
HOMEM MÁQUINA
Por Arthur G. Couto Duarte.
Situado na parte Oeste da Alemanha Ocidental, o vale do Ruhr se estende ao longo de uma área retangular de contornos irregulares, recortada pelo rio Reno e sua rede de afluentes. Hoje (NOTA: Essa matéria foi originalmente publicada no final dos anos 80), o Ruhr não é só o maior centro produtor de maquinaria pesada do país como também um dos mais portentosos complexos industriais do planeta. Foi nele que, em meados do século XIX, os alemães obtiveram o aço pela primeira vez, conquistando dessa maneira sua admissão na revolução industrial. Cerca de vinte quilômetros dali, e exposta aos efeitos nocivos dos detritos da Thyssen, Mannesmann, Klockner, Bayer etc., posta-se Düsseldorf, a capital do estado da Westfália.
Foi em meio a esse am
biente poluído por fumaça, lixo inorgânico, fuligem, entulho de carvão e substâncias químicas diversas que surgiu o Kraftwerk, talvez o mais importante e influente grupo eletrônico da música pop de todos os tempos. Não fosse ele, possivelmente boa parte das tendências musicais que despontaram nas duas últimas décadas - tecnopop, disco, cold wave, industrialismo, house, hip hop - sequer teria existido. Mais adiante, poderemos verificar como a referida situação geográfica foi crucial para a formulação dos temas da banda, especialmente a relação homem-máquina, sobre a qual o Kraftwerk veio a desenvolver uma filosofia bastante peculiar.
A origem do Kraftwerk pode ser detectada no semi-obscuro Organization, um quinteto de talhe psicodélico fortemente marcado pela música do Pink Floyd (leia-se o LP A Saucerful of Secrets, de 68). E no núcleo do Organization que vamos encontrar os músicos Ralf Hutter e Florian Schneider Esleben. De background clássico, os dois vinham trabalhando juntos desde 1967, apresentando-se esporadicamente em auditórios de colégios
Decepcionados com a fraca repercussão alcançada pelo Organization na Inglaterra, Hutter e Schneider tratam de voltar à Alemanha em 1970. Lá, criam o Kraftwerk, cujo nome quer dizer "Usina de Força", "Complexo Elétrico". Aqui, cabe um parênteses, o tal "complexo" a que se referiam não era outro senão o de uma refinaria abandonada de Düsseldorf onde faziam ensaios, e que também sediava o protótipo do estúdio do amigo Conny Plank (eminência parda do nascente kraut rock). Foi nessa instalação nada ortodoxa, tendo ao fundo a ruminação mecânica das fábricas, que forjaram o som duro e abrasivo característico de seus primeiros álbuns, Kraftwerk 1 (1970) e Kraftwerk 2 (1971).
Tais registros captam a dupla - junto a Klaus Dinger e Andreas Hohmann - realizando curiosas experimentações eletroacústicas, mediadas por instrumentos como o violino e a flauta, e pelos recursos tecnológicos de que dispunham na ocasião(ring modulators, alternadores de freqüência, phase shifters e um genial aparato de percussão operado por células fotoelétricas!). Em ambos, traços do rock progressivo inglês (notadamente o feito pela escola de Canterbury) e da música de vanguarda presente através das emanações das pesquisas de Terry Riley,
Já sem Dinger e Hojmann, mas mantendo Conny Plank no posto de engenheiro de som, o duo gravou seu terceiro LP em 1973. Batizado simplesmente Ralf and Florian, e gravado alternadamente em Düsseldorf, Colônia e Munique, esse disco é um passo significativo no processo evolutivo do grupo. De modo inesperado, a música do Kraftwerk abre espaço para temas mais arejados e de breve duração, em que o ritmo - até então obsessivo e rudemente metálico - se desdobra em células suaves, quase dançantes. Outros destaques são o uso do piano elétrico em seqüências circulares - que guardam semelhança com as criadas por Mike Ratledge no Soft Machine - e, principalmente, a maturação do conceito "Kraftwerk", algo que justifica o emprego do material tecnológico como única forma coerente de trabalho na sociedade contemporânea. Pode-se dizer que, para os membros do Kraftwerk, o fator-chave da compreensão do futuro é a técnica. E é por meio dela que organizam seus jogos sonoros.
Sintetizadores na linha de frente, Ralf and Florian se afasta do campo experimental violento para expor a beleza glacial da música cibernética em ambiências rarefeitas ("Heimatklange") e exóticas ("Ananas Symphonie", uma suíte psicoléptica emoldurada por ritmos latinos). Mesmo que se trate de uma peça de transição, as relações entre a psiquê humana e o funcionamento dos aparelhos computadorizados, que o grupo esmiuçaria posteriormente, já se deixam entrever aqui.
