toda desgraça como punição em termos de obediência ou desobediência a Deus, em termos de “pecado”: a mais fraudulenta das interpretações imagináveis, através da qual a “ordem moral do mundo” é estabelecida e os conceitos fundamentais, “causa” e “efeito”, são colocados de ponta cabeça. Uma vez que o conceito de causa natural é varrido do mundo por doutrinas de recompensa e punição, algum tipo de causalidade inatural torna-se necessária: seguem-se disso todas as outras variedades de negação da natureza. Um Deus que ordena – no lugar de um Deus que ajuda, que dá conselhos, que no fundo é meramente um nome para cada feliz inspiração de coragem e autoconfiança...&lt;br /&gt;A moral já não é mais um reflexo das condições que promovem vida sã e o crescimento de um povo; não é mais um instinto vital primário; em vez disso se tornou algo abstrato e oposto à vida – uma perversão dos fundamentos da fantasia, um “olhar maligno” contra todas as coisas. Que é a moral judaica? Que é a moral cristã? A sorte despida de sua inocência; a infelicidade contaminada com a idéia de “pecado”; o bem-estar considerado como um perigo, como uma “tentação”; um desarranjo fisiológico causado pelo veneno do remorso...&lt;br /&gt;1 – Uma das designações do Deus de Israel utilizadas nos Livros Sagrados. (Pietro Nasseti)&lt;br /&gt;XXVI&lt;br /&gt;O conceito de Deus falsificado; o conceito de moral falsificado; – mas mesmo aqui os feitos dos padres judaicos não cessaram. – Toda a história de Israel não lhes tinha qualquer valor: então a dispensaram! – Tais padres realizaram essa prodigiosa falsificação da qual grande parte da Bíblia é uma evidência documentária; com um grau de desprezo sem paralelos, e em face de toda a tradição e toda a realidade histórica, traduziram o passado de seu povo em termos religiosos, ou seja, converteram-no em um mecanismo imbecil de salvação, através do qual todas ofensas contra Iavé eram punidas e toda devoção recompensada. Nós consideraríamos esse ato de falsificação histórica algo muito mais vergonhoso se a familiaridade com a interpretação eclesiástica da história por milhares anos não tivesse embotado nossas inclinações à retidão inhitoricis(1). E os filósofos apóiam a Igreja: a mentira sobre a “ordem moral do mundo” permeia toda a filosofia, mesmo a mais recente. O que significa uma “ordem moral do mundo”? Significa que existe uma coisa chamada vontade de Deus, a qual determina o que o homem deve ou não fazer; que a dignidade de um povo ou de um indivíduo deve ser medida pelo seu grau de obediência ou desobediência à vontade de Deus; que os destinos de um povo ou de um indivíduo são controlados por essa vontade de Deus, que recompensa ou pune de acordo com a obediência ou desobediência manifestadas. – Em lugar dessa deplorável mentira, a realidade teria isto a dizer: o padre, essa espécie parasitária que existe às custas da toda vida sã, usa o nome de Deus em vão: chama o estado da sociedade humana no qual ele próprio determina o valor de todas as coisas de “o reino de Deus”; chama os meios através dos quais esse estado é alcançado de “vontade de Deus”; com um cinismo glacial, avalia todos povos, todas épocas e todos indivíduos através de seu grau de subserviência ou oposição do poder da ordem sacerdotal. Observemo-lo em serviço: pelas mãos do sacerdócio judaico a grande época de Israel transfigurou-se em uma época de declínio; a Diáspora, com sua longa série de infortúnios, foi transformada em uma punição pela grande época – na qual os padres ainda não significavam nada. Transformaram, de acordo com suas necessidades, os heróis poderosos e absolutamente livres da história de Israel ou em fanáticos miseráveis e hipócritas, ou em homens totalmente “ímpios”. Reduziram todos grandes acontecimentos à estúpida fórmula: “obedientes ou desobedientes a Deus”. – E foram mais adiante: a “vontade de Deus” (em outras palavras, as condições necessárias para a preservação do poder dos padres) tinha de ser determinada – e para tal fim necessitavam de uma “revelação”. Dizendo de modo mais claro, uma enorme fraude literária teve de ser perpetrada, “sagradas escrituras” tiveram de ser forjadas – e então, com grandiosa pompa hierática e dias penitência e muita lamentação pelos longos dias de “pecado” agora terminados, foram devidamente publicadas. A “vontade de Deus”, ao que parece, há muito já havia sido estabelecida; o problema foi que a humanidade negligenciou as “sagradas escrituras”... Mas a “vontade de Deus” já havia sido revelada a Moisés... O que ocorreu? Simplesmente isto: os padres tinham formulado, de uma vez por todas e com a mais estrita meticulosidade, que tributos deveriam ser-lhe pagos, desde o maior até o menor (– não se esquecendo dos mais apetitosos cortes de carne, pois o padre é um grande consumidor de bifes); em suma, ele disse o que desejava ter, qual era a “vontade de Deus”... Desse tempo em diante as coisas se organizam de tal modo que o padre tornou-se indispensável em todos os lugares; em todos os importantes eventos naturais da vida, no nascimento, no casamento, na enfermidade, na morte, para não falar no “sacrifício” (ou seja, na ceia), o sacro-parasita se apresenta para os desnaturalizar – na sua linguagem, para os “santificar”... Pois é necessário salientar isto: que todo hábito natural, toda instituição natural (o Estado, a administração da Justiça, o casamento, os cuidados prestados aos doentes e pobres), tudo que é exigido pelo instinto vital, em suma, tudo que tem valor em si mesmo é reduzido a algo absolutamente imprestável e até transformado no oposto ao que é valoroso pelo o parasitismo dos padres (ou, se alguém preferir, pela “ordem moral do mundo”). O fato precisa de uma sanção – um poder para criarvalores faz-se necessário, e tal poder só pode valorar através da negação da natureza... O padre deprecia e profana a natureza: esse é o preço para que possa existir. – A desobediência a Deus, ou seja, a desobediência ao padre, à lei, agora porta o nome de “pecado”; os meios prescritos para a “reconciliação com Deus” são, é claro, precisamente os que induzem mais eficientemente um indivíduo a sujeitar-se ao padre; apenas ele “salva”. Considerados psicologicamente, os “pecados” são indispensáveis em toda sociedade organizada sobre fundamentos eclesiásticos; são os únicos instrumentos confiáveis de poder; o padre vive do pecado; tem necessidade de que existam “pecadores”... Axioma Supremo: “Deus perdoa a todo aquele que faz penitência” – ou, em outras palavras, a todo aquele que se submete ao padre.&lt;br /&gt;1 – Nas questões históricas.&lt;br /&gt;XXVII&lt;br /&gt;O cristianismo se desenvolveu a partir de um solo tão corrupto que nele todo o natural, todo valor natural, toda realidade se opunha aos instintos mais profundos da classe dominante – surgiu como uma espécie de guerra de morte contra a realidade, e como tal nunca foi superada. O “povo eleito” que para todas as coisas adotou valores sacerdotais e nomes sacerdotais, e que, com aterrorizante lógica, rejeitou tudo que era terrestre como “profano”, “mundano”, “pecaminoso” – esse povo colocou seus instintos em uma fórmula final que era conseqüente até o ponto da auto-aniquilação: como cristianismo, de fato negou mesmo a última forma da realidade, o “povo sagrado”, o “povo eleito”, a própria realidade judaica. O fenômeno tem importância de primeira ordem: o pequeno movimento insurrecional que levou o nome de Jesus de Nazaré é simplesmente o instinto judaico redivivus(1) – em outras palavras, é o instinto sacerdotal que não consegue mais suportar sua própria realidade; é a descoberta de um estado existencial ainda mais abstrato, de uma visão da vida ainda mais irreal que a necessária para uma organização eclesiástica. O cristianismo de fato nega a igreja...&lt;br /&gt;Não sou capaz de determinar qual foi o alvo da insurreição da qual Jesus foi considerado – seja isso verdade ou não – o promotor, caso não seja a Igreja judaica – a palavra “igreja” sendo usada aqui exatamente no mesmo sentido que possui hoje. Era uma insurreição contra “os bons e os justos”, contra os “Santos de Israel”, contra toda a hierarquia da sociedade – não contra a corrupção, mas contra as castas, o privilégio, a ordem, o formalismo. Era uma descrença no “homem superior”, um Não arremessado contra tudo que padres e teólogos defendiam. Mas a hierarquia que foi posta em causa por&lt;br /&gt;esse movimento, ainda que por apenas um instante, era uma jangada que, acima de tudo, era necessária à segurança do povo judaico em meio às “águas” – representava sua última possibilidade de sobrevivência; era o último residuum(2) de sua existência política independente; um ataque contra isso era um ataque contra o mais profundo instinto nacional, contra a mais tenaz vontade de viver de um povo que jamais existiu sobre a Terra. Esse santo anarquista incitou o povo de baixeza abissal, os réprobos e “pecadores”, os chandala do judaísmo a emergirem em revolta contra a ordem estabelecida das coisas – e com uma linguagem que, se os Evangelhos merecem crédito, hoje o conduziria à Sibéria –, esse homem certamente era um criminoso político, ao menos tanto quanto era possível o ser em uma comunidade tão absurdamente apolítica. Foi isso que o levou à cruz: a prova consiste na inscrição colocada sobre ela. Morreu pelos seus pecados – não há qualquer razão para se acreditar, não importa quanto isso seja afirmado, que tenha morrido pelo pecado dos outros. –&lt;br /&gt;1 – Que retornou à vida; ressuscitado.&lt;br /&gt;2 – Resíduo.&lt;br /&gt;XXVIII&lt;br /&gt;Se ele próprio era consciente dessa contradição – ou se, de fato, essa era a única da qual tinha conhecimento – essa é uma questão totalmente distinta. Aqui, pela primeira vez, toco o problema da psicologia do Salvador. – Para começar, confesso que muitos poucos livros, para mim, são mais difíceis de ler que os Evangelhos. Minhas dificuldades são bastante diferentes daquelas que possibilitaram à curiosidade letrada da mente alemã perpetrar um de seus triunfos mais inesquecíveis. Faz um longo tempo desde que eu, como qualquer outro jovem erudito, desfrutava da incomparável obra de Strauss(1) com toda a sapiente laboriosidade de um meticuloso filólogo. Naquele tempo possuía vinte anos: agora sou sério demais para esse tipo de coisa. Que me importam as contradições da “tradição”? Como alguém pode chamar lendas de santos de “tradição”? As histórias de santos são a mais dúbia variedade de literatura existente; examiná-las à luz do método científico na ausência total de documentos corroborativos a mim parece condenar toda a investigação desde suas origens – isso seria simplesmente uma divagação erudita...&lt;br /&gt;1 – David Friedrich Strauss (1808-74), autor de “Das Leben Jesu” (1835-6), uma obra muito famosa em sua época. Nietzsche se refere a ela. (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;XXIX&lt;br /&gt;O que me importa é o tipo psicológico do Salvador. Esse tipo talvez seja descrito nos evangelhos, apesar de que em uma forma mutilada e saturada de caracteres estrangeiros – isto é, a despeito dos Evangelhos; assim como a figura de Francisco de Assis se apresenta em suas lendas a despeito de suas lendas. A questão não é a veracidade das evidências sobre seus feitos, seus ditos ou sobre como foi sua morte; a questão é se seu tipo ainda pode ser compreendido, se foi conservado. – Todas as tentativas de que tenho conhecimento de se ler a história da “alma” nos Evangelhos revelam para mim apenas uma lamentável leviandade psicológica. O Senhor Renan, esse arrivista in psychologicis(1), contribuiu às duas noções mais inadequadas concernentes à explicação do tipo de Jesus: a noção de gênio e a de herói (“heros”). Mas se existe alguma coisa essencialmente antievangélica, certamente é a noção de herói. O que os Evangelhos tornam instintivo é precisamente o oposto de todo o esforço heróico, de todo o gosto pelo conflito: a incapacidade de resistência converte-se aqui em algo moral: (“não resistas ao mal” – a mais profunda sentença dos Evangelhos, talvez a verdadeira chave para eles) a saber, na bem-aventurança da paz, da bondade, na incapacidade para a inimizade. Qual o significado da “boa-nova”? – Que verdadeira vida, a vida eterna foi encontrada – não foi meramente prometida, está aqui, está em você; é a vida que se encontra no amor livre de todos os retraimentos e exclusões, livre de todas as distâncias. Todos são filhos Deus, Jesus não reivindica nada apenas para si; como filhos de Deus, todos os homens são iguais... Imagine fazer de Jesus um herói! – E que tremenda incompreensão escorre da palavra “gênio”! Toda nossa concepção do “espiritual”, toda concepção de nossa civilização não possui qualquer sentido no mundo em que Jesus viveu. Falando com o rigor de um fisiologista, uma palavra bastante diferente deveria ser usada aqui... Todos sabemos que há uma sensibilidade mórbida dos nervos táteis que faz com que os sofredores evitem todo o tocar, se retraiam ante a necessidade de agarrar um objeto sólido. Infere-se disso que, em última instância, tal habitatus(2) fisiológico transforma-se em um ódio instintivo contra toda a realidade, em uma fuga ao “intangível”, ao “incompreensível”; uma repugnância por toda fórmula, por todas noções de tempo e espaço, por todo o estabelecido – costumes, instituições, Igreja –; a sensação de estar em casa em um mundo sem contado com a realidade, um mundo exclusivamente “interior”, um mundo “verdadeiro”, um mundo “eterno”... “O reino de Deus está dentro de vós”...&lt;br /&gt;1 – Em assuntos psicológicos.&lt;br /&gt;2 – Comportamento.&lt;br /&gt;XXX&lt;br /&gt;O ódio instintivo contra a realidade: a conseqüência de uma extremada suscetibilidade à dor e irritação – tão intensa que meramente ser “tocado” torna-se insuportável, pois cada sensação manifesta-se muito profundamente.&lt;br /&gt;A exclusão instintiva de toda aversão, toda hostilidade, todas as fronteiras e distâncias no sentimento: a conseqüência de uma extremada suscetibilidade à dor e irritação – tão grande que sente toda a resistência, toda a compulsão à resistência como uma angústia insuportável (– em outros termos, como nocivo, como proibido pelo instinto de autopreservação), e considera a bem-aventurança (alegria) como algo possível apenas após não ser mais necessário oferecer resistência a nada nem a ninguém, nem mesmo ao mal e ao perigoso – amor como única, como a última possibilidade de vida...&lt;br /&gt;Essas são as duas realidades fisiológicas a partir das quais e por causa das quais a doutrina da salvação se desenvolveu. Denomino-as um sublime hedonismo superdesenvolvido assentado sobre um solo completamente insalubre. O que fica mais próximo delas, apesar de misturado com uma grande dose de vitalidade grega e força nervosa, é o epicurismo, a teoria da salvação do paganismo. Epicuro era um típicodecadente: fui o primeiro a reconhecê-lo. – O medo da dor, mesmo da dor infinitamente pequena – o resultado disso não pode ser qualquer coisa exceto uma religião do amor...&lt;br /&gt;XXXI&lt;br /&gt;Antecipadamente dei minha resposta ao problema. Seu pré-requisito é a assunção de que o tipo do Salvador chegou até nós com sua forma altamente distorcida. Tal distorção é muito provável: há muitos motivos para que esse tipo não deva ser transmitido em sua forma pura, completa e livre de acréscimos. O ambiente no qual esta estranha figura se movia deve ter deixado vestígios nela, e ainda mais deve ter sido feito pela história, pelo destino das primeiras comunidades cristãs; a última, de fato, deve ter embelezado o tipo retrospectivamente com caracteres que apenas podem ser compreendidos enquanto finalidades de guerra e propaganda. Aquele mundo estranho e doentio ao qual os Evangelhos nos conduzem – um mundo aparentemente vindo de uma novela russa, no qual a escória da sociedade, as moléstias nervosas e a idiotice “pueril” se reúnem – deve, de qualquer modo, ter tornado o tipo grosseiro: os primeiros discípulos, em particular, devem ter sido forçados a traduzir, com sua crueza própria, um ser totalmente formado por símbolos e coisas ininteligíveis para poderem compreender alguma coisa – na visão deles o tipo apenas existiu após ter sido reformado em moldes mais familiares... O profeta, o messias, o futuro juiz, o professor de moral, o milagreiro, João Batista – todas simplesmente chances de desfigurá-lo... Finalmente, não subestimemos o proprium(1) de todas as grandes venerações, especialmente as sectárias: tendem a apagar dos objetos venerados todas as características originais e idiossincrasias, não raro dolorosamente estranhas – nem mesmo os vê. Deve-se lamentar muito que nenhum Dostoievski tenha vivido nas vizinhanças do mais interessante dos décadents – ou seja, alguém que teria sentido o comovente encanto de tal mistura do sublime, do mórbido e do infantil. Em última análise, o tipo, enquanto tipo da decadência, talvez possa realmente ter sido peculiarmente complexo e contraditório: não se deve excluir essa possibilidade. Contudo, as probabilidades parecem estar em seu desfavor, pois neste caso a tradição teria sido particularmente precisa e objetiva, enquanto temos razões para admitir o contrário. Entretanto, existe uma contradição entre o pacífico pregador das montanhas, dos lagos e dos campos, que parece como um novo Buda em um solo muito pouco indiano, e o fanático agressivo, o inimigo mortal dos teólogos e dos eclesiásticos, que é glorificado pela malícia de Renan como “lê grand maitre em ironie(2)”. Pessoalmente não tenho qualquer dúvida de que a maior parte desse veneno (e não menos de esprit(3)) haja penetrado no tipo do Mestre apenas como um resultado da agitada natureza da propaganda cristã: todos conhecemos a inescrupulosidade dos sectários quando decidem fazer de seu líder uma apologia para si mesmos. Quando os primeiros cristãos precisaram de um teólogo hábil, contencioso, pugnaz e maliciosamente sutil para enfrentar outros teólogos, criaram um “Deus” para satisfazer tal necessidade, exatamente como também, sem hesitação, colocaram em sua boca certas idéias que eram necessárias a eles, mas totalmente divergentes dos Evangelhos – “a volta de Cristo”, “o juízo final”, todos os tipos de expectativas e promessas temporais. –&lt;br /&gt;1 – Propriedade, qualidade.&lt;br /&gt;2 – O grande mestre em ironia.&lt;br /&gt;3 – Espírito, ironia.&lt;br /&gt;XXXII&lt;br /&gt;Repito que me oponho a todos os esforços para introduzir o fanatismo na figura do Salvador: a própria palavra imperieux(1), usada por Renan, sozinha é suficiente para anular o tipo. A “boa-nova” nos diz simplesmente que não existem mais contradições; o reino de Deus pertence às crianças; a fé anunciada aqui não é mais conquistada por lutas – está ao alcance das mãos, existiu desde o princípio, é um tipo de infantilidade que se refugiou no espiritual. Tal puberdade retardada e incompleta dos organismos é familiar aos fisiologistas como sintoma da degeneração. A fé desse tipo não é furiosa, não denuncia, não se defende: não empunha “espada” – não entende como poderia um dia colocar homem contra homem. Não se manifesta através de milagres, recompensas, promessas ou “escrituras”: é, do principio ao fim, seu próprio milagre, sua própria recompensa, sua própria promessa, seu próprio “reino de Deus”. Essa fé não se formula – simplesmente vive, e assim guarda-se contra fórmulas. Com certeza, a casualidade do&lt;br /&gt;ambiente, da formação educacional dá proeminência aos conceitos de certa espécie: no cristianismo primitivo encontramos apenas noções de caráter judaico-semítico (– a de comer e beber em comunhão pertence a esta categoria – uma idéia que, como tudo que é judaico, foi severamente fustigada pela Igreja). Cuidemo-nos para não ver nisso tudo mais que uma linguagem simbólica, uma semântica(2), uma oportunidade para falar em parábolas. A teoria de que nenhuma palavra deve ser tomada ao pé da letra era um pressuposto para que este anti-realista pudesse discursar. Colocado entre hindus teria usado os conceitos de Shanhya(3), e entre chineses os de Lao-Tsé(4) – e em ambos os casos isso não faria qualquer diferença a ele. – Tomando uma pequena liberdade no uso das palavras, alguém poderia de fato chamar Jesus de “espírito livre(5)” – não lhe importa o que está estabelecido: a palavra mata(6), tudo aquilo que é estabelecido mata. A noção de “vida” como uma experiência, como apenas ele a concebe, a seu ver encontra-se em oposição a todo tipo de palavra, fórmula, lei, crença e dogma. Fala apenas de coisas interiores: “vida”, ou “verdade”, ou “luz”, são suas palavras para o mundo interior – a seu ver todo o resto, toda a realidade, toda natureza, mesmo a linguagem, tem valor apenas como um sinal, uma alegoria. – Aqui é de suprema importância não se deixar conduzir ao erro pelas tentações existentes nos preconceitos cristãos, ou melhor, eclesiásticos: este simbolismo par excellence encontra-se alheio a toda religião, todas noções de adoração, toda história, toda ciência natural, toda experiência mundana, todo conhecimento, toda política, toda psicologia, todos livros, toda arte – sua “sabedoria” é precisamente a ignorância pura(7) em relação a todas essas coisas. Nunca ouviu falar de cultura; não a combate – nem mesmo a nega... O mesmo pode ser dito do Estado, de toda a ordem social burguesa, do trabalho, da guerra – não tem motivos para negar o “mundo”, nem sequer tem conhecimento do conceito eclesiástico de “mundo”... Precisamente a negação lhe era impossível. – De modo idêntico carece de capacidade argumentativa, não acredita que um artigo de fé, que uma “verdade” possa ser estabelecida através de provas (– suas provas são “iluminações” interiores, sensações subjetivas de felicidade e auto-afirmação, simples “provas de força” –). Tal doutrina não pode contradizer: não sabe que outras doutrinas existem ou podem existir, é inteiramente incapaz de imaginar um juízo oposto... E se, porventura, o encontra, lamenta por tal “cegueira” com uma sincera compaixão – pois somente ela vê a “luz” – no entanto não fará quaisquer objeções...&lt;br /&gt;1 – Imperioso.&lt;br /&gt;2 – A palavra semiótica está no texto, mas é provável que semântica seja a palavra que Nietzsche tinha em mente. (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;3 – Um dos seis grandes sistemas da filosofia hindu. (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;4 – Considerado o fundador do taoísmo. (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;5 – O nome que Nietzsche da aos que aceitam sua filosofia. (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;6 – Isto é, a rigorosa palavra da lei – o objetivo mais importante nas primeiras pregações de Jesus. (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;7 – Referência à “ignorância pura” (reine Thorheit) do Parsifal de Richard Wagner.(H. L. Mencken)&lt;br /&gt;XXXIII&lt;br /&gt;Em toda a psicologia dos Evangelhos os conceitos de culpa e punição estão ausentes, e o mesmo vale para o de recompensa. O “pecado”, que significa tudo aquilo que distancia o homem de Deus, é abolido – essa é precisamente a “boa-nova”. A felicidade eterna não está meramente prometida, nem vinculada a condições: é concebida como a única realidade – todo o restante não são mais que sinais úteis para falar dela.&lt;br /&gt;Os resultados de tal ponto de vista projetam-se em um novo estilo de vida, um estilo de vida especialmente evangélico. Não é a “fé” que o distingue do cristão; a distinção se estabelece através da maneira de agir; ele age diferentemente. Não oferece resistência, nem em palavras, nem em seu coração, àqueles que lhe são opositores. Não vê diferença entre estrangeiros e conterrâneos, judeus e pagãos (“próximo”, é claro, significa correligionário, judeu). Não se irrita com ninguém, não despreza ninguém. Não apela às cortes de justiça nem se submete às suas decisões (“não prestar juramento”(1)). Nunca, quaisquer sejam as circunstâncias, se divorcia de sua esposa, mesmo que possua provas de sua infidelidade. – No fundo, tudo isso é um princípio; tudo surge de um instinto. –&lt;br /&gt;A vida do salvador foi simplesmente professar essa prática – e também em sua morte... Não precisava mais de qualquer formula ou ritual em suas relações com Deus – nem sequer da oração. Rejeitou toda a doutrina judaica do arrependimento e recompensa; sabia que apenas através da vivência, de um estilo de vida alguém poderia se sentir “divino”, “bem-aventurado”, “evangélico”, “filho de Deus”. Não é o “arrependimento”, não são a “oração e o perdão” o caminho para Deus: apenas o modo de viver evangélico conduz a Deus – isso é justamente o próprio o “Deus”! – O que os Evangelhos aboliram foi o judaísmo presente nas idéias de “pecado”, “remissão dos pecados”, “salvação através da fé” – toda a dogmática eclesiástica dos judeus foi negada pela “boa-nova”.&lt;br /&gt;O profundo instinto que leva o cristão a viver de modo que se sinta “no céu” e “imortal”, apesar das muitas razões para sentir que não está “no céu”: essa é a única realidade psicológica na “salvação”. – Uma nova vida, não uma nova fé.&lt;br /&gt;1 – Mateus 5:34.&lt;br /&gt;XXXIV&lt;br /&gt;Se compreendo alguma coisa sobre esse grande simbolista, é isto: que considerava apenas realidades subjetivas como reais, como “verdades” – que viu todo o resto, todo o natural, temporal, espacial e histórico apenas como símbolos, como material para parábolas. O conceito de “Filho de Deus” não designa uma pessoa concreta na história, um indivíduo isolado e definido, mas um fato “eterno”, um símbolo psicológico desvinculado da noção de tempo. O mesmo é válido, no sentido mais elevado, para o Deus desse típico simbolista, para o “reino de Deus” e para a “filiação divina”. Nada poderia ser mais acristão que as cruas noções eclesiásticas de um Deus como pessoa, de um “reino de Deus” vindouro, de um “reino dos céus” no além e de um “filho de Deus” como segunda pessoa da Trindade. Isso tudo – perdoem-me a expressão – é como soco no olho (e que olho!) do Evangelho: um desrespeito aos símbolos elevado a um cinismo histórico-mundial... Todavia é suficientemente óbvio o significado dos símbolos “Pai” e “Filho” – não para todos, é claro –: a palavra “Filho” expressa a entrada em um sentimento de transformação de todas as coisas (beatitude); “Pai” expressa esse próprio sentimento – a sensação da eternidade e perfeição. – Envergonho-me de lembrar o que a Igreja fez com esse simbolismo: ela não colocou uma história de Anfitrião(1) no limiar da “fé” cristã? E um dogma da “imaculada conceição” ainda por cima?... – Com isso conseguiu apenas macular a concepção...&lt;br /&gt;O “reino dos céus” é um estado de espírito – não algo que virá “além do mundo” ou “após a morte”. Toda a idéia de morte natural está ausente nos Evangelhos: a morte não é uma ponte, não é uma passagem; está ausente porque pertence a um mundo bastante diferente, um mundo apenas aparente, apenas útil enquanto símbolo. A “hora da morte” não é uma idéia cristã – “horas”, tempo, a vida física e suas crises são inexistentes para o mestre da “boa-nova”...&lt;br /&gt;O “reino de Deus” não é uma coisa pela qual os homens aguardam: não teve um ontem nem terá um amanhã, não virá em um “milênio” – é uma experiência do coração, está em toda parte e não está em parte alguma...&lt;br /&gt;1 – Mitologia grega. Anfitrião era o filho de Alceu. Alcmena era sua esposa. Durante sua ausência ela foi visitada por Zeus e Heracles. (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;XXXV&lt;br /&gt;O “portador da boa-nova” morreu assim como viveu e ensinou – não para “salvar a humanidade”, mas para demonstrar-lhe como viver. Seu legado ao homem foi um estilo de vida: sua atitude ante os juízes, ante os oficiais, ante seus acusadores – sua atitude perante a cruz. Não resiste; não defende seus direitos; não faz qualquer esforço para evitar a maior das penalidades – ainda mais, a convida... E roga, sofre e ama com aqueles, por aqueles que o maltratam. Não se defender, não se encolerizar, não culpar... Mas igualmente não resistir ao mal – amá-lo...&lt;br /&gt;XXXVI&lt;br /&gt;– Nós, espíritos livres – nós somos os primeiros a possuir os pré-requisitos para entender o que, por dezenove séculos, permaneceu incompreendido – temos aquele instinto e paixão pela integridade que declara uma guerra muito mais ferrenha contra a “sagrada mentira” que contra todas as outras mentiras... A humanidade estava indizivelmente distante de nossa benevolente e cautelosa neutralidade, de nossa disciplina de espírito que sozinha torna possível solucionar coisas tão estranhas e sutis: o que os homens sempre buscaram, com descarado egoísmo, foi sua própria vantagem; criaram a Igreja a partir da negação dos Evangelhos...&lt;br /&gt;Todos que procurassem por sinais de uma divindade irônica que maneja os cordéis por detrás do grande drama da existência não encontrariam pequena evidência neste estupendo ponto de interrogação chamado cristianismo. A humanidade ajoelha-se exatamente perante a antítese do que era a origem, o significado e a lei dos Evangelhos – santificaram no conceito de “Igreja” justamente o que o “portador da boa-nova” considerava abaixo si, atrás de si – seria vão procurar por um melhor exemplo de ironia histórico-mundial –&lt;br /&gt;XXXVII&lt;br /&gt;– Nossa época orgulha-se de seu senso histórico: como, então, se permitiu acreditar que a grosseira fábula do fazedor de milagres e Salvador constitui as origens do cristianismo – e que tudo nele de espiritual e simbólico surgiu apenas posteriormente? Muito pelo contrário, toda a história do cristianismo – da morte na cruz em diante – é a história de uma incompreensão progressivamente grosseira de um&lt;br /&gt;simbolismo original. Com toda a difusão do cristianismo entre massas mais vastas e incultas, até mesmo incapazes de compreender os princípios dos quais nasceu, surgiu a necessidade de torná-lo mais vulgar e bárbaro – absorveu os ensinamentos e rituais de todos cultos subterrâneos do imperium Romanum e as absurdidades engendradas por todo tipo de raciocínio doentio. Era o destino do cristianismo que sua fé se tornasse tão doentia, baixa e vulgar quanto as necessidades doentias, baixas e vulgares que tinha de administrar. O barbarismomórbido finalmente ascende ao poder com a Igreja – a Igreja, esta encarnação da hostilidade mortal contra toda a honestidade, toda grandeza de alma, toda disciplina do espírito, toda humanidade espontânea e bondosa. – Valores cristãos – valores nobres: apenas nós, espíritos livres, restabelecemos a maior das antíteses em matéria de valores!...&lt;br /&gt;XXXVIII&lt;br /&gt;– Não posso, neste momento, evitar um suspiro. Há dias em que sou visitado por um sentimento mais negro que a mais negra melancolia – o desprezo pelos homens. Que não haja qualquer dúvida sobre o que desprezo, sobre quem desprezo: é o homem de hoje, do qual desgraçadamente sou contemporâneo. O homem de hoje – seu hálito podre me asfixia!... Em relação ao passado, como todos estudiosos, tenho muita tolerância, ou seja, um generoso autocontrole: com uma melancólica precaução atravesso milênios inteiros de mundo-manicômio, chamem isso de “cristianismo”, “fé cristã” ou “Igreja cristã”, como desejaram – tomo o cuidado de não responsabilizar a humanidade por sua demência. Mas um sentimento irrefreável irrompe no momento em que entro nos tempos modernos, nos nossos tempos. Nossa época é mais esclarecida... O que era antigamente apenas doentio agora se tornou indecente – é uma indecência ser cristão hoje em dia. E aqui começa minha repugnância. – Olho à minha volta: não resta sequer uma palavra do que outrora se chamava “verdade”; já não suportamos mais que um padre pronuncie tal palavra. Mesmo um homem com as mais modestas pretensões à integridade precisa saber que um teólogo, um padre, um papa de hoje não apenas se engana quando fala, mas na verdade mente – já não se isenta de sua culpa através da “inocência” ou da “ignorância”. O padre sabe, como todos sabem, que não há qualquer “Deus”, nem “pecado”, nem “salvador” – que o “livre arbítrio” e a “ordem moral do mundo” são mentiras –: a reflexão séria, a profunda auto-superação espiritual impedem que quaisquer homens finjam não saber disso... Todas idéias da Igreja agora estão reconhecidas pelo que são – as piores falsificações existentes, inventadas para depreciar a natureza e todos os valores naturais; o padre é visto como realmente é – como a mais perigosa forma de parasita, como a peçonhenta aranha da criação... – Nós sabemos, nossa consciência agora sabe – exatamente qual era o verdadeiro valor de todas essas sinistras invenções do padre e da Igreja e para que fins serviram, com sua desvalorização da humanidade ao nível da autopoluição, cujo aspecto inspira náusea – os conceitos de “outro mundo”, de “juízo final”, de “imortalidade da alma”, da própria “alma”: não passam de instrumentos de tortura, sistemas de crueldade através dos quais o padre torna-se mestre e mantém-se mestre... Todos sabem disso, mas, mesmo assim, nada mudou. Para onde foi nosso último resquício decência, de auto-respeito se nossos homens de Estado, no geral uma classe de homens não convencionais e profundamente anticristãos em seus atos, agora se denominam cristãos e vão à mesa de comunhão?... Um príncipe à frente de seus regimentos, magnificente enquanto expressão do egoísmo e arrogância de seu povo – e mesmo assim declarando, sem qualquer vergonha, que é um cristão!...(1) Quem, então, o cristianismo nega? O que ele chama “o mundo”? Ser soldado, ser juiz, ser patriota; defender-se a si mesmo; zelar pela sua honra; desejar sua própria vantagem; ser orgulhoso... Toda prática trivial, todo instinto, toda valoração convertida em ato agora é anticristã: que monstro de falsidade o homem moderno precisa ser para se denominar um cristão sem envergonhar-se! –&lt;br /&gt;1 – Nietzsche refere-se ao Kaiser Guilherme II, que subira ao trono da Alemanha em 15 de abril de 1888, cinco meses antes da redação de O Anticristo. (Pietro Nasseti)&lt;br /&gt;XXXIX&lt;br /&gt;– Farei uma pequena regressão para explicar a autêntica história do cristianismo. – A própria palavra “cristianismo” é um mal-entendido – no fundo só existiu um cristão, e ele morreu na cruz. O “Evangelho” morreu na cruz. O que, desse momento em diante, chamou-se de “Evangelho” era exatamente o oposto do que ele viveu: “más novas”, um Dysangelium(1). É um erro elevado à estupidez ver na “fé”, e particularmente na fé na salvação através de Cristo, o sinal distintivo do cristão: apenas a prática cristã, a vida vivida por aquele que morreu na cruz, é cristã... Hoje tal vida ainda é possível, e para certos homens até necessária: o cristianismo primitivo, genuíno, continuará sendo possível em quaisquer épocas... Não fé, mas atos; acima de tudo, um evitar atos, um modo diferente de ser... Os estados de consciência, uma fé qualquer, por exemplo, a aceitação de alguma coisa como verdade – como todo psicólogo sabe, o valor dessas coisas é perfeitamente indiferente e de quinta ordem se comparado ao dos instintos: estritamente falando, todo o conceito de causalidade intelectual é falso. Reduzir o ato ser cristão, o estado de cristianismo, a uma aceitação da verdade, a um mero fenômeno de consciência, equivale a formular uma negação do cristianismo. De fato, não existem cristãos. O “cristão” – aquele que por dois mil anos passou-se por cristão – é simplesmente uma auto-ilusão psicológica. Examinado de perto, parece que, apesar de toda sua “fé”, foi apenas governado por seus instintos – e que instintos! – Em todas as épocas – por exemplo, no caso de Lutero – “fé” nunca foi mais que uma capa, um pretexto, uma cortina por detrás da qual os instintos faziam seu jogo – uma engenhosa cegueira à dominação de certos instintos... Eu já denominei a “fé” uma habilidade especialmente cristã – sempre se fala de “fé” mas se age de acordo com os instintos... No mundo de idéias do cristão não há qualquer coisa que sequer toque a realidade: ao contrário, reconhece-se um ódio instintivo contra a realidade como força motivadora, como único poder de motivação no fundo do cristianismo. Que se segue disso? Que mesmo aqui, in psychologicis, há um erro radical, isto é, determinante da essência, ou seja, da substância. Retire-se uma idéia e coloque-se uma realidade genuína em seu lugar – e todo o cristianismo reduz-se a um nada! – Visto calmamente, este fenômeno é dos mais estranhos, uma religião não apenas dependente de erros, mas inventiva e engenhosa apenas em criar erros nocivos, venenosos à vida e ao coração – constitui um verdadeiro espetáculo para os Deuses – para aquelas divindades que também são filósofas, as quais encontrei, por exemplo, nos célebres diálogos de Naxos. No momento em que a repugnância as deixar (– e também a nós!) ficarão agradecidas pelo espetáculo proporcionado pelos cristãos: talvez por causa desta curiosa exibição somente o miserável e minúsculo planeta chamado Terra mereça olhar divino, uma demonstração de interesse divino... Portanto, não subestimemos os cristãos: o cristão, falso até a inocência, está muito acima do macaco – uma teoria das origens bastante conhecida(2), quando aplicada aos cristãos, torna-se simplesmente uma delicadeza...