a praça, alternativo, “do bem”. Do rock mesmo, na melhor concepção da palavra.Wander passou um tempo no limbo depois de sua saída dos Replicantes. Parece até que foi de propósito, como que para confirmar a sentença carimbada no titulo do primeiro disco da banda, “O futuro é um vórtex”. Mas eis que um dia, ao trabalhar como operário na iluminação de um espetáculo de teatro, ele se lembrou que seu lugar não precisava ser necessariamente nos bastidores. Voltou pra Porto Alegre e lá começou uma frutífera carreira solo que já dura quatro discos e duas coletâneas, sempre numa temática intimista e etílico/romântica, garajeira e estradeira, atormentada e apaixonada. Temática esta ironicamente batizada em seu inicio de carreira como “punk/brega”. Carreira que começa com “Baladas Sangrentas”, seminal disco de estréia que, a exemplo do primeiro álbum do Cachorro grande, também do Rio Grande do sul, já pode ser considerado um clássico do rock nacional, e desemboca no recente “Paraquedas do coração”. No caminho, atribulado, como toda carreira de artista independente e autentico no Brasil, gravou com a Trama antes da Trama ser A trama e lançou uma coletânea nas bancas de todo o pais encartada na revista outracoisa. Viajou e continua viajando pelo Brasil, fez show no chão, de surpresa, no meio do publico, e também no palco do Abril pro rock e de vários outros festivais por aí afora, trabalhou com alguns dos mais influentes produtores do rock brasileiro, como Tom Capone e Carlos Eduardo Miranda, é freqüentemente ovacionado pela critica especializada e invariavelmente cultuado por pelo menos duas gerações de roqueiros tupiniquins, mas nunca abandonou seu espírito anárquico, livre e underground. Profundamente livre, simples, “desencanado”. Se você estiver numa van com ele a caminho do show e o pneu furar, é possível que ele se ofereça para trocá-lo. Se de passagem para o banheiro no muquifo onde o show ocorre você tiver que pedir licença a ele, o “astro” da noite, ele a dará sem pestanejar. E se o dono do bar onde ele acabou de tocar for gente fina e o tratar bem, é provável que ele o ajude a limpar o recinto e guardar as mesas e cadeiras no final da noite. Esse é Wander Wildner. Um cara do caralho.segunda-feira, 25 de junho de 2007
Wander Wildner
a praça, alternativo, “do bem”. Do rock mesmo, na melhor concepção da palavra.Wander passou um tempo no limbo depois de sua saída dos Replicantes. Parece até que foi de propósito, como que para confirmar a sentença carimbada no titulo do primeiro disco da banda, “O futuro é um vórtex”. Mas eis que um dia, ao trabalhar como operário na iluminação de um espetáculo de teatro, ele se lembrou que seu lugar não precisava ser necessariamente nos bastidores. Voltou pra Porto Alegre e lá começou uma frutífera carreira solo que já dura quatro discos e duas coletâneas, sempre numa temática intimista e etílico/romântica, garajeira e estradeira, atormentada e apaixonada. Temática esta ironicamente batizada em seu inicio de carreira como “punk/brega”. Carreira que começa com “Baladas Sangrentas”, seminal disco de estréia que, a exemplo do primeiro álbum do Cachorro grande, também do Rio Grande do sul, já pode ser considerado um clássico do rock nacional, e desemboca no recente “Paraquedas do coração”. No caminho, atribulado, como toda carreira de artista independente e autentico no Brasil, gravou com a Trama antes da Trama ser A trama e lançou uma coletânea nas bancas de todo o pais encartada na revista outracoisa. Viajou e continua viajando pelo Brasil, fez show no chão, de surpresa, no meio do publico, e também no palco do Abril pro rock e de vários outros festivais por aí afora, trabalhou com alguns dos mais influentes produtores do rock brasileiro, como Tom Capone e Carlos Eduardo Miranda, é freqüentemente ovacionado pela critica especializada e invariavelmente cultuado por pelo menos duas gerações de roqueiros tupiniquins, mas nunca abandonou seu espírito anárquico, livre e underground. Profundamente livre, simples, “desencanado”. Se você estiver numa van com ele a caminho do show e o pneu furar, é possível que ele se ofereça para trocá-lo. Se de passagem para o banheiro no muquifo onde o show ocorre você tiver que pedir licença a ele, o “astro” da noite, ele a dará sem pestanejar. E se o dono do bar onde ele acabou de tocar for gente fina e o tratar bem, é provável que ele o ajude a limpar o recinto e guardar as mesas e cadeiras no final da noite. Esse é Wander Wildner. Um cara do caralho.quarta-feira, 13 de junho de 2007