Apesar do charme das maquinações de Ralf and Florian, foi apenas no final de 1974 que o Kraftwerk começou a atingir o grande público. Em pleno auge do rococó sinfônico do ELP e do Yes, os alemães surpreenderiam o cenário rock com o notável Autobahn, que realizaram em parceria com os novatos Klaus Roeder e Wolfgang Flur.
Nessa gravação, o Kraftwerk pôde confirmar o distanciamento que guardava da chamada "corrente cósmica" (então em voga na Alemanha), ao valer-se da tecnologia de uma forma utilitária e racional. A "viagem" de que falam em Autobahn não está atrelada a vôos místicos ou prospecções transcendentais. Ao contrário, ela diz respeito à cinemática pura, ao estudo dos corpos
Se "Autobahn" providenciou a disseminação de uma outra música pop, a ingenuidade das relações de seus integrantes com a cúpula da gravadora Phonogram levou-os à exclusão dos lucros massivos advindos da venda do LP. Tudo graças à cessão dos direitos totais sobre a obra, pela irrisória quantia de dois mil dólares...
Deslizes financeiros à parte, o que "Autobahn" revelava de mais insólito era a capacidade de provocar empatia tanto nos apreciadores de música "séria" quanto nos freqüentadores das pistas de dança. Outra proeza foi a derrota da barreira lingüística (sua letra foi toda escrita em alemão) e da hegemonia do inglês nas charts de inúmeros países. Outra vez, Hutter e Schneider antecipavam os anos que viriam, marcando - quase vinte anos antes dos novos grupos da Europa Ocidental - a necessidade de criar sua própria identidade cultural.
Mais à frente, a não-captação dos royalties devidos à "Autobahn" seria compensada por um polpudo contrato com o Capitol.
O primeiro disco a ser gerado no novo selo sai em 1975: Radio-Activity . Além da defecção de Klaus Roeder (substituído por Karl Bartos), mudanças estéticas
- o visual hippie cultivado por barba e cabelos compridos dá lugar a uma asséptica imagem clean - e temáticas - a concentração do LP em um único leit-motiv, as ondas de rádio - se fazem acompanhar da máxima especialização de cada elemento. Assim, Florian passa a se dedicar à parte melódica e à execução dos instrumentos, Ralf concentra-se nos efeitos sonoros e os colaboradores Bartos e Flur assumem o papel de bio-unidades de percussão.
Vozes "tratadas", acontecimentos rítmicos factícios, repetição de padrões sonoros, pulsos elétricos e a esquematização das faixas segundo os efeitos provocados pelas ondas de rádio. Radio-Activity é o primeiro registro da banda a dispensar formalmente o uso da guitarra. Novamente referindo-se ao amanhã, encontramos aí o aproveitamento de emissões radiofônicas em colagens musicais, inauguradas por Stockhausen, que a dupla Brian Eno-David Byrne iria reexplorar cinco anos depois
Imediatamente menos acessível e dançante do que Autobahn, Radio-Activity também parece se preocupar em resgatar certos valores culturais alemães, sobretudo os que dizem respeito à tradição orquestral. E o que se conclui pela forma com que as vozes são manipuladas. Filtradas e desconectadas da obrigação de portar mensagens, elas subsistem apenas como sons. O mesmo vale para as palavras. Quando presentes nas "letras", estas funcionam no mais das vezes como pistas, códigos cifrados para a apreensão do real do mundo ocidental.
A esta altura, o grupo empreendia turnês com seu sofisticadíssimo equipamento portátil. Foi quando lapidaram o conceito de electronic body music (embora nos dias de hoje Luc Van Acker e Cia. reivindiquem a criação do termo), conforme Ralf Hutter expôs em janeiro de
Quem julgava esta e outras teorias como demasiado fantasiosas sobressaltou-se quando o Kraftwerk realizou uma insólita colaboração com a Companhia de Balé de Stuttgart. Através de uma aparelhagem inteiramente comandada por raios de luz, os bailarinos puderam tocar sua própria música eletrônica, ao mesmo tempo que proviam o acompanhamento para seus movimentos. Afinal, arte e ciência não eram tão incompatíveis assim!
O hiato compreendido entre Radio-Activity e o próximo disco foi preenchido pela coletânea Exceller 8, que saiu em alguns lugares com o cretino subtítulo "O Melhor do Kraftwerk"... Em
Depois do carro e do rádio, o Kraftwerk entregava-se à transmissão das emoções que alguém poderia experimentar durante uma viagem de trem pela Europa. A bordo, a concisão descritiva, a recorrência rítmica, o humor cool (que alude à falta de adaptação do ser humano frente ao progresso) e a linguagem binária computadorizada dão a tônica dessa sutil representação do utilitarismo de nossa era.