&lt;br /&gt;1 – Um dos muitos neologismos de Nietzsche. Ele compõe este vocábulo angelium (cuja origem vem do grego e que significa “nova”, “notícia”) fazendo oposição com os prefixos dys (mau, infeliz – “notícia má”) e eu (bom, feliz – “boa nova”, “boa notícia”). (Pietro Nasseti)&lt;br /&gt;2 – Referência à teoria de Charles Darwin sobre as origens do homem. (Pietro Nasseti)&lt;br /&gt;XL&lt;br /&gt;– O destino do Evangelho foi decidido no momento de sua morte – foi pendurado na “cruz”... Somente a morte, essa inesperada e vergonhosa morte; somente a cruz, a qual geralmente era reservada apenas à canalha – somente este assombroso paradoxo colocou os discípulos face a face com o verdadeiro enigma: “Quem era este? Oque era este?” – O sentimento de desalento, de profunda afronta e injúria; a suspeita de que tal morte poderia constituir uma refutação de sua causa; a terrível questão “Por que aconteceu assim?” – esse estado mental é facilmente compreensível. Aqui tudo precisa ser considerado como necessário; tudo precisa ter um significado, uma razão, uma elevadíssima razão; o amor de um discípulo exclui todo o acaso. Apenas então da fenda da dúvida bocejou: “Quem o matou? Quem era seu inimigo natural?” – essa pergunta reluziu como um relâmpago. Resposta: o judaísmo dominante, a classe dirigente. A partir desse momento revoltaram-se contra a ordem estabelecida, começaram a compreender Jesus como um insurrecto contra a ordem estabelecida. Até então este elemento militante, negador estava ausente em sua imagem; ainda mais, isso representava seu próprio oposto. Decerto a pequena comunidade não havia compreendido o que era precisamente o mais importante: o exemplo oferecido pela sua morte, a liberdade, a superioridade sobre todo o ressentimento – uma plena indicação de quão pouco foi compreendido! Tudo que Jesus poderia desejar através de sua morte, em si mesma, era oferecer publicamente a maior prova possível, um exemplo de seus ensinamentos. Mas os discípulos estavam muito longe de perdoar sua morte – apesar de que fazê-lo seria consoante ao evangelho no mais alto grau; e também não estavam preparados para se oferecerem, com doce e suave tranqüilidade de coração, a uma morte similar... Muito pelo contrário, foi precisamente o menos evangélico dos sentimentos, a vingança,&lt;br /&gt;que os possuiu. Parecia-lhes impossível que a causa devesse perecer com sua morte: “recompensa” e “julgamento” tornaram-se necessários (– e o que poderia ser menos evangélico que “recompensa”, “punição” e “julgamento”!). – Uma vez mais a crença popular na vinda de um messias apareceu em primeiro plano; a atenção foi direcionada a um momento histórico: o “reino de Deus” virá para julgar seus inimigos... Mas nisso tudo há um mal-entendido gigantesco: conceber o “reino de Deus” como ato final, como uma simples promessa! O Evangelho havia sido, de fato, a própria encarnação, o cumprimento, a realização desse “reino de Deus”. Foi apenas então que todo o desprezo e acridez contra fariseus e teólogos começaram a aparecer no tipo do Mestre, que com isso foi transformado, ele próprio, em fariseu e teólogo! Por outro lado, a selvagem veneração dessas almas completamente desequilibradas não podia mais suportar a doutrina do Evangelho, ensinada por Jesus, sobre os direitos iguais entre todos os homens à filiação divina: sua vingança consistiu em elevar Jesus de modo extravagante, destarte separando-o deles: exatamente como, em tempos anteriores, os judeus, para vingarem-se de seus inimigos, se separaram de seu Deus e o elevaram às alturas. Este Deus único e este filho único de Deus: ambos foram produtos do ressentimento...&lt;br /&gt;XLI&lt;br /&gt;– E a partir desse momento surgiu um problema absurdo: “Como pôde Deus permiti-lo?” Para o qual a perturbada lógica da pequena comunidade formulou uma resposta assustadoramente absurda: Deus deu seu filho em sacrifício para a remissão dos pecados. De uma só vez acabaram com o Evangelho! O sacrifício pelos pecados, e em sua forma mais obnóxia e bárbara: o sacrifício do inocente pelo pecado dos culpados! Que paganismo apavorante! – O próprio Jesus havia suprimido o conceito de “culpa”, negava a existência de um abismo entre Deus e o homem; ele viveu essa unidade entre Deus e o homem, que era precisamente a sua “boa-nova”... E não como um privilégio! – Desde então o tipo do Salvador foi sendo corrompido, pouco a pouco, pela doutrina do julgamento e da segunda vinda, a doutrina da morte como sacrifício, a doutrina da ressurreição, através da qual toda a noção de “bem-aventurança”, a inteira e única realidade dos Evangelhos é escamoteada – em favor de um estado existencial pós-morte!... Paulo, com aquela insolência rabínica que permeia todos seus atos, deu um caráter lógico a essa concepção indecente deste modo: “Se Cristo não ressuscitou de entre os mortos, então é vã toda a nossa fé” – E de súbito converteu-se o Evangelho na mais desprezível e irrealizável das promessas, a petulante doutrina da imortalidade do indivíduo... E Paulo a pregava como uma recompensa!...&lt;br /&gt;XLII&lt;br /&gt;Agora se começa a ver justamente o que terminava com a morte na cruz: um esforço novo e totalmente original para fundar um movimento de pacifismo budístico, e assim estabelecer a felicidade na Terra – real, não meramente prometida. Pois esta é – como já demonstrei – a diferença essencial entre as duas religiões da decadência: o budismo não promete, mas de fato cumpre; o cristianismo promete tudo, masnão cumpre nada. – A “boa nova” foi seguida rente aos calcanhares pela “péssima nova”: a de Paulo. Paulo encarna exatamente o tipo oposto ao “portador da boa nova”; representa o gênio do ódio, a visão do ódio, a inexorável lógica do ódio. Oque esse disangelista(1) não ofereceu em sacrifício ao ódio! Acima de tudo, o Salvador: ele pregou-o em sua própria cruz. A vida, o exemplo, o ensinamento, a morte de Cristo, o significado e a lei de todo o Evangelho – nada disso restou após esse falsário, com seu ódio, ter reduzido tudo ao que lhe tivesse utilidade. Certamente não a realidade, certamente não a verdade histórica!... E uma vez mais o instinto sacerdotal do judeu perpetrou o mesmo grande crime contra a História – simplesmente extirpou o ontem e o anteontem do cristianismo e inventou sua própria história das origens do cristianismo. Ainda mais, fez da história de Israel outra falsificação, para que assim se tornasse uma mera pré-história de seus feitos: todos os profetas falavam de seu “Salvador”... Mais adiante a Igreja falsificou até a história da humanidade para transformá-la em uma pré-história do cristianismo... A figura do Salvador, seus ensinamentos, seu estilo de vida, sua morte, o significado de sua morte, mesmo as conseqüências de sua morte – nada permaneceu intocado, nada permaneceu sequer semelhante à realidade. Paulo simplesmente deslocou o centro de gravidade daquela vida inteira para um local detrás desta existência – na mentira do Jesus “ressuscitado”. No fundo, a vida do salvador não lhe tinha qualquer utilidade – o que necessitava era de uma morte na cruz e de algo mais. Ver qualquer coisa honesta em Paulo, cuja casa estava no centro da ilustração estóica, quando converteu uma alucinação em uma prova da ressurreição do Salvador, ou mesmo acreditar na narrativa de que ele próprio sofreu essa alucinação – isso seria uma genuína niaiserie(2) da parte de um psicólogo. Paulo desejava o fim; logo, também desejava os meios. – Aquilo que ele próprio não acreditava foi prontamente engolido por suficientes idiotas entre os quais disseminou seu ensinamento. – Seu desejo era o poder; em Paulo o padre novamente quis chegar ao poder – só podia servir-se de conceitos, ensinamentos e símbolos que tiranizam as massas e formam rebanhos. Qual parte do cristianismo Maomé tomou emprestada mais tarde? A invenção de Paulo, sua técnica para estabelecer a tirania sacerdotal e organizar rebanhos: a crença na imortalidade da alma – isto é, a doutrina do “julgamento”.&lt;br /&gt;1 – “Portador da má notícia”&lt;br /&gt;2 – Parvoíce, tolice.&lt;br /&gt;LXIII&lt;br /&gt;Quando centro de gravidade da vida é colocado, não nela mesma, mas no “além” – no nada –, então se retirou da vida o seu centro de gravidade. A grande mentira da imortalidade pessoal destrói toda razão, todo instinto natural – tudo que há nos instintos que seja benéfico, vivificante, que assegure o futuro, agora é causa de desconfiança. Viver de modo que a vida não tenha sentido: agora esse é o “sentido” da vida... Para que o espírito público? Para que se orgulhar pela origem e antepassados? Para que cooperar, confiar, preocupar-se com o bem-estar geral e servir a ele?... Outras tantas “tentações”, outros tantos desvios do “bom caminho”. – “Somente uma coisa é necessária”... Que todo homem, por possuir uma “alma imortal”, tenha tanto valor quanto qualquer outro homem; que na totalidade dos seres a “salvação” de todo indivíduo um possa reivindicar uma importância eterna; que beatos insignificantes e desequilibrados possam imaginar que as leis da natureza são constantemente transgredidas em seu favor – não há como expressar desprezo suficiente por tamanha intensificação de toda espécie de egoísmos ad infinitum, até a insolência. E, contudo, o cristianismo deve o seu triunfo precisamente a essa deplorável bajulação de vaidade pessoal – foi assim que seduziu ao seu lado todos os malogrados, os insatisfeitos, os vencidos, todo o refugo e vômito da humanidade. A “salvação da alma” – em outras palavras: “o mundo gira ao meu redor”... A venenosa doutrina dos “direitos iguais para todos” foi propagada como um princípio cristão: a partir dos recônditos mais secretos dos maus instintos o cristianismo travou uma guerra de morte contra todos os sentimentos de reverência e distância entre os homens, ou seja, contra o primeiro pré-requisito de toda evolução, de todo desenvolvimento da civilização – do ressentimento das massas forjou sua principal arma contra nós, contra tudo que é nobre, alegre, magnânimo sobre a terra, contra nossa felicidade na Terra... Conceder a “imortalidade” a qualquer Pedro e Paulo foi a maior e mais viciosa afronta à humanidade nobre já perpetrada. – E não subestimemos a funesta influência que o cristianismo exerceu mesmo na política! Atualmente ninguém mais possui coragem para os privilégios, para o direito de dominar, para os sentimentos de veneração por si e seus iguais – para o pathos da distância... Nossa política está debilitada por essa falta de coragem! – Os sentimentos aristocráticos foram subterraneamente carcomidos pela mentira da igualdade das almas; e se a crença nos “privilégios da maioria” faz e continuará a fazer revoluções – é o cristianismo, não duvidemos disso, são as valorações cristãs que convertem toda revolução em um carnaval de sangue e crime! O cristianismo é uma revolta de todas as criaturas rastejantes contra tudo que é elevado: o Evangelho dos “baixos” rebaixa...&lt;br /&gt;XLIV&lt;br /&gt;– Os Evangelhos são inestimáveis como evidência da corrupção já arraigada dentro da comunidade cristã primitiva. O que Paulo, com a cínica lógica de um rabino, posteriormente levou a cabo era no fundo apenas um processo de degradação que se iniciou com a morte do Salvador. – Nenhum esmero é demais na leitura dos Evangelhos; dificuldades se ocultam por detrás de cada palavra. Eu confesso – espero que ninguém me leve a mal – que precisamente por essa razão oferecem um deleite de primeira ordem a um psicólogo – como o oposto de toda corrupção ingênua, como um refinamento par excellence, como uma arte da corrupção psicológica. Os Evangelhos, de fato, estão à parte. A Bíblia em geral não deve ser comparada a eles. Estamos entre judeus: essa é a primeira coisa que devemos ter em mente se não quisermos perder o fio do assunto. A genialidade empregada para criar a ilusão de “santidade” pessoal permanece sem paralelos, tanto nos livros quanto nos homens; essa elevação da falsidade na palavra e nos gestos ao nível de arte – isso tudo não se deve ao acaso de um talento individual, de alguma natureza excepcional. O necessário aqui é a raça. Todo o judaísmo manifesta-se no cristianismo como a arte de forjar mentiras sagradas, como a técnica judaica que após muitos séculos de aprendizado e treinamento sério chegou à sua mais alta maestria. O cristão, essa ultima ratio(1) da mentira, é o judeu mais uma vez – é triplicemente judeu... A vontade subjacente de utilizar somente conceitos, símbolos e atitudes que convém à práxis sacerdotal, o repúdio instintivo a qualquer outra perspectiva e a qualquer outro método para estimar valor e utilidade – isso não é somente uma tradição, é uma herança: apenas como uma herança é capaz de operar com força natural. Toda a humanidade, mesmo as maiores mentes das maiores épocas (com uma exceção que, talvez, mal fosse humana –), deixou-se enganar. O Evangelho foi lido como um livro da inocência... certamente nenhuma modesta indicação do alto grau de perícia com que o truque foi feito. – É claro, se pudéssemos de fato ver esses carolas e santos falsos, mesmo que apenas por um instante, a farsa seria posta a fim – e precisamente porque não consigo ler suas palavras sem também ver seus gestos que acabei com eles... Simplesmente não consigo suportar a maneira com que levantam os olhos. – Para a maioria, felizmente, livros não passam de literatura. – Que não nos deixemos induzir em erro: eles dizem “não julgueis”, mas condenam ao inferno tudo que fica em seu caminho. Ao deixarem Deus julgar, são eles próprios que julgam; ao glorificarem Deus, glorificam a si mesmos; ao exigirem que todos manifestem as virtudes para as quais são aptos – mais ainda, das quais precisam para permanecer no topo –, assumem o aspecto de homens em uma luta pela virtude, de homens engajados numa guerra para que a virtude prevaleça. “Nós vivemos, morremos, sacrificamo-nos pelo bem” (– “a verdade”, “a luz”, “o reino de Deus”): na realidade, simplesmente fazem o que não podem deixar de fazer. Forçados, como hipócritas, a serem furtivos, se esconderem nos cantos, se esquivarem pelas sombras, convertem sua necessidade em dever: é como um dever que surge sua vida humilde, e tal humildade converte-se em mais uma prova de devoção... Ah, essa humilde, casta e misericordiosa fraude! “A própria virtude deve testemunhar em nosso favor”... Leiam-se os Evangelhos como livros de sedução moral: essa gentinha insignificante se atrela à moral – conhecem perfeitamente suas utilidades! A moral é o melhor meio para conduzir a humanidade pelo nariz! – A verdade é que a mais consciente presunçãodos eleitos disfarça-se de modéstia: desse modo colocaram a si próprios, a “comunidade”, os “bons e justos”, de uma vez por todas, de um lado, do lado da “verdade” – e o resto da humanidade, “o mundo”, do outro... Nisto observamos a espécie mais fatal de megalomania que a Terra já testemunhou: pequenos abortos de beatos e mentirosos começam a reivindicar direitos exclusivos sobre os conceitos de “Deus”, “verdade”, “luz”, “espírito”, “amor”, “sabedoria”, “vida”, como se fossem sinônimos deles próprios, e através disso buscaram estabelecer o limite entre si e o “mundo”; pequenos superjudeus, maduros para todo tipo de manicômio, viraram os valores de cabeça para baixo para satisfazerem suas noções, como se somente o cristão fosse o significado, o sal, a medida e também o juízo final de todo o resto... Todo esse desastre só foi possível porque no mundo já existia uma megalomania similar, de mesma raça, a saber, a judaica: uma vez que se abriu o abismo entre judeus e judeus-cristãos, a estes já não havia escolha senão empregar os mesmos procedimentos de autoconservação que o instinto judaico lhes aconselhava, mesmo contra os próprios judeus, ainda que judeus somente os tivessem empregado contra não-judeus. O cristão é simplesmente um judeu de confissão “reformada”. –&lt;br /&gt;1 – Última razão. Argumento decisivo.&lt;br /&gt;XLV&lt;br /&gt;– Ofereço alguns exemplos do tipo de coisa que essa gente insignificante tinha dentro de suas cabeças – do que colocaram na boca do Mestre: a cândida crença de “belas almas”. –&lt;br /&gt;“E tantos quantos vos não receberem, nem vos ouvirem, saindo dali, sacudi o pó que estiver debaixo dos vossos pés, em testemunho contra eles. Em verdade vos digo que haverá mais tolerância no dia do juízo para Sodoma e Gomorra, do que para os daquela cidade” (Marcos, 6:11). – Quão evangélico!&lt;br /&gt;“E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar” (Marcos, 9:42). – Quão evangélico!&lt;br /&gt;“E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga” (Marcos, 9:47-48). – Não é exatamente do olho que se trata...&lt;br /&gt;“Dizia-lhes também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder” (Marcos 9:1). – Bem mentido, leão!...(1)&lt;br /&gt;“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Porque...” (Nota de um psicólogo: a moral cristã é refutada pelos seus porquês: suas razões a contrariam – isso a faz cristã) (Marcos, 8:34). –&lt;br /&gt;“Não julgueis, para que não sejais julgados ...com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mateus 7:1-2). – Que noção de justiça, que juiz “justo”!...&lt;br /&gt;“Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também&lt;br /&gt;assim?” (Mateus 5:46-47). – Princípio do “amor cristão”: no fim das contas quer ser bempago...&lt;br /&gt;“Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6:15). – Muito comprometedor para o assim chamado “pai”.&lt;br /&gt;“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). – Todas estas coisas: isto é, alimento, vestuário, todas necessidades da vida. Um erro, para ser eufêmico... Um pouco antes esse Deus apareceu como um alfaiate, pelo menos em certos casos.&lt;br /&gt;“Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas” (Lucas 6:23). – Canalha indecente! Já se compara aos profetas...&lt;br /&gt;“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém violar o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (I Paulo aos coríntios, 3:16-17). – Para coisas assim não há desprezo suficiente...&lt;br /&gt;“Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas?” (I Paulo aos coríntios, 6:2). – Infelizmente, não é apenas o discurso de um lunático... Esse espantoso impostor assim prossegue: “Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?”...&lt;br /&gt;“Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação... Não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que nada são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele” (I Paulo aos coríntios, 1:20 e adiante(2)). – Para compreender esta passagem, um exemplo de primeira linha da psicologia da moral de chandala, deve-se ler a primeira parte de minha “Genealogia da Moral”: nela, pela primeira vez, foi evidenciado o antagonismo entre a moral nobre e a moral de chandala, nascida do ressentimento e da vingança impotente. Paulo foi o maior dos apóstolos da vingança...&lt;br /&gt;1 – Paráfrase de Demétrio. “Bem rugido, leão!”, ato V, cena I de “Sonho de uma Noite de Verão”, por William Shakespeare. O leão, obviamente, é o símbolo cristão para Marcos. (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;2 – 20, 21, 26, 27, 28, 29.&lt;br /&gt;XLVI&lt;br /&gt;– Que se infere disso? Que convém vestir luvas antes de ler o Novo Testamento. A presença de tanta sujeira faz disso algo muito aconselhável. Tão pouco escolheríamos como companheiros os “primeiros cristãos” quanto os judeus poloneses: não que tenhamos a necessidade de lhes fazer objeções... Ambos cheiram mal. – Em vão procurei no Novo Testamento por um único traço de simpatia; nele não há nada que seja livre, bondoso, sincero ou leal. Nele a humanidade nem mesmo dá seu primeiro passo ascendente – o instinto de limpeza está ausente... Apenas maus instintos estão presentes, e tais instintos nem ao menos são dotados de coragem. Nele tudo é covardia; tudo é um fechar os olhos, um auto-engano. Após ler o Novo Testamento qualquer outro livro parece limpo: por exemplo, imediatamente após Paulo, li com arrebatamento o mais encantador e insolente zombeteiro, Petrônio, do qual poder-se-ia dizer o mesmo que Domenico Boccaccio escreveu sobre César Bórgia ao Duque de Parma: “é tutto festo” – imortalmente saudável, imortalmente alegre e são... Estes santarrões miseráveis erram no essencial. Atacam, mas tudo que atacam torna-se distinto. Quem é atacado por um “primeiro cristão” certamente não é denegrido... Pelo contrário, é uma honra possuir um “primeiro cristão” como oponente. Não se pode ler o Novo Testamento sem adquirir uma predileção por tudo que nele é maltatrado – para não falar da “sabedoria deste mundo”, que um insolente fanfarrão tenta reduzir a nada com a “loucura da pregação”... Mesmo os escribas e fariseus são beneficiados por tal oposição: certamente deviam ter algum valor para merecerem ser odiados de maneira tão indecente. Hipocrisia – como se essa fosse uma acusação que os “primeiros cristãos” ousassem fazer! – Afinal, eles eram os privilegiados, e isso era suficiente: o ódio dos chandala não precisa de qualquer outro pretexto. O “primeiro cristão” – e também, receio, o “último cristão”, que eu talvez viva tempo suficiente para ver – é um rebelde por profundo instinto contra tudo que é privilégio – vive e guerreia sempre pela “igualdade de direitos”... Estritamente falando, ele não tem escolha. Quando alguém pretende representar, ele próprio, o “eleito de Deus” – ou “templo de Deus”, ou “juiz dos anjos” –, então qualquer outro critério de eleição, quer seja baseado na honestidade, no intelecto, na virilidade e no orgulho, ou na beleza e liberdade de coração, torna-se simplesmente “mundano” – o mal em si... Moral: toda palavra pronunciada por um “primeiro cristão” é uma mentira, todos seus atos são instintivamente desonestos – todos seus valores, todos seus fins são nocivos, mas todos que odeia, tudo que odeia, tem valor verdadeiro... O cristão, e particularmente o padre cristão, é um critério de valores.&lt;br /&gt;– Preciso acrescentar que, em todo o Novo Testamento, não aparece senão uma única figura merecedora de honra: Pilatos, o governador romano. Levar assuntos judaicos a sério – ele estava muito acima disso. Um judeu a mais ou a menos – que isso importa?... A nobre ironia do romano ante o qual a palavra “verdade” foi cinicamente abusada enriqueceu o Novo Testamento com a única passagem que tem qualquer valor – que é sua crítica e sua destruição: “Que é a verdade?”...&lt;br /&gt;XLVII&lt;br /&gt;– O que nos distingue não é nossa incapacidade de encontrar Deus, nem na história, nem na natureza, nem por detrás da natureza – mas que consideramos tudo que foi honrado como sendo Deus, não como algo “divino”, mas lastimável, absurdo, nocivo; não como um simples erro, mas como um crime contra a vida... Negamos que esse Deus seja Deus... E se alguém nos mostrasse esse Deus cristão, ficaríamos ainda menos inclinamos a crer nele. – Numa fórmula: Deus, qualem Paulus creavit, Dei negatio.(1) – Uma religião como o cristianismo, que não possui um único ponto de contato com a realidade, que se esfacela no momento em que a realidade impõe seus direitos, inevitavelmente será a inimiga mortal da “sabedoria deste mundo”, ou seja, da ciência – nomeará bom tudo que serve para envenenar, caluniar e depreciar toda disciplina intelectual, toda lucidez e retidão em matéria de consciência intelectual, toda frieza nobre e liberdade de espírito. A “fé”, como um imperativo, veta a ciência – in praxi(2), mentir a todo custo... Paulo compreendeu muito bem que a mentira – que a “fé” – era necessária; e posteriormente a Igreja compreendeu Paulo. – O Deus que Paulo inventou, um Deus que “reduz ao absurdo” a “sabedoria deste mundo” (especialmente as duas grandes inimigas da superstição, a filologia e a medicina), é em verdade uma indicação da firme determinação de Paulo para realizar isto: dar o nome de Deus à sua própria vontade, thora(3) – isso é essencialmente judaico. Paulo quer desvalorizar a “sabedoria deste mundo”: seus inimigos são os bons filólogos e médicos da escola alexandrina – a guerra é feita contra eles. De fato, nenhum homem pode ser filólogo e médico sem ao mesmo tempo ser anticristo. O filólogo vê por detrás dos “livros sagrados”, o médico vê por detrás da degeneração fisiológica do cristão típico. O médico diz “incurável”; o filólogo diz “fraude”...&lt;br /&gt;1 – Deus, tal como Paulo o criou, é a negação de Deus.&lt;br /&gt;2 – Na prática.&lt;br /&gt;3 – Lei.&lt;br /&gt;XLVIII&lt;br /&gt;– Será que alguém já compreendeu claramente a célebre história que se encontra no início da Bíblia – a do pavor mortal de Deus ante a ciência? Ninguém, de fato, a compreendeu. Este livro de padres par excellence começa, como convém, com a grande dificuldade interior do padre: ele enfrenta um único grande perigo, ergo, “Deus” enfrenta um único grande perigo. –&lt;br /&gt;O velho Deus, todo “espírito”, todo grão-padre, todo perfeição, passeia pelo seu jardim: está entediado e tentando matar tempo. Contra o enfado até os Deuses lutam em vão(1). O que ele faz? Cria o homem – o homem é divertido... Mas então percebe que o homem também está entediado. A piedade de Deus para a única forma da aflição presente em todos os paraísos desconhece limites: então em seguida criou outros animais. Primeiro erro de Deus: para o homem esses animais não representavam diversão – ele buscava dominá-los; não queria ser um “animal”. – Então Deus criou a mulher. Com isso erradicou enfado – e muitas outras coisas também! A mulher foi o segundo erro de Deus. – “A mulher, por natureza, é uma serpente: Eva” – todo padre sabe disso; “da mulher vem todo o mal do mundo” – todo padre sabe disso também. Logo, igualmente cabe a ela a culpa pela ciência... Foi devido à mulher que o homem provou da árvore do conhecimento. – Que sucedeu? O velho Deus foi acometido por um pavor mortal. O próprio homem havia sido seu maior erro; criou para si um rival; a ciência torna os homens divinos – tudo se arruína para padres e deuses quando o homem torna-se científico! – Moral: a ciência é proibida per se; somente ela é proibida. A ciência é o primeiro dos pecados, o germe de todos os pecados, o pecado original. Toda a moral é apenas isto: “Tu não conhecerás” – o resto é deduz-se disso. – O pavor de Deus, entretanto, não o impediu de ser astuto. Como se proteger contra a ciência? Por longo tempo esse foi o problema capital. Resposta: expulsando o homem do paraíso! A felicidade e a ociosidade evocam o pensar – e todos pensamentos são maus pensamentos! – O homem não deve pensar. – Então o “padre” inventa a angústia, a morte, os perigos mortais do parto, toda a espécie de misérias, a decrepitude e, acima de tudo, a enfermidade – nada senão armas para alimentar a guerra contra a ciência! Os problemas não permitem que o homem pense... Apesar disso – que terrível! – o edifício do conhecimento começa a elevar-se, invadindo os céus, obscurecendo os Deuses – que fazer? – O velho Deus inventa a guerra; separa os povos; faz com que se destruam uns aos outros (– os padres sempre necessitaram de guerras...). Guerra – entre outras coisas, um grande estorvo à ciência! – Inacreditável! O conhecimento, a emancipação do domínio sacerdotal prosperam apesar da guerra! – Então o velho Deus chega à sua resolução final: “O homem tornou-se científico – não existe outra solução: ele precisa ser afogado”...&lt;br /&gt;1 – Paráfrase de Schiller, “Contra a estupidez até os Deuses lutam em vão.” (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;XLIX&lt;br /&gt;– Fui compreendido. No início da Bíblia está toda a psicologia do padre. – O padre conhece apenas um grande perigo: a ciência – o conceito sadio de causa e efeito. Mas a ciência apenas floresce totalmente sob condições favoráveis – um homem precisa de tempo, precisa possuir um intelecto transbordante para poder “conhecer”... “Logo, é preciso tornar o homem infeliz” – essa foi, em todas as épocas, a lógica do padre. – É fácil ver o que, a partir dessa lógica, surgiu no mundo: – o “pecado”... O conceito de culpa e punição, toda a “ordem moral do mundo” foram direcionados contra a ciência – contra a emancipação do homem do jugo sacerdotal... O homem não deve olhar para seu exterior; deve olhar apenas para o interior.&lt;br /&gt;Não deve olhar as coisas com acuidade e prudência, não deve aprender sobre elas; não deve olhar para nada; deve apenas sofrer... E sofrer tanto que sempre esteja precisando de um padre. – Fora os médicos! O necessário é um Salvador. – O conceito de culpa e punição, incluindo as doutrinas da “graça”, da “salvação”, do “perdão” – mentiras sem qualquer realidade psicológica – foram inventadas para destruir o senso de causalidade do homem: são um ataque contra o conceito de causa e efeito! – E não um ataque com punho, com faca, com honestidade no amor e no ódio! Longe disso, foi inspirado pelo mais covarde, mais velhaco, mais ignóbil dos instintos! Um ataque de padres! Um ataque de parasitas! O vampirismo de sanguessugas pálidas e subterrâneas!... Quando as conseqüências naturais de um ato já não são mais “naturais”, mas vistas como obras de fantasmas da superstição – “Deus”, “espíritos”, “almas” –, como conseqüências “morais”, recompensas, punições, sinais, lições, então torna-se estéril todo o solo para o conhecimento – e com isso perpetrou-se o maior dos crimes contra a humanidade. – Repito que o pecado, essa autoprofanação par excellence, foi inventado para tornar impossível ao homem a ciência, a cultura, toda a elevação e todo o enobrecimento; o padre reina graças à invenção do pecado. –&lt;br /&gt;L&lt;br /&gt;– Não posso, aqui, prescindir de uma psicologia da “fé”, do “crente”, em proveito, como é justo, dos próprios “crentes”. Se hoje há alguns que ainda não sabem quão indecente é ser “crente” – ou quanto isso indica decadência, falta de vontade de viver –, amanhã eles o saberão. Minha voz alcança até os surdos. – Parece-me que entre cristãos, se não compreendi mal, prevalece uma espécie de critério da verdade chamado “prova de força”. A fé beatifica: logo, é verdadeira”. – Poderia-se objetar que a beatitude não é demonstrada, mas apenas prometida: sustenta-se na “fé” enquanto condição – será beatificado porque crê... Mas e aquilo que o padre promete ao crente, aquele “além” transcendental – como isso pode ser demonstrado? – A “prova de força”, no fundo, não passa da crença de que os efeitos prometidos pela fé se realizarão. – Numa fórmula: “Creio que a fé beatifica – logo, ela é verdadeira”... Mas não podemos ir além disso. Esse “logo” já é o próprio absurdum transformado em critério da verdade. – Contudo, por cortesia, admitamos que a beatificação através da fé tenha sido demonstrada (– não meramente desejada, não meramente prometida pela suspeita boca de um padre): mesmo assim, poderia a beatitude – dito em forma técnica, o prazer – ser uma prova da verdade? Dista tanto de sê-lo que a influência das sensações de prazer sobre a resposta à questão “Que é a verdade?” praticamente constitui uma objeção à verdade, ou, em todo caso, é suficiente para torná-la altamente suspeita. A prova do “prazer” prova o “prazer” – nada mais; por que se deveria admitir que juízos verdadeiros geram mais prazer que os falsos e que, em conformidade a alguma harmonia preestabelecida, necessariamente trariam consigo sensações de prazer? – A experiência de todas as mentes profundas e disciplinadas ensina o contrário. O homem teve de lutar bravamente por cada migalha da verdade; teve de sacrificar quase tudo aquilo em que se agarra o coração humano, o amor humano, a confiança humana na vida. Para isso é necessário possuir grandeza de alma: o serviço da verdade é o mais duro dos serviços. – O que significa, então, a integridade intelectual?&lt;br /&gt;Significa ser severo com seu próprio coração, desprezar os “belos sentimentos” e fazer de cada Sim e de cada Não uma questão de consciência! – A fé beatifica: logo, ela mente...&lt;br /&gt;LI&lt;br /&gt;Que em certas circunstâncias a fé promove a bem-aventurança, que a bem-aventurança não faz de uma idee fixe(1) uma idéia verdadeira, que a fé na realidade não move montanhas, mas as constrói onde antes não existiam: tudo isso fica bastante evidente após uma breve visita a um hospício. Mas não, é claro, para um padre: pois seus instintos o induzem a dizer que a doença não é doença e que hospícios não são hospícios. O cristianismo necessita da doença, assim como o espírito grego necessitava de uma saúde superabundante – o verdadeiro objetivo de todo o sistema de salvação da Igreja é tornar as pessoas enfermas. E a própria Igreja – não considera ela um manicômio católico como o ideal último? – Toda a Terra, um manicômio? – O tipo de homem religioso que a Igreja deseja é o típico decadente; a época em que uma crise religiosa se apodera de um povo é sempre marcada por epidemias de desordem nervosa; o “mundo interior” de um homem religioso assemelha-se tanto ao “mundo interior” de um homem sobreexcitado e exausto que é difícil distinguir entre os dois; os estados mais “elevados”, que o cristianismo colocou sobre a humanidade como valores supremos, são formas epileptóides – a Igreja concedeu nomes sagrados apenas para lunáticos ou grandes impostores in majorem Dei honorem(2)... Uma vez me aventurei a considerar todo o sistema cristão de training em penitência e salvação (atualmente melhor estudado na Inglaterra) como um método para produzir uma folie circulaire(3) sobre um solo já preparado, ou seja, um solo absolutamente insalubre. Nem todos podem ser cristãos: não se é “convertido” ao cristianismo – antes é necessário estar suficientemente doente... Nós outros, nós que temos coragem para a saúde e para o desprezo – temos o direito de desprezar uma religião que prega a incompreensão do corpo! Que se recusa a dispensar a superstição da alma! Que da insuficiência alimentar faz “virtude”! Que combate a saúde como alguma espécie de inimigo, de demônio, de tentação! Que se convenceu de que é possível trazer uma “alma perfeita” em um corpo cadavérico, e que, para isso, inventou um novo conceito de “perfeição”, um estado existencial pálido, doentio, fanático até a estupidez, a chamada “santidade” – uma santidade que não passa de uma série de sintomas de um corpo empobrecido, enervado e incuravelmente corrompido!... O movimento cristão, enquanto movimento Europeu, desde o começo não foi mais que uma sublevação de toda espécie de elementos desterrados e refugados (– que agora, sob a máscara do cristianismo, aspiram ao poder). – Não representa a degeneração de uma raça; representa, pelo contrário, uma conglomeração de produtos da decadência vindos de todas as direções, amontoando-se e buscando-se reciprocamente. Não foi, como se pensa, a corrupção da Antigüidade, da Antigüidade nobre, que tornou o cristianismo possível; nunca será possível combater com violência suficiente a imbecilidade erudita que atualmente sustém tal teoria. Quando as enfermas e podres classes chandala de todo o imperium foram cristianizadas, o tipo oposto, a nobreza, alcançou seu estágio de desenvolvimento mais belo e amadurecido. A maioria subiu ao poder; a democracia, com seus instintos cristãos, triunfou... O cristianismo não era “nacional”, não estava baseado em raça – apelou a todas as variedades de homens deserdados pela vida, tinha aliados em toda parte. O cristianismo possui em seu âmago o rancor dos doentes – o instinto contra os sãos, contra a saúde. Tudo que é bem-constituído, orgulhoso, galante e, acima de tudo, belo é uma ofensa aos seus olhos e ouvidos. Novamente recordo as inestimáveis palavras de Paulo: “Deus escolheu as coisas fracas deste mundo, as coisas loucas deste mundo, as coisas ignóbeis e as desprezadas”(4): essa era a fórmula; in hoc signo(5) a décadence triunfou. – Deus na cruz – o homem nunca compreenderá o assustador significado que esse símbolo encerra? – Tudo que sofre, tudo que está crucificado é divino... Nós todos estamos suspensos na cruz, conseqüentemente somos divinos... Apenas nós somos divinos!... Neste sentido o cristianismo foi uma vitória: uma mentalidade mais nobre pereceu por ele – o cristianismo continua sendo a maior desgraça da humanidade. –&lt;br /&gt;1 – Idéia fixa.&lt;br /&gt;2 – Para maior honra de Deus.&lt;br /&gt;3 – Loucura circular.&lt;br /&gt;4 – I Coríntios 1:27-28.&lt;br /&gt;5 – Com este sinal.&lt;br /&gt;LII&lt;br /&gt;O cristianismo também se encontra em oposição a toda boa constituição intelectual – somente a razão enferma pode ser usada como razão cristã; toma o partido de tudo que é idiota; lança sua maldição contra o “intelecto”, contra a soberba do intelecto são. Visto que a doença é inerente ao cristianismo, segue-se disso que o estado típico do cristão, “a fé”, também é necessariamente uma forma de doença; todos os caminhos retos, legítimos e científicos devem ser banidos pela Igreja como sendo caminhos proibidos. A própria dúvida é um pecado... A completa ausência de limpeza psicológica no padre – identificada por um simples olhar – é um fenômeno resultante da decadência – observando-se mulheres histéricas e crianças raquíticas notar-se-á regularmente que a falsificação dos instintos, o prazer de mentir por mentir e a incapacidade de olhar e caminhar direito são sintomas da decadência. “Fé” significa não querer saber o que é a verdade. O padre, o devoto de ambos os sexos, é uma fraude porque é doente: seus instintos exigem que a verdade jamais tenha direito em qualquer ponto. “Tudo que torna doente é bom; tudo que surge da plenitude, da superabundância, do poder, é mau”: assim pensa o crente. Uma compulsão para&lt;br /&gt;mentir – é através disso que reconheço todo teólogo predestinado. – Outra característica do teólogo é sua incapacidade filológica. O que quero dizer com filologia é, de modo geral, a arte de ler bem – a capacidade de absorver fatos sem interpretá-los falsamente, sem perder, na ânsia de compreendê-los, a cautela, a paciência e a sutileza. Filologia como ephexis(1) na interpretação: trate-se de livros, de notícias de jornal, dos mais funestos eventos ou de estatísticas meteorológicas – para não mencionar a “salvação da alma”... A maneira como um teólogo, seja de Berlim ou Roma, explica, digamos, uma “passagem bíblica”, ou um acontecimento, por exemplo, a vitória do exército nacional, sob a sublime luz dos Salmos de Davi, é sempre tão ousada que faz um filólogo subir pelas paredes. E o que dizer quando devotos e outras vacas da Suábia(2) usam o “dedo de Deus” para converter sua miserável existência cotidiana e sedentária em um milagre da “graça”, da “providência”, em uma “experiência divina”? O mais modesto exercício de intelecto, para não dizer de decência, deveria de certo ser suficiente para convencer esses intérpretes da perfeita infantilidade e indignidade de tal abuso da destreza digital de Deus. Apesar de sermos poucos compassivos, caso encontrássemos um Deus que curasse oportunamente um constipado, ou que nos colocasse em uma carruagem no instante em que começasse a chover, ele nos pareceria um Deus tão absurdo que, mesmo existindo, teríamos de aboli-lo. Deus como empregado doméstico, como carteiro, como mensageiro – no fundo, Deus é simplesmente um nome dado para a mais imbecil espécie de acaso... A “Divina Providência”, na qual terça parte da “Alemanha culta” ainda acredita, é um argumento tão forte contra Deus que em vão se procuraria por um melhor. E em todo caso é um argumento contra os alemães!...