terça-feira, 1 de março de 2011

perfume de jasmim no ar ...

Os finais de semana parecem ter-se tornado os piores dias para a burocracia que dirige a China. O motivo é que mais uma vez, neste final de semana, foi feito um apelo através da internet para que os chineses, a maior população do planeta, fizessem manifestações, seguindo o exemplo da poderosa revolução árabe que sacode vários países. Os rebeldes chineses têm utilizado o fim de semana para tentar se organizar.

O nervosismo tem aumentado na elite burocrática e, a cada final de semana, aumenta o número de polícias colocados na rua para impedir a população de exercer um dos direitos democráticos mais elementares, que é o de protestar pelos seus direitos.

O temor de que a internet, que a juventude operária chinesa utilizou amplamente na poderosa onda de greves que varreu o país no ano passado, possa ser utilizada com um objetivo não muito agradável, como o de tentar derrubar o governo, fez com que este tenha aumentado o controle sobre a rede. A rede social LinkedIn estava inacessível, ao que parece, por obra e dedos do governo para, provavelmente, inibir a organização deste final de semana. A palavra “jasmim” foi apagada do dicionário burocrático chinês e, claro, da web.

Também a imprensa foi aconselhada a não circular nas áreas de prováveis manifestações. Altos escalões do governo também têm saído a público para dizer que a Revolução do Jasmim, como está sendo chamada a atual tentativa de mobilização, não terá lugar em território chinês.

Foram detidos também não se sabe quantos ativistas ligados à luta democrática chinesa.

Obama e outros líderes imperialistas de boca fechada

O curioso neste momento é o silêncio de Obama, Kan, Merkel, Sarkozy e outros líderes com relação aos ataques à democracia na China. Antes, os países chamados comunistas eram a verdadeira encarnação do diabo para os líderes ocidentais. Após a ascensão econômica da China, agora, a ditadura burocrática chinesa tornou-se grande “amiga”. Não é necessário ser nenhum doutor em ciência politica para saber que o que se prepara na China é algo muito mais sangrento do que Khadafi está fazendo na Líbia.

Quando a revolução varreu a burocracia dos países ligados e também a União Soviética, toda a atual liderança chinesa já tinha mais de 30 anos, e devem-se lembrar claramente de quantos dias foram necessários para que vários governos fossem derrubados. A posição da elite chinesa, baseada na experiência histórica e nos atuais acontecimentos árabes está bastante clara: repressão

A questão fundamental não é a de a China se ter transformado na segunda potência mundial. Diferente da União Soviética, o desenvolvimento econômico chinês criou uma interligação econômica fatal no sistema capitalista, uma espécie de pulmão, estômago, coração ou qualquer órgão vital do corpo humano. A derrubada do governo chinês neste momento, em que a revolução no mundo árabe está detonando a atual ordem mundial, não se trata apenas da perda das orelhas e dedos do corpo capitalista, mas sim, a mais completa falência do mesmo. Essa é a única explicação para o curioso silêncio das elites imperialistas frente aos atuais ataques contra a democracia feitos pelo governo chinês.

O que está em jogo na Revolução do Jasmim, na China, pode ser, principalmente, a existência do próprio sistema capitalista. Colocada sob esse prisma, o levante chinês promete ser grandioso e, ao mesmo tempo, sangrento. A elite chinesa tem plena consciência disso e tudo indica que, exatamente por isso, está à beira de um ataque de nervos. Bem, vamos esperar os próximos finais de semana…

NOTA DO EDITOR (Adelvan): Meio exagerados, para dizer o mínimo, alguns trechos e afirmações deste texto. Primeiro, não acho a tal "revolução árabe" tão poderosa assim, muito menos que ela esteja "detonando a atual ordem mundial". Não ainda. Vou começar a acreditar nisso se a onda chegar com força à Arábia Saudita. Até lá, os efeitos, a meu ver, serão secundários e facilmente contornáveis pelo "establishment". Segundo, esse papo esquerdoide de "existência do próprio sistema capitalista" em jogo é antiga e até agora não deu em nada. Por fim: "Quando a revolução varreu a burocracia dos países ligados e também a União Soviética" - que revolução ? Houve, na ocasião, um levante popular, sem dúvida, como está havendo agora, mas revolução é outra coisa. Segundo o dicionário Houaiss, a palavra revolução (do latim revolutìo,ónis: ato de revolver) designa "grande transformação, mudança sensível de qualquer natureza, seja de modo progressivo, contínuo, seja de maneira repentina"; "movimento de revolta contra um poder estabelecido, e que visa promover mudanças profundas nas instituições políticas, econômicas, culturais e morais". As atuais revoltas populares no mundo árabe não levaram ainda a "mudanças sensíveis" ou a "transformações profundas". Creio que a maioria dos analistas, tanto à direita quanto à esquerda, está se deixando levar pela empolgação. Ainda é cedo para saber se o que está acontecendo vai conduzir, realmente, a uma revolução, muito menos com repercussão global. Espero que sim - o mundo está precisando, mesmo, de uma sacudida ...

Publicado por Esquerda.net.
[01 de março de 2011 - 10h27]
Por Tomi Mori

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