É 1977, e o radicalismo punk tom
a de assalto o velho continente com uma fúria indescritível. Sustentando o neoniilismo de forma tipicamente cool, na ocasião Ralf Hutter dirigiu-se aos jovens com a seguinte reflexão: "Estamos vivendo numa época em que existem coisas das quais não podemos mais nos esquivar. O que fazemos é uma ponderação acerca de tudo que nos rodeia. Isso é ciência. A ciência, assim como nós, é ambivalente: pode ser usada para destruir o homem com bombas ou para tornar a existência mais agradável pela Medicina... Podemos usar um martelo para bater na cabeça do vizinho ou para construir uma casa. Estou perto de que estamos demonstrando a essa geração, que está contra a ciência, a tecnologia, que com elas é possível realizar coisas construtivas para a humanidade".
O rock alemão, uma década à frente
A partir de 1973, as dissidências do Kraftwerk se reagruparão em algumas das mais inovativas formações da cena eletrônica alemã, Primeiro, Klaus Dinger (percussão) e Michael Rother - que foi membro do grupo, embora não apareça em nenhum disco - montam o Neu!, Sua escassa produção (três LPs, todos pelo selo alternativo Brain) é o que há de mais ousado no contexto minimal/tribal/eletrônico, chegando ao ponto de algumas faixas utilizarem mudanças na rotação do toca-discos para obter diferentes leituras, E isso uma década e meia antes dos DJ´s belas "inventarem" a new beat!
O Neu! rachou em 75 e, mais tarde, Michael Rother uniu-se aos integrantes do Cluster (Dieter Moebius e Hans-Joachin Roedelius) no trio Harmonia, um grupo bem mais próximo da clássica linha repetitiva eletrônica. São apenas dois discos: Musik from Harmonia e De Luxe, Já num idioma francamente rock, Klaus Dinger se estabeleceria ao lado de Hans Lampe, e Thomas Dinge (ambos ex-colaboradores do Neu!) no L.A. Düsseldorf.
Tangencialmente às criações de Dusseldorf, em Berlim o som eletrônico também grassou em fronts bastante singulares.
Era lá que se situava o Q.G. do Kos Mische Kurriers, movimento ideológico-místico-anarquista capitaneado pelo jornalista e agitador cultural Rolf-Ulrich Kaiser, e levado a cabo por bandas como Ash Ra Tempel, Popol Vuh, Mythos e Limbus. Toda sua efervescência procedia de uma espécie de retomada do movimento hippie (graças à mudança do guru do LSD Timothy Leary para lá) e do westcoast sound do final dos 60.
Isolados, mas não menos importantes, são os grupos Faust (oriundo da minúscula Wunne e que soa como um híbrido esquizóide de Captain Beefheart com o King Crimson), Can (o Velvet Underground germânico), Guru Guru (cujo primeiro LP Ufo merece ser ouvido até hoje), Tangerine Dream e os solistas Konrad Schnitzler, Klaus Schulze e Manuel Gottsching.
A conjunção dos insólitos métod
os do Kraftwerk aos esforços movidos por artistas e movimentos culturais afins - o futurismo italiano, o serialismo, a música eletrônica alemã dos anos 50, dadá, o surrealismo etc. - desencadeados ao longo do século XX permitiu que o grupo acenasse, em 78, com novas possibilidades de satisfação para as necessidades do ser humano. Temas como os presentes em Radio-Activity e Trans-Europe Express não só ativavam a rede de neurônios com cargas de uma simbologia reconhecível como também explicitavam de um modo prático e racional os mecanismos de adaptação à "nova era tecno" que, seguramente, já vivíamos desde então.
Catalisando sua ânsia por movimento e interferência, Ralf e Florian realizaram, neste ano um perfeito exercício de síntese chamado Man Machine, um trabalho que ultrapassava a mera totemização da tecnologia para elucidar em que níveis se dariam as fusões entre a matriz cibernética e o sistema nervoso. Realmente,
Man Machine foi um registro fundamental para que o público pudesse constatar que a evolução do Kraftwerk não se fazia apenas no campo sônico. Além de aperfeiçoar a autoproclamada "industrielle volksmusic", o grupo chamava cada vez mais a atenção pela extraordinária produção, dinamização do emprego do estéreo e exploração dos extremos da acústica; tudo isso em nome da estimulação de diferentes sensações.