&lt;br /&gt;1 – Ceticismo.&lt;br /&gt;2 – Uma referência à Universidade de Tübingen e sua famosa escola de crítica Bíblica. O líder da escola era F. C. Baur, e um dos homens que ele mais fortemente influenciou era uma abominação de Nietzsche, David F. Strauss, ele próprio, um suábio. (H. L. Mencken)&lt;br /&gt;LIII&lt;br /&gt;– É tão pouco verdadeiro que mártires oferecem qualquer verossimilhança a uma causa que me sinto inclinado a negar que qualquer mártir já teve alguma coisa a ver com a verdade. No tom com que um mártir lança sua convicção à cara do mundo revela-se um grau tão baixo de probidade intelectual, tamanha insensibilidade ao problema da “verdade”, que nunca chega a ser necessário refutá-lo. A verdade não é algo que alguns homens têm e outros não: na melhor das hipóteses, só há camponeses e apóstolos de camponeses, da classe de Lutero, que possam pensar assim da verdade. Pode-se ter certeza de que, quanto maior for o grau de consciência intelectual de um homem, maior será sua modéstia, sua discrição neste ponto. Ser competente em cinco ou seis coisas e se recusar, com delicadeza, a saber algo mais... O entendimento que todos profetas, sectários, livres-pensadores, socialistas e homens de igreja têm da palavra “verdade” é simplesmente uma prova cabal de que nem sequer foi dado o primeiro passo em direção à disciplina intelectual e ao autocontrole necessários à descoberta da menor das verdades. – Os mártires, diga-se de passagem, foram uma grande desgraça na história: seduziram... A conclusão a que todos idiotas, mulheres e plebeus chegam é que deve haver algum valor em uma causa pela qual alguém afronta a morte (ou que, como o cristianismo primitivo, engendra uma epidemia de gente à procura da morte) – essa conclusão impede o exame os fatos, tolhe por inteiro o espírito investigativo e circunspeto. Os mártires danificaram a verdade... Mesmo hoje, basta uma certa dose de crueldade na perseguição para proporcionar uma honrável reputação ao mais vazio tipo de sectarismo. – Como? O valor de uma causa é alterado pelo fato alguém ter se sacrificado por ela? – Um erro que se torna honroso é simplesmente um erro que possui um encanto sedutor: julgais, senhores teólogos, que vos daremos a chance de serdes martirizados por vossas mentiras? – Melhor se refuta uma causa colocando-a, respeitosamente, no gelo – esse também é o melhor meio para refutar os teólogos... Foi precisamente esta a estupidez histórico-mundial de todos os perseguidores: deram uma aparência honrosa à causa a que se opuseram – deram-lhe de presente a fascinação do martírio... Mulheres ainda se ajoelham ante um erro porque lhes disseram que um indivíduo morreu na cruz por ele. A cruz, então, é um argumento? – Mas sobre todas essas coisas um, e somente um, disse aquilo de que há milhares de anos se tinha necessidade – Zaratustra:&lt;br /&gt;Traçaram sinais de sangue pelo caminho que percorreram, e sua loucura ensinava que a verdade se prova através do sangue.&lt;br /&gt;Mas o sangue é, de todas, a pior testemunha da verdade; sangue envenena até a doutrina mais pura e a converte em insânia e ódio do coração.&lt;br /&gt;E quando alguém atravessa o fogo por sua doutrina – que isso prova? Mais vale, em verdade, que do nosso próprio incêndio venha a nossa doutrina!(1)&lt;br /&gt;1 – “Assim falou Zaratustra”, parte II, “Dos Sacerdotes”.&lt;br /&gt;LIV&lt;br /&gt;Não nos enganemos: grandes intelectos são céticos. Zaratustra é um cético. A força e a liberdade que surgem do vigor e da plenitude intelectual se manifestam através do ceticismo. Homens de convicção estática não são levados em consideração quando se pretende determinar o que é fundamental em matéria de valor e desvalor. Homens de convicção são prisioneiros. Não vêem longe o bastante, não vêem abaixo de si: para um homem poder falar de valor e desvalor é necessário que veja quinhentas convicções abaixo de si – atrás de si... Uma mente que aspira a algo grande, e que também deseja os meios para isso, é necessariamente cética. A liberdade de qualquer tipo de convicção constitui parte da força, da capacidade de possuir um ponto de vista independente... A grande paixão do cético, o fundamento e a potência do seu ser, é mais esclarecida e mais despótica que ele próprio, coloca toda sua inteligência a seu serviço; lhe torna inescrupuloso; lhe concede a coragem para empregar até meios ímpios; sob certas circunstâncias, lhe permite convicções. A convicção enquanto um meio: muito só pode ser alcançado por meio de uma convicção. A grande paixão usa, consome convicções, mas não se submete a elas – sabe-se a soberana. – Pelo contrário, a necessidade de fé, de uma coisa não subordinada ao sim e não, de carlylismo, se me permitem a expressão, é a necessidade da fraqueza. O homem de fé, o “crente” de toda espécie, é necessariamente dependente – tal homem é incapaz de colocar-se a si mesmo como objetivo, e tampouco é capaz determinar ele próprio seus objetivos. O “crente” não se pertence; apenas pode ser o meio para um fim; precisa ser consumido; precisa de alguém que o consuma. Seus instintos atribuem suprema honra à moral da despersonalização; tudo o persuade a abraçar essa moral: sua prudência, sua experiência, sua vaidade. Todo tipo de fé é em si mesma a expressão de uma despersonalização, de um alheamento de si... Após se ponderar sobre quão necessários à maioria são os regulamentos restringentes; sobre quão necessária é a opressão, ou, em um sentido mais elevado, a escravidão, para possibilitar o bem-estar ao homem de vontade fraca, e especialmente à mulher, então finalmente se compreende o significado da convicção e da “fé”. Para o homem de convicção a fé representa sua espinha dorsal. Deixar de ver muitas coisas, não possuir imparcialidade alguma, ser sempre de um partido, estimar todos os valores com uma ótica severa e infalível – essas são as condições necessárias à existência desse tipo de homem. Mas isso faz deles antagonistas do homem veraz – da verdade... O crente não é livre pra responder à questão do “verdadeiro” e do “falso”; segundo os ditames de sua consciência: a integridade, neste ponto, seria sua própria ruína. A limitação patológica de sua ótica faz do homem convicto um fanático – Savonarola, Lutero, Rousseau, Robespierre, Saint-Simon – o tipo desses encontra-se em oposição ao espírito forte, emancipado. Mas as grandiosas atitudes desses intelectos doentes, desses epiléticos das idéias, exercem influência sobre as grandes massas – os fanáticos são pitorescos, e a humanidade prefere observar poses a ouvir razões...&lt;br /&gt;LV&lt;br /&gt;– Um passo adiante na psicologia da convicção, da “fé”. Agora já faz bastante tempo desde que propus a questão de talvez as convicções serem inimigas mais perigosas à verdade que as mentiras (“Humano, Demasiado Humano”, Aforismo 483(1)). Desta vez pretendo colocar a questão definitiva: existe, de modo geral, alguma diferença entre uma mentira e uma convicção? – Todo o mundo acredita que sim; mas no que esse mundo não acredita! – Toda convicção tem sua história, suas formas primitivas, seus estágios de tentativa e erro: somente se transforma em convicção após não ter sido, por um longo tempo, uma convicção, e, depois disso, por um tempo ainda mais longo, sofrivelmente uma convicção. Não poderia também haver a falsidade nessas formas embrionárias de convicção? – Às vezes apenas é necessária uma&lt;br /&gt;mudança de pessoas: o que era uma mentira para o pai torna-se uma convicção para o filho. – Chamo de mentira o recusar-se a ver uma coisa que se vê, recusar-se a ver algo como de fato é: se a mentira foi proferida perante testemunhas ou não, isso não possui relevância. A espécie mais comum de mentira é aquela com a qual nos enganamos a nós mesmos: mentir aos outros é algo relativamente raro. – Agora, este não querer ver o que se vê, este não querer ver como de fato é, praticamente constitui o primeiro requisito para todos que pertencem a alguma espécie de partido: o homem de partido inevitavelmente torna-se um mentiroso. Por exemplo, os historiadores alemães estão convictos de que Roma era sinônimo de despotismo e que os povos germânicos trouxeram o espírito da liberdade ao mundo: qual a diferença entre essa convicção e uma mentira? Pode alguém ainda se admirar de que todos os partidos, incluindo os historiadores alemães, instintivamente se sirvam de frases morais – que a moral quase deva sua sobrevivência ao fato de toda espécie de homem de partido necessitar dela a cada instante? – “Esta é nossa convicção: proclamamo-la perante todo o mundo; vivemos e morremos por ela – que sejam respeitados todos aqueles que possuem convicções!” – De fato, ouvi isso da boca dos anti-semitas. Pelo contrário, senhores! Mentir por princípio certamente não torna um anti-semita mais respeitável... Os padres, que possuem mais sutileza em tais questões, e que compreendem bem a objeção existente contra a idéia de convicção, ou seja, de uma mentira que se transforma em princípio porque serve a um propósito, tomaram emprestado dos judeus o artifício de introduzir nesses casos os conceitos “Deus”, “vontade de Deus” e “revelação Divina”. Kant, com seu imperativo categórico, também estava no mesmo caminho: isso era sua razão prática(2). Há questões relativas à verdade e à inverdade que o homem não pode decidir; todas as questões capitais, todos problemas capitais de valoração estão acima da razão humana... Conhecer os limites da razão – somente isso é filosofia genuína. Que finalidade teve a revelação divina ao homem? Deus faria algo supérfluo? O homem não pode descobrir por si mesmo o que é bom e o é ruim, então Deus lhe ensinou sua vontade... Moral: o padre não mente – não existe a questão da “verdade” ou da “inverdade” entre as coisas de que falam os padres. É impossível mentir a respeito de tais coisas, pois para mentir primeiramente seria necessário saber o que é verdade. Mas isso está além do que o homem pode saber; logo, o padre é simplesmente um porta-voz de Deus. – Tal silogismo de padre não é de modo algum somente judaico e cristão; o direito à mentira e à astuciosa evasiva da “revelação” pertence ao tipo do padre em geral – tanto aos padres da decadência quanto aos padres dos tempos pagãos (– pagãos são todos aqueles que dizem sim à vida, e para os quais “Deus” é uma palavra que significa um sim a todas as coisas). – A “lei”, a “vontade de Deus”, o “livro sagrado”, a “inspiração” – são todas palavras que designam as condições sob as quais o padre adquire e mantém o poder – esses conceitos se encontram no fundo de todas organizações sacerdotais, de todos governos eclesiásticos ou filosófico-eclesiásticos. A “santa mentira” – comum a Confúcio, ao código de Manu, a Maomé e à Igreja cristã – não falta em Platão. “A verdade está aqui”: essas palavras significam, onde quer que sejam pronunciadas, o padre mente...&lt;br /&gt;1 – “Inimigos da verdade. – Convicções são inimigos da verdade mais perigosos que as mentiras.”&lt;br /&gt;2 – Uma referência, é claro, à “Kritik der praktischen Vernunft” de Kant (Crítica da Razão Prática).(H. L. Mencken)&lt;br /&gt;LVI&lt;br /&gt;– Em última análise, chega-se a isto: qual a finalidade da mentira? O fato de que, no cristianismo, os fins “sagrados” não são visíveis é minha objeção aos seus meios. Só existem maus fins: o envenenamento, a calúnia, a negação da vida, o desprezo pelo corpo, a degradação e envilecimento do homem através do conceito de pecado – logo, seus meios também são maus. – Tenho o sentimento oposto quando leio o código de Manu, uma obra incomparavelmente mais intelectual e superior; seria um pecado contra a inteligência simplesmente nomeá-lo juntamente com a Bíblia. É fácil ver o porquê: há uma filosofia genuína por detrás dele, nele próprio, e não apenas uma mixórdia fétida de rabinismo judaico e superstição – oferece, mesmo aos psicólogos mais delicados, algo saboroso. E não nos esqueçamos do mais importante, ele difere fundamentalmente de toda espécie de Bíblia: através dele os nobres, os filósofos e guerreiros preservam o domínio sobre a maioria; está cheio de valores nobres, denota um sentimento de perfeição, de aceitação da vida, um ar triunfante em relação a si e à vida – o sol brilha sobre o livro todo. – Todas as coisas sobre as quais o cristianismo descarrega sua inexaurível vulgaridade – por exemplo, a procriação, as mulheres e o casamento – nele são tratadas seriamente, com respeito, amor e confiança. Como alguém pode colocar nas mãos de crianças e mulheres um livro contentor de palavras tão abjetas: “Para evitar a impudicícia, que cada homem tenha sua própria esposa e que cada mulher tenha seu próprio marido; ...pois é melhor casar-se que queimar-se(1)”? E será possível ser um cristão enquanto a origem do homem estiver cristianizada, isto é, maculada pela doutrina da immaculata conceptio?... Não conheço qualquer outro livro em que sejam ditas tantas coisas boas e ternas sobre a mulher quanto no código de Manu; aqueles velhos e santos possuíam um modo tão amável de ser com as mulheres que talvez seja impossível superá-los. “A boca de uma mulher”, diz um trecho, “o seio de uma donzela, a oração de uma criança e a fumaça de um sacrifício são sempre puros”. Noutro trecho: “Não há nada mais puro que a luz do sol, a sombra de uma vaca, o ar, a água, o fogo e a respiração de uma donzela”. Finalmente, esta última passagem – que talvez também seja uma mentira sagrada –: “todos orifícios do corpo acima do umbigo são puros, todos os abaixo são impuros. Apenas na donzela o corpo todo é puro”.&lt;br /&gt;1 – I Coríntios 7:2 e 7:9.&lt;br /&gt;LVII&lt;br /&gt;Pega-se a irreligiosidade dos meios cristãos in flagranti simplesmente colocando os fins tencionados pelo&lt;br /&gt;cristianismo ao lado dos tencionados pelo código de Manu – pondo essas duas finalidades monstruosamente antitéticas sob uma forte luz. O crítico do cristianismo não pode evitar a necessidade de torná-lo desprezível. – O código de Manu tem a mesma origem que todo bom livro de leis: sumariza a prática, a sagacidade e a experimentação ética de longos séculos; chega às suas conclusões, e então não cria mais nada. O pré-requisito para uma codificação dessa espécie é reconhecer que os meios usados para estabelecer a autoridade de uma verdade adquirida dura e lentamente diferem fundamentalmente dos que seriam utilizados para demonstrá-la. Um livro de leis nunca relata a utilidade, as razões, a casuística de suas leis: com isso perderia o tom imperativo, o “tu deves”, no qual a obediência se fundamenta. O problema encontra-se exatamente aqui. – Em um certo ponto da evolução de um povo, sua classe mais judiciosa, ou seja, com melhor percepção do passado e do futuro, declara que as séries experiências usadas para determinar como todos devem viver – ou podem viver – chegaram ao fim. O objetivo agora é colher os frutos mais ricos possíveis desses dias de experimentação e experiências difíceis. Em conseqüência, o que se deve evitar acima de tudo é o prolongamento da experimentação – a continuação do estado no qual os valores são volúveis, sendo testados, escolhidos e criticados ad infinitum. Contra isso se levantam duas paredes: de um lado, a revelação, isto é, a assunção de que as razões subjacentes às leis não possuem origem humana, que não foram buscadas e encontradas por um lento processo e após muitos erros, mas que possuem uma origem divina, foram feitas completas, perfeitas, sem uma história, como um presente, um milagre...; do outro lado, a tradição, isto é, a afirmação de que as leis permaneceram inalteradas desde tempos imemoriais, e que seria um crime contra os antepassados colocá-las em dúvida. A autoridade da lei assenta-se sobre estas duas teses: Deus a deu e os antepassados a viveram. – A razão superior desse procedimento está na intenção de distrair a consciência, passo a passo, de suas preocupações sobre os modos corretos de viver (isto é, aqueles que foram provados por uma vasta e minuciosamente considerada experiência), para que o instinto atinja um automatismo perfeito – um pressuposto essencial a toda espécie de mestria, toda perfeição na arte da vida. Confeccionar um código como o de Manu significa oferecer a um povo a chance de ser mestre, de chegar à perfeição – de aspirar ao mais sublime na arte da vida. Para tal fim deve-se torná-lo inconsciente: esse é o objetivo de toda mentira sagrada. – A ordem das castas, a lei suma e dominante, é meramente uma ratificação de uma ordem natural, de uma lei natural de primeira ordem, sobre a qual nenhum arbítrio, nenhuma “idéia moderna” exerce qualquer influência. Em toda sociedade saudável há três tipos fisiológicos que gravitam à diferenciação, mas que se condicionam mutuamente; cada qual tem sua própria higiene, sua própria esfera de trabalho, seu próprio sentimento de perfeição e maestria. Não é manu, mas a natureza que separa em uma classe aqueles que preponderam intelectualmente, em outra aqueles que são notáveis pela força muscular e temperamento, e numa terceira aqueles que não se distinguem, que somente demonstram mediocridade – esta última representa a grande maioria, as duas primeiras são a elite. A casta superior – que denomino a dos pouquíssimos – tem, sendo a mais perfeita, privilégios correspondentes: representa a felicidade, a beleza e tudo de bom sobre a Terra. Apenas os homens mais intelectuais têm direito à beleza, ao belo; apenas entre eles a bondade não significa fraqueza. Pulchrum est paucorum hominum(1): ser bom é privilégio. Nada lhes é mais impróprio que a rudeza, o olhar pessimista, os olhos afinados com a fealdade – ou a indignação por causa do aspecto geral das coisas. A indignação é um privilégio dos chandala; assim como o pessimismo. “O mundo é perfeito” – assim fala o instinto dos mais intelectuais, o instinto do homem que diz sim à vida. “A imperfeição, tudo que é inferior a nós, a distância, o pathos da distância, os próprios chandala, são parte dessa perfeição”. Os homens mais inteligentes, sendo os mais fortes, encontram sua felicidade onde outros encontrariam apenas desastre: no labirinto, na dureza para&lt;br /&gt;consigo e para com os outros, no esforço; seu prazer está na auto-superação; neles o ascetismo torna-se uma segunda natureza, uma necessidade, um instinto. Consideram tarefas difíceis como um privilégio; para eles é um entretenimento lidar com fardos que esmagariam todos os outros... Conhecimento – uma forma de ascetismo. – Representam o tipo mais honroso de homens: mas isso não impede que também sejam os mais amáveis e mais alegres. Dominam não porque querem, mas porque são; não possuem a liberdade de ser os segundos. – A segundacasta: a esta pertencem os guardiões da lei, os mantenedores da ordem e da segurança, os guerreiros mais nobres e, acima de tudo, o rei, como a mais elevada forma de guerreiro, juiz e defensor da lei. Os segundos constituem o elemento executivo dos intelectuais; são aqueles que lhes estão mais próximos, os aliviando de tudo que há de grosseiro no trabalho de liderar – são seu séqüito, sua mão direita, os seus melhores discípulos. Nisso tudo, repito, nada é arbitrário, nada é “artificial”; apenas o contrário é artificial – ele destrói a natureza... A ordem das castas, a hierarquia simplesmente formula a lei suprema própria vida; a separação dos três tipos é necessária para conservar a sociedade, para possibilitar o surgimento dos tipos mais elevados, mais sublimes – a desigualdade de direitos é condição primordial para a existência de quaisquer direitos. – Um direito é um privilégio. Cada qual tem seus privilégios de acordo com seu modo de ser. Não subestimemos os privilégios dos medíocres. Quanto mais elevada, mais dura torna-se a vida – o frio aumenta, a responsabilidade aumenta. Uma civilização elevada é uma pirâmide: somente subsiste com uma base larga; seu pré-requisito é uma mediocridade sã e fortemente consolidada. O ofício, o comércio, a agricultura, a ciência, grande parte da arte, em suma, toda a gama de atividades ocupacionais, são apenas compatíveis com a mediocridade no poder e no querer; tais coisas estariam fora de seu lugar entre homens excepcionais; o instinto necessário encontrar-se-ia em contradição tanto com a aristocracia como com o anarquismo. O fato de o homem ser publicamente útil, uma engrenagem, uma função, é evidência de uma predisposição natural; não é a sociedade, mas o único tipo de felicidade de que são capazes, que faz deles máquinas inteligentes. Para os medíocres a felicidade é a mediocridade; possuem um instinto natural para dominar apenas uma coisa, para a especialização. Seria profundamente indigno da parte de um intelecto profundo ver algo de condenável na mediocridade em si. Ela é, de fato, o primeiro pré-requisito ao surgimento das exceções: é uma condição necessária a toda civilização elevada. Quando o homem excepcional trata o homem medíocre com mais delicadeza que si próprio ou seus iguais, isso não se trata de uma gentileza – é simplesmente seu dever... A quem odeio mais entre a ralé de hoje? A escumalha socialista, aos apóstolos de chandala que minam o instinto do trabalhador, seu prazer, seu sentimento de contentamento com uma existência pequena – que o tornam invejoso, que lhe ensinam a vingança... A injustiça nunca está desigualdade de direitos, mas na exigência de direitos “iguais”... O que é mau? Mas essa questão foi respondida: tudo que se origina da fraqueza, da inveja, da vingança. – O anarquista e o cristão têm a mesma origem...&lt;br /&gt;1 – A beleza é para poucos.&lt;br /&gt;LVIII&lt;br /&gt;Em verdade, o fim pelo qual se mente faz uma grande diferença: se com isso preserva ou destrói. Há uma perfeita consonância entre o cristão e o anarquista: seus objetivos, seus instintos, direcionam-se somente à destruição. Basta voltarmo-nos à história para encontrar a prova disso: ela aparece com precisão espantosa. Já estudamos um código religioso cujo objetivo era converter as condições sob as quais a vida prospera numa organização social “eterna” – a missão que o cristianismo encontrou foi justamente destruir tal organização, porque com ela a vida prospera. Naquele, os benefícios que a razão produziu durante longos períodos de experimentação e incerteza foram aplicados nos aspectos mais remotos, fazia-se o todo esforço possível para colher os maiores, mais ricos e mais completos frutos; aqui, pelo contrário, os frutos são envenenados durante a noite... Aquilo que se erigia aere perennius(1), o imperium Romanum, a mais magnificente forma de organização sob condições adversas jamais alcançada, em comparação com a qual todo o anterior e o posterior assemelham-se a uma grosseria, uma imperfeição, um diletantismo – esses anarquistas santos fizeram da destruição do “mundo”, ou seja, do imperium Romanum, uma questão de “devoção”, até que não restasse pedra sobre pedra – até ao ponto em que os germanos e outros rústicos foram capazes de dominá-lo... O cristão e o anarquista: ambos são decadentes; ambos são incapazes de qualquer ato que não seja dissolvente, venenoso, degenerativo, hematófago; ambos têm por instinto um ódio mortal contra tudo que esta em pé, tudo que é grande, tudo que é durável, tudo que promete futuro à vida... O cristianismo foi o vampiro do imperium Romanum – destruiu do dia para a noite a vasta obra dos romanos: a conquista do solo para uma grande cultura que poderia aguardar por sua hora. Será possível que isso ainda não foi compreendido? O imperium Romanum que conhecemos, e que a história da província romana nos ensina a conhecer cada vez melhor – essa admirável obra de arte em grande estilo, era apenas um começo, sua construção estava calculada para provar seu valor por milhares de anos. Até hoje nada em escala semelhante sub specie aeterni(2) foi construído, ou sequer sonhado! – Essa organização era forte o suficiente para resistir a maus imperadores: o acaso da personalidade não pode fazer nada em tais coisas – primeiro princípio de toda arquitetura genuinamente grande. Mas não era forte o suficiente para resistir contra a mais corrupta das corrupções – contra cristãos... Esses vermes furtivos que, sob a proteção da noite, da névoa e da duplicidade rastejam sobre todo indivíduo, sugando-lhe todo o interesse sério pelas coisas reais, todo o instinto para a realidade – essa turba covarde, efeminada e melíflua gradualmente alienou todas as “almas” desse edifício colossal – aquelas naturezas preciosas, virilmente nobres, que haviam encontrado em Roma sua própria causa, sua própria seriedade, seu próprio orgulho. A dissimulação dos hipócritas, o mistério dos conventículos, conceitos tão sombrios quanto o inferno, como o sacrifício do inocente, a unio mystica(3) no beber sangue, e acima de tudo o fogo lentamente reavivado da vingança, da vingança de chandala – isso dominou Roma: o mesmo tipo de religião que, numa forma preexistente, Epicuro combateu. Leia-se Lucrécio para entender contra oque Epicuro fez guerra – não contra o paganismo, mas contra o “cristianismo”, isto é, a corrupção das almas através dos conceitos de culpa, punição e imortalidade. – Combateu os cultos subterrâneos, todo o cristianismo latente – naquele tempo negar a imortalidade já era uma verdadeira salvação. – E Epicuro havia triunfado, todo intelecto respeitável em Roma era epicúreo – foi quando Paulo apareceu... Paulo, o ódio de chandala encarnado, inspirado pelo gênio, contra Roma, contra “o mundo” – o judeu, o judeu eternopar excellence... O que ele percebeu foi como, com a ajuda de um pequeno movimento sectário cristão, à parte do judaísmo, uma “conflagração mundial” poderia ser acesa; percebeu como, com o símbolo do “Deus na cruz”, poderia condensar todas as sedições secretas,&lt;br /&gt;todos os frutos das intrigas anárquicas, em um imenso poder. “A salvação vem dos judeus” – cristianismo é a fórmula para sobrepor e agregar os cultos subterrâneos de todas variedades, por exemplo, o de Osíris, da Grande Mãe, de Mitra: era nisso que consistia o gênio de Paulo. Seu instinto estava tão seguro disso que, com ousada violência contra a verdade, colocou as idéias que fascinavam toda espécie de chandala na boca de sua invenção, do “salvador”, e não apenas na boca – fez dele algo que até os sacerdotes de Mitra podiam entender... Foi esta sua revelação em Damasco: compreendeu que precisava da crença na imortalidade para despojar o valor do “mundo”, que a idéia de “inferno” dominaria Roma – que a noção de um “além” significa a morte da vida. Niilista e cristão: são coisas que rimam(4), e não somente rimam...&lt;br /&gt;1 – Mais duradouro que o bronze.&lt;br /&gt;2 – Sob o aspecto do eterno.&lt;br /&gt;3 – União sagrada ou mística.&lt;br /&gt;4 – Rimam em alemão: “Nihilist und Christ”. (N. do T.)&lt;br /&gt;LIX&lt;br /&gt;Todo o esforço do mundo antigo em vão: não tenho palavras para descrever meu sentimento ante tal monstruosidade. – E, considerando o fato de que esse era um trabalho meramente preparatório, que com granítica autoconsciência lançou os fundamentos para um trabalho de milhares de anos, todo o significado da antiguidade desaparece!... Para que serviram os gregos? Para que serviram os romanos? – Todos os pré-requisitos para uma cultura sábia, todos métodos científicos já existiam; o homem já havia aperfeiçoado a grande e incomparável arte de ler bem – essa é a primeira necessidade para a tradição da cultura, para a unidade das ciências; as ciências naturais, aliadas às matemáticas e à mecânica, palmilhavam o caminho certo – o sentido dos fatos, o último e mais precioso de todos os sentidos, tinha suas escolas, e suas tradições possuíam séculos! Compreende-se isso? Tudo que era essencial ao começo do trabalho estava pronto; – e o mais essencial, nunca será demais repeti-lo, são os métodos, que também são o mais difícil de desenvolver e o que há mais tempo têm contra si os costumes e a indolência. O que hoje reconquistamos com uma inexprimível vitória sobre nós mesmos – pois certos maus instintos, certos instintos cristãos ainda habitam nossos corpos –, ou seja, o olhar afiado ante a realidade, a mão prudente, a paciência e a seriedade nas menores coisas, toda a integridade no conhecimento – tudo isso já existia há mais de dois mil anos! E mais, havia também bom gosto, um excelente e refinado tato! Não como um adestramento de cérebros! Não como a cultura “alemã”, com seus modos grosseiros! Mas como corpo, como gesto, como instinto – em suma, como realidade... Tudo em vão! Do dia para a noite tornou-se memória! – Os gregos! Os romanos! A nobreza do instinto, o gosto, a investigação metódica, o gênio para a organização e administração, a fé e a vontade para assegurar futuro do homem, um grandioso sim a todas as coisas, visível sob a forma de imperium romanum e palpável a todos os sentidos, um grande estilo que não era simplesmente arte, mas que havia se transformado em realidade, verdade, vida... – Tudo destruído de um dia para outro, e não por uma convulsão da natureza! Não pisoteado até a morte por teutônicos e outros búfalos! Mas vencido por vampiros velhacos, furtivos, invisíveis e anêmicos! Não conquistado – apenas consumido!... A vingança oculta, a inveja mesquinha, agora dominam! Tudo que é miserável, intrinsecamente doente, tomado por maus sentimentos, todo o mundo de gueto da alma estava subitamente no topo! – Leia-se qualquer agitador cristão, por exemplo, Santo Agostinho, para entender, para sentir o cheiro daquela gente imunda que subiu ao poder. – Seria um erro, entretanto, presumir que havia falta de compreensão por parte dos líderes do movimento cristão: – ah, eles eram espertos, espertos até à santidade, esses pais da Igreja! O que lhes faltava era algo bastante diferente. A natureza deixou – talvez esqueceu-se – de dotá-los, ao menos modestamente, de instintos respeitáveis, íntegros, limpos... Dito entre nós, eles não são sequer homens... Se o islamismo despreza o cristianismo, tem mil razões para fazê-lo: o islamismo pressupõe homens...&lt;br /&gt;LX&lt;br /&gt;O cristianismo nos fez perder todos os frutos da civilização antiga, e mais tarde nos fez perder os frutos da civilização islâmica. A maravilhosa cultura dos mouros na Espanha, que era fundamentalmente mais próxima aos nossos sentidos e gostos que Roma e Grécia, foi pisoteada (– não digo por que tipo de pés –). Por quê? Porque devia sua origem aos instintos nobres e viris – porque dizia sim à vida, e a com a rara e refinada luxuosidade da vida mourisca!... Mais tarde os cruzados combateram algo ante o qual seria mais apropriado que rastejassem – uma civilização que faria mesmo o nosso século XIX parecer muito pobre e “atrasado”. – O que queriam, obviamente, era saquear: o Oriente era rico... Coloquemos à parte os preconceitos! As cruzadas: pirataria em grande escala, nada mais! A nobreza alemã, que no fundo é uma nobreza de viking, estava em seu elemento com as cruzadas: a Igreja sabia muito bem como ganhar a nobreza alemã.... A nobreza alemã, sempre a “guarda suíça” da Igreja, estava ao serviço de todos maus instintos da Igreja – mas bem paga... Foi precisamente a ajuda das espadas, do sangue e do valor alemães que permitiu à Igreja fazer sua guerra de morte contra tudo que é nobre sobre a Terra! Aqui poderiam ser feitas perguntas bastante dolorosas. A nobreza alemã encontra-se fora da história das civilizações elevadas: a razão é óbvia... Cristianismo, álcool – os dois grandes meios de corrupção... Em suma, não havia mais escolha entre o islamismo e o cristianismo que há entre um árabe e um judeu. A decisão já foi tomada; não há mais liberdade de escolha aqui. Ou bem se é chandala ou bem se não é... “Guerra de morte a Roma! Paz e amizade com o islamismo!”: esse foi o sentimento, essa foi a ação do grande espírito livre, do gênio entre os imperadores alemães, Frederico II. Como? Será preciso que um alemão seja gênio, espírito livre, para possuir sentimentos decentes? Não consigo imaginar como um alemão poderia sentir-se cristão...&lt;br /&gt;LXI&lt;br /&gt;Neste momento faz-se mister evocar uma memória cem vezes mais dolorosa aos alemães. Os alemães impediram a Europa de colher os últimos grandes frutos de cultura – a Renascença. Compreende-se finalmente, será que por fim compreende-se o que era a Renascença? A transmutação dos valores cristãos – uma tentativa com todos os meios, todos os instintos e todos os recursos do gênio para fazer triunfarem os valores opostos, os valores mais nobres... Até ao presente essa foi a única grande guerra; nunca houve uma questão mais crítica que a da Renascença – que é minha questão também –; nunca houve uma forma de ataque mais fundamental, mais direta, mais violentamente desferida por toda uma frente contra o centro do inimigo! Atacar no lugar decisivo, no próprio assento do cristianismo, e lá entronar os valores nobres – isto é, introduzi-los nos instintos, nas necessidades e desejos mais fundamentais dos que ocupavam o poder... Vejo diante de mim a possibilidade de um encantamento supraterreno: – parece-me que cintila com todas vibrações de uma beleza sutil e refinada, dentro da qual há uma arte tão divina, tão diabolicamente divina, que em vão se procuraria através dos milênios por semelhante possibilidade; vejo um espetáculo tão rico em significância e ao mesmo tempo tão maravilhosamente paradoxal que daria a todas as divindades do Olimpo o ensejo de irromper numa imortal gargalhada – César Bórgia como Papa!... Compreendem-me?... Pois bem, essa teria o sido a espécie de vitória que hoje somente eu desejo –: com ela o cristianismo teria sido abolido! – Que sucedeu? Um monge alemão, Lutero, chegou a Roma. Esse monge, com todos os instintos vingativos de um padre malogrado no corpo, levantou uma rebelião contra a Renascença em Roma... Em vez de compreender, com profundo reconhecimento, o milagre que havia ocorrido: a conquista do cristianismo em sua sede – usou o espetáculo apenas para alimentar seu próprio ódio. O homem religioso pensa apenas em si mesmo. – Lutero viu apenas a corrupção do papado, enquanto exatamente o oposto estava tornando-se visível: a velha corrupção, o peccatum originale, o cristianismo já não ocupava mais o trono papal! Em seu lugar havia vida! Havia o triunfo da vida! Havia um grande sim a tudo que é grande, belo e audaz!... E Lutero restabeleceu a Igreja: a atacou... A Renascença – um evento sem sentido, uma grande futilidade! – Ah, esses alemães, quanto já nos custaram! Tornar todas as coisas vãs – sempre foi esse o trabalho dos alemães. – A Reforma; Leibniz; Kant e a assim chamada filosofia alemã; as guerras de “independência”; o Império – sempre um substituto fútil para algo que existia, para algo irrecuperável... Estes alemães, eu confesso, são meus inimigos: desprezo neles toda a sujidade nos valores e nos conceitos, a covardia perante todo sim e não sinceros. Há quase mil anos embaraçam e confundem tudo que seus dedos tocam; têm sobre suas consciências todas as coisas feitas pela metade, feitas nas suas três oitavas partes, de que a Europa está doente – e também pesa sobre suas consciências a mais imunda, incurável e indestrutível espécie de cristianismo – protestantismo... Se a humanidade nunca conseguir livrar-se do cristianismo, os culpados serão os alemães...&lt;br /&gt;LXII&lt;br /&gt;– Com isto concluo e pronuncio meu julgamento: eu condeno o cristianismo; lanço contra a Igreja cristã a mais terrível acusação que um acusador já teve em sua boca. Para mim ela é a maior corrupção imaginável; busca perpetrar a última, a pior espécie de corrupção. A Igreja cristã não deixou nada intocado pela sua depravação; transformou todo valor em indignidade, toda verdade em mentira e toda integridade em baixeza de alma. Que se atrevam a me falar sobre seus benefícios “humanitários”! Suas necessidades mais profundas a impedem de suprimir qualquer miséria; ela vive da miséria; criou a miséria para fazer-se imortal... Por exemplo, o verme do pecado: foi a Igreja que enriqueceu a humanidade com esta desgraça! – A “igualdade das almas perante Deus” – essa fraude, esse pretexto para o rancor de todos espíritos baixos – essa idéia explosiva terminou por converter-se em revolução, idéia moderna e princípio de decadência de toda ordem social – isso é dinamite cristã... Os “humanitários” benefícios do cristianismo! Fazer da humanitas(1) uma autocontradição, uma arte da autopoluição, um desejo de mentir a todo custo, uma aversão e desprezo por todos instintos bons e honestos! Para mim são esses os “benefícios” do cristianismo! – O parasitismo como única prática da Igreja; com seus ideais “sagrados” e anêmicos, sugando da vida todo o sangue, todo o amor, toda a esperança; o além como vontade de negação de toda a realidade; a cruz como símbolo representante da conspiração mais subterrânea que jamais existiu – contra a saúde, a beleza, o bem-estar, o intelecto, a bondade da alma – contra a própria vida...&lt;br /&gt;Escreverei esta acusação eterna contra o cristianismo em todas as paredes, em toda parte onde houver paredes – tenho letras que até os cegos poderão ler... Denomino o cristianismo a grande maldição, a grande corrupção interior, o grande instinto de vingança, para o qual nenhum meio é suficientemente venenoso, secreto, subterrâneo ou baixo – chamo-lhe a imortal vergonha da humanidade...&lt;br /&gt;E conta-se o tempo a partir do dies nefastus(2) em que essa fatalidade começou – o primeiro dia do cristianismo! – Por que não contá-lo a partir do seu último dia? – A partir de hoje? – Transmutação de todos os valores!...&lt;br /&gt;1 – Caráter humano, sentimento humano.&lt;br /&gt;2 – Dia nefasto.&lt;br /&gt;Lei contra o cristianismo&lt;br /&gt;Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário).&lt;br /&gt;Guerra de morte contra o vício: o vício é o cristianismo&lt;!--/p--&gt;&lt;br /&gt;Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.&lt;br /&gt;Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Conseqüentemente, o maior dos criminosos é filósofo.&lt;br /&gt;Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.&lt;br /&gt;Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.&lt;br /&gt;Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.&lt;br /&gt;Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.&lt;br /&gt;Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: André Díspore Cancian&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-5485463228159910368?