Rock Sergipano, esse desconhecido
Underground é um termo em inglês que serve para designar aquilo que se encontra embaixo do solo. O metrô, por exemplo, em muitos lugares é chamado de underground. Com o tempo, os críticos musicais se apropriaram deste termo para designar a musica que era feita à margem do grande circuito da mídia. A mídia, em todo o mundo e, como não poderia deixar de ser, também em nosso país, se concentra onde está o dinheiro, literalmente, ou onde se encontram os centros de poder econômico e de decisão política, no nosso caso, sul e sudeste e eventualmente Brasília. Partindo-se desse ponto de vista, poderíamos dizer que qualquer manifestação artística nascida em nosso estado (com exceção, vá lá, da Calcinha Preta, que tem projeção nacional) é underground, porque está longe dos holofotes da mídia, num âmbito geral. Mas existem correntes artísticas que se desenvolveram ao largo mesmo aos olhos da mídia local. Este, poderíamos dizer, é o nosso submundo, o submundo do submundo. Nele se encontra o rock sergipano, esta entidade misteriosa que, a despeito de ser quase que completamente desconhecido, existe, produz e se reproduz, ao ponto de começar a ser, timidamente, notado e reconhecido. O rock sergipano como um movimento, uma entidade oriunda da existência de várias bandas que tocam juntas e dão suporte umas às outras, começou a se formar no inicio dos anos 80, de carona na grande onda do rock nacional, que por sua vez pegou carona na onda new wave que tomava conta do mundo. Por essa época, começavam a se formar bandas de garagem que tinham na precariedade de recursos e na vontade de criar e se comunicar suas principais caracteristicas. Capitaneadas pela figura de verdadeiros agitadores culturais dos subterrâneos, como Sylvio “Suburbano” e Vicente “Coda”, surgiram nomes como Sem Freio na Língua, Fome Africana e The Merdas. Esta ultima, por sinal, contava em suas fileiras, como baterista, com o hoje nacionalmente conhecido Hélder “Podre”, mais conhecido pelo nome artístico de DJ Dolores. Vicente promovia festivais conhecidos na época como rockadas, um deles, inusitadamente, realizado em sua própria casa, e Sylvio seguia a passos largos em direção a uma militância anarquista que o levou ao mundo do punk rock engajado. Juntos, os dois formaram a Karne Krua, a mais antiga das bandas sergipanas em atividade até o momento. Na esteira de suas atitudes pioneiras, outros grupos foram nascendo, e de diversas matrizes, como a new wave propriamente dita, com CROVE HORRORSHOW, LULU VIÇOSA, ALICE e a já citada FOME AFRICANA, o punk rock/hardcore, com KARNE KRUA, MANICÔMIO, FORCAS ARMADAS, CONDENADOS e LOGORRÉIA, entre outros, e correndo por fora, numa cena à parte, sempre, o mundo do metal, que tinha como seu maior nome o lendário GUILHOTINA. Os espaços para apresentação eram precários, mas as tribos tinham seus pontos de encontro, notadamente as lojas especializadas DISTÚRBIOS SONOROS e LOKAOS e inclusive contaram, durante um certo período, com o apoio de um programa especializado na Rádio Atalaia FM. Chamava-se ROCK REVOLUTION, era produzido pela loja Distúrbios sonoros e costumava, sempre que a qualidade de gravação permitia, ceder espaço para as bandas locais. Com o tempo a maioria dos grupos foi se dissolvendo e seus membros sendo absorvidos pelo “sistema”, mas alguns deles resistiam. A Karne Krua é o exemplo maior de persistência e fidelidade à cena, tanto local quanto nacional. Ao seu redor foi surgindo uma nova onda de hardcore sergipano, materializada principalmente nas bandas SUBLEVAÇÃO, CLEPTOMANIA, OLHO POR OLHO e LECKTOSPINOISE, além de um sem-numero de grupos que seguiam uma tendência ainda mais rápida e barulhenta do estilo conhecida como grindcore, dentre elas REFUGOS DE BELSEN, CAMBOJA, e ANAL PUTREFACTION . Com o tempo, essa ultima foi se aproximando do metal e transformando seu som em Death Metal, enquanto o Camboja, capitaneado na figura de seu líder e multiinstrumentista Jamson Madureira, começa a sofrer influencias do rock industrial à la Ministry e Nine Inch Nails, tornando-se a mais inovadora e, talvez por isso mesmo, injustiçada banda do rock sergipano. Teve uma carreira curta mas deixou um belo legado de energia e criatividade para quem conheceu suas demos (GRIND TO GRIND, LIES ABOUT FREEDOM) e frequentou suas apresentações, sempre antológicas. No front do metal despontava a DEUTERONÔMIO, fundada ainda nos anos 80 por Vicente Matheus, o Bruxo (de saudosa memória) e que teve uma carreira sólida e constante até a metade dos anos 90.