Deve-se ressaltar, entretanto, que tal obsessão científica jamais seduziu seus integrantes a lançarem mão de descobertas controvertidas, tais como as ondas alfa e as freqüências subsônicas (algo que, sob o comando de Genesis P. Orridge, então com o grupo Throbbing Gristle, era utilizado sem maiores pruridos para induzir vômitos na platéia). Para o Kraftwerk, bastava o esquadrinhar da faixa sonora compreendida entre os vinte e os 20.000 hertz - aquela que é perceptível de forma consciente ao ouvido humano. Nesse sentido, o máximo que o grupo se permitiu nos shows foi a aplicação de inofensivos ionizadores de ambiente. Em termos de sistemas de operação, Man Machine revelou outras tantas novidades. Pela primeira vez, o Kraftwerk fez uma referência direta a um país não-europeu ocidental na capa, cuja arte é visivelmente inspirada nas criações do construtivista soviético Lissistky. E mais: o título aparece impresso nos idiomas inglês, francês, alemão e russo; sem dúvida, mais uma oportuna antecipação ao movimento "sem fronteiras" e à idéia de reunificação do velho continente.
Já estritamente em relação à música, Man Machine proporciona um experimento bem mais rítmico e físico que os antecessores, algo que pode ser melhor apreciado nos temas "The Robots" (que leva o vocoder até as pistas de dança) e "The Model" (mais tarde retomado em covers instigantes por artistas tão díspares quanto o guitarrista Philip Litman, aliás Sha Kefinger, e o bestial trio de Chicago, Big Black; o que por si só nos dá conta da universalidade das propostas do Kraftwerk). Outro belo momento é "Neon Lights", uma feérica narrativa acerca do esbatimento dos limites noite-dia, a partir da popularização do gás néon como fonte de luz nas grandes cidades. Simultaneamente desencantado e otimista, lá estava o Kraftwerk para novamente nos guiar por entre os meandros do cotidiano urbano.
Ao apresentar Man Machine ao vivo em Paris, Londres e Nova York em 79, o Kratfwerk viabilizou um dos mais elaborados espetáculos de luz e som jamais vistos em toda a história da música pop. Não satisfeito em revolucionar o approach audiovisual tradicional através de um estonteante bombardeio de borrões cromáticos, jorros de laser e vídeo especiais, os músicos chegaram ao cúmulo da ousadia quando propuseram seu afastamento do palco, substituindo-se por clones de si próprios, vestidos como na capa do disco (os "showroom dummies", surpreendentemente realistas), programados para executar movimentos e tocar em sincronia com música pré-gravada.
Encerrado esse estágio, o Kraftwerk permanece em animação suspensa por dois anos. A prolongada ausência foi compensada pelo providencial Computer World (81), álbum que, conforme o título já antecipava, tratava da crescente mediação do dia-a-dia do ser humano pelo contingente dos computadores. O disco gerou acirradas polêmicas entre a crítica. Para muitos, Computer World soava por demais previsível, correndo inclusive o risco de passar despercebido no meio da enxurrada de lançamentos da nova geração de synth-bands. Outra facção preferiu extrair dele mais um exemplo de fina ironia da banda. De fato, o tecnopop urdido pelo Human League, Soft Cell, Depeche Mode, Ultravox, Orchestral Manoeuvers In The Dark e outros menos votados não passava de um derivado da música dos alemães. Assim, poder-se-ia conjecturar que Ralf e Florian estivessem aí apenas se divertindo. O prazer de imiscuir-se despercebidamente na linha de frente da brigada tecno se equivaleria ao obtido durante suas "fugas" noturnas, quando iam dançar (discretamente vestidos e incógnitos) entre a gente comum que freqüentava as discotecas.
Seja como for, Computer World agradou em cheio aos fãs. Além de detonar as paradas do globo com os hits "Pocket Calculator" (um alien-funk cujo ritmo é fornecido por calculadoras de bolso), "Computer Love" (seu maior sucesso comercial desde a versão reduzida de "Autobahn", chegou a ser trilha de novela das oito no Brasil) e "Numbers" (este, tão irresistivelmente sacolejante que chegou a invadir a seletiva parada soul da Billboard!), de quebra recebeu uma indicação para o Grammy. O êxito da empreitada culminou numa bem-sucedida turnê pela Europa, ocasião que aproveitaram para testar o novo estúdio Kling Klang, inteiramente reformado e miniaturizado.
Ainda que tivesse sido efetivado por meio de aparelhagem ultra-sofisticada, Computer World estava longe de ser uma celebração inconseqüente à tecnologia de ponta. Subversivos à sua maneira, os membros do Kraftwerk deixavam claro em muitas músicas as dúvidas que guardavam em relação ao uso dos computadores como instrumentos de controle e manipulação social. Era disso que tratava a faixa-título, por exemplo, em que os computadores apareciam integrados a um sistema de rastreamento da Interpol, FBI e Scotland Yard. Dessa forma, ao criar música aparentemente pueril a partir de calculadoras de bolso, era como se o Kraftwerk estivesse querendo alertar o mundo que já estava passando da hora de alguém utilizar a tecnologia como um mecanismo de autoconhecimento e resistência.