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/5485463228159910368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=5485463228159910368' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/5485463228159910368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/5485463228159910368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/11/o-anticristo-de-friedrich-nietzsche.html' title='O Anticristo, de Friedrich Nietzsche'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wEX3O4ibpIo/TsbFK4BGHjI/AAAAAAAAEKY/hKJR2hc5tP4/s72-c/nietzsche.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-7363763687933440932</id><published>2011-11-17T06:59:00.000-08:00</published><updated>2011-11-21T14:10:14.879-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>O Fim do mundo e outras histórias ...</title><content type='html'>&lt;b style=""&gt;Uma geral nos últimos filmes que vi no cinema.&lt;/b&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-odTYC2NDJ9Y/TsUibAw0API/AAAAAAAAEG0/H9nN6uStEUE/s1600/Melancholia_409_photo_by_Christian_Geisnaes_large.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-odTYC2NDJ9Y/TsUibAw0API/AAAAAAAAEG0/H9nN6uStEUE/s320/Melancholia_409_photo_by_Christian_Geisnaes_large.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675980752826925298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;por Adelvan Kenobi&lt;b style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Melancolia, de Lars Von Trier -&lt;/b&gt; Justine (&lt;strong&gt;Kirsten Dunst)&lt;/strong&gt; deveria estar feliz. É o que se espera de uma moça bonita na noite de seu casamento com um verdadeiro Deus (ou vampiro) nórdico – Eric, de True Blood! Ou melhor, o ator Alexander Skarsgaard, que aqui, se não impressiona, também não compromete. É o que espera, principalmente, sua irmã, Claire (&lt;strong&gt;Charlotte Gainsbourg&lt;/strong&gt;), que bancou a festança com o dinheiro do marido, Jack Bower, perdão, John (&lt;strong&gt;Kiefer Sutherland&lt;/strong&gt;). &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_wY92SEFHb4/TsUjcKfM4uI/AAAAAAAAEHA/jmv03a4ziOc/s1600/melancholiafesta.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-_wY92SEFHb4/TsUjcKfM4uI/AAAAAAAAEHA/jmv03a4ziOc/s320/melancholiafesta.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675981872128910050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mas Justine não está feliz, e nem ela parece saber exatamente o porque. Está enferma daquela tristeza profunda que se convencionou catalogar como uma doença e chamar de “depressão”. Muito por conta disto, e também por causa do comportamento inconveniente de sua mãe, amarga e rancorosa, e de seu pai, um bonachão divertido porém igualmente inconveniente, o que estava programado para ser uma noite feliz transcorre num clima bastante parecido com o de “Festa de Famíla”, filme de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Vinterberg" title="Thomas Vinterberg"&gt;Thomas Vinterberg&lt;/a&gt; que inaugurou o Movimento “Dogma 95”. Há, também, uma interessante subtrama que explora com ironia e nonsense o mundo da publicidade. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-q4M6VxFuh1c/TsUj__2U2xI/AAAAAAAAEHM/CTdeB7gRg0o/s1600/Melancholia%2B4%2Bphoto%2Bby%2BChristian%2BGeisnaes.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-q4M6VxFuh1c/TsUj__2U2xI/AAAAAAAAEHM/CTdeB7gRg0o/s320/Melancholia%2B4%2Bphoto%2Bby%2BChristian%2BGeisnaes.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675982487748401938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A noite passa, a união não se consuma e Justine segue como um estorvo, hospedada na casa da família de sua irmã. Ficamos sabendo, então, que estão todos esperando pela passagem do planeta “Melancolia”, que se aproxima da terra mas, dizem os astrônomos, não se chocará contra nosso amado planetinha azul. Claire tem lá suas dúvidas, mas é tranqüilizada por seu marido, que é também astrônomo, mesmo que amador. John, muito pelo contrário, está empolgado com a oportunidade única de presenciar, em toda a sua majestade, este raríssimo evento cósmico, que se revela em todo o seu esplendor já na abertura do filme, uma belíssima colagem de imagens que funciona como uma espécie de resumo do enredo embalado pela ópera “Tristão e Isolda”.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-6RNREUusF7A/TsUkeIc1III/AAAAAAAAEHY/BkG8wd-owfY/s1600/melancholia_004.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-6RNREUusF7A/TsUkeIc1III/AAAAAAAAEHY/BkG8wd-owfY/s320/melancholia_004.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675983005453459586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E é isso, leitor: o fim do mundo ao som de Richard Wagner. Não poderia pensar em trilha sonora mais apropriada. Justine, como era de se esperar de uma pessoa imersa em depressão, não está nem aí. Ou mais: parece resignada e até mesmo feliz pelo fim da raça humana. Já Claire está desesperada por salvar a si mesma e, principalmente, a seu filho. O marido, lembrem-se, é Jack Bower: ele é capaz de cuidar de si próprio. Ou não ...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um monte de gente viu um monte de coisas, metáforas e mais metáforas, por trás desta nova e polêmica (pela forma com que foi lançado, em Cannes) obra de Lars Von Trier. Outros tantos a acharam vazia, sem contrúdo. Bonitinho, mas ordinário. Eu vi um filme com imagens belíssimas e um clima de profunda ... melancolia. Não sei muito bem o que o diretor quis dizer, e não sei se tenho interesse em  saber. Muito provavelmente a mensagem por trás de tudo é na verdade bem simples: a vida não tem sentido.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ah, importante: Kirsten Dunst aparece nua. Nu frontal, mesmo que à distância.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bom.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-WJrMnfZRT_M/TsUlFKe-9wI/AAAAAAAAEHk/qvz97u2ywTw/s1600/contagio%2B02.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-WJrMnfZRT_M/TsUlFKe-9wI/AAAAAAAAEHk/qvz97u2ywTw/s320/contagio%2B02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675983676014262018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Contágio, de Steven Soderbergh –&lt;/b&gt; Brilhante descrição do que provavelmente ocorreria ao mundo caso um vírus infeccioso saísse do controle e ameaçasse a própria existência humana. Impressionante como o diretor consegue montar um imenso mosaico que mostra a reação à praga por todo o planeta através dos mais diversos personagens, sem perder o fio da meada e ainda desenvolvendo satisfatoriamente a personalidade de cada um. Mostra, também, o trabalho realizado diuturnamente por profissionais das agencias de controle governamentais com realismo e sem alarmismos, correria ou superficialidade. Além, muito alem do “cinema catástrofe” rasteiro hollywoodyano. Um exercício de estilo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ótimo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-wKiR9uwkNMk/TsUlYlct8DI/AAAAAAAAEHw/gwPC4EwLf0o/s1600/balada-do-amor-e-do-odio1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 266px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-wKiR9uwkNMk/TsUlYlct8DI/AAAAAAAAEHw/gwPC4EwLf0o/s400/balada-do-amor-e-do-odio1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675984009670029362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Balada do Amor e do ódio, de Alex de La Iglesia –&lt;/b&gt; Fiquei tão feliz por ter, finalmente, a oportunidade de ver um filme do espanhol/Basco Alex De La Iglesia* na tela grande aqui em nossa província que, tendo deixado para o que eu achei que seria o último dia de exibição, fiz um esforço para estar no cinema numa quinta-feira, às 2 da tarde! E saí decepcionado ...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sei bem o que aconteceu, mas desconfio: o diretor parece ter acreditado demais no próprio talento e errou a mão na excentricidade. Tudo começa muito bem, com imagens de documentário sobre a Guerra civil espanhola misturadas a uma divertida cena em que tropas republicanas (e não as do fascista Franco, uma ótima sacada para evitar o maniqueísmo) invadem um circo para recrutar à força novos soldados. Daí pra frente o que se vê é um verdadeiro samba do crioulo doido com um enredo totalmente inverossímil, beirando o surrealismo e caindo de cabeça na escatologia, sobre um triangulo amoroso improvável entre um sádico, uma masoquista e seu auto-intitulado “salvador”, um personagem caricato e sem carisma pelo qual eu, sinceramente, não consegui sentir a menor empatia (era o caso? Nem sei). Salva-se, apenas, a bela fotografia, especialmente na sequencia final, cuja locação é em uma espécie de santuário construído pelo governo fascista em homenagem aos &lt;u&gt;seus&lt;/u&gt; mortos da guerra civil. Visualmente arrebatador, mas conceitualmente confuso.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ruim.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;# # #&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left:36.0pt;text-indent:-18.0pt;mso-list:l0 level1 lfo1"&gt;&lt;span style="font-family:Symbol;mso-fareast-font-family:Symbol;mso-bidi-font-family:Symbol;" &gt;&lt;span style="mso-list:Ignore"&gt;*&lt;span style="font:7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;        &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Os outros filmes que vi de Alex de La  Iglesia:&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-DFQJdKzNQSI/TsUl2FyO5OI/AAAAAAAAEH8/DdQaqhmg2RQ/s1600/alex%2Bde%2Bla%2B0000000000000tr%2B147.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 298px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-DFQJdKzNQSI/TsUl2FyO5OI/AAAAAAAAEH8/DdQaqhmg2RQ/s400/alex%2Bde%2Bla%2B0000000000000tr%2B147.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675984516566410466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;ccion Mutante (1993)&lt;/b&gt; – No ano de 2012, um grupo terrorista auto-intitulado “Ação mutante”, cujos membros são seres deformados, deficientes físicos e, claro, mutantes, luta contra o domínio dos ricos e bonitos – a classe dominante. Primeiro longa-metragem do diretor, uma mistura de ficção, ação, horror e comédia. Começou com o pé direito. É ótimo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;El Dia de La Bestia (1995)&lt;/b&gt; – Excelente comédia de humor negro que narra as aventuras e, principalmente, desventuras, de um padre católico à procura do capeta para tentar evitar o nascimento do anticristo. Para tanto, ele freqüenta lojas de discos especializadas em rock satânico e participa de uma hilária invocação do tinhoso. O final, que tem como locação um famoso cartão postal de Madri, é apoteótico, uma marca resgistrada dos filmes de De La Iglesia. Cult movie total.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Perdita Durango (1997)&lt;/b&gt; – Um coquetel explosivo de humor negro, sexo e ação, claramente inspirado nos filmes de Russ Meyer. Uma mulher ensandecida, Perdita Durango, e seu namorado assassino, Romeo Dolorosa, ambos mexicanos, seqüestram um casal de adolescentes americanos de classe média e embarcam com eles numa tour de force pelo lado escuro do “sonho americano”, baseado no individualismo e na busca pelo sucesso (leia-se ganhar dinheiro a qualquer custo). Participações mais que especiais de Alex Cox e Screamin´ Jay Hawkins.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ZgZTN2QwH_0/TsUmeb3z86I/AAAAAAAAEII/3Hg-W6YMifo/s1600/Perdita%2BDurango-1.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 279px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ZgZTN2QwH_0/TsUmeb3z86I/AAAAAAAAEII/3Hg-W6YMifo/s400/Perdita%2BDurango-1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675985209690157986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;A Comunidade (2000)&lt;/b&gt; – Já na abertura temos a pra lá de inusitada imagem de Darth Vader se masturbando enquanto observa, por um binóculo, sua vizinha trocando de roupa. Não é o famoso vilão, claro, é alguém fantasiado, mas a cena dá o tom do que vem a seguir: uma deliciosa mistura de Hitchcock com Polanski nas atrapalhadas tentativas de uma imobiliária gaiata, vivida pela excelente Carmem Maura, de se apossar da fortuna deixada por um inquilino recluso, recém falecido. Foi o maior sucesso de publico e crítica do diretor na Espanha, merecidamente. Divertidíssimo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;800 Balas (2002)&lt;/b&gt; – Já este aqui é mais fraquinho, embora ainda bom. É uma bela homenagem aos “westerns” que conta a história de um dublê aposentado que comanda um show temático para turistas numa decrépita cidade cenográfica na Almeria, região da Espanha notória pelos &lt;em&gt;Spaghetti Westerns&lt;/em&gt;. Seu dia a dia de bebedeiras com os companheiros de elenco é abalado pela chegada inesperada do seu neto Carlos (Luis Castro), que fugiu de casa. A surpresa leva Julian a encarar a parte sombria de seu passado: a morte do filho, também dublê, durante uma filmagem. Laura (Carmen Maura), sua ex-nora e uma poderosa empresária do ramo imobiliário, entra em conflito com Julián, armando uma vingança que levará os falsos caubóis a uma luta de verdade. É provavelmente o filme mais “leve” do diretor, com um clima de “Sessão da tarde”, mas isso não significa que ele tenha deixado para trás suas obsessões: personagens bizarros, perdedores e &lt;em&gt;outsiders&lt;/em&gt; permeiam toda a narrativa. O humor negro também marca forte presença, embora sem os momentos grotescos de suas obras anteriores. ( esta resenha contou com a colaboração involuntária de &lt;em&gt;Cesar Almeida - &lt;a href="http://diadafuria.wordpress.com/2009/07/25/800-balas-2002-alex-de-la-iglesia/"&gt;&lt;span style="font-style:normal"&gt;http://diadafuria.wordpress.com/2009/07/25/800-balas-2002-alex-de-la-iglesia/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; )&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;# # #&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4HhybXjnRhA/TsUn96Qgm7I/AAAAAAAAEIU/az5Vt0ZgxR0/s1600/a-piel-que-habito-antonio-banderas-elena-anaya-foto-dal-film-01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 266px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-4HhybXjnRhA/TsUn96Qgm7I/AAAAAAAAEIU/az5Vt0ZgxR0/s400/a-piel-que-habito-antonio-banderas-elena-anaya-foto-dal-film-01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675986849934384050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;A pele que habito, de Pedro Almodóvar –&lt;/b&gt; Outro diretor espanhol resolveu investir num enredo que beira a bizarrice, só que desta vez com um resultado bem mais interessante: “A pele que habito”, nova película do consagrado Almodóvar, parece, por sua temática, com um filme de David Cronemberg, o papa do absurdo. Trata-se da história de uma espécie de Dr. Frankenstein moderno, vivido por Antonio Banderas, que mantem uma mulher em cativeiro com o objetivo de tranformá-la numa cobaia de experimentos genéticos com vias ao desenvolvimento de uma pele artificial. Com o desenrolar da trama, no entanto, descobrimos que os planos do cientista maluco vão além, muito além, em ousadia, crueldade e insanidade.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se no conteúdo lembra Cronemberg, na forma é puro Almodóvar – um pouco mais contido e menos “kitsch”, talvez, mas o estilo está lá, carimbado em cada frame. Bem mais sério que o habitual, mas ainda com algumas pitadas de humor negro, especialmente durante a aparição do meio-irmão fantasiado de tigre. O ponto fraco, a atuação de Antonio Banderas, que parece um tanto quanto desconfortável num papel tão diferente de seu habital, não compromete o resultado final, que é surpreendente. Um filme perturbador, que mexe com alguns dos maiores medos do universo masculino.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Excelente.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1k1lcaXjoJ4/TsUoheVhxII/AAAAAAAAEIg/H5TZCsa_Xn8/s1600/gainsbourg%2Bb08.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-1k1lcaXjoJ4/TsUoheVhxII/AAAAAAAAEIg/H5TZCsa_Xn8/s400/gainsbourg%2Bb08.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675987460914529410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Gainsbourg – O Homem que amava as mulheres, de Joann Sfar –&lt;/b&gt; Brilhante cinebiografia do cantor e compositor francês contada em clima de conto de fadas, com a utilização na medida certa de alegorias representadas por imagens e personagens fantasiosos. Uma vida que há tempos pedia para ser contada, aliás: seu protagonista namorou algumas das mulheres mais lindas de seu tempo, especialmente Brigitte Bardot, &lt;u&gt;A&lt;/u&gt; diva do cinema europeu, e Jane Birkin, com quem teve dois filhos e gravou vários discos. É dela a voz que geme na antológica “&lt;i&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Je_t%27aime_moi_non_plus" title="Je t'aime moi non plus"&gt;Je t'aime moi non plus&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;”, muito embora não tenha sido ela a musa inspiradora da canção. Foi Bardot, que chegou a gravar, mas se recusou a lançar. A presença da musa, muito bem vivida por Laetitia Casta (não consigo imaginar um elogio maior à beleza de uma mulher do que convidá-la para interpretar Brigitte Bardot), é fonte de alguns dos momentos mais engraçados do filme, cuja narrativa fluente visita os principais episódios da conturbada trajetória do compositor, sempre polêmico: seu primeiro enfarto, ao qual reagiu declarando à imprensa que iria tratar bebendo e fumando ainda mais; a “musica do pirulito” de teor obviamente dúbio que ele convenceu a cantora adolescente France Gall a cantar; “nazi rock”, canção que &lt;span style="mso-ansi-language:PT" lang="PT"&gt;conta a história de soldados da SS vestidos como drag queens dançando durante a “Noite das Facas Longas”&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt; &lt;/span&gt;e é a faixa de abertura “&lt;i&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT" lang="PT"&gt;Rock Around the Bunker"&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT" lang="PT"&gt;, um álbum com um conceito otimista sobre a Alemanha nazista; e sua versão “reggae” para “A Marselhesa”, o hino da França. Surpreendente estréia do diretor &lt;/span&gt;Joann Sfar, autor consagrado de Histórias em quadrinhos, com brilhante interpretação de Eric Elmonsino no papel principal.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Excelente.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-OszNXTnYy0E/TsUpba51_nI/AAAAAAAAEIs/HWUXePmGrTI/s1600/Vincere_capa.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-OszNXTnYy0E/TsUpba51_nI/AAAAAAAAEIs/HWUXePmGrTI/s400/Vincere_capa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675988456425520754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Vincere, de Marco Bellocchio –&lt;/b&gt; Drama italiano que aborda o martírio de uma suposta amante de Benito Mussolini. É baseado em fatos reais, já que a personagem retratada, Ida Dalser, realmente existiu e morreu jurando dizer a verdade, mesmo que internada num hospício - que não deixa de ser irônico, já que a Italia inteira era um hospício, na época. Ao acompanhar suas tentativas frustradas e cada vez mais desesperadas de reconhecimento da paternidade do filho, somos apresentados a um riquíssimo pano de fundo histórico com reconstituições de época soberbas ao lado de imagens de arquivo que exploram a relação frequentemente conflituosa entre igreja e estado na Itália, nação que abriga em seu seio a sede da Igreja Católica apostólica romana.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há, felizmente, alguns bons alívios cômicos, como a cena em que o filho bastardo imita, com perfeição, os trejeitos patéticos de seu pai, o fundador do fascismo. As próprias imagens de arquivo de Mussolini são, por si só, engraçadíssimas. Era um palhaço, sem sombra de dúvidas. Pena que tenha contado uma piada tão sem graça ...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bom.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xiuLjM6ZaZo/TsUrYocDS4I/AAAAAAAAEI4/xGktkiv0DH0/s1600/allen%2Btimthumb.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-xiuLjM6ZaZo/TsUrYocDS4I/AAAAAAAAEI4/xGktkiv0DH0/s400/allen%2Btimthumb.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675990607542307714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Meia-noite em Paris, de Woody Allen – &lt;/b&gt;Interessante o sucesso deste filme de Woody Allen. Não que o diretor esteja em decadência criativa, muito pelo contrário: a maioria dos críticos parece concordar que ele espantou uma suposta má fase depois que passou a filmar longe de sua onipresente cidade natal, Nova Iorque. O que me impressionou é que o filme fez sucesso MESMO, para além dos habituais apreciadores de sua obra que, se não são poucos, há tempos também não são o suficiente para garantir mais que duas ou três semanas de exibição – e, pelo menos aqui em Aracaju, desta vez foram várias. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Digo isto porque a trama se baseia, principalmente, na exaltação de um passado romântico da cidade luz representado, principalmente, pela efervescência cultural na esfera da chamada “grande arte”, longe dos folhetins e enlatados com os quais o personagem principal é forçado a lidar. Isso levaria a crer que quem não conhece a fundo a obra de nomes como os de &lt;strong&gt;F. Scott Fiztgerald&lt;/strong&gt;,&lt;strong&gt; Ernest Hemingway &lt;/strong&gt;e&lt;strong&gt; Pablo Picasso &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;mso-bidi-font-weight: bold"&gt;ficaria “boiando” durante a projeção. Não foi o que aconteceu, e fico feliz com isso. Espero que eu tenha cometido o erro de subestimar o estofo cultural das pessoas aqui neste nosso Brasil varonil, mas o que parece ter acontecido , na verdade, foi que o diretor conseguiu passar sua mensagem para além do background intelectual, numa comedia romântica leve e divertida acessível ao gosto popular. Não acho que seja, nem de longe, um dos melhores filmes do Woody, mas é, certamente muito bom. Como (quase) sempre.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ótimo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1bDY5qG463Q/TsUsUdk0s1I/AAAAAAAAEJE/Edb0KNi9B8s/s1600/super8_cartaz_03.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-1bDY5qG463Q/TsUsUdk0s1I/AAAAAAAAEJE/Edb0KNi9B8s/s400/super8_cartaz_03.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675991635418461010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Super 8, de J. J. Abrams –&lt;/b&gt; Filme correto, bonito até. Uma bela homenagem a uma época lúdica do cinema, aquela em que produções como “Contatos imediatos do terceiro grau”, “Goonies” e “ET, o extra-terrestre” encantavam a todos com sua evocação dos tempos de descoberta daquela fase em que a gente está deixando de ser acriança e entrando na adolescência. Mas devo confessar, sob pena de ser taxado de insensível, que nunca fui lá muito fã deste tipo de filme. Acho legal, mas nada demais. Sessão da tarde. No caso dos dirigidos por Spilberg, o que me incomodava mais era a pieguice (eu odeio o garoto Elliot, o amiguinho do ET), o que, aqui, não é o caso. O caso, aqui, é que o filme talvez seja “americano” demais. Hollywood demais. Lida bem com os inevitáveis clichês, mas não consegue escapar de carregar em sua essência um que de enlatado, fato agravado, possivelmente, pelo “background” do diretor, que faz sucesso com séries de TV. Não deixa de ser bom mas, pelo menos pra mim, pessoalmente, não foi nada demais.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bom.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-B6B31FpV8zs/TsUuaeqcDrI/AAAAAAAAEJQ/xMHH86Njb-Y/s1600/wagner-moura.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 258px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-B6B31FpV8zs/TsUuaeqcDrI/AAAAAAAAEJQ/xMHH86Njb-Y/s400/wagner-moura.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675993937812917938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;O Homem do futuro, de Cláudio Torres &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;–&lt;/b&gt; Fui enganado, mais uma vez. Não há boa vontade para com o cinema nacional que resista a esta comedia romântica fajuta travestida de superprodução hollywoodiana: a história é ruim, o roteiro é confuso, os diálogos são ridículos e Wagner Moura está péssimo no papel de um personagem bobalhão com o qual é impossível se identificar. Aline Moraes é linda e boa atriz, mas seu papel também não ajuda. Até os efeitos especiais, que prometiam ser o forte da produção, são artificiais e com um senso estético de gosto pra lá de duvidoso. É tudo ruim, enfim. Não assista, nunca, jamais.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Péssimo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;VIP´s, de Toniko Melo –&lt;/b&gt; Já aqui, a boa vontade foi recompensada. Fui ver este filme sem grandes pretensões, apenas por diversão, e não me arrependi. A realização, em si, não é nada demais – nem de menos. Se sustenta, basicamente, na história, e o grande trunfo, a favor, é que a história é muito boa. Baseado em fatos reais, acompanha a trajetória de um farsante que enganou a fina flor da sociedade. É um filme curioso e divertido, cheio de passagens empolgantes e, diria até, emocionantes, como na ocasião em que o personagem principal aprende a pilotar um avião “na marra” e acaba se tornando o piloto de uma quadrilha de perigosos traficantes de drogas. Não é nenhum marco na história do cinema nacional, nem precisa ser. Precisamos, também, de filmes “apenas” bons.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bom.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-pyqqF6fEjWw/TsUvi-zl8hI/AAAAAAAAEJc/Y7AN-PQG7Wc/s1600/surfistinha_poster.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-pyqqF6fEjWw/TsUvi-zl8hI/AAAAAAAAEJc/Y7AN-PQG7Wc/s400/surfistinha_poster.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675995183391830546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Bruna Surfistinha, de Marcus Baldini –&lt;/b&gt; Outra produção correta, acadêmica, que se sustenta por contar uma boa história. Especialmente para quem não teve saco de ler o livro, o que é o meu caso, é no mínimo curioso acompanhar as venturas e desventuras da garota de programa mais famosa do Brasil. Deu até vontade de saber se algumas passagens mais hard core, como a que mostra seu irmão contratando seus serviços, ou a do “fundo do poço”, onde ela literalmente “passa o rodo” para arrecadar alguns trocados e sustentar o vício em cocaína, são reais. Mas para isso eu teria que ler o livro, e mais: acreditar no que está escrito lá. Não sei se é o caso pra tanto, mas sei que me diverti vendo o filme. Dentre outras coisas porque, apesar do tom melodramático na maior parte do tempo, ver Deborah Secco, que é bem mais bonita que a Raquel Pacheco original e está em ótima forma física, seminua e de quatro recebendo por trás é uma visão, digamos, estimulante. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Detalhe: eu conheci o Blog da Bruna Surfistinha antes da fama, por indicação de meu camarada Panço. Achei realmente diferente, nunca tinha visto nada parecido, mas chato. As descrições das transas eram extremamente burocráticas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bom.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-hj0uAumcT8c/TsUwS3lqrEI/AAAAAAAAEJo/GtE-K23qMYk/s1600/Capit%25C3%25A3es%2Bda%2BAreia%252C%2Bfilme.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 272px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-hj0uAumcT8c/TsUwS3lqrEI/AAAAAAAAEJo/GtE-K23qMYk/s400/Capit%25C3%25A3es%2Bda%2BAreia%252C%2Bfilme.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675996006088092738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Capitães da Areia, de Cecília Amado –&lt;/b&gt; Horrível adaptação para o cinema de um dos maiores e mais queridos clássicos da literatura brasileira. E o pior é que foi “cometido” pela própria neta do escritor Jorge Amado. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pouca coisa se salva aqui. Apenas a fotografia, talvez, embora, apesar de bonita, está longe de ser arrebatadora. Nada demais. A montagem corrida baseada na pra lá de saturada estética de videoclipe atropela completamente a história, que vai avançando aos solavancos através de uma montagem aparentemente inexistente (dá até a impressão que alguém foi picotando e colando as partes do filme aleatoriamente) e de interpretações sofríveis do elenco amador ao som de uma trilha “axé do crioulo doido” assinada por Carlinhos Brown. Bom ator, mesmo, só Jordan Mateus, mas seu personagem, Boa Vida, tem participação secundária. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não veja o filme! Jamais ouça o disco! Leia o livro.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Lamentável. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Rio 3D, de Carlos Saldanha&lt;/b&gt; – Não sei se foi má vontade minha, mas acho que não, já que fui ver o filme justamente em busca de diversão, para dar uma arejada na cabeça atormentada por alguns problemas aparentemente insolúveis. O fato é que não vi muita graça não. É clichê demais pro meu gosto. Gostei do visual e dos efeitos em 3D, muito bem utilizados, e só. Nem é tão pouco, eu sei, mas esperava mais, muito mais. Esperava, no mínimo, algo no nível da série “A Era do gelo”, que eu acho divertidíssima. Fica pra próxima.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Razoável.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Adwj7P78b90/TsUxhm1RWOI/AAAAAAAAEJ0/2cY0LB2cflM/s1600/Planeta%2Bdos%2BMacacos%2BA%2BOrigem-capa.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Adwj7P78b90/TsUxhm1RWOI/AAAAAAAAEJ0/2cY0LB2cflM/s400/Planeta%2Bdos%2BMacacos%2BA%2BOrigem-capa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675997358799804642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Planeta dos Macacos – A origem, de Rupert Wyatt&lt;/b&gt; – Tudo parece funcionar bem nesta fábula de ficção científica que tenta fornecer uma origem mais verossímil para a famosa saga cinematográfica dos símios, mas falta alguma coisa. É tudo meio frio, explicadinho demais. Não chega a ser ruim, mas está longe de ser arrebatador. Os efeitos de captura de movimentos, em especial, estão perfeitos – é quase impossível diferenciar os macacos evoluídos dos animais de verdade, a não ser pelos comportamentos e expressões faciais que denunciam sua crescente racionalidade, especialmente no personagem principal, o macaco Caesar. Já os personagens humanos são, paradoxalmente, um tanto quanto artificiais, desinteressantes, desprovidos de carisma. O filme também carrega demais no tom dramático - um pouco mais de ação cairia bem. Em todo caso, a batalha final, na ponte Golden Gate, é divertida e muito bem realizada. É um bom “prequel”, dá vontade de ver o que vem a seguir, embora o filme (outro mérito) em nenhum momento pareça desesperado por continuações ou sequências.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bom.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ICqJOX88NnU/TsUzACTv1BI/AAAAAAAAEKA/_MoAdauMiOA/s1600/firstclass_08.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-ICqJOX88NnU/TsUzACTv1BI/AAAAAAAAEKA/_MoAdauMiOA/s400/firstclass_08.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675998981083091986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;X-Men, – primeira classe, de Matthew Vaughn&lt;/b&gt; – O filme é bom, claro. Muito bom, até, eu diria. Mas porra: EU NÃO AGUENTO MAIS FILMES DE SUPER-HERÓI! Simples assim. E olha que sou leitor de quadrinhos desde a mais tenra idade – desde antes de aprender a ler, na verdade - ficava fascinado folheando as revistas e tentando entender o enredo através das imagens. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Que dizer? Boas atuações, bons personagens, bom design de produção, excelentes efeitos especiais, mas aquela velha história de sempre, com o agravante dos melodramas pessoais, que já foram o ponto forte dos X-Men, mas que já deram o que tinham que dar. Pelo menos escapa um pouco (só um pouco) do maniqueísmo, com Magneto, um vilão cheio de bons motivos para ser “do mal”. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ou não.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bom.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Lanterna Verde 3D, de Martin Campbell&lt;/b&gt; – As cenas no espaço, no planeta dos lanternas verdes, com aquela variadíssima fauna de seres alienígenas, são muito boas, mas são insuficientes para sustentar o filme, que se agarra mesmo a uma trama capenga e totalmente clicherosa baseada no manjado mocinho problemático apaixonado pela mocinha boazinha e atormentado pelo vilão falastrão. E claro, é mais um filme baseado em quadrinhos de super-herói, o filão que Hollywood vem explorando há anos e já demonstrou evidentes sinais de exaustão.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fraco.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JcfhnX7o2PQ/TsUzRKPrK2I/AAAAAAAAEKM/k0d5kP-pw8k/s1600/thor_p4.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 269px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-JcfhnX7o2PQ/TsUzRKPrK2I/AAAAAAAAEKM/k0d5kP-pw8k/s400/thor_p4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675999275271269218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Thor 3D, de Kenneth Brannagh&lt;/b&gt; – Se eu não aguento mais filmes de super-herói, porque ainda vou vê-los? Boa pergunta ... Deve ser por causa da programação dos cinemas aqui em Aracaju, que não oferecem tantas opções. Este aqui até que está um pouco acima da média, apesar de ainda repleto de clichês, especialmente no caso dos relacionamentos amorosos. O visual de Asgard, como um todo, é muito bom. Já o 3D é fraquíssimo, só funciona mesmo nas cenas em que aparece a célebre ponte do arco-íris. O ator que faz Thor é adequado, o que fez Lóki está ótimo, e Odin é Anthony Hopkins. Mas Natalie Portman, quase sempre excelente, desta vez tem seu talento desperdiçado num personagem ruim.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bom.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-7363763687933440932?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/7363763687933440932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=7363763687933440932' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/7363763687933440932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/7363763687933440932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/11/uma-geral-nos-ultimos-filmes-que-vi-no.html' title='O Fim do mundo e outras histórias ...'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-odTYC2NDJ9Y/TsUibAw0API/AAAAAAAAEG0/H9nN6uStEUE/s72-c/Melancholia_409_photo_by_Christian_Geisnaes_large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-616012833219107087</id><published>2011-11-07T06:36:00.000-08:00</published><updated>2011-11-17T10:30:45.120-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrinhos'/><title type='text'>O Anjo exterminador</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-3-B0Tvgm5C4/TrfuW_Zx8QI/AAAAAAAAEGc/oVzdQzGrB-4/s1600/retalhos1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 248px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-3-B0Tvgm5C4/TrfuW_Zx8QI/AAAAAAAAEGc/oVzdQzGrB-4/s320/retalhos1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5672264334440526082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eu não acredito em fantasmas, mas tenho medo deles. Justamente pelo fato de não acreditar, me assusta a idéia de, um dia, os ver. Mas ver mesmo, de verdade. Porque acredito que as pessoas vêem fantasmas, apesar deles não existirem. É o poder de sugestão da mente, especialmente se a mente estiver, por si só, assombrada.  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando eu era criança, uma vez, eu vi um fantasma. Estava deitado no escuro e com medo, claro. As orações não foram suficientes para evitar a visão de um espectro assustador pairando sobre minha cama de forma ameaçadora. Lembro que fechei e abri os olhos várias vezes para tentar fazer com que a imagem desaparecesse, mas não adiantou. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na época interpretei a o fato como a aparição de um espírito, mas curiosamente, com o passar do tempo, o meu visitante noturno foi meio que se revelando mais como a figura de um anjo. Não era, no entanto, o anjo da guarda: era ameaçador, me espreitava e parecia estar pronto para me punir a qualquer momento – provavelmente por estar com preguiça de rezar antes de dormir. Uma espécie de “Anjo exterminador”, como no filme de Luiz Bunuel.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-L0EqvJP3e9o/TrfukEtI_4I/AAAAAAAAEGo/c-BZrempVrk/s1600/retalhos.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 246px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-L0EqvJP3e9o/TrfukEtI_4I/AAAAAAAAEGo/c-BZrempVrk/s400/retalhos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5672264559202205570" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A imagem me veio novamente à mente anteontem, quando estava lendo os delírios infantis do autor de quadrinhos Craigh Thompson em sua graphic novel “Retalhos”. Ele também, assim como eu, cresceu num ambiente assombrado pela religião e suas regras proibitivas castradoras, e exorcizou-as em uma das melhores Historias em quadrinhos que eu li em tempos recentes (foi lançada originalmente em 2003). São praticamente 600 páginas que fluem suavemente e podem ser lidas, tranquilamente, numa sentada só. Até porque fica difícil largar antes de terminar: eu não consegui, pois queria muito saber, principalmente, como iria terminar aquele romancezinho adolescente tão bonito. Fiquei um pouco frustrado com o final, mas entendi: tudo passa. O amor é lindo, mas a vida é dura, e segue em frente. Sempre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Sing your life”, já dizia Morrissey. “Retalhos” é um romance gráfico autobiográfico em que o autor conta sua vida na infância e na adolescência, com um foco especial em seu primeiro namoro. E é belíssimo, tanto no conteúdo quanto na forma: o cara desenha muito! Tem um traço elegante, refinado, detalhista e, acima de tudo, bonito. Valorizo traços “toscos” que tenham estilo, mas confesso que tenho uma predileção especial pelos que, além do estilo, que é sempre importante, também fazem questão de desenhar bonito. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;E para os fãs de rock independente, como eu, há uma diversão a mais: identificar as imagens de capas e pôsteres de discos e bandas na superpoluida parede do quarto de Rania, onde acontece boa parte da narrativa. O Nirvana é uma presença constante, já que a história se passa no auge da febre “grunge”, mas também estão lá a PJ Harvey, o Dinosaur Jr., Sonic Youth e Daisy chainsaw, dentre outros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A história é simples, muito simples até: fala de dois irmãos que têm que dividir uma cama e os conflitos que isto provoca, de seus pais cristãos fundamentalistas bem intencionados porém involuntariamente castradores, das sensações de inadequação e do bullyng na escola e do sentimento de possessividade em relação à mulher amada. Mas tudo contado de forma leve, fluente e, acima de tudo, poética – não aquela poesia empostada e floreada, mas a poesia da vida, em si. A beleza das pequenas coisas. Até mesmo a passagem em que é abordado o abuso sexual pelo qual os dois jovens passaram quando criança é narrada de forma tranqüila, sem resquício de rancor para com o agressor. O mesmo vale para seus pais, cuja crença exacerbada no poder supostamente educador da punição é mostrada em toda sua plenitude sem, no entanto, retratá-los como vilões - e olha que é angustiante e assustadora a narrativa de pelo menos um castigo infligido ao irmão menor, condenado a uma  espécie de "solitária", preso em um quarto minusculo e sem ventilação. Craigh Thompson não é mais cristão, mas demonstra uma rara capacidade de perdoar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Li o livro todo de uma vez só, numa madrugada insone. Comecei por volta das 3 da manhã e só fui terminar quase 7. O sono já tinha chegado, mas não conseguia largar. Estava apaixonado por Rania, tanto quanto o protagonista. Fiquei com uma imensa curiosidade de saber por onde ela anda, o que está fazendo, o que aconteceu com sua família depois que eles deixaram de ser o foco da narração do livro. É daquelas leituras que, ao fim, deixam um sentimento de leveza na alma. Tenho passado por alguns momentos difíceis, física e psicologicamente falando, e nestes momentos gosto ainda mais de ler. A arte é inspiradora, nos ajuda a seguir adiante, e a literatura é, definitivamente, uma grande arte.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;por Adelvan&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;+ retalhos:&lt;/p&gt;&lt;p&gt; A infância e a adolescência de Craig Thompson não foram das mais fáceis.  Humilhado por colegas de escola, vítima de abuso sexual, educado sob um  cristianismo rigoroso, este garoto criado numa comunidade rural do  provinciano Estado de Wisconsin foi um típico "loser" americano,  atormentado pelas memórias até tornar-se adulto. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Sorte nossa. Os fantasmas da primeira idade serviram de inspiração para  "Retalhos", bela história em quadrinhos autobiográfica, 592 páginas que  dialogam com os romances de formação da literatura clássica.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Lançado no exterior em 2003, quando o autor tinha 27 anos, "Retratos"  chega agora ao Brasil após merecidamente receber algumas das principais  honrarias do mundo da HQ, como o Eisner e o Harvey Awards nos EUA (2004)  e o prêmio da crítica francesa no tradicional Festival de Angoulême  (2005). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; O traço detalhista de Thompson não desenha apenas agruras. As  brincadeiras e brigas com o irmão caçula e, principalmente, a relação  com Raina, a primeira namorada, guiam o fio narrativo de "Retalhos". &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; À &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; o autor conta que "tinha uma motivação simples" quando  começou a escrever a obra, no segundo semestre de 1999. "Estava  frustrado com o predomínio das histórias de fantasia bombásticas no meio  da HQ. Queria fazer um livro longo que deixasse de lado as sequências  de ação para capturar uma experiência íntima e silenciosa, como a de  dividir a cama com alguém pela primeira vez. Os temas autobiográfico e  religioso se encaixaram." &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Thompson afirma que, quando fez "Retalhos", estava "especialmente  inspirado" pelos escritos de Marcel Proust e Vladimir Nabokov e que  absorvia as obras de quadrinistas franceses como David B., autor de  "Epilético" (1996), história também autobiográfica. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; A fé ocupa espaço central nas memórias de Thompson, e "Retratos" é  pontuado pelo crescente questionamento dos preceitos da Igreja Batista  que o autor frequentava na infância. Ao informar à família que exporia o  passado de todos em uma "graphic novel", Thompson recebeu o apoio do  irmão, mas não dos pais. "Eles reagiram muito mal, me repreenderam,  dizendo que o livro era um 'instrumento do demônio' e que eu iria para o  Inferno." &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; O quadrinista diz que seus pais hoje respeitam sua descrença e que o  sucesso da obra do capeta virou motivo de orgulho para eles. "Muitos dos  fãs do livro são cristãos devotos, até pastores, que veem em 'Retalhos'  um retrato honesto da espiritualidade de alguém." &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;b&gt;Paixão abaixo de zero&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Outro elemento importante da obra é o frio --Wisconsin tem invernos  rigorosos, e grande parte da HQ se desenrola sob neve. "Talvez as  temperaturas extremas tenham ajudado a congelar aqueles momentos, como  memórias ancoradas por fortes sensações físicas", comenta Thompson.  "Minha relação com Raina, como muitas experiências de infância, foi  curta e efêmera --ligada a uma única estação de um único ano, e é  impossível tirar toda aquela neve de minhas fotografias internas",  conclui, poeticamente. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Após "Retalhos", Thompson lançou "Carnet de Voyage", com  registros de sete meses de andanças pela Europa e pelo norte da África, e "Habibi", sobre o mundo árabe.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;por &lt;b&gt;LEONARDO CRUZ&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u574047.shtml"&gt;Ilustrada&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-616012833219107087?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/616012833219107087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=616012833219107087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/616012833219107087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/616012833219107087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/11/o-anjo-exterminador.html' title='O Anjo exterminador'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-3-B0Tvgm5C4/TrfuW_Zx8QI/AAAAAAAAEGc/oVzdQzGrB-4/s72-c/retalhos1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-3135292341404978502</id><published>2011-10-27T08:44:00.000-07:00</published><updated>2011-10-28T07:07:09.906-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Era uma vez …</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-TAx_FYUPtQo/Tql_J564pzI/AAAAAAAAEEk/r7Qcxd5xstE/s1600/A-Clockwork-Orange-a-clockwork-orange-24102523-1280-720.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 225px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-TAx_FYUPtQo/Tql_J564pzI/AAAAAAAAEEk/r7Qcxd5xstE/s400/A-Clockwork-Orange-a-clockwork-orange-24102523-1280-720.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668201414165833522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um dos filmes mais impactantes e inovadores já produzidos, &lt;em&gt;Laranja Mecânica&lt;/em&gt;,  de Stanley Kubrick, colocou em xeque todo um modo de fazer política, de  educar os jovens e de lidar com a delinquência quando foi lançado, em  1971, na Inglaterra. &lt;p&gt;À frente da gangue dos Droogs, Alex, interpretado por Malcolm  McDowell, barbariza as ruas de Londres até ser preso e submetido a um  tratamento de “reeducação”, baseado em lavagem cerebral, para ser  reinserido na sociedade. O cenário futurista que criou uma nova estética, o figurino que  influenciaria o punk, além do uso da música eletrônica – então uma  novidade – intercalado com trechos de Beethoven marcaram época no  imaginário da Sétima Arte.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quarenta anos após seu lançamento, ele volta em cópia  restaurada ao Brasil, durante a 35ª Mostra Internacional de  Cinema de São Paulo, assim como o documentário &lt;em&gt;Era uma Vez… Laranja Mecânica&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;dirigido pelo francês Antoine de Gaudemar. Ex-diretor de redação do jornal &lt;em&gt;Libération&lt;/em&gt;, Gaudemar fala com exclusividade à revista CULT sobre o documentário – “durou dez dias” – e a atualidade de &lt;em&gt;Laranja Mecânica &lt;/em&gt;– “uma metáfora da violência da sociedade contemporânea”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;CULT&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;- &lt;em&gt;Laranja Mecânica&lt;/em&gt; é um dos filmes mais influentes da história do cinema?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Antoine de Gaudemar –&lt;/strong&gt; Ele impressionou muito quando  foi  lançado, pois muitas pessoas o julgavam violento demais. Na  Inglaterra, o próprio Kubrick decidiu retirá-lo de circulação após  alguns jovens delinquentes terem dito que se inspiraram nele para  cometer crimes. O filme se tornou um “cult” para todos aqueles que enxergavam ali uma  metáfora da violência da sociedade contemporânea. Ele exprime muito bem  o sentimento de desespero que pode levar jovens sem trabalho e sem  futuro a atos extremos. Também mostra muito bem como, diante dessa violência, o Estado pode  imaginar respostas igualmente violentas, como a lavagem cerebral e a  lobotomia – que retiram do indivíduo sua capacidade de livre-arbítrio e o  transforma em uma ovelha dócil.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;A ideia de que se deve ter prazer o tempo todo – “é uma  diversão só”, diz Alex em um dado momento do filme ” – parece  disseminada hoje. Kubrick previu esse estado de coisas na sociedade  atual?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Um dos slogans de Maio de 68 era: “Ter prazer sem entraves”. E muitos  dos jovens  dos anos 70 quiseram aplicar esse princípio em suas vidas,  recusando-se a viver como seus pais, a trabalhar como todo mundo,  libertando-se das proibições sociais (drogas, sexualidade) e cultivando  uma forma de hedonismo e de anarquismo. Portanto, Kubrick sabia do que  se passava à época, e isso certamente o influenciou. Mas &lt;em&gt;Laranja Mecânica&lt;/em&gt; foi igualmente premonitório. As  experiência psiquiátricas que descreve no filme de fato ocorreram, não  apenas nos países comunistas – como a União Soviética -, mas também nas  democracias ocidentais. Kubrick denuncia os perigos de uma repressão  violenta demais contra os desvios sociais e a anarquia. Os Droogs recusam todos as amarras da sociedade, desejavam  viver  como quisessem, sem moral nem lei. Queriam se aproveitar da vida com  tanto cinismo quanto as pessoas que os oprimiam -  ministros,  psiquiatras, policiais. Isso também é válido hoje: o cinismo do poder e do dinheiro é ainda  mais forte do que nos anos 70. Os ricos estão cada vez mais ricos, os  pobres, cada vez mais pobres, e nunca as desigualdades sociais foram tão  grandes nos países ditos “democráticos”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;A cena em que Alex canta &lt;em&gt;Singing in the Rain&lt;/em&gt; enquanto  violenta a mulher do escritor funciona também como metáfora do próprio filme?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ela é uma metáfora de Hollywood e da visão americana do mundo, sempre  otimista e triunfante. É preciso cantar, ainda que debaixo de chuva. A  ilusão é mais forte do que a realidade: o mundo vai mal, mas Hollywood  canta. Bater em um homem indefeso e violentar sua mulher enquanto se canta é  uma metáfora da violência da sociedade contemporânea: todos os golpes  são permitidos, mas tudo é escondido sob um verniz triunfante,  encantador como uma comédia musical. Isso é o que pensa Malcolm McDowell  – e concordo com ele.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quais foram as principais inspirações de Kubrick para o figurino e o cenário?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;Laranja Mecânica&lt;/em&gt; supostamente transcorre em um futuro  próximo, o que explica a escolha das casas (a do personagem escritor) e  dos edifícios (a prisão) mais modernas, quase futuristas. O filme também é muito marcado pela estética de fim dos anos 60 e de  início dos anos 70, da pop art: cores muito vivas, quadros psicodélicos,  moda pré-punk, música pop e eletrônica – podemos ouvir no filme os  primeiros sintetizadores de Walter Carlos [compositora americana nascida  em 1939, foi uma das primeiras a utilizar sintetizadores].&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Christiane Kubrick, viúva de Stanley Kubick , diz no documentário que &lt;em&gt;Laranja Mecânica&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;não é um filme inteiramente inglês. Concorda com essa afirmação?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Acho que ela quis dizer que essa história poderia ter ocorrido em outros lugares que não apenas a Inglaterra. O romance de Anthony Burgess e o filme epônimo de Kubrick foram  realizados numa época em que despontava um novo tipo de delinquência, a  delinquência juvenil. Esse fenômeno foi particularmente sensível na Inglaterra, com o  surgimento de gangues como os “skinheads” ou os “hoolingans”, mas isso  também ocorria em toda a Europa. Nesse sentido, estou de acordo com  Christiane Kubrick.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O sr. vê algum paralelo entre a situação vivida pelos jovens  no filme e os distúrbios ocorridos nas grandes cidades da Inglaterra, em  agosto passado, e da França, seis anos atrás?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Há relação, sim, embora distante. Em &lt;em&gt;Laranja Mecânica&lt;/em&gt;, os  Droogs são uma gangue isolada, sem nenhuma consciência política, que  roubam dos ricos, agridem mendigos e estupram as mulheres. Em Paris, seis anos atrás, ou em Londres, agora, tratava-se de grupos  muito mais numerosos, que desafiavam a polícia, pilhando lojas e tudo o  que simbolizasse dinheiro e autoridade. Nos dois casos, são pobres que atacam os ricos, uma espécie de  desespero. Mas Alex e sua gangue dependem da criminalidade individual,  isolada, enquanto os distúrbios urbanos em Londres e Paris são prova de  um profundo mal-estar social e, sobretudo, coletivo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O tema comum a todos os filmes de Kubrick é a dicotomia clássica entre razão e emoção?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não sei dizer, pois cada um deles é muito diferente do anterior. Para ficarmos em &lt;em&gt;Laranja Mecânica&lt;/em&gt;,  diria que o tema do filme são o bem e o mal. Kubrick mostra que a  verdadeira natureza do homem é má, e que o mal pode ressurgir nele a  qualquer momento. (NOTA: Discordo dessa visão maniqueísta do filme, e não creio que Kubrick a endosse na fita. Acho que o embate está muito mais para o que é dito abaixo, entre PULÃO e RAZÃO. Se o filme passa alguma mensagem é a de que, muito embora seja necessário algum tipo de controle social para que o mundo não mergulho num caos hedonista, o caminho não é o o do autoritarismo. Mas em nenhum momento vejo no filme esta distinção entre bem e mal, tanto que, como o próprio entrevistadoa admite, o personagem principal, mesmo cometendo barbaridades por toda a narrativa, acaba se tornando simpático aos olhos do expectador).  De fato, o homem se debate entre razão e pulsão, e isso é o que nos  fascina em Alex: não chegamos a considerá-lo inteiramente antipático; ao  contrário, ele desperta simpatia em nós, pois nos remete ao nosso  próprio inconsciente, à porção de maldade que todos carregamos dentro de  nós mesmos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;por &lt;em&gt;Marcos Flamínio Peres&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Fonte: &lt;a href="http://revistacult.uol.com.br/home/2011/10/doc-kubrick/"&gt;Revista cult&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-3135292341404978502?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/3135292341404978502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=3135292341404978502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/3135292341404978502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/3135292341404978502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/10/era-uma-vez.html' title='Era uma vez …'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-TAx_FYUPtQo/Tql_J564pzI/AAAAAAAAEEk/r7Qcxd5xstE/s72-c/A-Clockwork-Orange-a-clockwork-orange-24102523-1280-720.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-6499076235490075956</id><published>2011-10-27T07:41:00.001-07:00</published><updated>2011-10-27T07:47:55.388-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Kubrick no cinema</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-HA6GaVZrbik/TpRm5VmFgYI/AAAAAAAAECU/wshTlW_O6ug/s1600/Kubrick13.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-HA6GaVZrbik/TpRm5VmFgYI/AAAAAAAAECU/wshTlW_O6ug/s400/Kubrick13.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5662263766747021698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-Ymqse8t3W0I/TpNfWClJ_RI/AAAAAAAAEAo/dxizeBt1_ZQ/s1600/Kubrick11111.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ymqse8t3W0I/TpNfWClJ_RI/AAAAAAAAEAo/dxizeBt1_ZQ/s320/Kubrick11111.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5661973988789320978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No aniversário de 40 anos de Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), o  Janela Internacional de Cinema do Recife terá como parte importante da  sua programação uma retrospectiva inédita no Brasil dos longas metragens  do grande cineasta americano Stanley Kubrick. Durante a quarta edição  do festival, que vai de 4 a 13 de novembro, será exibida, no majestoso  Cinema São Luiz, a obra completa do diretor, em cópias de 35mm e em  cinema digital DCP, via equipamento de projeção especialmente  instalado. &lt;p&gt;Laranja Mecânica (1971), cuja cópia  restaurada em 4K foi apresentada no último Festival de Cannes, em maio,  será projetado no IV Janela ao lado de clássicos absolutos do cineasta  como A Morte Passou por Perto (Killer’s Kiss, 1955), O Grande Golpe (The  Killing, 1956), Glória Feita de &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-c3LQqewPs1Y/TpRkoPkMxBI/AAAAAAAAEBM/QYXFz6ca6h0/s1600/Kubrick9.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-c3LQqewPs1Y/TpRkoPkMxBI/AAAAAAAAEBM/QYXFz6ca6h0/s320/Kubrick9.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5662261274047464466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sangue (Paths of Glory, 1957),  Spartacus (1960), Lolita (1962), Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How  I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964), 2001: Uma Odisséia  no Espaço (2001 A Space Odissey, 1968), Barry Lyndon (1975), O  Iluminado (The Shining, 1980), Nascido para Matar (Full Metal Jacket,  1987) e De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999). Os mais velhos  poderão rever e as novas gerações de cinéfilos poderão ver pela primeira  vez na tela grande, num templo do cinema como o São Luiz, filmes  essenciais de um autor imprescindível.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Janela  Internacional de Cinema do Recife tem o orgulho de apresentar  programação tão especial na tela do Cinema São Luiz, palácio de 1952  restaurado recentemente pelo Governo de Pernambuco. &lt;/p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-IX5YRNwOuqw/TpRkdXVQAhI/AAAAAAAAEBA/BsAbp3OoS6A/s1600/Kubrickbarry.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-IX5YRNwOuqw/TpRkdXVQAhI/AAAAAAAAEBA/BsAbp3OoS6A/s320/Kubrickbarry.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5662261087153685010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A  Retrospectiva Stanley Kubrick é apenas uma parte da programação extensa  que será divulgada nas próximas semanas pelo festival, que tem o  patrocínio do Governo de Pernambuco (Edital do Audiovisual - Funcultura,  da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco), da  Petrobras e da Chesf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOTA: Quero muito ver isso ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+ &lt;a href="http://www.janeladecinema.com.br/"&gt;AQUI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Stanley Kubrick nasceu no dia 26         de Julho de 1928 em Nova Iorque. Considerado inteligente, apesar das suas más notas na         escola, foi enviado pelo pai em 1940 para Pasadena, na Califórnia, onde um tio deveria         orientar os seus estudos. Voltou ao Bronx em 1941 para terminar os estudos secundários,         não se notando qualquer alteração no seu comportamento e resultados académicos. O pai         tentou interessá-lo pelo xadrez, com sucesso. Tornou-se rapidamente um jogador de algum         gabarito e chegou a &lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-AAPjrVe8Ktg/TpRlVIbqGOI/AAAAAAAAEBk/A5P8IjkXV4k/s1600/Kubrick10.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-AAPjrVe8Ktg/TpRlVIbqGOI/AAAAAAAAEBk/A5P8IjkXV4k/s320/Kubrick10.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5662262045226703074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;participar de partidas apenas pelo dinheiro. Aos treze anos o pai         ofereceu-lhe uma máquina fotográfica, despertando uma nova paixão no jovem. Conseguiu         vender uma das suas fotos para a revista Look, que acabou contratando-o. Ao &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;mesmo tempo, seu         interesse pelo cinema tornou-se tão grande que não descansou enquanto não começou a         filmar. Em 1950 investiu todo o seu dinheiro na realização do seu primeiro documentário,         Day of the Fight (1950), um filme &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;de dezesseis minutos sobre o pugilista Walter Cartier. O         documentário acabou sendo comprado pela RKO para a sua série This Is America. Nos anos         seguintes fez vários documentários sob encomenda: Flyng Padre(1951), para a série Pathe         Screenliner da RKO, e The Seafarers (1952), filme em cores de meia hora. Foi nesta         altura que abandonou a Look para se dedicar totalmente ao cinema. Com a ajuda de         familiares, de alguns investidores e com o dinheiro que ganhara em jogos de xadrez no         Central Park, pôs de pé a sua primeiro longa metragem, Fear and Desire (1953). O         projeto, filmado nas montanhas de San Gabrielle, perto de Los Angeles, com uma pequena         equipe de dez pessoas, não foi muito feliz e acabou com o divórcio entre ele e a sua         primeira mulher, Toba Metz. Se o filme não agradou muito e não conseguiu reaver o         investimento, o seu talento como realizador foi de imediato reconhecido. O seu segundo         filme, Killer's Kiss (1955) teve mais sucesso sendo vendido à United Artists. Em 1955 realizou seu primeiro filme para um estúdio, The         Killers. Este filme negro, escrito pelo famoso Jim Thompson, autor de policiais violentos,         chamou a atenção pela elaborada estrutura temporal e foi o seu primeiro verdadeiro         êxito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/--zqaJ6l4soM/TpRlvtkSlHI/AAAAAAAAEBw/9F9mrzeaTIQ/s1600/Kubrickhal.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/--zqaJ6l4soM/TpRlvtkSlHI/AAAAAAAAEBw/9F9mrzeaTIQ/s400/Kubrickhal.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5662262501871621234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;A MGM, que já notara as qualidades do jovem realizador, deu-lhe a possibilidade de         realizar na Alemanha a adaptação de uma novela de guerra, Paths of Glory (1957), com         Kirk Douglas, filme que marcou a emergência de Kubrick como um grande diretor. Essa saga         passada na primeira guerra mundial é uma inteligente e aguçada crítica à prática         militar. É também uma poderosa peça cinematográfica, visto que Kubrick sintetiza as         lições que aprendeu sobre composição e movimento de camera. A experiência foi tão         positiva que Kirk Douglas o convidou mais tarde para substituir Anthonny Mann na         realização de um épico que estava encalhado, Spartacus, seu primeiro e único trabalho         contratado, típico épico dos anos 50 colorido em Technicolor. No filme que, ao         contrário de todas as expectativas, Kubrick realizou à sua maneira, participaram atores         como Laurence Olivier e Tony Curtis, além de Kirk Douglas. Um fato curioso, já         testemunho de um artista sem concessões que almeja o controlo artístico total do seu         trabalho, foi o de ter impedido Russell Metty, o diretor de fotografia, de trabalhar. Não         gostando do trabalho do técnico, ele próprio foi o responsável pela fotografia. Este         queixou-se sem resultado e, ironicamente, acabou por ganhar o Óscar de melhor fotografia         sem ter feito nada durante a realização do filme. O projeto seguinte foi One-Eyed Jack         (1961) com Marlon Brando, mas devido a incompatibilidades entre duas personalidades tão         fortes, Kubrick abandonou o filme, acabando Brando a realização do western.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desencantado com Hollywood e com a América, e depois de mais um casamento acabado,         Kubrick muda-se para a Inglaterra. Passou a trabalhar lá desde então, desenvolvendo e         produzindo apenas sete filmes em 30 anos, cada um meticulosamente trabalhado e cada um         notadamente diferente dos outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-RdrItkWYP1k/TpNfhxo1jeI/AAAAAAAAEAw/O-Kjz2cus5U/s1600/Kubrick6.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 222px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-RdrItkWYP1k/TpNfhxo1jeI/AAAAAAAAEAw/O-Kjz2cus5U/s400/Kubrick6.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5661974190399786466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;O seu primeiro filme no outro lado do Atlântico foi o famoso e controverso Lolita (1962),         uma adaptação do romance de Vladimir Nabokov sobre o romance de um homem de meia idade         com uma jovem de apenas 12 anos. Embora Kubrick tenha se queixado da censura tê-lo         impedido de explorar a estória em maiores detalhes (dois anos foram adicionados a idade         real de Lolita), o filme é visto hoje como um exemplo extraordinário de comédia         mesclada com drama e romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dr. Fantástico (1964), o seu filme seguinte, era uma comédia de humor negro sobre a guerra fria         em que Peter Sellers tinha três papéis diferentes. Aquilo que devia ser originalmente um         drama, baseado no livro Red Alert de Peter George, foi convertido numa hilariante paródia         sobre o poder nuclear, porque Kubrick achava que o livro tinha muitas ideias que não         podiam ser levadas a sério. O filme, apesar da sua originalidade, foi um grande sucesso,         tanto de público como de crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sucessos de Lolita e Dr.. Strangelove Or: How I Learned To Stop Worrying and Love the         Bomb, junto com seu trabalho em Spartacus, proporcionaram a Kubrick a liberdade de escolher         seus próprios temas e, mais importante, de exercer total controle sobre a produção dos         filmes, uma liberdade rara para qualquer cineasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1965 Kubrick começou a produção daquele que é considerado por muitos o melhor filme         de sempre, 2001: Odisseia no Espaço. Inspirado em um conto de Arthur C. Clarke, A         Sentinela, esta produção de 1968 é uma reflexão complexa sobre o pendor do homem para a         violência. Tomando cinco anos de filmagem, redefiniu as fronteiras do gênero e         estabeleceu convenções visuais, metáforas e efeitos especiais que permanecem até hoje         como padrão para a indústria cinematográfica. Visualmente hipnótico e com uma narrativa ousada, 2001 fez de Kubrick um herói cultural. Apesar das confusas críticas na época         de seu lançamento, provou ter sido influência estilística para diversos filmes         lançados nos últimos 25 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5jYw0hdFTtU/TpRmYU7exjI/AAAAAAAAEB8/wZcqMfXibCo/s1600/2001%2BRamos%2BKubrick8.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-5jYw0hdFTtU/TpRmYU7exjI/AAAAAAAAEB8/wZcqMfXibCo/s400/2001%2BRamos%2BKubrick8.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5662263199632639538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Seu trabalho seguinte, A Laranja Mecânica, baseado no ensaio satírico de Anthony Burgess         do mesmo nome, é uma meditação sobre crime e castigo. Apesar de extremamente violento (até lhe foi atribuído um X nos Estados Unidos, depois retirado), o filme teve bastante         sucesso, sendo inclusive nomeado para vários óscares. Também esteve proibido e         depois liberado &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt; no Brasil &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;com as famosas "bolinhas pretas" que perseguiam as         "partes intímas" dos atores enquanto eles se movimentavam na tela. Quem viu         nunca esquecerá. "Laranja Mecânica" é um estudo sobre a amoralidade do ser         humano, que não consegue administrar seus instintos frente a uma civilização igualmente         incapaz de administrar suas contradições sociais. O filme é muito violento e tem uma         das melhores trilhas sonoras da história do cinema. Aliás, Kubrick sempre demonstrou uma         ousadia imensa na confecção do som de seus filmes, jamais se permitindo a solução         fácil da música incidental que automaticamente sublinha o contexto dramático de cada         cena. Kubrick, assim como brinca com a imagem, brinca com o som.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;       Em 1975 adaptou uma novela de W. Thackery, Barry Lyndon. O filme relatava         a ascensão e queda de um irlandês na Inglaterra do século XVII. Foi bem         recebido pelo público, mas não agradou à crítica em geral. No início dos anos oitenta         experimenta o filme de terror com The Shining, adaptação da obra homónima de Stephen         King. King não gostou do que Kubrick fez com a sua história e ele próprio a adaptou ao         cinema mais tarde. Enquanto o filme de Kubrick é uma obra prima do cinema de terror, ninguém se lembra mais do filme produzido por King.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;       Nesta altura, Kubrick já não se preocupa com o tempo. Entre The Shining e o seu filme         seguinte passam-se sete anos. Só em 1987 surge a sua nova produção, Nascido para Matar, sobre a         guerra do Vietnam, uma das obras cinematográficas fundamentais sobre o conflito do         sudoeste asiático. Novo êxito crítico e comercial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;       Kubrick morreu, em Londres, no dia 07 de março de 1999, deixando pronto De Olhos Bem Fechados,         com Tom Cruise e Nicole Kidman, e uma série de projetos intocados, como a ficção         científica A.I. - Inteligência Artificial e Wartime Lies, drama sobre a Segunda Grande         Guerra&lt;/span&gt;. &lt;/span&gt;                  &lt;p  align="left" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Recebeu 4 indicações ao Oscar de Melhor         Diretor, por seu trabalho em Dr. Fantástico (1964), 2001 - Uma Odisséia no Espaço         (1968), Laranja Mecânica (1971) e Barry Lyndon (1975).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p  align="left" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Recebeu 3 indicações ao Oscar como         produtor, por Dr. Fantástico (1964), Laranja Mecânica (1971) e Barry Lyndon (1975).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p  align="left" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Recebeu 5 indicações ao Oscar como         roteirista, por seu trabalho em Dr. Fantástico (1964), 2001 - Uma Odisséia no Espaço         (1968), Laranja Mecânica (1971), Barry Lyndon (1975) e Nascido Para Matar (1987).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p  align="left" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ganhou um Oscar de Melhores Efeitos         Especiais, por seu trabalho em 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p face="arial" align="left"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-K1xFu_qVBhQ/TpRmh-N5BZI/AAAAAAAAECI/DkH6ledSBi8/s1600/Kubrick%2Bramos01%2B.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-K1xFu_qVBhQ/TpRmh-N5BZI/AAAAAAAAECI/DkH6ledSBi8/s400/Kubrick%2Bramos01%2B.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5662263365334533522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, na         categoria de Melhor Diretor, por seu trabalho em Laranja Mecânica (1971) e Barry Lyndon         (1975).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p  style="font-family: verdana;font-family:arial;" align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Recebeu uma indicação ao Framboesa de Ouro         de Pior Diretor, por seu trabalho em O Iluminado (1980)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p  style="font-family: verdana;font-family:arial;" align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ganhou em 1997 um Leão de Ouro, no Festival         de Veneza, dado pela sua contribuição ao cinema.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p  style="font-family: verdana;font-family:arial;" align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ganhou em 1997 um prêmio do Director's         Guild of American, pelo conjunto de sua obra cinematográfica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p  style="font-family: verdana;font-family:arial;" align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ganhou em 1988 o Prêmio Luchino Visconti         (Itália), pela sua contribuição ao cinema.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="font-family: verdana;font-family:arial;" align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;NOTA: Texto sem assinatura&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fonte: &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: arial;" href="http://www.webcine.com.br/personal/stanleyk/stanleyk.htm"&gt;Webcine&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-6499076235490075956?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/6499076235490075956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=6499076235490075956' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/6499076235490075956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/6499076235490075956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/10/kubrick-no-cinema_27.html' title='Kubrick no cinema'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-HA6GaVZrbik/TpRm5VmFgYI/AAAAAAAAECU/wshTlW_O6ug/s72-c/Kubrick13.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-8507831936577521414</id><published>2011-10-25T16:39:00.000-07:00</published><updated>2011-11-01T07:03:03.593-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock'/><title type='text'>(*) Leonardo Panço, testemunha ocular da escória</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-LTiNr25PGls/TqdG5vmRn4I/AAAAAAAAF6s/fyS7ya59bnU/s1600/pan%25C3%25A7o001mauropimentel.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 265px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-LTiNr25PGls/TqdG5vmRn4I/AAAAAAAAF6s/fyS7ya59bnU/s400/pan%25C3%25A7o001mauropimentel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667576613912551298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;* Expressão “ixpierta” cunhada por Adolfo Sá em seu &lt;a href="http://www.vivalabrasa.blogspot.com/"&gt;blog&lt;/a&gt;, que você deve visitar assim que possivel para ler a megaentrevista com Panço que ele publicou lá.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Panço que aparece, na foto acima , retratado por Mauro Pimentel na sala de sua casa&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;A primeira coisa que eu tenho para falar sobre o  novo/velho (porque na verdade foi o primeiro que ele escreveu, apenas  demorou “um pouco” – mais de uma década! – para lançar) livro de  Leonardo Panço é que ele é cheiroso. Sim, cheiroso! Pra quem gosta de  cheiro de tinta impressa em papel, claro. Eu gosto. Muito. Especialmente  se o impresso for novo – e este é, está lá, na abertura: 1ª. Edição,  outubro de 2011.     &lt;p class="MsoNormal"&gt;Gosto de sentir o cheiro  dos livros, sempre gostei. Porque ? Não sei. Só sei que é assim, e na  internet não é assim, embora imagine que qualquer dia inventam, também, a  internet com cheiro. Deve ser amor, pois sempre cheirei os livros que  lia, às vezes em público, para a surpresa dos desavisados, como Adolfo  Sá no dia do lançamento do “Esporro” aqui em Aracaju. Dito isto, digo  mais: o livro é bonito. Não sei se é gostoso, porque não como livros.  Não com a boca, pelo menos. Com os olhos, talvez. A capa é ótima, a  encadernação é boa e as páginas, ricamente ilustradas com inúmeras fotos  e reproduções de cartazes de shows, fluem com facilidade ao serem  manuseadas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora o conteúdo: é divertido.  