Em 82, o grupo permaneceu enfurnado no "jardim eletrônico" (como carinhosamente chamavam seu estúdio de Düsseldorf), desapontando aqueles que ansiavam por uma seqüência imediata a Computer World. Nessa época, circularam rumores de que Ralf Hutter encontrava-se em estado de coma, devido a um traumatismo craniano que teria sofrido após um acidente de bicicleta. Entretanto, amigos íntimos dos músicos não cansavam de asssegurar que tanto Hutter quanto os demais encontravam-se em perfeitas condições de saúde.
Enquanto a boataria rolava solta, a música do Kraftwerk ia ultrapassando os limites arbitrados para o pop, sendo utilizada não só como mero entretenimento, mas também com fins educacionais (em jardins da infância) e terapêuticos (em hospitais psiquiátricos). A esse respeito, Florian Schneider não se privou de formular uma curiosa correlação música eletrônica psicanálise: "Os instrumentos eletrônicos programáveis são espelhos nos quais podemos projetar nossos pensamentos. Sendo assim, o sintetizador não é nada mais que um instrumento freudiano, um instrumento psicanalítico. Não nos sentimos plenamente satisfeitos com as possibilidades que o sintetizador nos proporciona atualmente, mas esperamos que ainda se possa avançar mais nesse terreno..."
O cinema também foi outra área investigada pelo Kraftwerk. Apesar de deixarem claro que não tinham qualquer interesse por roteiros intelectualizados, os músicos colaboraram com o diretor inglês Christopher Petit no filme experimental Radio On (79). Parcerias semelhantes ocorreram nos longas Chinese Roulette e Berlin Alexanderplatz, ambos de Fassbinder. Como conseqüência óbvia desse flerte com o cinema, em 88 o Kraftwerk gravou o maxi-single "Tour de France", cuja música foi veiculada como trilha sonora das retransmissões televisivas da homônima prova ciclística. Ao avaliar o ineditismo desse trabalho anos mais tarde, Ralf Hutter elucidou dessa forma a fonte de sua concepção: "´Tour de France´ era bastante autobiográfica. Até hoje, andamos muito de bicicleta. Para nós, a bicicleta é um símbolo da autodeterminação, da liberdade: com ela, o homem-máquina transforma-se numa máquina
Depois da edição de "Tour de France", o Kraftwerk mergulhou em outro período de silêncio, estimulando o aparecimento de nova onda de boatos. Entre inúmeras notícias extra-oficiais, uma dava conta do eminente lançamento de um disco chamado Techno Pop. "Espiões" chegaram a garantir que o mesmo teria quatro longas faixas, e que o grupo o apresentaria ao vivo trajando camisetas e shorts de banho! Mas de todo esse diz-que-diz, a história mais pitoresca tinha como pivô o então presidente da Elektra, gravadora que passara a distribuir os discos da banda nos EUA. Segundo fontes seguras, ele teria voado pessoalmente até Düsseldorf para capturar a mixagem matriz do suposto Techno Pop. Depois de muitas renegociações, e finalmente de posse da fita, voltou a Nova York, onde convocou uma reunião extraordinária da diretoria para ouvir o tão esperado disco. Mas, ao abrir a caixa que recebera, verificou que a mesma encontrava-se... vazia!
De concreto, tudo o que se viu do Kraftwerk em 84 foi o relançamento de Autobahn. Os fãs precisaram esperar até 86 para serem brindados com uma gravação inédita: o álbum Electric Cafe. Cercada por uma trama de peculiaridades, a gravação atesta o advento de uma nova linguagem mutante, em que as palavras de uso comum são abolidas em favor de sons autenticamente maquinais. Como na faixa de abertura, em que a repetição e modificação das onomatopéias "boing boom tschak" articula o conceito. A noção não era propriamente uma novidade. Nos 70, Florian Schneider já afirmava que "a palavra é uma tradição herdada da Bíblia. Nela, a linguagem é considerada como a arte mais elevada: ´no princípio era o Verbo´. Mas para nós isso já terminou. Existem novas coisas no ar, coisas muito rápidas, elétricas... O mais grave nessa história é a constatação de que as palavras funcionam, atualmente, como barreiras em nossos cérebros, um software anestesiante com o qual somos alimentados por nossos pais, pelos sistemas educacionais... Talvez seja necessário que alguém invente uma nova linguagem sintética".