Muito divertido. O que esperar, afinal, de um livro que se propõe a  contar historias do underground carioca da primeira metade dos anos 90,  principalmente, quando algumas das mais insanas formações do rock  brazuca, como Gangrena Gasosa, Zumbi do Mato, Piu Piu e sua banda e  chatos e chatolins estavam em plena atividade e com seus membros na fina  flor da juventude descompromissada ? Loucura total, claro! &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Temos  encontros inusitados, por exemplo: você sabia que o Fugazi, uma das  mais sérias (sério mesmo) e respeitadas bandas de rock alternativo do  mundo, já tocou com a Gangrena Gasosa num pico suburbano tosco da  baixada fluminense? E se eu te disser que houve um encontro pra lá de  bizarro entre membros das duas “agremiações” no banheiro do local do  show? Pois aconteceu, e está lá, contado em detalhes. Assim como estão  inúmeros outros episódios curiosos e pitorescos, como a quase prisão dos  membros do zumbi do mato por estarem cheirando balas garoto, os  bastidores da entrevista da Gangrena (campeões de insanidade) no  programa do Jô Soares, as tentativas de estupro e de shows pirotécnicos  dos Chatos e Chatolins e as loucuras de Piu Piu, famoso por tocar fogo  no próprio corpo e broxar recebendo um boquete em pleno palco – tudo  isso e mais os perrengues comuns pelos quais todos, sem exceção, já  passaram, e com os quais qualquer pessoa que já tenha se aventurado por  um momento que seja no mundo do rock independente e alternativo vai se  identificar.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Porque nem tudo é loucura  total, claro – há algumas passagens bem ingênuas até. Mas tudo junto  forma um impressionante mosaico e acaba ajudando, e muito, a contar uma  história: a história de uma cena que fez história, para além dos que se  projetaram na mídia, como o Planet Hemp, principalmente. Os que ficaram  pelo caminho, como Poindexter, Soutien Xiita, Anarchy Solid Sound e Sex  Noise, deixaram também um legado valioso que merece ser resgatado, e  este livro o faz com louvor. Isto para não mencionar os que continuam por  aí, existindo e insistindo, como a Gangrena, o Zumbi e o próprio Jason,  banda posterior do autor, que segue firme em nova formação preparando  um novo disco.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O painel é, inclusive, bem  mais amplo do que Panço deixa entender nas entrevistas, com suas  compreensíveis ressalvas de que seu relato é incompleto. Está quase tudo  lá – o que de mais relevante aconteceu no cenário da época está, senão  esmiuçado, pelo menos citado, sempre. E satisfatoriamente retratadas  estão as carreiras de inúmeras bandas, produtores, personalidades e  casas de espetáculo: além das já citadas, temos pequenas biografias dos  Beach Lizards, do Dash, de Simone e do Formigão, do Funk Fuckers, do B.  Negão, de Skunk e Marcelo D2, do Cabeça, da coletânea paredão, lançada  pela “major” EMI, do Garage, o “templo” de todos, e de Fabio, dono do  Garage, de quem são, apropriadamente, algumas das últimas palavras  escritas no livro.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Missão cumprida, Leonardo Panço. Pode descansar.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sei que não ...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;por Adelvan&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-8507831936577521414?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/8507831936577521414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=8507831936577521414' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/8507831936577521414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/8507831936577521414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/10/leonardo-panco-testemunha-ocular-da.html' title='(*) Leonardo Panço, testemunha ocular da escória'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-LTiNr25PGls/TqdG5vmRn4I/AAAAAAAAF6s/fyS7ya59bnU/s72-c/pan%25C3%25A7o001mauropimentel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-2025691809909021074</id><published>2011-10-21T08:01:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T21:56:14.574-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Musa Marxista</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-CoJtWg0sxhk/TqGKGtqumpI/AAAAAAAAEEA/b6QVds1fiQY/s1600/camila%2BVallejo%2B.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 250px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-CoJtWg0sxhk/TqGKGtqumpI/AAAAAAAAEEA/b6QVds1fiQY/s400/camila%2BVallejo%2B.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665961654151453330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NTTbDs6i390/TqGLbLu0SRI/AAAAAAAAEEM/Qa-VK87CYRo/s1600/Camila_Vallejo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 280px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-NTTbDs6i390/TqGLbLu0SRI/AAAAAAAAEEM/Qa-VK87CYRo/s320/Camila_Vallejo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665963105330678034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nem tudo está perdido: eis que surge, meio que do nada, uma nova liderança rebelde assumidamente marxista (ela tem um pôster de Karl Marx na parede de seu escritório!) em meio ao caos econômico neoliberal e pós-modernista em que vivemos.     &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela é jovem, bonita e totalmente integrada ao “modus operandi” de sua geração, nascida em meio à revolução das comunicações em curso. Circula com desenvoltura pelas redes sociais da internet, o que ajuda, e muito, na propagação de sua mensagem. Parece estar se transformando, hoje, no que o Subcomandante Marcos dos insurgentes de Chiapas foi nos anos 90 do século passado: um sopro de novidade no monolítico e viciado cenário político internacional. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Espero que não seja apenas mais um fenômeno passageiro e que sua mensagem, que é profunda e urgente, tenha resultados práticos: Educação é tudo, e deve ser de qualidade, pública e gratuita. Para todos. E menos técnica e mais humanista: que forme cidadãos, não apenas força de trabalho especializada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Adelvan&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;h1 style="margin-top: 10pt; text-align: center;"&gt;Ao comando de Camila Vallejo&lt;/h1&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto o sol da tarde de sexta-feira descia em direção ao horizonte, alguns estudantes da Universidade do Chile jogavam pingue-pongue ou futebol e casais descansavam e se beijavam ao último calor do dia. Mas outros tinham questões mais sérias na cabeça: a rebelião estudantil extremamente popular que transformou a agenda política do país. E para muitos dos manifestantes envolvidos e os que simpatizam com seus objetivos a face da rebelião é Camila Vallejo. Em um auditório em um porão, um grupo de 60 líderes estudantis planejava os próximos passos de sua revolução incipiente pela educação universitária gratuita, com Camila no centro do palco.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Ela estava sentada atrás de seu velho laptop, com um pequeno caderno azul sobre a mesa e um público cativo à sua frente. Quando fala, suas mãos revoam como pássaros apanhando presas invisíveis. Sua linguagem é pontuada e clara, mas misturada com constantes doses de humor e autozombaria, ela faz suas acusações rindo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Como segunda&lt;/strong&gt; mulher presidente do principal órgão estudantil do Chile, conhecido como Federação de Estudantes da Universidade do Chile (Fech), Camila Vallejo, que também integra o braço jovem do Partido Comunista, a JJCC, preside o maior movimento democrático civil desde o tempo das marchas de oposição ao general Augusto Pinochet, há uma geração.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A reação do governo lembrou a muitos chilenos mais velhos aquela época sombria. Na quinta-feira 6, a polícia antimotim chilena emboscou Camila e um grupo de líderes estudantis logo depois de uma entrevista coletiva no centro de Santiago. “Eles (&lt;em&gt;a polícia&lt;/em&gt;) visaram a liderança com violência”, disse Ariel Russell, estudante da Universidade do Chile que presenciou o ataque. “Nem tínhamos começado a marchar e o aparato policial estava sobre nós.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Camila Vallejo, uma estudante de Geografia de 23 anos, cantava e marchava com um cartaz escrito à mão quando um esquadrão de veículos militares a fechou e atacou com jatos de gás lacrimogêneo. Um par de caminhões montados com canhões de água despejou uma barragem de água forte o suficiente para quebrar ossos e arrastar uma pessoa pelo asfalto. Ela ficou molhada e, então, uma nuvem de gás foi projetada sobre seu corpo. Com a pele molhada, a reação química foi maciça e paralisante. O corpo de Camila entrou em reação alérgica e surgiram bolhas causadas pelo gás.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“No início, nós resistimos, mas foi insuportável”, disse ela ao &lt;em&gt;Observer&lt;/em&gt;. “Você não conseguia respirar, era complicado, tivemos de fugir dos &lt;em&gt;carabineros&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;a polícia&lt;/em&gt;) e, depois, outro canhão de água nos atingiu de frente com outra substância, muito mais forte… Todo o meu corpo queimava, foi brutal.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nas quatro horas seguintes, jornalistas foram espancados e 250 pessoas, detidas. Vinte e cinco policiais ficaram feridos quando jovens mascarados e com bombas de tinta e punhados de pedras contra-atacaram. Durante toda a tarde, o centro de Santiago foi tomado por lutas de rua entre unidades da polícia fortemente armadas e centenas de manifestantes de short e tênis, e cachecóis para se proteger do gás.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Enquanto&lt;/strong&gt; esquadrões da polícia atacavam os estudantes, os pedestres e até uma ambulância, Camila Vallejo se escondeu em um escritório, recebeu cuidados médicos e monitorou a situação pelos relatos por telefone celular de uma equipe de batedores nos arredores do que logo se tornou tumulto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O governo culpou Camila pelo caos: ela havia feito o apelo muito divulgado, mobilizando seus seguidores a se reunir na Plaza Itália, um parque público, e marchar ao longo da Alameda, a principal avenida da capital, que fica a menos de 2 quilômetros do palácio presidencial, levemente guardado. A líder estudantil rapidamente retrucou que as reuniões públicas não precisam de autorização e que a polícia havia atacado ilegalmente estudantes parados em um parque.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Camila, uma jovem eloquente e bonita que exala autoconfiança e estilo, deixou a violência de lado e se concentrou no que ela considera as conquistas positivas até agora. “Durante anos a juventude chilena foi consumida por um modelo neoliberal que salienta a conquista pessoal e o consumismo; tudo tem a ver com eu, eu, eu. Não há muita empatia pelo outro”, diz em seu escritório, decorado com uma grande foto de Karl Marx.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Este movimento conseguiu exatamente o contrário. Os jovens assumiram o controle e reviveram e dignificaram a política. Isso vem de mãos dadas com o questionamento de modelos políticos desgastados – tudo o que eles fizeram é governar para as grandes empresas e grupos econômicos poderosos.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em questão de poucos meses, Camila Vallejo foi projetada de presidente de um órgão estudantil anônimo a herói popular latino-americana com mais de 300 mil seguidores no Twitter. Digite seu nome no Google e haverá mais de 160 mil resultados apenas nas últimas 24 horas. Os estudantes brasileiros hoje a exibem como convidada vip em suas marchas, o presidente do Chile a convida para negociar um acordo e, quando ela pede uma demonstração de força, centenas de milhares de estudantes de todo o Chile vão às ruas. Como adepta e um fenômeno de mídia social extremamente popular, a líder ascendeu para se tornar um rosto mais identificável nos protestos estudantis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Durante a revolta de seis meses, os estudantes chilenos – em muitos casos liderados por jovens de 14 e 15 anos – ocuparam as ruas de Santiago e outras grandes cidades, provocando e contestando o &lt;em&gt;status quo &lt;/em&gt;com sua exigência de uma reestruturação maciça na indústria da educação superior do país. Em apoio às suas demandas por uma educação gratuita, desde maio eles organizaram 37 marchas, que reuniram mais de 200 mil estudantes de cada vez.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;A repressão policial&lt;/strong&gt; foi frequente. Vândalos que muitas vezes usam a cobertura dos protestos estudantis para atacar bancos, farmácias e empresas de serviços públicos encontraram uma força armada da polícia antimotim habituada a atacar pedestres e atirar gás lacrimogêneo em multidões de civis inocentes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que começou como um apelo tranquilo por melhoras na educação pública agora surge como uma rejeição total à elite política chilena. Mais de cem colégios em todo o país foram ocupados por estudantes e uma dúzia de universidades acabou fechada pelos protestos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Amplamente admirada por seus discursos na televisão chilena, Camila Vallejo reuniu um público admirador em todo o mundo, que vai desde tributos do rock- alemão a vídeos da maior universidade da América Latina, a Universidade Nacional Autônoma do México. “Essa internacionalização do movimento foi muito importante para nós”, diz Camila, que recebe um dilúvio diário de correspondência de fãs e convites para fazer palestras e seminários. “Aqui no Chile ouvimos constantemente a mensagem de que nossas metas são impossíveis e que não somos realistas, mas o resto do mundo, especialmente a juventude, está nos dando muito apoio. Estamos em um momento crucial nesta luta e o apoio internacional é fundamental.” •&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por Jonathan Franklin, de Santiago&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style:normal;mso-bidi-font-style:italic"&gt;Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Leia mais em &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.guardian.co.uk/"&gt;http://www.guardian.co.uk/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;Fonte: &lt;a href="http://www.cartacapital.com.br/internacional/ao-comando-de-camila-vallejo"&gt;Carta Capital&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;+ &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://doomar.blogspot.com/2011/09/camila-vallejo.html"&gt;AQUI&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-2025691809909021074?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/2025691809909021074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=2025691809909021074' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/2025691809909021074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/2025691809909021074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/10/musa-marxista.html' title='Musa Marxista'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-CoJtWg0sxhk/TqGKGtqumpI/AAAAAAAAEEA/b6QVds1fiQY/s72-c/camila%2BVallejo%2B.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-8909207550551349577</id><published>2011-10-19T08:51:00.001-07:00</published><updated>2011-10-21T08:25:02.214-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock sergipano'/><title type='text'>Rock in Rio São Francisco</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-ids2XtfQnaE/Tp7yZNzi0MI/AAAAAAAAECg/20pRMZasoT8/s1600/VIAGEMCANINDE%2B%252825%2529.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-ids2XtfQnaE/Tp7yZNzi0MI/AAAAAAAAECg/20pRMZasoT8/s320/VIAGEMCANINDE%2B%252825%2529.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665231896295166146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Cheguei  ao Clube Altemar Dutra, em Canindé do São Francisco, sertão  sergipano, num sábado, 08 de outubro de 2011, por volta das 20:00H. Era o Terceiro Alternativo Rock Canindé e a Urublues estava no palco, fazendo o de  sempre: mais e melhores blues. Na verdade não haveriam muitas surpresas  no quesito musical naquela noite, já que a escalação constava apenas de  bandas já bastante vistas e com apresentações devidamente resenhadas por  mim aqui mesmo neste espaço que nos cabe deste grande latifúndio que é a  internet. A novidade, no caso, era o local onde a Festival estava  acontecendo e o público, em bom número e, o mais importante, animado. &lt;p&gt;O Clube Altemar Dutra, me parece, é um espaço público, já que ostenta  uma gigantesca marca da prefeitura municipal em sua entrada. um espaço  amplo, com os shows acontecendo em um salão fechado porém arejado  ladeado por um grande hall ao ar livre. Na parte de baixo, um bar e uma  piscina – interditada, infelizmente. Ia ser legal ver se repetir ali o  banho redentor que foi a marca do encerramento do Rock-se, no longiquo  ano da graça de 1998 do século passado. “Um lugar do caralho”, enfim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-dXiZzDQkf-g/Tp7yqtbUNhI/AAAAAAAAECs/aLTaTYoZEG0/s1600/VIAGEMCANINDEMUSEU.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-dXiZzDQkf-g/Tp7yqtbUNhI/AAAAAAAAECs/aLTaTYoZEG0/s320/VIAGEMCANINDEMUSEU.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665232196841256466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Já o público foi surpreendentemente jovem, empolgado, ativo e  participativo. A galera estava com uma sede de rock como há tempos eu  não via por estas bandas. Falo de Aracaju, claro, cuja cena está  morgadíssima, com um público apático e desinteressado que geralmente  prefere ficar na porta dos shows bebendo e jogando conversa fora. Foi  bonito (re)ver as boas e velhas rodinhas punk, os moshs com “caminha” e  as pilhas humanas que se formavam sempre que alguém caía. Tudo isto,  inclusive, com uma ampla participação feminina, e em todos os shows,  fossem eles de blues, hard rock, hard core ou heavy metal.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A banda que mais incendiou a galera foi a Mamutes, que entrou logo  depois da Urublues desfalcada de sua baterista, prontamente substituída à  altura por Tony Karpa, da One Last sunset. Foi jogo ganho, com a galera  cantando junto as letras das musicas, as meninas dançando e os garotos  se “esbagaçando”. Com direito, inclusive, a um quase explícito “assédio  sexual” em pleno palco protagonizado por uma garota que subiu ao mesmo e  ficou lá um tempão, se esfregando lascivamente principalmente em Kal e  Rick, respectivamente o vocalista e o guitarrista (atenção senhoras  patroas dos caras, eles não têm culpa, foi uma manifestação &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-RwPpJL4gtqQ/Tp7zKPAXARI/AAAAAAAAEC4/1tn0Uojc5Z4/s1600/VIAGEMCANINDE%2B%252812%2529.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-RwPpJL4gtqQ/Tp7zKPAXARI/AAAAAAAAEC4/1tn0Uojc5Z4/s320/VIAGEMCANINDE%2B%252812%2529.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665232738430943506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;totalmente  espontânea e, a princípio, sem grandes conseqüências, pelo menos que eu  saiba). “É isso aí, rock and roll é libertação”, falou Kal com  propriedade entre um urro e outro do camarada Cachorrão e antes de  chamar Silvio da Karne krua para o grand finale, uma versão turbinada de  “No fun”, dos stooges. Divertidíssimo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Karne Krua entrou na sequencia e fez um show esporrento, com alguns  clássicos do cancioneiro Hard core local cantadas em uníssono pela  platéia, ainda com todo o gás e pogando muito. Bonito de ver,  principalmente as garotas, que em Sergipe geralmente são muito tímidas  (sim, estávamos em Sergipe, mas numa região fronteiriça, e muitos dos  presentes não eram sergipanos). A karne fez, inclusive, uma bonita  homenagem a Redson, do Cólera, falecido recentemente (e homenageado  também no crachá de identificação do evento), com um cover de  “passeatas”, e encerrou sua apresentação com uma sequencia matadora  tocada no talo e sem intervalo entre uma musica e outra. Excelente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4HCMBwK50Kg/Tp7znooS38I/AAAAAAAAEDE/mue2yPEwZ2s/s1600/VIAGEMCANINDE%2B%252823%2529.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-4HCMBwK50Kg/Tp7znooS38I/AAAAAAAAEDE/mue2yPEwZ2s/s320/VIAGEMCANINDE%2B%252823%2529.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665233243525537730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A banda seguinte, Hatend, de Paulo Afonso, demorou muito a se arrumar  e eu, cansado daquele bate bate chato de passagem de som de bateria,  saí para tomar um ar e dar uma voltinha na simpática praça que fica em  frente ao clube. Acabei apenas ouvindo os shows seguintes de fora mesmo,  portanto vou me abster de maiores comentários. Entrei apenas para  ajudar Luiz Oliva numa entrevista com Adalberto Feitosa, o mentor e  organizador da “parada” (com a inestimável ajuda do incansável Luiz  Humberto, agitador cultural “underground” da vizinha Poço Redondo), e  foi surpreendente: o cara tem muita história pra contar. Ele tem 50 anos  e é paulista. Conheceu Redson na Estação São Bento do metrô ainda no  final dos anos 70 e costumava freqüentar clubes paulistanos célebres,  como o “Fofinho rock clube”, que eu conheci em minha primeira visita à  cidade, em 1991. Foi neste mesmo 1991 que Adalberto se mudou para  Canindé para trabalhar na Usina Hidrelétrica de Xingó e se apaixonou  pelo local, ainda mais depois de descobrir que por aqui também havia uma  cultura “subterrânea” roqueira. Esta é a terceira edição que ele produz  do Festival Alternativo rock, sempre com muito esforço e algum  prejuízo, &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-o3jxIFz-VWA/Tp71CpYh0CI/AAAAAAAAEDQ/565xnTPsBNg/s1600/VIAGEMCANINDE%2B%252834%2529.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-o3jxIFz-VWA/Tp71CpYh0CI/AAAAAAAAEDQ/565xnTPsBNg/s320/VIAGEMCANINDE%2B%252834%2529.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665234807095939106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;mas muita satisfação e nenhuma sombra de arrependimento. Para o  ano que vem diz contar com um apoio prometido de uma das facções  políticas locais (será ano de eleição e nessa época os recursos públicos  costumam ser mais generosos, para o bem ou para o mal), o que  viabilizaria uma espera menor por uma nova edição (a última foi há 3  anos). Convidei-o para aparecer qualquer sábado destes nos estúdios da  Aperipê FM para contar sua história no ar no ao vivo programa de rock.  Espero que role.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Voltei pra casa na mesma noite, apesar da viabilíssima opção de  dormir por lá mesmo numa pousada que encontrei cuja diária custava a  bagatela de R$ 15,00! A viagem de volta foi tranqüila, no tapetão da  “Rota do Sertão”. Não fosse pelo excesso de quebra-molas, por alguns  animais na pista e por uma súbita neblina na altura de Itabaiana, teria  tirado o percurso, de cerca de 200km, em menos de 2 horas e meia (foram  quase 3). Foi o fim de um dia divertido que começou às 11 da manhã e  teve sua primeira parada em Itabaiana, onde almoçamos num simpático e  aconchegante restaurante a quilo chamado Garfil, que recomendo muito. É  na entrada da cidade, já no fim da avenida, próximo ao Cemitério, à sede  do INSS (que ficam, oh! Ironia, um em frente ao outro) e à Associação  Atlética. Fica a dica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-9JNoS7wYN_I/Tp71SLhNP2I/AAAAAAAAEDc/VnycnBeoTgI/s1600/VIAGEMCANINDE%2B%252815%2529.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 275px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-9JNoS7wYN_I/Tp71SLhNP2I/AAAAAAAAEDc/VnycnBeoTgI/s320/VIAGEMCANINDE%2B%252815%2529.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665235073957183330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Chegando em Canindé, uma outra dica é uma visita ao MAX, o Museu de  Arqueologia de Xingó, um prediozinho elegante e aconchegante que abriga  num ambiente climatizado alguns dos achados arqueológicos da região,  dentre eles utensílios domésticos e fósseis dos habitantes locais de  9.000 anos atrás. Para chegar lá, você deve virar à esquerda no trevo  que desemboca numa das praias do Rio São Francisco que ficam de frente  para a majestosa Usina Hidrelétrica de Xingó.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Virando à direita, você chega em Piranhas, cidade alagoana histórica  encravada entre as montanhas e o velho Chico. Vale muito a pena a  visita. É uma cidadezinha muito simpática, cheia de ladeiras e casinhas  coloridas, que abriga um museu dedicado às coisas do sertão e do  cangaço. Foi lá, em Piranhas, que ficaram expostas, pela primeira vez,  as cabeças decepadas de Lampião, Maria Bonita e demais membros de seu  bando. Destaque para um charmoso e aconchegante café que fica no alto de  uma torre histórica que abriga um relógio, a Torre da estação.  Recomendo. Recomendo também ver o sol se por entre as montanhas às  margens do rio. Muito bonito. Teria sido tudo perfeito, não fosse por  uma alma sebosa que cismou de abrir o potentíssimo som de mala do seu  carro e espalhar pelo ambiente uma pra lá de desagradável cacofonia de  ruídos que alguns chamam de “musica” – uma daquelas “quebradeiras”  baianas, pagode diluído para as massas, o que nos fez desistir de bater  uma macaxeira com carne de bode pela qual vínhamos salivando há temos –  ah, esses gordinhos …&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Na volta para Canindé passamos por um Mirante da Chesf que estava  fechado mas que já tinha visitado em minha última passagem por lá. É  outra boa dica de passeio, já que lá você encontra diversos souvenirs à  venda e pode agendar uma visita à usina, que eu não fiz mas deve ser  interessante. Assim como interessante deve ser (certamente é) o passeio  de barco pelo rio que te &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-56xwsjZh-jA/Tp71jmumWPI/AAAAAAAAEDo/X1QFTcQ7J6g/s1600/VIAGEMCANINDE%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-56xwsjZh-jA/Tp71jmumWPI/AAAAAAAAEDo/X1QFTcQ7J6g/s400/VIAGEMCANINDE%2B%25282%2529.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665235373318887666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;leva a um banho entre os cânios e/ou à rota do  cangaço, numa caminhada pela caatinga que termina na gruta de Angicos,  em Poço Redondo, o lugar onde o bando de Lampião foi emboscado e  chacinado. Que eu saiba, há duas opções: pelo catamarã, que você pode  pegar já a partir de Aracaju, indo de van até lá, ou lá mesmo em  Piranhas: vimos um local que vende passagens a R$ 40,00.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Voltarei lá e farei isso o mais breve possível.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;por Adelvan&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fotos: Nina&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-8909207550551349577?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/8909207550551349577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=8909207550551349577' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/8909207550551349577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/8909207550551349577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/10/rock-in-rio-sao-francisco.html' title='Rock in Rio São Francisco'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ids2XtfQnaE/Tp7yZNzi0MI/AAAAAAAAECg/20pRMZasoT8/s72-c/VIAGEMCANINDE%2B%252825%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-4180043911700882820</id><published>2011-10-19T08:47:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T08:24:15.115-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock'/><title type='text'>No Sense, uma entrevista</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-qWcFnxu1LLg/Tp39TZsIgXI/AAAAAAAAF58/MBxXm7DeMOA/s1600/no%2BSense%2B315953_278531855502506_100000370828274_977411_1517858068_n.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 243px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-qWcFnxu1LLg/Tp39TZsIgXI/AAAAAAAAF58/MBxXm7DeMOA/s320/no%2BSense%2B315953_278531855502506_100000370828274_977411_1517858068_n.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664962416057287026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No Sense é uma das bandas pioneiras do grindcore no Brasil. Foi formada em 1990 na cidade de Santos, São Paulo, e gravou uma demotape, "confused mind", um EP 7 polegadas chamado "out of reality" pela Fucker records, de São Paulo, e um LP em vinil, "cerebral cacophony", pela Cogumelo, de Belo Horizonte. Pararam em 1993 e voltaram em 2008 a todo vapor, tendo lançado, já, um novo EP, "obey", que além de ser uma prévia do novo disco traz, como bonus, o primeiro EP, fora de catálogo e nunca antes lançado em CD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, uma entrevista com Marly, a vocalista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;programa de rock – &lt;/span&gt;Por quanto tempo vocês ficaram separados ? Vocês  conseguiriam lembrar, exatamente, quais e quando foram as últimas  atividades (show, ensaio, reunião) que tiveram enquanto banda antes de  se separar e depois, na reunião? &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;No Sense – &lt;/span&gt;Ficamos separados exatamente 15 anos…só lembro do último  show, que foi em Santo André, e eu estava com um barrigão de 7 meses…já  pra volta rolou um “telefone sem fio”….um encontrava o outro e ficávamos  mandando recados porquê nunca calhava de encontrarmos os 4 de uma  vez….até que calhou de combinarmos tudo por telefone e o reencontro se  deu já no ensaio…dia 20 de julho de 2008, no dia do meu aniversário.  Presentão!!!!!!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr –&lt;/span&gt; Como aconteceu esta volta da banda ? Foi algo planejado,  amadurecido, ou simplesmente aconteceu, sem nenhum planejamento, tipo um  “Big Bang” ?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Então, como falei a vontade sempre esteve em algum lugar adormecida…&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr –&lt;/span&gt; O que vocês fizeram no tempo em que estavam separados ? Se  envolveram com algum projeto de cunho “artístico” ou simplesmente  tocaram suas vidas pessoais ?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Eu tive a minha adorada e amada Chesed Geburah, banda estilo  black metal (não temática!) com muitos teclados, muito clima, vocais  diferentes…algo também pioneiro pra época….mas fiquei só um ano na  banda, depois parei com tudo e fui me dedicar aos estudos…os meninos se  envolveram em vários projetos como:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Angelo: Abuso Sonoro e o selo Elephant Rec. que lançou várias bandas;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Morto: Abuso Sonoro, Toxic Freak, Leucopenia, Bones Erosion;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Paulinho: Violent Vision, Wrinkled Witch, Empire of Souls.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr – &lt;/span&gt;Como tem sido esta retomada, em termos de retorno do publico e  satisfação pessoal de vocês como membros da banda – está tudo ocorrendo  de acordo com o previsto (se é que previam algo) ou têm se surpreendido?  Têm sentido algum tipo de retorno da galera mais jovem ? E os velhos  “fãs”, como receberam a volta do No Sense ?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Isso é muito louco! Porquê só depois da volta passamos a ter a  real dimensão do que fomos e representamos diante da receptividade!!!  Não tínhamos expectativa alguma, nem sabíamos se íamos um aguentar a  cara do outro rsrs…mas foi melhor do que imaginamos……&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os “fãs” são os “olds”, um mais maluco que o outro!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr – &lt;/span&gt;Me falem dos shows que têm feito, como tem sido o clima em geral ?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Fizemos poucos, mas foram muito bons! É que não demos muita  sorte ainda de tocarmos com bandas só do gênero então o público fica  meio sem reação…rsrs&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr –&lt;/span&gt; Não tenho nada contra bandas que voltam apenas para matar a  saudade e fazer shows tocando somente as mesmas musicas, mas respeito  mais as que se preocupam em produzir algo novo, compor novos sons,  portanto saúdo o No Sense por isso. Como surgiram essas novas  composições ? Já tinham planos de lançar um disco novo ou aconteceu como  consequencia ?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns – &lt;/span&gt;Nos primeiros ensaios já saiu a “No More Hope”, de lá pra cá  temos quase 30 músicas novas….é meio automático…parece que esses anos  todos a inspiração ficou “encubada”….você não têm noção de como está o  cd…já está quase todo gravado…músicas maravilhosas!!!!!!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr –&lt;/span&gt; Me falem do processo de gravação do novo EP e das diferenças  que vocês sentiram em relação à experiência da primeira fase da banda,  quando gravaram 1 demo, 1 compacto e 1 LP.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Naquela fase não tinhamos experiência alguma….eu continuo  sem..rsrs….os meninos já gravaram várias coisas com suas respectivas  bandas….eu apanhei nesse cd da volta….se não fosse o aparato técnico de  pessoas como o Claudio, nosso produtor (que agora é o baixista) e meu  amigo Josh do Bode Preto, que mesmo de longe me ajudou pra caramba, eu  não sei como teria finalizado!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr –&lt;/span&gt; Algum plano para o relançamento do LP “Cerebral cacophony” em CD ?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Nenhum!!!! No máximo tocar as músicas ao vivo! A Cogumelo não se pronuncia, nem nós!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr –&lt;/span&gt; Como vocês vêem a “cena” hoje em comparação àquela na qual  nasceram e foram gestados, no início dos anos 90? – o que melhorou, o  que piorou, o que continua na mesma …&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Fraquinha né???? Mas os que restaram valem por 100 daquela época!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr –&lt;/span&gt; Já que entramos no tópico “recordar é viver”, façam uma  retrospectiva da carreira da banda: como começou, quais os melhores  shows, viagens, melhores (e piores, porque não?) momentos, enfim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;* MORTO: &lt;/span&gt;Bom, o inicio de tudo deu-se com a ideia de fazer alguma  coisa que envolvesse barulho, com influências do que mais ouvíamos na  época, Napalm, Terrorizer, Repulsion….a ideia de ter um mina como vocal  surgiu do nosso grande amigo Angelo,e também a loucura de trocarmos de  função pois na época eu tocava guitarra e ele baixo dai se já sabe , bom  os shows sou meio lesado pra lembrar mas posso dizer q tivemos muitos  bons e também muitas roubadas, em questão a viagens não fomos muito  longe dos nosso estado um ou outro que não me recordo,mas dizer pior não  dá pra dizer porque sempre tiramos proveito de tudo pois cada lugar   uma experiência nova.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr – &lt;/span&gt;Porque parou ?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Porquê engravidei..tivemos que dar um tempo..embora tenhamos  feito shows até meus 7 meses de gestação. Nessa de “dar um tempo” foi  cada um pro seu lado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr –&lt;/span&gt; Me falem sobre a relação de vocês com as gravadoras que  lançaram seus discos, antes e agora – alguma diferença significativa ?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; A Fücker não existe mais, mas a nossa relação é de extrema  gratidão….o seu dono, Leandro, era uma pessoa espetacular e apostou na  banda de forma surpreendente!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Cogumelo deixou a desejar…péssimo estúdio, péssima produção,  péssima divulgação, não tivemos muita voz ativa e sentimos que  “queimamos” 20 músicas maravilhosas com isso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Atualmente a Violent é nossa parceira, mas não 100%, o trabalho que  estamos realizando agora, que só estará completo com o cd, pois na  verdade Obey é uma promo comemorativa dos 20 anos do 7′ ep, é uma  produção indepente de um grande fã nosso que prefere ficar no anonimato.  É uma história curiosa. Ele se propôs a bancar tudo desde que ficasse  no anonimato e que todas as fitas masters lhe fossem enviadas, sem  quaisquer edições.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr – &lt;/span&gt;Marly, você foi meio que pioneira nessa história de garotas na  formação de bandas com um som tão extremo. Como foi este processo, as  pessoas estranhavam muito? Sua presença foi bem aceita ou você sofreu  algum tipo de manifestação machista/sexista pelo fato de ser uma mulher  “cantando” grindcore? Para situar um pouco o contexto da época, nos fale  um pouco das outras bandas que tinham membros do sexo feminino, como o  Purulence – como era, enfim, a participação feminina na cena da época e o  que, na sua opinião, mudou (ou não), de lá pra cá.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Na verdade quem sofreu preconceito foi a banda…cansei de ouvir  de uns caras da região que tinham banda de thrash e afins que éramos uns  retardados, que o som era um bosta….teve um cara que teve as manhas de  chegar pra mim e dizer “Marly, sai disso, isso é ridículo”….ahahaha mas o  castigo veio a cavalo….em poucos meses um dos selos mais legais nos  contratou e gravamos o ep e deixamos todo mundo se remoendo de ódio….até  hoje tem gente que nos odeia….por isso temos um pacto: Nunca tocaremos  em  Santos….aproveitando o espaço, posso dar um recado pra esse povo que  está entalado em minha garganta esses anos todos???&lt;/p&gt; &lt;p&gt;PAU NO CU DE VOCÊS SEUS MERDAS!!!!  VOCÊS SABEM QUEM VOCÊS SÃO!!!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quanto à mim eu nunca recebi ou percebi manifestações  machistas/sexistas…talvez pela minha postura…meio de moleque, bem  maloqueira também…visual camiseta/calça/tênis….isso não dava mesmo muita  margem à esse tipo de reação….só vim descobrir que causei uma espécie  de “espanto”, digamos assim, e o que pensavam de mim com o advento da  internet…pois  li muitos comentários que eu nunca imaginei!!! Coisas  surreais!!! Hoje eu dou risada, naquela época daria porrada!!!! De meu  conhecimento, aqui no Brasil, de som extremo mesmo só o Purulence mesmo,  que veio um pouco depois, e aquelas meninas eram demais!!!! SE eu abri  alguma porta pra mulherada, foi o Purulence quem passou por ela  primeiro, e elas são meu maior orgulho por ter aberto tal porta. Tinha  outras bandas na época como Volkanas, Flammea, mas eram outro estilo,  outra proposta…Hoje em dia tem o Necrose com minha amiga Angela que  representa muito bem a cena!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr –&lt;/span&gt; Grindcore não é apenas “música” (há quem ache que nem isso é), o  aspecto ideológico sempre foi forte no desenvolvimento do estilo. Como  vocês se situam neste campo? Pensam o mundo, em geral, da mesma forma,  com a mesma matriz ideológica, ou algo mudou ?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Realmente tem grind que é uma corrida de velocistas que você não  entende nada e nenhuma música te marca….Só que nós não fazemos esse  grind….nossa linha é a linha Napalm, a linha que você escuta a música,  sente o riff e tem vontade de chorar de tanto que te toca….essa é a  minha relação com o grind….acho que é uma questão de alma mesmo…tem  gente que ouve Sabbath e acha uma barulheira também…vou falar o quê? Só  posso dizer que colocamos nossa alma quando estou “cantando” qualquer  música do No Sense…se soa dissonante para a maioria…talvez nossa alma  seja dissonante e não podemos fazer nada quanto à isso. Vejo os  “meninos” comporem e vejo admirada todo o processo de criação…rola uma  sinergia impressionante! E fazemos isso porquê gostamos, pois,  orgulhosamente, admito que todos eles tocam muito e poderiam tocar  outros estilos, como o fazem!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No passado tivemos uma postura mais ideológica..hoje queremos apenas  falar o que sentimos em determinada situação que se apresente…sem  dogmas…como em “Spilling the holly shit” em que eu canto como se fosse  um cristão suplicando ao seu pastor (e ele respondendo), Vendetta, que  fala de vingança pura e simples, ou da Guided, que é uma honemagem ao  Dexter…rsrs..como pode ver….bem variado….&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu nunca vou subir no palco e ficar pregando meu ideais!!!! Eu quero é subir no palco e me divertir!!! Eu quero é rock!!!!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pdr –&lt;/span&gt; Pra finalizar: “Haverá futuro”?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ns –&lt;/span&gt; Pra nós enquanto o Napalm Death e o Terrorizer tocarem em nossos corações, sim!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Adelvan perguntou&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Marly respondeu&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Exceto em *&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mais&lt;a href="http://pdrock-sergipe.blogspot.com/2010/09/no-sense-por-escarro-napalm.html"&gt; AQUI&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;#&lt;a href="http://programaderock.files.wordpress.com/2011/10/no-sense-2010-dakota.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-4180043911700882820?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/4180043911700882820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=4180043911700882820' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/4180043911700882820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/4180043911700882820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/10/no-sense-uma-entrevista.html' title='No Sense, uma entrevista'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-qWcFnxu1LLg/Tp39TZsIgXI/AAAAAAAAF58/MBxXm7DeMOA/s72-c/no%2BSense%2B315953_278531855502506_100000370828274_977411_1517858068_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-7251712705193800938</id><published>2011-10-03T17:39:00.000-07:00</published><updated>2011-10-11T08:24:59.540-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock sergipano'/><title type='text'>Mangaba verde</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vMZVMj20N8o/TopW_x7XVOI/AAAAAAAAD_w/fKW49ZHQoVM/s1600/vendo%2B147%2B02%2Bbanda%2Btoda%2B6208738036_17834b9ef6_b.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-vMZVMj20N8o/TopW_x7XVOI/AAAAAAAAD_w/fKW49ZHQoVM/s320/vendo%2B147%2B02%2Bbanda%2Btoda%2B6208738036_17834b9ef6_b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659431535478527202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A noite de abertura do Festival "Mangaba Instrumental", que aconteceu mês passado na Concha Acústica do Oceanário de Aracaju, na Orla da Praia de Atalaia, tinha tudo para ser memorável, mas foi apenas “mais ou menos”.  Principalmente porque a atração “de fora”, a sensacional Vendo  147, uma das melhores bandas de rock em atividade no Brasil atualmente,  tocou pouco (acho que foi menos de uma hora de show) e com,  praticamente, o som do palco, apenas. Quem já os viu em ação ao vivo  pode imaginar o quanto a apresentação dos caras perde com o som assim,  baixinho ...  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Só comecei a curtir pra valer o show  quando resolvi ir pra frente do palco: aí sim, o couro estava comendo.  Eles perderam um pouco do peso, mas ganharam MUITO em qualidade desde a  última apresentação que eu vi - e olha que já eram bons pra cacete!.  Impressionante a riqueza de detalhes dos arranjos das músicas que fazem  parte do impecável “Godofredo”, primeiro disco dos caras, à venda na  barraquinha do incansável André Teixeira a módicos 15 reais. Vale  ressaltar que o disquinho vem embalado num formato diferenciado,  lembrando um compacto de vinil, o que enriquece as artes da capa e do  encarte, de autoria do sergipano Duardo Costa – guitarrista da banda,  aliás.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-OqzIb1dP8NI/TopXIoPQEvI/AAAAAAAAD_4/n1vhwj_3wj0/s1600/vendo%2B02%2Bpdrock%2B6208219569_7ffd0ba642_b.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 229px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-OqzIb1dP8NI/TopXIoPQEvI/AAAAAAAAD_4/n1vhwj_3wj0/s320/vendo%2B02%2Bpdrock%2B6208219569_7ffd0ba642_b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659431687496405746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Voltando ao palco: descontando-se os  percalços, foi uma ótima apresentação, com os músicos afiadíssimos e  “viajando” em longos trechos de músicas com cara de Jam sessions que  beiram a psicodelia. Com direito, inclusive, a uma estilosa bateria  transparente com luzes coloridas que, me falaram, eles trouxeram de  Salvador especialmente para o show. Quanto ao fato de o volume do som  estar estupidamente baixo e a banda ter sido aparentemente pressionada  pela produção (intimada, ouvi dizer, pela Polícia Ambiental) a acabar  logo sua apresentação, o que não dá pra entender é porque este tipo de  coisa acontece num evento devidamente autorizado pela prefeitura e com a  impressionante lista de apoiadores/patrocinadores presente no cartaz de divulgação - especialmente por constar nele a marca do governo do estado, o que dá  a entender que há algum respaldo "oficial". Ressalto que não sei se foi  realmente este o motivo, mas caso tenha sido, não se justifica, já que  há poucos dias a também baiana Ivete Sangalo havia aportado ali pertinho  com seu megaespetáculo de gosto pra lá de duvidoso “Ao Vivo No Madison  Square Garden”. Deve ser porque ela é Ivete, ela pode. Coisas de  (Bu)racaju ...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Sl6zfjIAS8I/TopXa8kXnjI/AAAAAAAAEAA/cl2jJBSwvPg/s1600/vendo%2B03%2B6208216539_a68eaf02a2_b.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Sl6zfjIAS8I/TopXa8kXnjI/AAAAAAAAEAA/cl2jJBSwvPg/s400/vendo%2B03%2B6208216539_a68eaf02a2_b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659432002191334962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;As  outras atrações da noite, pelo menos, não parecem ter tido o mesmo  problema: tocaram em alto e bom som. E foram grandes atrações. Tudo  começou com o som climático da Coutto e Orquestra de Cabeça. Primeiro  show dos caras. Do que consegui assimilar, gostei. Na sequencia, Casa  Forte e seu rock instrumental vigoroso e consistente. Antes da Vendo, o  Ferraro Trio, que navega com classe e desenvoltura naquela frágil linha  divisória que separa os estilos musicais, ora soando rock, ora jazz, ora  soul, mas sempre com muita propriedade e personalidade. É uma das  melhores bandas em atividade na cidade atualmente, sem sombra de  dúvidas.&lt;/p&gt;por Adelvan&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-7251712705193800938?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/7251712705193800938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=7251712705193800938' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/7251712705193800938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/7251712705193800938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/10/mangaba-verde.html' title='Mangaba verde'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-vMZVMj20N8o/TopW_x7XVOI/AAAAAAAAD_w/fKW49ZHQoVM/s72-c/vendo%2B147%2B02%2Bbanda%2Btoda%2B6208738036_17834b9ef6_b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-4983631288341059512</id><published>2011-09-27T08:20:00.000-07:00</published><updated>2011-10-03T13:16:44.291-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrinhos'/><title type='text'>Uma tarde com o Chupacabras (e outras criaturas)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ayLgX0Yvo9E/ToHrUPcHtnI/AAAAAAAAD-I/fytQ87m-hmI/s1600/a%2Bnoite%2B258315_125573294191551_100002166433284_206943_8361939_o.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-ayLgX0Yvo9E/ToHrUPcHtnI/AAAAAAAAD-I/fytQ87m-hmI/s320/a%2Bnoite%2B258315_125573294191551_100002166433284_206943_8361939_o.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657061339928442482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pra mim, domingo é o verdadeiro Dia Internacional da preguiça. Pra me tirar de casa, especialmente à tarde e depois de um churrasco bem servido, então, só sendo mesmo uma ocasião muito especial. A exibição de “A Noite do Chupacabras”, novo filme de &lt;span class="st"&gt;Rodrigo Aragão, do cultuado “Mangue Negro”, no HQ Festival, era uma delas, sem sombra de dúvidas.&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="st"&gt;Cheguei em cima da hora mas, felizmente, não perdi nada – nem a introdução nem os créditos iniciais, muito elegantes, diga-se de passagem. Desaconcheguei-me nas desconfortáveis poltronas, quase todas quebradas, do Auditório da Biblioteca Pública Epiphanio Dorea, e curti a projeção – prejudicada pelo excesso de iluminação e pela irregularidade da tela, mas ok, “Don´t Panic!”! Have Fun!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-6n_kmsUzfC0/ToHrn0yaYKI/AAAAAAAAD-Q/Sre9bDvPE2g/s1600/A%2BNOITE%2BDO%2BCHUPACABRAS%2B-%2B003%2B-%2Bfoto%2BGIOVANNI%2BCOIO.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-6n_kmsUzfC0/ToHrn0yaYKI/AAAAAAAAD-Q/Sre9bDvPE2g/s320/A%2BNOITE%2BDO%2BCHUPACABRAS%2B-%2B003%2B-%2Bfoto%2BGIOVANNI%2BCOIO.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657061676371566754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="st"&gt;Me diverti bastante. O filme, uma pequena pérola “trash”, conta a “história” de uma guerra entre duas famílias do interior interrompida pela aparição de uma criatura fantasiosa, o tal chupacabras. Me interessei por ele por dois motivos: Já tinha ouvido falar muito de “Mangue Negro”, especialmente através de Roberto Nunes, do Cine Cult (ele ensaiou exibi-lo numa das Viradas Cinematográficas, mas infelizmente não rolou), e um dos atores principais desta nova produção é ninguém mais, ninguém menos, que Petter Baiestorf, uma verdadeira “lenda viva” do cinema “trash” nacional.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Foi no blog dele, aliás, que eu vi as primeiras fotos da legendária criatura no filme, tida por ele (e agora comprovado por mim) como sua melhor representação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Y6HTRiLOb1w/ToHsN_Zot5I/AAAAAAAAD-Y/CohPRseaHCY/s1600/a%2Bnoite%2Bcc3b3pia-de-dsc06341.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 261px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Y6HTRiLOb1w/ToHsN_Zot5I/AAAAAAAAD-Y/CohPRseaHCY/s320/a%2Bnoite%2Bcc3b3pia-de-dsc06341.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657062332055467922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="st"&gt;A atuação do Petter foi boa, melhor até do que eu esperava. Claro que adequada ao seu papel (de mau) e ao estilo da produção, afinal, o cara não é nenhum Marlon Brando. Todos os atores são amadores, assim como a maioria das cenas de sangue e escatologia, mas, no geral, o filme está visualmente acima da média, especialmente pelo visual do monstro que é realmente impressionante. Já do roteiro não há muito o que falar, pois é o de sempre: diálogos rasteiros em situações esdrúxulas que servem apenas como pretexto para mais uma rodada de tripas expostas, para o delírio da molecada presente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="st"&gt;Depois do filme aconteceu um debate, na verdade um bate-papo informal e descontraído, com o diretor e sua mulher, a simpática &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Mayra Alarcón, “heroína” da trama – “claro, afinal, eu sou a mulher do diretor”, ela fez questão de enfatizar. Também explicou, dentre outras coisas, que não morre no filme nem põe os pés na água fria pelo mesmo motivo. Os dois disseram que gostaram muito da acolhida que tiveram e que era muito melhor exibir seu filme para aquele público de fãs de mangás e HQs do que para intelectuais em festivais de cinema. Foram entusiásticamente aplaudidos, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-cfOq55NiuyI/ToHsm-RPmlI/AAAAAAAAD-g/PYTWlmVvsi4/s1600/a%2Bnoite%2BCHUPACABRAS_OFICIAL_01.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 269px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-cfOq55NiuyI/ToHsm-RPmlI/AAAAAAAAD-g/PYTWlmVvsi4/s400/a%2Bnoite%2BCHUPACABRAS_OFICIAL_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657062761248561746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;" &gt;evidentemente. Deram também mais detalhes sobre a produção, como o fato de o “ator” principal, Joel Caetano, também ser diretor de filmes B, dos figurinos terem sido arrematados num bazar da igreja local (Guarapari, Espírito Santo) ao fabuloso custo de R$ 1,00 por peça, das tentativas e erros até acertar a mão na confecção da máscara do monstro e dos acidentes de percurso – num deles o grandalhão que faz o papel de um dos membros da família rival que se recusa a morrer teve que ir ao pronto socorro depois de um acidente e já chegou, todo sujo, explicando à estarrecida médica plantonista que o vômito era falso, mas o sangue era real.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;" &gt;O debate fluiu bem, com boas perguntas e ainda melhores respostas. Respondendo a um questionamento meu, Rodrigo explicou que conheceu Baiestof &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;porque recebeu dele um pacote com seus filmes, que ele havia enviado depois de ter assistido “Mangue Negro”. Pensou nele para um dos papéis e resolveu entrar em contato, apesar da fama de “excêntrico” do morador de Palmitos, Santa Catarina. Segundo ele, Peter exitou num primeiro momento, ressaltando que era um ator muito canastrão, mas cedeu depois de ouvir uma descrição do personagem que faria e notar que o mesmo poderia ser interpretado “no estilo de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0782213/"&gt;Santiago Segura&lt;/a&gt;”, ator espanhol que trabalhou em “El Dia &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EddeDOPhfA4/TooXGY7dnCI/AAAAAAAAD_g/eMiGXk5bzOM/s1600/hq%2B001%2Benf%2BDSCF4375.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-EddeDOPhfA4/TooXGY7dnCI/AAAAAAAAD_g/eMiGXk5bzOM/s400/hq%2B001%2Benf%2BDSCF4375.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659361280282958882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;de La Bestia”, de Alex de La Iglesia, dentre outros. Falou também &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;que ele foi super profissional (só tomava umas doses de sua inseparável garrafa de pinga depois de se certificar que já tinha cumprido suas obrigações no set) e deu vários toques preciosos para a produção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acabado o debate, ainda fiquei para ver o inicio do concurso de cosplay. As fantasias eram bem feitas &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;– algumas bizarras, como a de um cara que estava com uma máscara enorme que lembrava a cabeça de um pássaro em forma de pirâmide – e as perfomances interessantes, mas como eu não entendo nada de anime nem de mangá, decidi me mandar. Não sem antes dar uma conferida nos stands, bem servidos de quadrinhos, felizmente, ao contrário da edição passada, e nas exposições, com obras interessantes, especialmente uma nova Historia em quadrinhos de &lt;a href="http://eduardocardenas.deviantart.com/"&gt;Eduardo Cárdenas&lt;/a&gt;, uma espécie de “herói” local, responsável pelos desenhos de todo o material publicitário do Festival.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Saldo final pra lá de positivo - apesar de não ter visto "O Ogro", animação de meu camarada Marcio Jr. inspirada nos quadrinhos do mestre Shimamoto, que estava anunciada mas cujo nome não vi na programação. Pra fechar a noite (saí por volta das 19:00H) encontrei, para vender, uma edição em espanhol da Biblia desenhada por Simon Bisley, que já tinha visto na net e é sensacional. Foi no stand da&lt;a href="http://lojagibizonearacaju.blogspot.com/"&gt; Gibizone&lt;/a&gt;, loja de quadrinhos local que agora é apenas virtual. Ainda bem que levei o dinheiro contado, já que não posso gastar. O Slayer me quebrou.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;por Adelvan&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-55-pwSRg6hk/TooX32aEhyI/AAAAAAAAD_o/r9vF0tZqT8k/s1600/hq%2B002%2Bcabe%25C3%25A7a%2BDSCF4368.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-55-pwSRg6hk/TooX32aEhyI/AAAAAAAAD_o/r9vF0tZqT8k/s400/hq%2B002%2Bcabe%25C3%25A7a%2BDSCF4368.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659362130009556770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-4983631288341059512?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/4983631288341059512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=4983631288341059512' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/4983631288341059512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/4983631288341059512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/09/uma-tarde-com-o-chupacabras-e-outras.html' title='Uma tarde com o Chupacabras (e outras criaturas)'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ayLgX0Yvo9E/ToHrUPcHtnI/AAAAAAAAD-I/fytQ87m-hmI/s72-c/a%2Bnoite%2B258315_125573294191551_100002166433284_206943_8361939_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-4584982891676622668</id><published>2011-09-22T09:58:00.000-07:00</published><updated>2011-09-24T05:41:06.300-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock sergipano'/><title type='text'>Tody´s Trouble Band</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-FGc0orAnArw/Tmp9GYLXrEI/AAAAAAAAFuc/jstRj7o7cGQ/s1600/toddy-s%2B316742_1947868859971_1340057459_31659837_6952403_n.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 206px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-FGc0orAnArw/Tmp9GYLXrEI/AAAAAAAAFuc/jstRj7o7cGQ/s320/toddy-s%2B316742_1947868859971_1340057459_31659837_6952403_n.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650466231012535362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Que fique registrado: Fui recentemente ver ao vivo Capitão Cook, finalmente, a Tody´s Trouble Band, e foi ótimo. Têm uma proposta diferente para o cenário local: tocar rockabilly – "de forma simples, safada e divertida e com muita influência de blues e outros ritmos" mas, em essência, rockabilly. Com direito a baixão acústico e as porras.   Sempre lamentei o fato de que a "cena" rock sergipana nunca gerou nenhuma banda do tipo, portanto saúdo com todo o entusiasmo possível esta iniciativa.&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Tendo em vista que eles não seguem rigorosamente as regras do estilo e tiram covers inusitados, como “Bicho de Sete Cabeças”, de Zé Ramalho e Geraldo Azevedo, poderia-se pensar que trata-se de uma “porralouquice” – termo local que geralmente designa projetos mal acabados e sem referência – ou mesmo uma “forçação de barra”, mas longe disso: a falta de compromissos estéticos rígidos faz com que sua musica soe mais original, descontraída e, acima de tudo, divertida. O tal cover mencionado é um bom exemplo: acredite, ficou ótimo. Assim como muito bons ficaram também os outros, alguns mais óbvios, como “surfin´ BIRD”, clássico dos Trashmen imortalizado pelos Ramones, outros nem tanto, como a versão para “16 toneladas”, do Funk como Le gusta (“se todo mundo toca samba rock hoje em dia, a gente pode tocar também”, falou e disse o Senhor Tody). &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mais importante: as músicas próprias, autorais, são excelentes, o que constatei logo de cara, pois cheguei com o couro já comendo (primeira musica ainda, felizmente) em um som com uma levada “psycho” insana e uma letra divertida que tira onda, dentre outras coisas, com a guitarra com estampas de oncinha cor de rosa de seu próprio &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Evv2fGvWUhI/Tmp-IbAGsJI/AAAAAAAAFuk/pkzYSyNTQJo/s1600/toddy%2Bem%2Bpe%2B308234_1947869419985_1340057459_31659839_224098_n.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 266px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-Evv2fGvWUhI/Tmp-IbAGsJI/AAAAAAAAFuk/pkzYSyNTQJo/s400/toddy%2Bem%2Bpe%2B308234_1947869419985_1340057459_31659839_224098_n.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650467365641957522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;guitarrista – que manda bem, por sinal. Os músicos são todos bons e Todynho arrasa na pegada e no visual, o que contribui para que nível de adrenalina atinja alguns picos bastante altos ao longo da apresentação, com os caras exibindo habilidade e desenvoltura. Excelente. Precisa tocar mais e em eventos mais concorridos, com bandas já conhecidas que atraiam uma maior visibilidade para esta grande promessa do cenário alternativo de Sergipe Del Rey.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Completando a noite, a estréia da Casa Forte, outra banda nova na city. Desta vez a proposta é rock instrumental, e a tarefa cumprida com louvor, com boa resposta do público. Outra boa promessa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Fotos: : &lt;span class="uiAttachmentDetails" ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:12}"&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=1340057459"&gt;Gabriel Barretto&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;texto: Adelvan&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="uiAttachmentDetails" ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:12}"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-4584982891676622668?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/4584982891676622668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=4584982891676622668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/4584982891676622668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/4584982891676622668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/09/todys-trouble-band.html' title='Tody´s Trouble Band'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-FGc0orAnArw/Tmp9GYLXrEI/AAAAAAAAFuc/jstRj7o7cGQ/s72-c/toddy-s%2B316742_1947868859971_1340057459_31659837_6952403_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-2501736192439852111</id><published>2011-09-09T09:27:00.000-07:00</published><updated>2011-09-24T05:40:46.658-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrinhos'/><title type='text'>HQ Festival</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;O grupo &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000080;"&gt;Divisão Brasileira de Artes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (“&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000080;"&gt;DB Artes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;”) foi fundado em &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000080;"&gt;27 de setembro de 1994&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; por três apreciadores de quadrinhos: &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000080;"&gt;Anderson Santos, Ivan França e Lícia França&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.  O que inicialmente era uma simples brincadeira (produzir histórias em  quadrinhos para a turma da escola), com o passar dos anos tornou-se o  projeto que mais tem valorizado a Arte Seqüencial em Sergipe, agrupando  quadrinistas, profissionais e amadores, estimulando o crescimento e a  divulgação desta arte através de exposições, publicações, criação de  projetos, prêmios e eventos.&lt;/span&gt; &lt;p style="text-align:justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Um maior destaque é dado ao &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000080;"&gt;HQ Festival &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#000080;"&gt;– &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Festival de Quadrinhos de Sergipe&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt; –&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; que inseriu o estado no mercado nacional de quadrinhos e foi o único evento de Sergipe indicado ao&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt; &lt;span style="color:#000080;"&gt;Prêmio HQ MIX o Oscar dos quadrinhos no Brasil&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#000080;"&gt;.&lt;/span&gt;  Também foram organizados os eventos Expo DB artes (1999), Anime COC  (2002), Aniverse (2003), Dia D RPG Brasil (2006). Diversos outros  eventos contaram com o apoio da equipe, como IV Dragon’s RPG de Sergipe,  E.C.A.J., Animaju, Dia do Quadrinho Nacional (PB) e Anime-SE, onde  foram realizadas oficinas, palestras e concursos. Dentre os vários  projetos em que a organização se envolveu, houve o apoio ao &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000080;"&gt;projeto educacional Mamute&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (USP – Universidade de São Paulo) e o &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000080;"&gt;Projeto Gibiteca Viva&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, criado pelo próprio grupo, ajudando na ampliação do acervo e na divulgação da Gibiteca de Aracaju. São realizadas durante o&lt;span style="color:#000080;"&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;HQ Festival&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; a &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000080;"&gt;Feira de Fanzines de Sergipe&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000080;"&gt;Fórum para Fanzineiros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;color:#000080;"&gt;Prêmio DB Artes Independentes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="text-align:center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;color:#000080;"&gt;A EQUIPE HQ FESTIVAL&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin:0 0 0 18pt;" align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;color:#000080;"&gt;Direção Geral: &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Anderson Santos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;color:#000080;"&gt;Assessoria de imprensa: &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Andressa Almada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;color:#000080;"&gt;Direção de Segurança: &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Milton Santos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;color:#000080;"&gt;Direção de Áudio e Vídeo: &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Thiago Mendonça e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Denison Dias&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;color:#000080;"&gt;Direção de Oficinas e Concursos: &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Ivan França, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Saulo McComb, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Ivan Vieira, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Cyndia Clay, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Alysson Santos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;color:#000080;"&gt;Equipe Geral: &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Lícia França, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Jorge Akiles, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Cleverton, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Ana Aquino, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Walisson Pereira, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Jéssica Larissa, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Márcia Jamille e Estúdio L’Ciel, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Márcio Machado, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Élio Arcanjo e Grupo Eras, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Claudégio Filho, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Irla Costa,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Tiago Almeida, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Guilherme Diangelis e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:10pt;"&gt;Arlan Fox.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Contatos:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:x-small;"  &gt;&lt;strong&gt;Site: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.hqfestival.com.br/"&gt;&lt;strong&gt;www.hqfestival.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; (temporariamente fora do ar)&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://hqfestival.wordpress.com/"&gt;http://hqfestival.wordpress.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=" ;font-family:Verdana;font-size:x-small;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.hqfestival.com/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.hqfestival.com/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="mailto:contato@hqfestival.com.br"&gt;db_artes@hotmail.com&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.hqfestival.com/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-iqX0yATjbI0/Tmo_yb9LnAI/AAAAAAAAD7w/hp7sfQ03sIc/s1600/cartaz-hqfestival-2011.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 283px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-iqX0yATjbI0/Tmo_yb9LnAI/AAAAAAAAD7w/hp7sfQ03sIc/s400/cartaz-hqfestival-2011.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650398818220088322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Bpag48uoSSA/TnaSwmbLmKI/AAAAAAAAD8A/EJjzVvQ66Mo/s1600/HQ%2Bcartaz-alternativo-hqfestival2011.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 283px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Bpag48uoSSA/TnaSwmbLmKI/AAAAAAAAD8A/EJjzVvQ66Mo/s400/HQ%2Bcartaz-alternativo-hqfestival2011.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5653867745856166050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ubdXxl6zk_Y/TnaTQGaRv_I/AAAAAAAAD8I/GuXxQGyb3HQ/s1600/HQ%2BHomenagem-Carlos-Ruas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 293px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ubdXxl6zk_Y/TnaTQGaRv_I/AAAAAAAAD8I/GuXxQGyb3HQ/s400/HQ%2BHomenagem-Carlos-Ruas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5653868287018254322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-K626nRRe0dk/TnaTQXcb_vI/AAAAAAAAD8Q/FH0HzRW17u4/s1600/HQ%2BCartaz-altenativo-OGRO.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-K626nRRe0dk/TnaTQXcb_vI/AAAAAAAAD8Q/FH0HzRW17u4/s400/HQ%2BCartaz-altenativo-OGRO.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5653868291590717170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-3I4p9frEDYE/TnaTQr65EvI/AAAAAAAAD8Y/Y8--PDU5-zI/s1600/HQ%2Bcartaz-chupacabras-hqfestival2011.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 279px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-3I4p9frEDYE/TnaTQr65EvI/AAAAAAAAD8Y/Y8--PDU5-zI/s400/HQ%2Bcartaz-chupacabras-hqfestival2011.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5653868297087161074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Spf4xs0ubnk/Tn3NqmhoY2I/AAAAAAAAD94/D2n4ZwOOQxU/s1600/HQ%2Bcartaz_A4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Spf4xs0ubnk/Tn3NqmhoY2I/AAAAAAAAD94/D2n4ZwOOQxU/s400/HQ%2Bcartaz_A4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655902838827017058" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8Sot_ziH1XM/Tn3N4BNGmMI/AAAAAAAAD-A/OYvAidliJaU/s1600/HQ%2B01%2Bhomeagem-daniel-benevides.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-8Sot_ziH1XM/Tn3N4BNGmMI/AAAAAAAAD-A/OYvAidliJaU/s400/HQ%2B01%2Bhomeagem-daniel-benevides.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655903069326973122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-2501736192439852111?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/2501736192439852111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=2501736192439852111' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/2501736192439852111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/2501736192439852111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/09/hq-festival.html' title='HQ Festival'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-iqX0yATjbI0/Tmo_yb9LnAI/AAAAAAAAD7w/hp7sfQ03sIc/s72-c/cartaz-hqfestival-2011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-6839010782063113059</id><published>2011-09-01T07:04:00.000-07:00</published><updated>2011-09-01T07:17:06.139-07:00</updated><title type='text'>"Melancolia", pré-estréia.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-AQGilxx7Shc/Tl-Rc_qcnbI/AAAAAAAAD6s/AE9QnChpJ_o/s1600/MelancholiaCloseToEarth.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 170px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-AQGilxx7Shc/Tl-Rc_qcnbI/AAAAAAAAD6s/AE9QnChpJ_o/s400/MelancholiaCloseToEarth.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5647392385057725874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7xXyWyee2mA/Tl-SIcpZEWI/AAAAAAAAD68/fTEgGHF1M5E/s1600/melancholia-movie-image-set-photo-01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 198px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-7xXyWyee2mA/Tl-SIcpZEWI/AAAAAAAAD68/fTEgGHF1M5E/s320/melancholia-movie-image-set-photo-01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5647393131572302178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O que esperar de Lars von Trier,  depois daquele prólogo extasiante de “Anticristo” ? Ao assistir a  “Melancolia” tive a sensação de que o diretor dinamarquês talvez não  tenha superado de todo, o estado depressivo que o abateu há quatro anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Assim, como no seu filme anterior, protagonizado por Willem Dafoe e  Charlotte Gainsbourg, o diretor cria uma atmosfera claustrofóbica, dessa  vez, porém, evoca características do movimento romântico alemão,  fazendo um contraponto entre a irmã mais velha e racional Claire  (Charlotte Gainsbourg) e a mais nova e emocional Justine ( Kirsten  Dunst).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-nDUtfPNmT2Y/Tl-SxAXBOQI/AAAAAAAAD7I/uVysb6MyTJs/s1600/melancolia_foto_19.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 252px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-nDUtfPNmT2Y/Tl-SxAXBOQI/AAAAAAAAD7I/uVysb6MyTJs/s320/melancolia_foto_19.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5647393828353685762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O prólogo, em super slow, não arrebata como em “Anticristo”, mas  antecipa um estado angustiante que se tornará a marca do filme,  sobretudo na segunda parte. As cenas, em câmara lentíssima, embaladas  por Wagner, mostram-nos situações aparentemente sem sentido, mas que à  medida que a projeção prossegue, tornam-se compreensíveis. O mundo já  está se decompondo, antes mesmo da chegada do planeta “Melancolia”, só  que von Trier carrega nas tintas artificiais no seu balé destruidor,  abortando um possível estado de deslumbramento no espectador. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Corta. Tem início o capítulo dedicado a Justine, que está prestes a se  casar. A festa do enlace matrimonial acontecerá na casa de Claire, um  castelo suntuoso onde mora com o marido (Kiefer Sutherland) e o filho  pequeno. Todos parecem estar felizes, menos a noiva. Justine não é muito  ligada em seguir regras, cumprir rituais, ainda que quase sua vida  inteira, suas vontades tenham sido mediadas pelos parentes. Agora, no entanto, sua vontade prevalecerá, mesmo que o resto da  humanidade desaprove seus atos. Mas se não pode ser feliz casando,  sozinha, poderá ser ? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Na segunda parte do filme, as atenções estarão voltadas para Claire, que  apesar de racional é tão frágil quanto a irmã. Acompanhamos seu esforço  para tirar Justine de um estado depressivo, ao mesmo tempo em que ela  própria, se encaminha para um abismo de medo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-QtM91rTvkPM/Tl-TeuBIJmI/AAAAAAAAD7Q/U8Jkya31b2w/s1600/Melancholia_poster.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 277px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-QtM91rTvkPM/Tl-TeuBIJmI/AAAAAAAAD7Q/U8Jkya31b2w/s400/Melancholia_poster.