Paralelamente, o disco conclamava os povos a abdicarem de abstrações como bandeiras, hinos nacionais e passaportes, ao servir uma salada de palavras em múltiplos idiomas - no trecho em português "Música eletrônica / figura rítmica / até política / na era atômica". Certamente, tais fusões eram a garantia de que a nova Babel futurista seria onívora. O lado um de Electric Cafe - em que três faixas robóticas se interpenetram numa primorosa amostra de técnicas de edição - flui em meio a conjunturas rítmicas sobrepostas, programas tímbricos e ruídos sintéticos. Por meio dele o Kraftwerk responde definitivamente (no território pop) ao serialismo total aventado pela escola de Darmstad, Alemanha - Boulez, Berio, Henze e Maderna, entre outros - no começo do século. No reverso, se não há nada com tal impacto, levadas dançantes permitem uma oportuna revisão da gestalt aplicada a "Tour de France".
Sons eletrônicos e sintéticos, ritmos industriais e - independente do que possam vir a nos apresentar no futuro - as quase duas décadas de atividade desses operários da eletrônica possibilitaram não apenas que a vanguarda encontrasse mais canais de comunicação com o público em geral, como o rompimento dos contrastes existentes entre a fria tecnologia e a produção musical popular. Deixo as palavras finais a Ralf e Florian: "A música não deve ter um papel direto na sociedade, mas deve ser capaz de se fazer permanentemente presente. A arte deve existir por si mesma. Na arte, trabalha-se durante anos até que se possa encontrar verdades básicas que satisfaçam o artista. Nós fazemos isso no cerne do mundo eletroacústico. Nos consideramos um laboratório. Investigamos até encontrar algo; então, gravamos isso em disco e tocamos num concerto, para apresentá-lo às pessoas. Simples assim".
Discografia
LP - KRAF7WERK 1 (71, Philips/AL); LP - KRAFTWERK 2 (72, Philips/AL); LP - KRAF7WERK (reúne os dois primeiros em única edição, 73, Vertigo/GB); LP - RALF AND FLORIAN (73, Vertigo/GB/EUA:, PolyGram/BR); LP - AUTOBAHN (74, Vertigo/GB, relançado pela Warner em 84 e Elektra em 88, PolyGram/BR); CS - "Autobah" (75, Vertigo/GB); LP - RADIO-ACTIVITY (75, Capitol/EUA, EMI/BR); LP - EXCELLER 8 (coletânea, 75, Vertigo/GB); LP - TRANS-EUROPE EXPRESS (77, Capitol/EUA, EMI/BR); CS - "Neo Lights" (78, Capitol/EUA); LP - THE MAN MACHINE (78, Capitol/EUA); LP - RADIO ON (trilha sonora com as faixas "Radio-Activity","Ohm, Sweet Ohm" e "Trans-Europe Express", 79); CS - "Podet Calculator" (81, EMI); CS - "The Model"/"Computer Love" (81, EMI); LP - ELEKTRO KINETIK (coletânea, 81, Vertigo/GB); LP - COMPUTER WORLD (81, Warner/EUA, relançado pela Elektra em 88, WEA/BR); CS - "Showroom Dummies"/"Europe Endless" (82, EMI/EUA); EP - TOUR DE FRANCE (83,EMI/EUA/BR); LP - BREAKDANCE - THE MOVIE (trilha sonora com a faixa "Tour de France", 84, Polydor); LP - ELECTRIC CAFE (86, Warner/EUA, relançado pela Elektra em 88, WEA/BR)
NEU!: LP - NEU! (73, Brain/AL); LP - NEU! 2 (74, Brain/AL); LP - NEU! 75 (75, Brain/AL).
HARMONIA: LP - MUSIK VON HARMONIA (*,Brain/AL); LP - DELUXE (* Brain/AL)
MICHAEL ROTHER (com Jaki Liebzeit e Conny Plank): LP - FLAMENDEN HERZEN (77, Sky/AL); LP - STERNTALER (78, Sky/AL);LP - KATZENMUSIK (79, Sky/AL).
* Não foi possível precisar a data. Provavelmente entre o fim do Neu! e os discos solos.
CONVENÇÕES
LP - Álbum Simples; CS - Compacto Simples; EP - Extended Play. AL - Alemanha; BR - Brasil; EUA - Estados Unidos; GB - Grã-Bretanha.
Publicado originalmente na revista Bizz.
ADENDO (Fonte: Wikipedia)
Depois de anos sem apresentações ao vivo, o Kraftwerk voltou a fazer turnês novamente no final dos anos 90. Ralf queria tocar cada vez mais, mas a dificuldade em transportar os equipamentos analógicos limitou as viagens para fora da Europa. Após a saída de Flür e Bartos, vários outros músicos, como Fritz Hilpert e Henning Schmitz apareceram na formação do Kraftwerk.
Em meados de 1999, as gravações originais de Tour de France foram finalmente lançadas em CD, indicando um reinício das atividades da banda. O single Expo
Em 2000, o ex-membro Flür publicou uma autobiografia na Alemanha, Kraftwerk: I Was a Robot, revelando vários novos detalhes sobre a vida da banda. Hütter e Schneider mostraram, no entanto, hostilidade à obra.
Em Agosto de
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Organisation - Tone float [ pré-Kraftwerk album ] 1970
ht*tp://rapidshare.com/files/73064553/Kraftwerk_-_Tone_Float__1970_.zip
01.Organisation - Tone Float
02.Organisation - Milk Rock
03.Organisation - Silver Forest
04.Organisation - Rhythm Salad
05.Organisation - Noitasinagro (Bonus Track)
06.Kraftwerk - Vor Dem Blauen Bock (Beat Club TV Theme)
Kraftwerk - Ralf & Florian (1973)
http://rapidshare.com/files/54520732/Ralf___Florian_by_L-911.rar
*Pass: www. mediaportal.ru
01 Elektrisches Roulette (4:19)
02 Tongebirge (2:50)
03 Kristallo (6:18)
04 Heimatklange (3:45)
05 Tanzmusik (6:34)
06 Ananas Symphonie (13:55)
Kraftwerk - Kohoutek-Kometenmelodie (1974)
ht*tp://rapidshare.com/files/36658973/TrianKKK.zip
*Pass : djtrian.blogspot.com ]
A1.Kohoutek-Kometenmelodie
B1.Kohoutek-Kometenmelodie
Autobahn 1975
http://www.4shared.com/file/36921990/87c555a7/Kraftwerk_-_Autobahn.html?s=1
A Autobahn (22:30)
B1 Kometenmelodie 1 (6:20)
B2 Kometenmelodie 2 (5:45)
B3 Mitternacht (3:40)
B4 Morgenspaziergang (4:00)
Radio Activity 1975
http://www.4shared.com/file/36918111/ca08bdb/Kraftwerk_-_Radio-Activity.html?s=1
A1 Geiger Counter (1:06)
A2 Radioactivity (6:41)
A3 Radioland (5:51)
A4 Airwaves (4:40)
A5 Intermission (0:38)
A6 News (1:17)
B1 The Voice Of Energy (0:54)
B2 Antenna (3:42)
B3 Radio Stars (3:33)
B4 Uranium (1:27)
B5 Transistor (2:14)
B6 Ohm Sweet Ohm (5:38)
Trans-Europe Express 1977
http://www.4shared.com/file/36999011/85aecd48/Kraftwerk_-_Trans-Europe_Express.html?s=1
A1 Europe Endless
A2 The Hall Of Mirrors
A3 Showroom Dummies
B1 Trans-Europe Express
B2 Metal On Metal
B3 Franz Schubert
B4 Endless Endless
Kraftwerk - Showroom Dummies 1977
http://www.mediafire.com/?sharekey=ce1da0a378a914d74012e8015643d9c851a64d2e88351394
1. Robots [Extended Version]
2. Robots [Single Version]
3. Showroom Dummies [Single Version]
4. Mannequins [Single Version]
5. Spacelab (Bonus Track)
The Man Machine 1978
http://www.4shared.com/file/36913765/970022b6/Kraftwerk_The_Man_Machine.html?s=1
A1 The Robots (6:11)
A2 Spacelab (5:51)
A3 Metropolis (5:59)
B1 The Model (3:38)
B2 Neon Lights (9:03)
B3 The Man · Machine (5:28)
Computer World 1981
http://www.4shared.com/file/37735327/d9bd483a/Kraftwerk_-_1981_-_Computer_World_FELC.html?s=1
A1 Computer World (5:06)
A2 Pocket Calculator (4:55)
A3 Numbers (3:19)
A4 Computer World .. 2 (3:23)
B1 Computer Love (7:16)
B2 Home Computer (6:19)
B3 It's More Fun To Compute (4:14)
Electric Café 1986
http://www.4shared.com/file/37002063/7f8885af/KRAFTWERK_-_Electric_Cafe__English___1986_.html?s=1
A1 Boing Boom Tschak (2:57)
A2 Techno Pop (7:42)
A3 Musique Non Stop (5:45)
B1 The Telephone Call (8:03)
B2 Sex Object (6:51)
B3 Electric Cafe (4:20
Kraftwerk - Aerodynamik CDS 2004
http://www.mediafire.com/?sharekey=ce1da0a378a914d74012e8015643d9c8e46887b311e1090f
http://www.4shared.com/file/33090472/45cba24d/RENI---kraftwerk-aerodynamik.html?s=1
A.Aerodynamik (Klink Klang Dynamik)
B.Aerodynamik (François K Aero Mix)
C.Aerodynamik (Alex Gopher/Etienne De Crecy Dynamik Mix)
D.Aerodynamik (François K Aero Mix Instrumental)
Kraftwerk - The Singles Collection 1974-2004
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01 - Autobahn (Single Version)
02 - Radioaktivität (Single Edit)
03 - Schaufensterpuppen (Edit)
04 - Europa Endlos (Edit)
05 - Die Roboter (Single Version)
06 - Das Modell.