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5647394613704009314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Seu marido, um astrônomo amador, confirma a aproximação de um planeta  gigante, à órbita da Terra, mas garante que “Melancolia” não se chocará  com ela. Claire não acredita na teoria e começa a pesquisar na internet,  qual a real situação desse encontro planetário. Sua vida fútil e óbvia  será sacudida pela iminência de uma destruição total do mundo. Haverá  tempo para se redimir com Justine ? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A resposta pode ser conferida a partir de hoje, às 19h10, na pré-estreia  do filme no Cinemark Riomar. Amanhã, o filme passa a ser exibido às  14h, no Cine Cult do Cinemark Jardins. Na próxima semana, o filme terá  duas sessões especiais, na terça (06/09) e quinta-feira (08/09), às  21h25. Imperdível!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Texto: Suyene Correia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bangalocult.blogspot.com/"&gt;Bangalô cult&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-6839010782063113059?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/6839010782063113059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=6839010782063113059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/6839010782063113059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/6839010782063113059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/09/melancolia-pre-estreia.html' title='&quot;Melancolia&quot;, pré-estréia.'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-AQGilxx7Shc/Tl-Rc_qcnbI/AAAAAAAAD6s/AE9QnChpJ_o/s72-c/MelancholiaCloseToEarth.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-8321679654507514608</id><published>2011-08-27T12:48:00.000-07:00</published><updated>2011-08-28T06:34:41.924-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>A Esquerda Brasileira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-cCVWNcdJgBY/TllNm76-dEI/AAAAAAAAD58/AUMvMfTH0g8/s1600/esquerda.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-cCVWNcdJgBY/TllNm76-dEI/AAAAAAAAD58/AUMvMfTH0g8/s200/esquerda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645628939201049666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O professor de  serviço social e pensador marxista José Paulo Netto explica a história da esquerda no  Brasil e seus desdobramentos no momento atual em entrevista  para o site da revista Caros Amigos, em razão do &lt;a href="http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/component/content/article/107-edicoes-anteriores/1889-debate-caros-amigos-sobre-a-esquerda-no-brasil"&gt;lançamento da edição especial "Dilemas e Desafios da Esquerda Brasileira"&lt;/a&gt;. Confira: &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Por Tatiana Merlino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Quando se poderia afirmar que surgiu uma esquerda no Brasil?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-YLgjejFGe-s/TllODAkQwaI/AAAAAAAAD6E/-27ZS6YBHzw/s1600/apagando-a-memoria1.png"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 176px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-YLgjejFGe-s/TllODAkQwaI/AAAAAAAAD6E/-27ZS6YBHzw/s200/apagando-a-memoria1.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645629421484294562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sem pretender rigor cronológico, diria que se pode falar em uma  proto-história da esquerda brasileira a partir da última década do  século 19 e nos primeiros anos do século 20. Pense-se, para ficarmos em  exemplos conhecidos, nos nomes de Silvério Fontes, em parte da atividade  de Euclides da Cunha e mesmo nas posições de Lima Barreto. Mas, com  rigor, penso que a história da nossa esquerda tem mesmo o seu momento  fundacional com a atividade dos grupos anarquistas, especialmente em São  Paulo e no Rio de Janeiro, no período imediatamente anterior à Primeira  Guerra Mundial. Julgo correta a afirmação de que os anarquistas  inauguraram a história da esquerda no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Qual foi a influência da imigração europeia na consolidação de uma ideologia de esquerda no Brasil?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-V9Wvgwb5buw/TllOcXOdO-I/AAAAAAAAD6M/rJsDqXOXWYM/s1600/capa_esquerda_b-1.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 164px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-V9Wvgwb5buw/TllOcXOdO-I/AAAAAAAAD6M/rJsDqXOXWYM/s200/capa_esquerda_b-1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645629857063582690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Esta influência foi absolutamente fundamental – não por acaso,  mencionei, acima, que os anarquistas inauguraram a história da esquerda  em nosso país. E sabemos do papel dos imigrantes neste processo (aliás, a  oligarquia percebeu-o claramente: recorde-se a “lei celerada”, de  1907). Mas é necessário enfatizar que não se tratou de nenhuma  transplantação artificial: a incipiente industrialização criava as  condições para que as ideias difundidas pelas lideranças anarquistas  penetrassem com força no nascente movimento operário. A greve de 1917,  em São Paulo, mostra-o suficientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Que ideias os imigrantes trouxeram?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não cabe aqui, suponho, sumariar o ideário anarquista (que, diga-se de  passagem, chega-nos como um caldo de cultura bastante heterogêneo). A  mim, parece-me que o mais significativo pode ser resumido em dois pontos  elementares: a defesa da dignidade do trabalho e do trabalhador e a  definição claríssima das linhas básicas do antagonismo entre os  interesses dos trabalhadores e os da oligarquia. Num país onde a herança  do escravismo, ademais de pesadíssima, estava muito viva, a simples  afirmação dos direitos civis e políticos do trabalhador “livre” já era,  em si, revolucionária. Quanto à determinação das lutas de classes, o  princípio da autonomia política dos trabalhadores (mesmo que, para os  anarquistas, isto significasse uma recusa da intervenção política  institucional, o que se demonstrou insustentável), no Brasil nós o  devemos aos anarquistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Quais eram as correntes que atuaram no país no começo do século 20? Como era tal atuação?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-NiwbWDzcuSs/TllO3nG5kBI/AAAAAAAAD6U/-4Jkl2QgSYA/s1600/convitedebateesquerda2.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 173px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-NiwbWDzcuSs/TllO3nG5kBI/AAAAAAAAD6U/-4Jkl2QgSYA/s400/convitedebateesquerda2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645630325183320082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;À mobilização anarquista, a oligarquia respondeu imediatamente (para  além da repressão) com o estímulo ao sindicalismo “amarelo”,  explicitamente bancado pelo governo federal (pense-se, por exemplo, no  esforço de Mário Hermes da Fonseca, filho do Presidente da República,  para a criação do “peleguismo” no IV Congresso Operário, realizado no  Rio de Janeiro). No período que sucede imediatamente à Primeira Guerra  Mundial, o movimento operário tem a sua dinâmica fundada no confronto  entre estas duas tendências. E suas formas de intervenção eram, é óbvio,  inteiramente diversas: os anarquistas jogavam forte na criação de  condições ideológicas constitutivas da consciência classista (sua ênfase  na educação e na imprensa independente são seus traços característicos)  e apostavam na ação direta; os “amarelos” incorporavam a ideologia da  colaboração de classes e se subordinavam às diretrizes  legal-institucionais da oligarquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Como foi o processo que resultou na criação do PCB? Quais foram as forças que o formaram?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não estou em erro, diria que o PCB (fundado em março de 1922)  resulta da confluência de dois vetores: o exaurimento do poder de  atração do anarquismo entre os trabalhadores e o impacto da Revolução de  Outubro. A greve de 1917, que pôs a correr, em São Paulo, as  autoridades e deixou a capital nas mãos dos trabalhadores – ponto mais  alto da intervenção anarquista em nosso país –, também deixou a nu a  incapacidade do anarquismo para tratar a questão do poder. O impacto da  Revolução Russa conferiu grande prestígio (o que, aliás, foi um fenômeno  mundial) ao comunismo, num primeiro momento inclusive entre os  anarquistas. Evidentemente, não se esgotam nestes dois vetores as bases  para o surgimento do PCB – para compreendê-lo, é necessário observar as  mudanças societais que estavam em curso, mesmo larvares, no país, que  alteravam claramente a estrutura de classes e as práticas políticas  (pense-se, aqui, no que o “tenentismo” sinalizava) e atingiam inclusive  as expressões estéticas (não é casual, ainda que expressando posições de  classe muito diversas, que o PCB seja coetâneo ao Modernismo). Importa  observar que o surgimento do Partido Comunista no Brasil, à diferença do  ocorrido em muitos outros países, inclusive da América Latina, não se  beneficiou da existência do que podemos designar como “cultura  socialista”: aqui, o peso do anarquismo na fundação do PCB (lembre-se  que o nome mais conhecido dentre os fundadores era o de Astrogildo  Pereira, que provinha do anarquismo) foi hipertrofiado precisamente pela  ausência de qualquer outro componente significativo de esquerda – não é  por acaso que, no PCB, manifestam-se precocemente divergências de monta  (por exemplo, já em 1927-1928).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Como se desenvolveu a esquerda durante o Estado Novo, o que ela enfrentou, como atuou?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado Novo se ergue após uma séria derrota da principal força de  esquerda operante no país a partir do segundo terço da década de 1930 –  refiro-me ao PCB que, após a ilegalização da Aliança Nacional  Libertadora (que, de fato, era uma frente que incluía outras forças além  do PCB), lidera a tentativa de tomada do poder em novembro de 1935.  Durante os anos de 1938 a 1943, período em que o Estado Novo se manteve  em face de uma oposição imobilizada pela repressão (mas não só), a  intervenção da esquerda foi praticamente nula. O próprio PCB (que, à  época, assistiu ao surgimento de outras frações comunistas, como, por  exemplo, aquela animada por Hermínio Sacchetta) praticamente desaparece  como organização entre os finais dos anos 1930 e a realização da célebre  “Conferência da Mantiqueira” (1943). É somente a partir de 1943 – e não  se subestime nisto a viragem que ocorre no decurso da guerra,  especialmente após a vitória soviética em Stalingrado – que se pode  falar de uma retomada da intervenção da esquerda, inclusive com o  surgimento de uma esquerda não-marxista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - E durante o intervalo democrático entre 45 e 64?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que devemos ter alguma cautela ao mencionar o período 1945-1964  como um “intervalo democrático” – não nos esqueçamos que o Governo Dutra  foi emblemático da Guerra Fria que nascia com o seu zoológico  anticomunismo: foi, dos governos “constitucionais”, um dos mais, senão o  mais, antidemocrático que tivemos. A repressão que então se abateu  sobre o movimento operário-sindical responde, em grande medida, pela  interrupção do crescimento da esquerda, visível em 1945-1946. Mas esta  repressão não impediu a intervenção significativa da esquerda, seja no  próprio período Dutra (evoque-se o papel do Partido Comunista na luta  rural de Porecatu, no Paraná), seja na abertura dos anos 1950, em  especial no movimento operário-sindical, quando os comunistas  estabelecem, de fato, uma aliança com setores do Partido Trabalhista  Brasileiro (o PTB de Vargas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu juízo, é na segunda metade  da década de 1950 – mais precisamente, após o suicídio de Vargas e a  intentona golpista de 1955 – que podemos registrar um efetivo  crescimento da esquerda no país. No período posterior a 1955, são  constituintes deste crescimento dois fenômenos: a crise e a recuperação  do PCB e o surgimento de forças de esquerda independentemente da  influência do PCB. Conhece-se a crise do PCB na imediata sequência do XX  Congresso do PCUS (fevereiro de 1956): a chamada “denúncia do culto à  personalidade” de Stalin leva o PCB, desde 1945 fortemente stalinizado, a  uma crise que põe o partido no fundo do poço. Somente em 1958, mediante  uma “nova política” (cuja formulação inicial está na discutida  “Declaração de Março”), o partido dos comunistas ganha um novo fôlego,  que lhe permitirá ser uma referência nos anos seguintes (apesar da  fratura que sobrevém em 1962 e que dá origem ao PC do B).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é  também no fim dos anos 1950 que surgem núcleos de esquerda, marxistas e  revolucionários, que não carregam a hipoteca do stalinismo que marcara o  PCB. Este movimento, que se tornará inteiramente visível na entrada dos  anos 1960 e que enriquece a esquerda, não expressa tão somente a  dinâmica da sociedade brasileira, mas também sinaliza giros ocorrentes  em outras experiências políticas (ademais da Revolução Chinesa, incide  aqui, poderosamente, o influxo das lutas de libertação nacional em todo o  à época denominado Terceiro Mundo e, particularmente nos anos  seguintes, da Revolução Cubana). Creio que é preciso estudar com mais  cuidado estes anos férteis para a esquerda brasileira, quando o PCB  perde o monopólio do marxismo entre nós – e o marxismo se espraia para  muito além das fronteiras do PCB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transição dos anos 1950 aos  1960 é de crescimento (inclusive orgânico-partidário) da esquerda  brasileira – e isto vale, a meu juízo, tanto para o PCB como as outras  frações emergentes fora do circuito da tradição marxista. Penso na  constituição de setores socialistas em partidos inteiramente alheios a  esta tradição (basicamente no PTB) e no aparecimento de segmentos  socialistas laicos vinculados a diferentes igrejas, embora com  visibilidade maior para os de extração católica (em função, inclusive,  do ponderável redirecionamento da Igreja a partir do papado de João  XXIII). É mais ou menos claro que este crescimento da esquerda (e, em  todas estas respostas, estou designando por “esquerda” um leque muito  amplo e heterogêneo de forças, cujo denominador comum me parece ser o  antiimperialismo e a crítica à ordem burguesa numa perspectiva voltada  para o futuro, excluindo-se, pois, o anticapitalismo romântico próprio  da direita restauradora) expressou, naqueles anos, um efetivo processo  de democratização da sociedade brasileira – processo ele mesmo  relacionado às mudanças estruturais em curso (consolidação da  industrialização substitutiva de importações, urbanização etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - O que representou o golpe de 64 para a esquerda no Brasil?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo o golpe do 1º de abril conforme a brilhante caracterização de  Florestan Fernandes: foi parte de um processo mundial de  contra-revolução preventiva. Representou, para as massas trabalhadoras  brasileiras, a liquidação de um processo de democratização que  certamente conduziria a profundas modificações econômico-sociais,  capazes de desobstruir a via para o rompimento da nossa heteronomia  econômica. Para a esquerda, foi uma derrota de enormes implicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também entendo que a esquerda laborou em equívocos e cometeu erros que  facilitaram o golpe e a instauração da ditadura. Mas, ao contrário de  muitos analistas, não debito a derrota de abril aos equívocos e erros da  esquerda: o golpe, parte da mencionada contra-revolução preventiva,  deve ser explicado pela natureza da dominação de classe exercida no  Brasil pela burguesia. Naquele momento, incapaz de ser classe dirigente,  ela escolheu, conscientemente, enquanto classe, ser classe dominante – e  armou um esquema de alianças, nacionais e internacionais, que lhe  possibilitou, durante quase 20 anos, instaurar o que o mesmo Florestan  designou como autocracia burguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros  Amigos - Como avalia as diversas organizações que surgiram no  pós-golpe? Por que foram tantas, por que eram tantas correntes? Porque  não conseguiram se unir?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A unidade entre as forças  reacionárias e/ou conservadoras nunca constituiu um problema de vulto na  história política do século 20 – e se compreende a razão: seus  interesses econômicos têm fundamentos comuns e estão enraizados no  presente. No quadro da esquerda, a unidade é sempre problemática, porque  os enlaces se dão mais na prospecção do futuro do que na defesa de  interesses materiais imediatos; é problemática, mas possível, como  resultado de longos processos de debates, do conhecimento da experiência  histórica, de combates prévios travados em comum e, sobretudo, do  próprio nível de consciência das massas trabalhadoras, conquistado em  suas experiências diretas. Frente a um inimigo comum – como era o caso  da ditadura instaurada em 1964 e cujo caráter de classe se explicitou,  sem deixar margem a dúvidas, em 1968, com o AI-5 – seria esperável a  constituição de uma unidade entre as forças de esquerda. Sabemos que  isto não ocorreu. Muitas foram as causas da dispersão de esforços e de  combates. Penso que parte delas estava inscrita na análise que as  diferentes forças fizeram (ou deixaram de fazer) da natureza do regime  instaurado em 1964 e, ainda, das causas que permitiram a vitória das  forças de direita. Mas também pesaram as concepções estratégicas quanto à  derrota da ditadura, a extração de classe dos resistentes e a  conjuntura ideológica da época. Substantivamente, pesou igualmente a  ponderação diferente que as várias forças de esquerda (profundamente  debilitadas, pela repressão sistemática a que foram submetidas, em sua  relação com as massas trabalhadoras) faziam do papel a ser desempenhado  por estas mesmas massas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Como a luta de massa se organizou na segunda metade dos anos 70?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que estavam na direção mais correta aquelas forças (e este  foi, entre outros, o caso do PCB) que entendiam a derrota da ditadura  como resultado de lutas de massas. O fracasso do “modelo econômico” da  ditadura (evidenciado claramente a partir de 1974-1975), as divisões que  começaram a erodir a estreita base política do regime de 1964 e,  sobretudo, a até então lenta reinserção da classe operária na cena  política criaram as condições para que a resistência democrática  deixasse os nichos em que subsistia e ampliasse o seu raio de  influência. Frentes de luta até então subestimadas (contra a carestia,  pela anistia e mesmo processos eleitorais) ganharam uma ponderação até  então insuspeitada para muitos setores da esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Qual foi o papel desempenhado pelo sindicalismo no período pré-democratização?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, a resposta é simples: foi absolutamente fundamental. Mediante a  ação do movimento operário-sindical é que se processou a reinserção das  massas trabalhadoras (especificamente do proletariado) na cena política  brasileira. Até então, a oposição e a resistência à ditadura tinham uma  incontestável hegemonia burguesa (não se deve subestimar o papel do  falecido Movimento Democrático Brasileiro/MDB); mediante a ação  operário-sindical, que começa a ganhar vulto a partir de 1976-1977, a  oposição burguesa é afetada, sua hegemonia na resistência institucional é  ameaçada e a erosão do regime se acelera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Qual foi a importância da esquerda no fim da ditadura e na redemocratização do país?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já assinalei que a reinserção da classe operária na cena política, no  último terço da década de 1970, foi o componente central para a derrota  da ditadura. Foi através da dinamização do movimento sindical que esta  inserção se viabilizou – e teve como efeito a catalização das demandas  democráticas numa escala até então inimaginável, arrastando amplos  setores das camadas médias, da intelectualidade e até mesmo de segmentos  burgueses prejudicados no marco do “modelo econômico”. Não penso que  este arco de forças, originalmente, possa ser visto como uma criação da  esquerda – embora novos setores de esquerda e antigos militantes, que  puderam sobreviver à repressão, tenham tido papel significativo na sua  constituição. Mas é indiscutível que, com o quadro novo criado pela  movimentação operário-sindical, distintas forças de esquerda, operando  em especial a partir do fim do AI-5 e da anistia, deixaram a sua marca  no processo de derrota da ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Como avalia o processo de surgimento do PT, da CUT e do MST? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo que o surgimento do PT e da CUT estão diretamente ligados ao  que designo como reinserção da classe operária na cena política  brasileira – diria que ambos, emergentes nos anos 1980, são um fruto  daquele processo. E um processo daquela relevância origina naturalmente,  numa sociedade diferenciada e complexa, tal como já se apresentava a  nossa na abertura daquela década, distintas expressões políticas. Nas  suas origens, embora militando noutra organização política, vi o  surgimento de ambos como algo basicamente positivo – porém, sempre tive  preocupações em relação ao seu futuro, preocupações referidas à retórica  “esquerdista” e sectária (quem não se lembra daquela bobagem  eleitoreira de “trabalhador vota em trabalhador”?), às ligações  internacionais (especialmente no caso da CUT) e, muito especialmente, à  ignorância (nalguns casos, o desprezo) em relação ao passado de lutas  dos trabalhadores e das outras forças de esquerda. Mas, à época, debitei  tudo isto à necessidade natural de constituir uma identidade partidária  e confiei em que a presença de lideranças expressivas de lutas sociais  precedentes poderia fazer amadurecer esta identidade num sentido  efetivamente de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que é diferente o caso do MST.  Também fruto das condições que levaram à derrota da ditadura, o MST, a  meu juízo, tornou-se um movimento verdadeiramente autônomo, com  objetivos muito claros e uma estratégia de luta flexível e que leva em  conta a experiência do passado. É bastante provável, em função das  aceleradas transformações operadas no campo, que o movimento seja, na  atualidade, compelido a repensar-se e a repensar a natureza e a função  das suas lutas – mas me parece o único protagonista político  significativo que põe em prática algumas referências próprias da  esquerda, como a sistemática formação política e a solidariedade  internacionalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - O que representaram para a história da esquerda as eleições de 89?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balanço, feito à distância, do processo eleitoral de 1989 é  paradoxal. De uma parte, mostrou a força das aspirações democráticas num  momento preciso – o saldo eleitoral, do ponto de vista imediato, foi  notável: demonstrou a possibilidade efetiva de derrotar, nos marcos da  institucionalidade formal, as forças da direita, desde que se  realizasse, ainda que momentaneamente, uma unidade da esquerda e de  setores democráticos (recorde-se que tanto os partidos comunistas quanto  Covas e Brizola apoiaram Lula no segundo turno). De outra parte, o  ganho organizativo, para o conjunto da esquerda, parece-me que foi pouco  mais que residual – não teve a menor simetria com o ganho eleitoral.Mas  é preciso dizer outra coisa importante: ficou claro que a grande  burguesia, em processos eleitorais minimamente democráticos, não tinha,  no final dos anos 1980, a menor chance de se viabilizar se apresentasse o  seu próprio rosto (Collor nunca passou de um aventureiro político, que  não expressava organicamente os interesses do grande capital; foi apenas  um instrumento para evitar a vitória de Lula). E a grande burguesia  aprendeu a lição: no processo eleitoral seguinte, foi obrigada a usar,  para a defesa das suas posições, a maquiagem da esquerda – daí o seu  apoio a FHC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Como vê os rumos do PT desde então?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta a esta questão já está implícita linhas acima e, de algum  modo, inclui a pergunta subsequente. Os anos 1990 foram de um discreto,  aparentemente suave e efetivo deslizamento do PT para o centro – já no  primeiro confronto com FHC, desenhava-se o “Lulinha paz e amor”. Ao que  parece, no fim da década, a esquerda foi inteiramente neutralizada no  interior do PT – isto não significa, a meu juízo, que desde então  deixaram de estar presentes no PT militantes de esquerda sérios,  responsáveis e confiáveis. Mas tudo indica que são algumas rosas  vermelhas num grande campo de braquiária. Posso estar enganado, mas, a  partir de 2003, o PT converteu-se no gestor preferencial, para a grande  burguesia, deste país. Permita-me recorrer a algo menor, mas que me  parece extremamente simbólico: semana passada, a grande imprensa  noticiou que o ex-presidente da República fez uma viagem ao exterior num  jatinho de empresa do Grupo Gerdau, mantendo agradável palestra com o  patriarca da família. Não sei se é fato, mas sei que é emblemático.  Emblema de que já tivemos prova, aqui no Rio de Janeiro, há tempos:  quando do falecimento de Roberto Marinho, Lula veio ao velório  acompanhado de um séquito de ministros; no velório de Brizola, brilhou  pela ausência. (NOTA DO BLOG ESCARRO NAPALM: Há controvérsias. Lula atrasou o horário de uma viagem que faria a Nova York para comparecer ao velorio, onde esteve por poucos minutos e foi hostilizado por militantes do pdt, como pode ser conferido &lt;a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI329631-EI306,00-Lula+e+hostilizado+em+velorio+de+Leonel+Brizola.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Do mesmo PDT que, pouco tempo depois, se encastelou no Ministerio do Trabalho e lá está até hoje. "Assim que o presidente entrou no Salão Nobre, uma legião de militantes  do PDT começou a vaiá-lo e, em seguida, começaram a cantar "Você pagou  com traição, a quem sempre lhe deu a mão", canção imortalizada pela  cantora Beth Carvalho. Militantes do partido foram para cima da  comitiva, obrigando que policiais fizessem um cerco ao local. Os militantes pediram ainda a renúncia de Lula, gritando "Brizola  presente é o nosso presidente". Cantaram também trechos dos Hinos da  Independência e Nacional, e lembraram ainda o jingle de campanha de  Leonel Brizola nas eleições de 1989: "Lá, Lá, Lá-Brizola". O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, disse que era preciso dar  um desconto em razão do clima e da emoção que pairavam no local. "Há  aqui pessoas apaixonadas e chocadas com a morte de Brizola, mas voltando  todos para casa vão ver a grosseria que fizeram com Lula e com o  próprio Brizola. Se há pouco eles divergiam, é preciso lembrar que Lula e  Brizola lutaram a maior parte do tempo juntos, praticamente a vida  toda, ficando no mesmo lado por muito mais tempo. E neste sentido é  descabido ajuizar quem tem razão".)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Quais foram os efeitos da década neoliberal na esquerda brasileira?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os efeitos – ainda que indiretos, mediatos e que precisam ser  relacionados aos impactos derivados da queda do “Muro de Berlim” – foram  catastróficos em todo o mundo e não se limitaram, obviamente, ao  universo ideológico e ao imaginário político: o preço da ofensiva do  grande capital foi e está sendo pago pelas massas trabalhadoras do mundo  inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a esquerda brasileira, os efeitos foram  imediatamente deletérios: o generalizado abandono do ideário socialista  e, no limite, a sua conversão numa social-democracia tíbia e tardia.  Forças que no passado tiveram expressiva participação na luta contra a  ditadura e pela democratização do país converteram-se ou em abertos  porta vozes da ordem (o caso do PT é certamente gritante, mas não se  esqueça o posicionamento junto com o DEM – com o DEM! – que os  ex-comunistas do PPS hoje efetivam) ou abdicaram do seu programa e da  sua autonomia na prática política (o caso do PCdoB). Evidentemente,  estamos defrontados com um processo social profundo, que não pode ser  creditado a personalidades ou a oportunismos de ocasião. De qualquer  forma, impera na esquerda “reciclada” pela ideologia dessa coisa  realmente reacionária que grosseiramente se chama neoliberalismo um  cinismo assombroso: ex-guerrilheiros que se tornaram paladinos da  “cidadania”, ex-líderes sindicais outrora extremamente radicais  defendendo/teorizando os/sobre a importância econômica e democrática de  fundos de pensão, ex-expoentes de partidos comunistas predicando que a  questão central sob o capitalismo está na distribuição e não no modo de  produção e coisas que tais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros  Amigos - O que representou a eleição de Lula em 2002 para a esquerda  brasileira? Como avalia desde então as forças de esquerda no país?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista político imediato, o resultado eleitoral de 2002 foi  uma derrota da direita e dos conservadores, uma derrota do grande  capital. Do ponto de vista simbólico, foi extremamente importante a  vitória de um líder político de extração operária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma coisa  foi a vitória eleitoral e outra, muito diversa, o desempenho político: a  enorme legitimidade que as urnas conferiram a Lula para empreender a  caminhada no sentido das grandes transformações econômicas e sociais foi  direcionada para outro rumo – à base da reiteração do fisiologismo  político, a adequação do minimalismo da política social à orientação  macro-econômica de interesse do grande capital. Lula realizou uma  eficiente gestão do status quo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fique claro que estou longe  de equalizar Lula (e tudo o que ele representa e expressa) a um líder  submisso à direita e aos conservadores ou um mero instrumento do grande  capital – mas seus dois períodos presidenciais estiveram aquém,  inclusive, de uma prática política “possibilista”. E seu principal  papel, no que tange à esquerda, foi desqualificá-la como capaz sequer de  um governo “diferente” – e não será fácil, para a esquerda, livrar-se  desta herança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Caros Amigos - Por fim, como o senhor avalia o atual momento da esquerda brasileira?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que se trata de uma conjuntura extremamente difícil (e, insisto,  trata-se de um quadro mundial, que não diz respeito somente ao Brasil). O  espectro da esquerda orgânica (bastante diferenciada: PCB, Psol, PSTU) e  da esquerda que ainda subsiste no interior de alguns partidos  (nomeadamente no PT) não reflete minimamente o peso potencial, mesmo que  hoje minoritário, da esquerda na sociedade brasileira (como se pode  constatar em movimentos como o MST e em grupos políticos minúsculos, mas  que podem ser expressivos futuramente). Como escrevi há algum tempo, o  nosso déficit é organizacional e ele não será superado da noite para o  dia – temos, a esquerda, um longo caminho a percorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A longo  prazo (por mais que esta expressão provoque um sorriso nos keynesianos),  sou otimista. As contradições e impasses da ordem do capital, inclusive  como se apresentam na periferia, são insolúveis no seu marco – não há  Bolsa Família, mesmo ampliado, que os resolva. As tensões acumuladas na  nossa formação social não podem ser anestesiadas sem limites. Tenho,  para mim, que está e continua em curso um processo de fundo que  implicará numa agudização das lutas de classes. Se a normalidade da  democracia formal não sofrer interrupção, a esquerda poderá  perfeitamente superar a sua debilidade organizacional – desde que  trabalhemos forte já desde agora – e cumprir o que dela se espera:  vencer a cronificação da barbárie pelo avanço na direção do horizonte  socialista.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;José Paulo Netto é professor emérito da UFRJ e professor da Escola Nacional Florestan Fernandes.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;"&gt;# # #&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="created"&gt;09 Dezembro 2009			&lt;/span&gt; 			 						- Tive o privilégio de conviver e aprender  com José Paulo Netto durante dez anos, como membros que fomos do Comitê  Central e da Executiva Nacional do PCB, a partir do VII Congresso do  Partido, em 1982.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1992, quando o PCB se dividiu em  dois, eu tinha certeza de que José Paulo não ficaria no PPS. Mas, para  ser franco, não tinha certeza de que, pelo menos naquele momento, ele  não ficaria no PCB. Aos olhos de grande parte da militância do Partido  da época, o Movimento em Defesa do PCB parecia quixotesco e ortodoxo.  Como muitos ex-militantes do PCB, José Paulo Netto, desde então, não  militou em qualquer partido.&lt;/p&gt;    &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mas ele nunca deixou de ser comunista.  Pelo contrário, transformou-se num dos mais importantes intelectuais  brasileiros da atualidade, dedicando sua vida à produção teórica, à luta  ideológica contra o capital e à formação política da juventude. Não  limitou a esfera de sua contribuição intelectual ao ambiente acadêmico.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;José Paulo também nunca se afastou do  PCB, colaborando com o Partido em diversas atividades e sobretudo na  formulação política, tendo participado destacadamente dos debates das  Teses ao XIV Congresso, juntamente com dezenas de comunistas amigos e  simpatizantes.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ou seja, ele havia saído formalmente do PCB, mas o PCB jamais saiu dele.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesta sexta-feira, 4 de dezembro de  2009, José Paulo Netto resolveu esta contradição. Voltou oficialmente ao  seu Partido, num singelo e emocionante encontro com uma delegação do  Comitê Central do PCB, na sede nacional do Partido, no Rio de Janeiro.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;A meu ver, José Paulo não voltou ao PCB  porque lhe deu saudades e muito menos por qualquer outra razão de  natureza pessoal. As Resoluções do XIV Congresso, a nossa coerência  política e a reconstrução revolucionária do PCB fizeram com que o  Partido merecesse a confiança dele em voltar a militar como intelectual  orgânico comunista.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;O PCB lhe recebe com carinho e orgulho, camarada José Paulo Netto!&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ivan Pinheiro - Secretário Geral do PCB&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=76:camarada-jose-paulo-netto-o-pcb-se-orgulha-e-se-engrandece-com-sua-volta-ao-partido&amp;amp;catid=29:organizacao"&gt;pcb.org.r&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4793536658109166560-8321679654507514608?l=escarronapalm.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escarronapalm.blogspot.com/feeds/8321679654507514608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4793536658109166560&amp;postID=8321679654507514608' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/8321679654507514608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4793536658109166560/posts/default/8321679654507514608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escarronapalm.blogspot.com/2011/08/esquerda-brasileira-em-retrospectiva.html' title='A Esquerda Brasileira'/><author><name>Adelvan Kenobi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06307759808605250885</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-cCVWNcdJgBY/TllNm76-dEI/AAAAAAAAD58/AUMvMfTH0g8/s72-c/esquerda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4793536658109166560.post-8607414634369379853</id><published>2011-08-26T05:46:00.000-07:00</published><updated>2011-08-29T17:29:59.740-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock'/><title type='text'>Esporro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-lQPvF1-NBqQ/TleWcHbc83I/AAAAAAAAD5k/bbf3mrt1U9Y/s1600/Pan%25C3%25A7o%2B01%2B-%2Bfoto%2Bmauro%2Bpimentel.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 265px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-lQPvF1-NBqQ/TleWcHbc83I/AAAAAAAAD5k/bbf3mrt1U9Y/s400/Pan%25C3%25A7o%2B01%2B-%2Bfoto%2Bmauro%2Bpimentel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645146067706901362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em um carnaval sem dinheiro, nem nada pra fazer, coloquei o 486 na  penteadeira da minha mãe, tostei sem ar condicionado com os 40 graus do  verão carioca e durante quatro dias praticamente escrevi um livro. Saí  colocando na telinha as histórias que vi e vivi intensamente no começo  dos anos 90 no rock underground do Rio de Janeiro como guitarrista do  Soutien Xiita. Tempos de guitarras altas, pessoas peladas, loucuras e  muito barulho. 'Esporro', meu terceiro livro, é sobre as esperanças da  juventude, cair na estrada, tocar, compor e viver o sonho do rock com  alguns amigos. &lt;span lang=""&gt;     &lt;p&gt;As fotos foram surgindo das gavetas de várias casas, os flyers e  cartazes perderam a poeira e os ácaros e foi todo mundo para o vidro do  scanner. De lá para as páginas do livro sob a diagramação e capa de  Flávio Flock, que viveu com a mesma intensidade os palcos toscos da  cida