07 - Neonlicht (Single Edit)
08 - Die Mensch-Maschine (Edit)
09 - Computerwelt (Edit)
10 - Taschenrechner (Edit)
11 - Computer Liebe (Single Version)
12 - Heimcomputer (Edit)
13 - Tour De France (Radio Version)
14 - Music Non-Stop (Single Edit)
15 - Der Telefon-Anruf (Edit)
16 - Trans Europa Express '91
17 - Expo 2000 (Radio Mix)
18 - Elektro Kardiogramm (Radio Mix)
19 - Aerodynamik (Kling Klang Radio Mix)
20 - Vitamin (Edit)
Minimum-Maximum 2005
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Pass: mymusikita
1-01 The Man-Machine (Warszawa Sala Kongresowa 27.05.04) (7:55)
1-02 Planet Of Visions (Ljubljana Krizanke 24.05.04) (4:45)
1-03 Tour De France Étape 1 (Riga Olimpiska Hall 29.05.04) (4:22)
1-04 Chrono (Riga Olimpiska Hall 29.05.04) (1:29)
1-05 Tour De France Étape 2 (Riga Olimpiska Hall 29.05.04) (4:48)
1-06 Vitamin (Moskwa Lushniki 03.06.04) (6:41)
1-07 Tour De France (Paris Le Grand Rex 22.03.04) (6:18)
1-08 Autobahn (Berlin Tempodrom 25.03.04) (8:51)
1-09 The Model (London Brixton Academy 20.03.04) (3:41)
1-10 Neon Lights (London Royal Festival Hall 18.03.04) (5:58)
2-01 Radioactivity (Warszawa Sala Kongresowa 27.05.04) (7:42)
2-02 Trans Europe Express (Budapest Sportarena 25.05.04) (5:01)
2-03 Metal On Metal (Budapest Sportarena 25.05.04) (4:28)
2-04 Numbers (San Francisco Warfield 28.04.04) (4:27)
2-05 Computer World (Moskwa Lushniki 03.06.04) (2:55)
2-06 Home Computer (Warszawa Sala Kongresowa 27.05.04) (5:54)
2-07 Pocket Calculator (Moskwa Lushniki 03.06.04) (2:58)
2-08 Dentaku (Tokyo Shibuya AX 04.03.04) (3:15)
2-09 The Robots (Moskwa Lushniki 03.06.04) (7:23)
2-10 Elektro Kardiogramm (Tallinn Exhibition Hall 30.05.04) (4:41)
2-11 Aéro Dynamik (Riga Olimpiska Hall 29.05.04) (7:13)
2-12 Music Non Stop (Moskwa Lushniki 03.06.04) (9:54)
Kraftwerk - The Mix 1991
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1 The Robots (8:57)
2 Computerlove (6:37)
3 Pocket Calculator (4:32)
4 Dentaku (3:28)
5 Autobahn (9:28)
6 Radioactivity (6:53)
7 Trans Europe Express (3:20)
8 Abzug (2:18)
9 Metal On Metal (4:59)
10 Homecomputer (8:02)
11 Music Non Stop (6:37)
Aerodynamik /
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01. Aerodynamik ( Intelligent Design Mix ) 8:36
02.
(1970) Kraftwerk
1. Retreat (Ruckzuck) (7:47)
2. Stratovarius (12:10)
3. Megaherz (9:30)
4. From the High Skies (Von Himmel Hoch) (10:12)
Total Time: 39:39
Line-up/Musicians
- Ralf Hütter / organ, strings, drums, keyboards, vocals, woodwind
- Florian Schneider / flute, percussion, strings, violin, drums, keyboards, vocals, woodwind
- Klaus Dinger / drums
- Andreas Hohmann / drums
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(1971/72) Kraftwerk 2
1. Kling Klang (17:36)
2. Breath (Atem) (2:57)
3. Current (Strom) (3:52)
4. Coil 4 (Spule 4) (5:20)
5. Wave Lenght (Wellenlange) (9:40)
6. Harmonika (3:17)
Total Time: 42:42
Line-up/Musicians
- Ralf Hütter / organ, electric piano, bass, rhythm machine, bells, harmonica
- Florian Schneider / flutes, violin, guitar, bells
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3 comentários:
Uau, que matéria.
e com links.
belo trabalho man.
demorei mas apareci!
simplesmente excelente esse blog adelvas!!!
parabéns.
Escutei muito Kraftwerk, no conjunto Sta Tereza/SE nos anos 80.
Infelizmente não vi ao vivo aqui no Rio.
Abraços
Michael Meneses!
www.paraybarecords.blogspot.com
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